Última Palavra: A Linha Que Deus Está Traçando

Data de publicação: 24/11/2011
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Edição 17 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 17

Pela segunda vez consecutiva estamos oferecendo aos leitores da Revista Impacto um editorial traduzido da Revista Charisma (edição de junho de 2001), por sentirmos que contém uma palavra de alerta para toda a Igreja Cristã do mundo ocidental.

Por: J. Lee Grady

Quando estive na China em janeiro deste ano, entrevistei uma corajosa líder e anciã da igreja subterrânea para descobrir como Deus a usou para implantar igrejas em toda a Província Henan do seu país. Quando meu colega e mentor Barry St. Clair perguntou à “Irmã Débora” que tipo de treinamento ele poderia trazer para seus líderes de jovens numa próxima visita à China, ela respondeu sem hesitação:

“Precisamos de duas coisas. Primeiro, precisamos saber como treinar jovens e adolescentes como discípulos cristãos. Segundo, precisamos saber como obter acesso a países muçulmanos fechados, como Afeganistão e Cazaquistão. Queremos enviar jovens para estes países para iniciar igrejas.”

Esta tem sido a estratégia da Irmã Débora há meses. Ao mesmo tempo que ela e seus co-obreiros na igreja não oficial estão experimentando sucesso fenomenal em alcançar a China — na proporção de 25.000 convertidos por dia — eles acreditam que logo obterão a liberdade de sair da China como missionários. Ela disse que está grata a Deus pela prisão, tortura e molestamento que sofreu na China, porque isto tudo a preparou para futuros serviços em ambientes ainda mais hostis.

Quando a liberdade política chegar um dia na China, ela não pretende se relaxar. Ela planeja levar o evangelho a algum outro país onde cristãos são torturados e mortos. “Para alcançar os muçulmanos, é necessário ter a habilidade de suportar sofrimento, a fim de se poder compreendê-los e se relacionar”, ela diz.

Senti-me envergonhado ao ouvir o comprometimento abnegado desta mulher. Durante seus anos na prisão, ela foi espancada e submetida a choques com aguilhões elétricos. Hoje ela não pode morar na própria casa com sua família, pois a polícia a prenderá se for identificada. Entretanto, seus olhos brilham quando fala a respeito de riscos futuros que deseja assumir.

Quando voltei da minha viagem, não pude deixar de notar a diferença entre o Cristianismo na China — onde servir ao Senhor é um sacrifício diário — e este que temos no mundo ocidental, onde nossa mensagem está tão centralizada em nós mesmos. O “evangelho” que pregamos aqui causa até náuseas às vezes:

• Recentemente, descobri que um evangelista conhecido nos Estados Unidos rotineiramente reserva a mesma data para compromissos em dois lugares, para depois determinar qual igreja lhe fará a melhor proposta financeira. Depois cancela o compromisso com aquela que ofereceu a proposta inferior.

• Em muitas conferências carismáticas populares, palestrantes famosos exigem acomodações de luxo e honorários em valores de cinco dígitos. Depois quando “ministram” na plataforma, imitam a unção, derrubando as pessoas no chão depois de orar por elas.

• Grande parte do que se prega nos círculos de conferências carismáticas não passa de baboseira egocêntrica. É tudo sobre usar Deus para obter “minha vitória”, “minha bênção”, ou (o pior de todos) “minha unção”. Não há quebrantamento na voz do pregador, não se percebe qualquer submissão no tom da sua voz, nem se pode encontrar a cruz na sua mensagem.

Creio que Deus está traçando algumas linhas hoje. Sua escrita sobrenatural já está na parede do palácio religioso. Ministérios na igreja que se concentram no dinheiro e no próprio eu estão prestes a cair. O povo de Deus está enojado daquilo que não satisfaz. O que queremos é a verdadeira mensagem de Jesus, encarnada em líderes abnegados, dispostos a andar no meio do fogo até se incendiarem unicamente com a agenda de Deus.

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