Testemunho de Impacto: Experiências no Tronco Oco

Data de publicação: 17/11/2011
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Edição 21 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 21

Por: G. C. Bevington

Eu estava em Ironton, em Ohio, em uma missão que Deus estava abençoando, quando o Senhor me impressionou para ir embora para Cleveland. Foi uma grande luta para mim, mas quando o Senhor enviou um casal para tomar meu lugar em Ironton, eu sabia que era hora de partir. Sem dinheiro, deixando todos os equipamentos (órgão, cadeiras etc.) em Ironton, eu só tinha um contato em Cleveland. A primeira coisa a fazer era me aquietar, e orar para Deus levantar uma missão ali, pois eu nunca entrava em dívida. Fui à casa deste único conhecido que tinha, e fiquei seis dias orando e jejuando. No sétimo dia, meu anfitrião me pediu para sair…

Recebi uma carta da esposa do irmão Allen, que tocara órgão nas minhas reuniões em Ironton. Na carta ela dizia que ao recebê-la, seu marido provavelmente já estaria sepultado, pois o médico o desenganara, e não havia nele quase nenhum sinal de vida.

Levei a carta para meu quarto de oração, deixando instruções para que ninguém entrasse, nem me chamasse. Fiquei prostrado ali onze horas para descobrir se ele estava vivo ou morto. Eu estava com muitas ocupações na minha mente, por isto levou tanto tempo para que eu me aquietasse o suficiente para ouvir a voz de Deus.

Finalmente o vi deitado como se estivesse morto, totalmente pálido e imóvel, e achei que certamente tivesse partido; mas não pude levantar e interromper a visão, então fiquei mais cinco minutos. E então o vi levantando a mão direita e sorrindo. Exclamei: “Amém, Senhor; agora vamos buscar sua cura!”.

Mas tive de ficar mais nove horas para saber se o Senhor tinha propósito de curá-lo ou não. Portanto, já se tinham ido vinte horas ali prostrado. Mas agora sabia que estava no caminho certo, e pude prosseguir com mais entendimento, pois estava com o alicerce lançado. Levou apenas mais trinta e seis horas para vê-lo totalmente curado. Eu o vi sentado diante de um órgão, tocando com toda sua energia. Depois de ficar naquele quarto escuro por cinqüenta e seis horas, pude sair como vencedor no nome de Jesus. Saí, comi alguma coisa, e escrevi uma carta ao casal, dizendo que ele estava curado, e que em duas semanas estaria trabalhando. E realmente aconteceu tudo, da mesma forma como eu havia visto.

Durante umas reuniões, pediram-me para orar em favor de um caso muito difícil de uma família, que havia dezessete meses se isolara totalmente da igreja e do contato com outras pessoas. Depois da última reunião, fui à mata que era minha sede, e me acomodei confortavelmente no meu tronco oco. Perguntei ao Senhor se ele queria que me dedicasse a este caso, e se isto o glorificaria.

Fiquei ali várias horas, sem conseguir uma resposta, mas também não ousei sair do meu “apartamento”. O problema era que eu tinha vários lugares me esperando, embora sem data marcada, pois sempre evitava marcar datas para começar, e nem para terminar. Deixava isto para o Pai resolver. Então levei várias horas para desistir de todas estas oportunidades, especialmente porque algumas com certeza seriam liberais em dar ofertas, e minha carteira estava vazia fazia um bom tempo. Tudo isto fazia parte da estratégia de Satanás para me desviar das questões cruciais, e assim levei quase dezenove horas para descobrir se Deus me queria neste caso ou não.

Depois deste tempo prostrado diante de Deus, recebi uma forte impressão que deveria me dedicar a este caso. E depois foi mais difícil ainda para achar a pista certa e começar a caminhar nesta direção. Para isto levei cinqüenta e quatro horas para me aquietar e ficar suficientemente pequeno a ponto de Deus poder me manejar e me colocar no caminho que ele queria.

