Testemunho de Impacto: O Culto Que Não Pode Faltar

Data de publicação: 14/11/2011
Este artigo pertence a: Edição 69

Por: Wilson Jr. Moraes 

Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te (Dt 6.6-7).

Em 21 anos de casamento, sempre tive dificuldade de estabelecer lugar e horário para leitura da Bíblia e oração em família. As desculpas sempre foram parecidas, mas a verdade é que isso não era prioridade.

Com o tempo, descobri que não apenas o culto familiar estava comprometido, mas também que meu tempo individual com Deus era relegado a segundo plano. E ainda mais: a importância de participar da comunhão do Corpo de Cristo esmorecia da mesma forma.

Hoje, entendo que os três níveis de comunhão com Deus andam de mãos dadas: comunhão individual, comunhão familiar e comunhão coletiva. Não há como alguém dizer que mantém um bom relacionamento com Deus individualmente se é omisso na comunhão com o Corpo ou com a Família. Um nível de relacionamento acaba fortalecendo o outro. Da mesma forma, a falha em um enfraquece o outro.

E Deus, em sua misericórdia, providencia meios de nos alertar, corrigir e colocar no centro de sua perfeita vontade. No meu caso, o meio utilizado foi um encontro que tive com John Walker alguns anos atrás.

Tive o privilégio de conhecer John Walker ou, simplesmente, irmão João, como todos o chamavam. Não era um conhecimento profundo e íntimo, mas as poucas vezes em que pude conversar com ele foram marcantes. A última vez foi no início de 2006, quando visitei minha mãe, que ainda era viva, em São Paulo. Aproveitamos para visitá-lo em Jundiaí.

Quem conheceu John Walker sabe que ele era um homem de Deus, intenso, com presença marcante e, de certa forma, intimidadora. Aprendi, com minha mãe, que na falta de assunto, o silêncio era algo normal. Ninguém era obrigado a falar do tempo, por exemplo.

Nessa visita, tivemos momentos muito bons de comunhão, mas um fato me marcou profundamente. Logo no início de nossa conversa, o irmão João me fez uma pergunta à queima-roupa: “Você está tendo tempo com Deus com sua esposa e seus filhos?”

A primeira tendência foi relacionar algumas desculpas às dificuldades de nos reunirmos em família. Mas consegui me conter a tempo. Sabia que essa não seria uma resposta honesta. Depois de um breve silêncio, respondi: “Não”. O silêncio que se fez a seguir foi muito embaraçador para mim. A conversa acabou seguindo outro rumo, mas fiz a mim mesmo uma promessa: da próxima vez que eu me encontrasse com o irmão João, a resposta seria diferente. Esse era o tipo de influência que ele exercia sobre as pessoas.

Nunca me encontrei novamente com ele, mas a semente estava plantada. Desde então, coloquei como prioridade estabelecer um lugar e um horário para termos um momento de oração e leitura da Bíblia em família. A partir do instante em que a prioridade foi estabelecida, começaram a surgir problemas. As atividades de nossos três filhos adolescentes e estudantes, da minha esposa empresária e os meus compromissos profissionais provocavam muitos conflitos de horários que fizeram com que nossas primeiras tentativas de reunião familiar não funcionassem.

Tentamos nos reunir de manhã, mas não deu certo, pois os filhos saíam bem cedo para a escola. Nem tentamos nos reunir à noite, pois cada um de nós tinha os próprios compromissos individuais (até mesmo na igreja). Por fim, descobrimos um horário em que todos nós poderíamos sentar para ler a Bíblia, orar e conversar sem interrupções: 1 hora da tarde. Conseguimos organizar nossos horários para, a essa hora, chegarmos em casa, almoçarmos juntos (o que também se mostrou um ganho muito importante) e termos nosso tempo com Deus.

Conseguimos manter esse hábito por um bom tempo. Até que, por motivos profissionais, precisei trabalhar longe de casa durante a semana, em Brasília, a 300 quilômetros de casa. O desafio profissional era muito importante, mas fiquei com o coração apertado de ter de sacrificar nosso tempo diário em família. Porém, pensando um pouco melhor, descobri que não era necessário sacrificar nada. Aproveitei-me da tecnologia disponível e continuamos a nos reunir diariamente – por meio da Internet.

Hoje, no mesmo lugar e hora, no sofá da sala em que antes eu me sentava, não estou mais eu, mas um notebook com Skype aberto, por meio do qual eles podem me ver, e eu, de Brasília, posso vê-los. O resto não mudou. De segunda à sexta, continuamos conversando, lendo a Bíblia juntos e orando. E dou graças a Deus por esses momentos. Vou deixar que minha família diga como tem sido essa experiência.

Maria José, esposa:

Eu realmente creio que o Senhor nos despertou para nos reunirmos em família, há mais ou menos três anos, porque ele sabia o quanto esses momentos se tornariam importantes em nossa vida. Esse tempo em família tornou-se tão precioso para nós que, quando surgiu a necessidade de estarmos separados, não medimos esforços para manter as reuniões. Hoje, quando não conseguimos nos reunir (como, por exemplo, por causa de uma pane no Skype), sentimo-nos incompletos e ansiosos para chegar o momento de nos reunirmos novamente. Durante essas reuniões, conversamos sobre os problemas, as alegrias e, principalmente, as decisões que eu tenho de tomar em relação aos nossos filhos e empresas, e oramos juntos. Isso tem ajudado a nos fortalecer no Senhor como família. A minha oração é que o Senhor nos dê individualmente esse nível de compromisso com ele da mesma forma que o temos alcançado como família.

Gabriel (18 anos):

É um momento que Deus usa para nos tratar e nos unir. Um momento de esclarecer dúvidas, de debater, de rir, de chorar, de se abrir e aprender de Deus.

Jordana (16 anos):

Na minha família, o culto diário tem sido uma bênção, e é incrível como o Senhor age nesses momentos. Não se resume unicamente a alguns minutos lendo a Bíblia, mas é um tempo de conhecimento de Deus e também familiar. O poder do Senhor se manifesta grandemente quando estamos unidos em seu nome, e nada fica encoberto diante dele. Em família, podemos compartilhar todos os problemas por que estamos passando, buscar auxílio e orientação divina. Deus também usa sua Palavra para nos corrigir e ensinar. A leitura diária da Bíblia nos fortalece e nos faz entender o que ele quer de nós, e qual é o seu objetivo. O culto familiar, além de tudo, aproxima a família e traz abertura para discutir todo tipo de assunto.

Camila (14 anos):

Para mim, só depois que começamos a nos reunir é que percebi como é importante um momento diário para a família estar reunida na presença de Deus. Não só para ler e aprender a Palavra, mas também para conversar em família. Assim, vemos como é essencial, para qualquer filho, ter uma momento para conversar com os pais e com os irmãos, poder falar sobre os estudos, sobre amigos. E, para os pais, falar sobre preocupações, sobre o trabalho ou qualquer assunto do dia a dia e, principalmente, para colocar esses assuntos também na presença de Deus. Para a nossa família, esse momento se tornou ainda mais importante com a mudança do meu pai. Mas, mesmo à distância, continuamos nos reunindo.

Para você pensar:
você tem tido tempo sozinho com Deus? Isso tem sido uma prioridade para você? Se você é pai de família, você entende que é sua responsabilidade estabelecer um tempo com Deus em família?

Wilson Jr. Moraes
Servidor público federal em Brasília, casado com Maria José e pai de três filhos. É autor do blog: www.paravocepensar.com

 

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