Última Palavra: De Todo o Coração

Data de publicação: 11/12/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 05 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 05

Por: Christopher Walker

A Bíblia foi o maior presente que Deus deu aos homens – depois do seu próprio Filho. É a revelação de Deus a nós, é a história do seu amor, do seu zelo, da sua paixão, do seu ciúme, dos seus planos, da sua paciência, da sua fidelidade, das suas alianças. Apesar de ter tantos autores humanos diferentes, que escreveram em épocas tão distantes umas das outras, constitui uma mensagem unida, harmoniosa, consecutiva, e que cresce e desenvolve até seu grande clímax final no Apocalipse.

Um dos maiores milagres da Bíblia é que, apesar do seu propósito de revelar Deus aos homens, somente aqueles que têm o código secreto de acesso conseguem realmente abrir os mistérios nela escondidos.

Não, não é nenhum grupo especial ou esotérico que detém este código secreto. Nem é através de longos anos de estudos profundos ou intelectuais que podemos chegar lá. Pelo contrário, uma parte do código é ser humilde, ser criança, sentir necessitado. “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos,” Jesus orou (Mt 11,25).

O que assusta sobre este código secreto é que não são apenas as pessoas que declaradamente rejeitam o amor e o plano de Deus que ficam impedidos de compreender o que lêem (quando lêem). As igrejas também estão cheias de pessoas que carregam a Bíblia embaixo do braço, mas nunca foram além das fórmulas básicas do caminho da salvação, e não têm qualquer idéia da verdadeira história, do verdadeiro drama que a Bíblia foi escrita para revelar. Mais do que isto, muitos pregadores, seminaristas, pastores e líderes, não a conhecem no seu verdadeiro conteúdo.

Usamos a Bíblia para descobrir como escapar do inferno, para saber como conseguir as coisas de Deus, para viver uma vida melhor, para suavizar nossas mentes e emoções quando estamos angustiados, perplexos ou deprimidos, para servir de devocional, para dar bons exemplos, para tirar boas ilustrações para os sermões.

Usamos a Bíblia para defender nossas teorias, para desenvolver doutrinas, práticas ou códigos de conduta, para provar que estamos certos, para excluir, condenar e julgar quem não se identifica com nossos pensamentos ou formas de servir a Deus.

Dividimos a Bíblia em várias partes, a maioria das quais não tem muito a ver com nossa vida atual, e assim a sua leitura não nos traz muita luz ou edificação. “Isto foi só no tempo da lei, isto não vale mais para nós, Deus não é mais assim” – nós pensamos.

Em essência, continuamos como fariseus, conhecedores da Bíblia (às vezes nem isto), mas sem conhecer o coração de Deus, sem conhecer sua história, seu pensamento, seus caminhos. Aceitamos Jesus, sim, aceitamos seu perdão, queremos ir para o céu, até experimentamos seus milagres e poder sobrenatural, mas não paramos para entender e sentir seu coração.

Qual é o código secreto? Qual a senha? Mostre-nos, para que consigamos entrar, para que conheçamos os segredos de Deus. Quem não quer entrar no conselho secreto de Deus? (SI 25.14)

O código está pela Bíblia inteira. Conhecemo-lo de cor, recitamos os versículos, e de tão conhecido, achamos que faz parte da nossa vida. Mas não é um código para memorizar, nem digitar num computador.

Jesus o deu ao jovem rico, mas ele não o conseguiu usar. Deu ao escriba que perguntou qual era a chave de toda a Bíblia, e muitos se admiraram da resposta. Não só porque era uma resposta profunda e sábia, mas porque foi tirada de um texto que todos conheciam.

Há muitos séculos antes, Deus o dera ao seu povo através de Moisés, com quem falava face a face. E até hoje, a voz de Deus pode ser ouvida, suplicando, chamando, convidando: “Ouve, Israel! Ouve, por favor, ouve! Escuta com o coração! Sente a paixão, o desejo, o anseio! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Não há outro marido, não há outro objetivo, não há outro sentido na vida. Nada mais pode concorrer com isso. Nada pode tomar o seu lugar no teu coração. Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.” (Dt 6.4,5)

Está em todas as páginas da Bíblia. Foi o que o homem e a mulher perderam no jardim do Éden, quando duvidaram da intenção e motivação de Deus em dar aquela ordem. Que amor é este que coloca uma ordem que não é para o bem da pessoa amada?

O resto da Bíblia é a história de como Deus está procurando reencontrar este amor perdido. E nós estamos tão preocupados em salvar e guardar e edificar a nossa vida, e em ir para o céu, que nem nos interessamos pelo que realmente está no coração de Deus.

Podemos ser povo de Deus, e não ser seus amigos. Infelizmente, é isto que tem acontecido em grande parte da história de Deus com o homem. Mas, de onde estivermos, seja qual for nossa posição como filho de Deus, obreiro, ou até ancião do povo de Deus, ainda podemos ter acesso ao conselho íntimo de Deus, e conversar com ele sobre seu plano, seus segredos, e seu coração, se o buscarmos “de todo o coração e de toda a alma” (Dt4.29).

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