Nós geralmente somos tão importantes, tão grandes, tão desajeitados, tão absortos em nós mesmos, que demora um tempão para Deus conseguir nos colocar no seu torno, e nos lapidar, para poder nos usar nos lugares pequenos por onde geralmente teremos de passar. É necessário que ele nos esmerile bastante até cortar fora toda esta importância própria, já que sem fazer isso não consegue nos usar para seus propósitos, sejam quais forem.

Algum tempo depois, enquanto estava neste mesmo caso, e depois que Deus me colocara no caminho certo, revelando-me que a causa do problema estava na própria igreja, voltei à mata para minhas acomodações espaçosas, para buscar de Deus a solução final, e a oportunidade de falar com a família isolada. Era um pedido muito difícil, pois estavam muito envergonhados, e se recusavam a falar com quem quer que fosse.

Bem, gastei setenta e duas horas só para afastar os “urubus” e aves de rapina, e para me aquietar através de espantar definitivamente a todos eles.

Estas aves de rapina não eram uma peculiaridade do tempo dos profetas (ver Gn 15.11), mas parecem ter uma descendência numerosa nos nossos dias também. É muito comum que apareçam, abaixando-se sobre aqueles que buscam a Deus, e querendo devorar as ofertas de revelações.

Depois de lutar durante setenta e duas horas, e de manter todo o inferno longe de mim, pude ficar quietinho, ao ponto de Deus me mostrar passo a passo como chegar àquela família…

Recebi uma carta de um homem dizendo que sua esposa estava no hospital, sem esperança de recuperação. Peguei a carta e a Bíblia, e passei dezenove horas clamando por ela. No final, vi-a levantar-se e erguer sua mão, com a maior clareza possível, embora estivesse a mais de trezentos quilômetros de distância.

Talvez você esteja perguntando: “Por que levou tanto tempo, já que a mulher estava sofrendo tanto, e precisava de ajuda imediata?”

Bem, foi porque, como em tantas outras ocasiões, levei um bom tempo para me aquietar, em virtude do grande número de outros casos que também precisavam de solução. Satanás está sempre por perto para nos lembrar dos muitos casos importantes a que devemos dar atenção. Ele sabe que isto nos desviará da linha principal, nos desligando da rede de energia, e bloqueando tudo. Assim levou horas só para saber se o Senhor de fato iria curá-la. Depois só levou duas horas para vê-la levantada, enquanto que precisei de dezessete horas para saber a mente do Senhor.

Muitas artimanhas de Satanás foram usadas para me desviar. Ficava sonolento, disperso, e desconcentrado, tudo somente para me desanimar, e me fazer desistir do caso. Porém, continuei persistindo, e apresentei a Deus bons argumentos para sua recuperação imediata. Entretanto, encontrava também, dentro da minha própria mente, motivos igualmente bons do ponto de vista natural e lógico para não acreditar que seria curada. Vinham argumentos especialmente no sentido de que devemos respeitar as leis naturais, já que Deus as criou, e tudo isso criou um obstáculo bastante sólido e formidável para minha fé.

Mas continuei insistindo, até que a vi deitada como cadáver. Aí Satanás disse: “Está vendo? Você já fez tudo que pôde, e ela está morta. Não adianta agora ficar mais tempo aqui. Depois de dezessete horas aqui, não há mais o que fazer.”

Apesar da lógica, e até das palavras lisonjeiras, lutei contra tudo isso, e pedi ao Senhor que me respondesse, se estava morta ou não. Logo as nuvens se dissiparam, não houve mais argumentos lógicos, e veio a seguinte palavra para mim: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor de todas o livra” (Sl 34.19). Comecei a louvar a Deus, e logo recebi a evidência de que não só estava viva, mas curada; de fato, poucos dias depois, recebi a notícia confirmando o que o Senhor me mostrara.

G. C. Bevington foi um homem de muita fé e oração que viveu no fim do século XIX e início do século XX.

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