Última Palavra: O Mundo Não Acabou… Ainda!

Data de publicação: 08/12/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 07 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 07

Por: Harold Walker

“Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas”(2 Pd 3.10).

No dia 11 de agosto passado, por ocasião do último eclipse do século, o Brasil e o mundo viveram um pequeno prenúncio da histeria em massa que tende a aumentar cada vez mais à medida que o fim do século e do milênio se aproxima. Ouviram-se histórias de pessoas que tomaram medidas extremas como suicídio, destruição dos bens pessoais e até conversão como resultado do extremo terror que sentiam diante da iminente destruição do mundo.

Por outro lado, na grande maioria dos círculos, o tema era motivo de piadas. Muitas pessoas, apesar de se sentirem um pouco inquietas e de terem dado um grande suspiro de alívio no dia 12, em público procuraram transparecer total tranquilidade e ridicularizaram os que levavam o assunto mais a sério.

E a igreja? Como ela se posicionou e ainda se posicionará diante das outras crises que certamente virão até o fim do ano? Se não acontecer nada no nível material ou físico, com certeza enfrentaremos dias turbulentos causados pela psicose global. Se os mercados financeiros estremecem diante de meros rumores de distúrbios em pontos distantes do planeta, imagine o que pode acontecer diante dos verdadeiros furacões das emoções coletivas da humanidade que estão aparecendo no horizonte! De fato, as palavras de Jesus, ditas tanto tempo atrás, nunca pareceram tão apropriadas e atuais: “E haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e sobre a terra haverá angústia das nações em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas; os homens desfalecerão de terror, e pela expectação das coisas que sobrevirão ao mundo…” (Lc 21.25,26).

Se por um lado, o cristão não deve se entregar ao desespero ou à crendice barata, vendendo ou doando seus bens, marcando datas e horas e subindo montes vestido de branco, por outro lado, ele não deve levar o assunto em brincadeira, levianamente. De fato Jesus nos avisou que surgiriam falsos cristos e falsos profetas e que lhes não deveríamos dar crédito (Mt 24.4,5,11,23,24). Mas ele também nos alertou sobre o perigo do comodismo e materialismo e a necessidade de vigiar e orar (Lc 21.34-36). Não podemos ser fanáticos e imprudentes mas também não podemos ser acomodados e desatentos.

Se achamos louco o agricultor no nordeste brasileiro que queimou sua casa, todos seus pertences e todo seu estoque de arroz para o ano porque “Nossa Senhora não gosta de ricos” e porque achou que o fim do mundo realmente viria no dia 11, também devemos considerar loucos a grande maioria dos cristãos que vivem em função do prazer e do conforto materiais e não levam os alertas da Palavra sobre a vinda de Cristo a sério.
Se estudarmos atentamente a Palavra chegaremos à conclusão que realmente Jesus não voltará “esta noite”, nem até o fim do ano. Por quê? Porque a Palavra nos mostra um Deus que não opera de forma errática e irracional, mas que vem trabalhando desde o início da história em cima de um propósito e só vai terminar a história quando este propósito for atingido (Ef 1.9-11).

Está claro em muitos trechos das Escrituras que Jesus só voltará para “uma igreja gloriosa” (Ef 5.27), “nos tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio” (At 3.21), quando a igreja “manifestar a multiforme sabedoria de Deus aos principados e potestades nos lugares celestiais” (Ef 3.10,11) e quando a igreja for um com ele como ele é com o Pai “para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17.21).

Sendo assim, podemos ficar tranquilos  pois o mundo não acabará nem Jesus voltará tão já, pois o propósito de Deus ainda não foi atingido, certo? Errado! Em todo lugar nas Escrituras onde fala sobre o dia do Senhor, sobre o fim do mundo e sobre a vinda de Cristo, o tom é de urgência. Não há tempo para perder. Cada dia é importante. É esta urgência profética que tem impulsionado a igreja em cada geração a cumprir os propósitos de Deus para sua época. Quanto mais agora, quando estamos não só profeticamente, mas também cronologicamente, perto do fim, precisamos sentir a urgência escatológica do momento em que vivemos. Mesmo que Noé gastou cem anos para fazer a arca, se não tivesse trabalhado com urgência, o serviço não teria se completado a tempo.

Nossa tarefa como igreja não é ficar especulando sobre “os tempos ou as épocas que o Pai reservou à sua própria autoridade” (At 1.7) e sim juntar nossas vozes com a voz do Espírito e dizer: “Vem”. Enquanto os homens “desfalecem de terror e pela expectação das coisas que sobrevirão ao mundo”, nós devemos “exultar e levantar as nossas cabeças, porque a nossa redenção se aproxima” (Lc 21.28). Em vez de chorar e clamar “Ai, ai!” quando toda a Babilônia comercial começar a cair, precisamos juntar nossas vozes à do grande coro celestial que proclama: “Aleluia!” (Ap 19.1-6). Em vez de nos embriagar e nos carregar de glutonaria e dos cuidados da vida devemos vigiar e orar para “escapar de todas estas coisas e estar em pé na presença do Filho do homem” (Lc 21.34-36). Enquanto “o sujo suja-se ainda e o injusto pratica injustiça ainda” (Ap 22.11), nós precisamos santificar-nos muito mais, pois “sem santificação, ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

“Ora, uma vez que todas estas coisas hão de ser assim dissolvidas, que pessoas não deveis ser em santidade e piedade, aguardando, e desejando ardentemente a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se dissolverão, e os elementos, ardendo, se fundirão?”(2 Pd 3.11,12).

Harold Walker é membro do conselho editorial da Revista Impacto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *