Testemunho de Impacto: Digno de Não Ser um Mártir

Data de publicação: 18/11/2011
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Edição 20 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 20

“Se não fosse por pessoas como Aicão, nossa Bíblia seria muito fina. Graças a Deus pelo pregador que escapa de ser morto como mártir… pela influência de Aicão. …Nem todas as palavras de Deus devem ser escritas em sangue.”

Há mais de 30 anos, dois irmãos saíram da província de Henan, na China central, cheios do poder de Deus. Cada vez que eles pregavam, muitos eram levados ao arrependimento. Seus ministérios eram grandemente abençoados até que sérias restrições estorvaram seus movimentos. Então um deles foi preso. Morreu na prisão no início dos anos 70 e, nas palavras do seu irmão, o Sr. Há: “O seu testemunho moveu-se das palavras no ar para o sangue na terra”.

Mas, o Sr. Ha continuou a pregar. Retomou um trabalho evangelístico em sua província natal de Henan e bem depois da morte do Chefe Mao, em 1976. Ele era apresentado em toda parte como “o irmão daquele que foi contado entre os dignos de sofrer a morte de um mártir”.

No começo ele não se importava. Ele lembra: “Eu tinha orgulho da forma como meu irmão morrera por Cristo”. Mas depois de um pouco começou a invejar a maneira pela qual seu irmão havia sido morto. As pessoas chegavam até mim e diziam: ‘Deve ser maravilhoso para você ter sido tão íntimo de um grande homem de Deus’. O martírio do meu irmão o colocava numa categoria espiritual completamente diferente de mim aos olhos de muitos cristãos, e isso começou a me perturbar.”

Um dia, ele foi inesperadamente presenteado com um pequeno livro de sermões. Eram do seu irmão e foram guardados dentro do movimento de cristãos que os publicaram como literatura semi-divina. O que eles não sabiam, no entanto, era que os sermões eram do Sr. Ha, apesar de pregados por seu irmão. Havia sido muito comum para os dois trocarem sermões.

Este incidente fez com que ele manifestasse grande irritação contra Deus: “Senhor, será que eu sou tão indigno que o meu irmão é lembrado de uma forma tão especial por ter sido um mártir, e minhas palavras não têm o peso suficiente porque eu não fui achado digno de morrer? O que fiz de errado para não ter morrido como mártir também?”

O Sr. Ha continuou alguns anos nesta agonia. Então, um dia ele estava lendo o livro de Jeremias, no Velho Testamento, e deparou com um verso que pareceu escrito exatamente para o seu coração com dedos de fogo. Jeremias havia acabado de sofrer por pregar um sermão particularmente corajoso, e então escreveu no capítulo 26.24: “Porém a influência de Aicão, filho de Safã, protegeu a Jeremias, para que não o entregassem nas mãos do povo, para ser morto.”

O que tocou o Sr. Ha foi o fato de que Jeremias, como ele, foi poupado de ser um mártir. Ele disse: “Se Aicão não houvesse interferido, o livro de Jeremias teria somente 26 capítulos, ao invés de 50. Não foi da vontade de Deus que Jeremias se tornasse um mártir. Ele precisava dele para pregar mais, e isso não era algo de menor importância; era a vontade de Deus.”

Houve outra coincidência. Um homem como Aicão salvara o Sr. Ha da morte.

Certa vez o Sr. Ha fora apanhado por uma gangue do crime organizado porque tinha sido o instrumento da conversão de algumas prostitutas. Foi levado a uma fábrica e colocado num grande refrigerador. Ele sabia que ia morrer. Mas, depois de sete horas congelantes, foi solto e levado para um escritório aquecido. Foi levado à presença de um gordo homem de negócios, que olhou para ele cuidadosamente. Esse homem era o dono da fábrica e por tudo o que o Sr. Ha sabia poderia ter sido a figura do padrinho no sindicato do crime. O homem estava segurando o pequeno livro de sermões que os delinqüentes tinham encontrado com ele quando o atacaram.

“É seu?” perguntou ele, enquanto folheava rapidamente o livro.
“Sim, é meu!” respondeu o Sr. Ha, ainda tremendo de frio.
O homem sorriu e disse: “Me parece que você está dizendo às pessoas para serem honestas, boas e amarem a Deus. É uma crença muito boa. Claro, isso me colocaria com certeza fora dos negócios, mas não durante a minha vida, eu penso.” Então sua face ficou séria. “Eu tenho esta fábrica, e não vou deixar delinqüentes matar um homem bom. A China precisa que homens como você vivam.”

O Sr. Ha foi solto com as palavras tinindo em seus ouvidos: A China precisa que homens como você vivam. Ele disse: “Aquele homem poderia ser um Herodes ou um Nero e matar-me. Mas ele foi um Aicão. Ele deixou-me viver, sabendo que a Palavra de Deus – que ele mal entendera – ainda precisa ser proclamada.”

Ele refletiu sobre a experiência. “Assim, deixei de me tornar um mártir como meu irmão. Mas tive de chegar à plena compreensão de que é tão honroso ser preservado como ser martirizado. Na China, Watchman Nee não é mais importante que Wang Ming Dao, porque Nee foi morto na cela, enquanto Wang sobreviveu. E por isso dei-me conta de que eu não era menos digno do que o meu irmão porque fora poupado. Deus tinha necessidade de mim e mandou um Aicão. Ser mandado para pregar novamente é um ato de Deus tão grande como ser fortalecido para morrer pela fé.

“Mas nós na igreja sofredora damos muita importância aos que morreram por sua fé e pouca aos que foram preservados. Talvez isso seja inevitável, mas eu digo tranqüilamente em resposta a essa atitude: ‘Por que você quer que a Bíblia seja encolhida à metade? Deus preservou muitos profetas que poderiam parar de falar as palavras dele, mas você quer interrompê-los, deixando seus ministérios pela metade.”

O Sr. Ha continua a pregar as palavras proféticas de Deus à sociedade chinesa. Às vezes ele vê fruto; às vezes ele é ouvido com indiferença. Mas ele aprendeu esta grande verdade, que ser preservado é um ato de Deus tão importante como ser consumido.

Ele conclui: “Se não fosse por pessoas como Aicão, nossa Bíblia seria muito fina. Graças a Deus pelo pregador que é salvo do martírio… pela influência de Aicão. Fazemos muito espalhafato a respeito dos que foram mortos pelos Herodes deste mundo, e não o suficiente sobre os salvos pelos Aicãos. Não é pecado ser preservado para que a Palavra de Deus possa continuar a ser pregada. Nem todas as palavras de Deus devem ser escritas com sangue!”

De um boletim da Missão Portas Abertas. Para maiores informações e notícias da Igreja sofredora,
acesse o site:
www.portasabertas.com.br

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Cristãos Libertados no Afeganistão

Os oito estrangeiros da missão humanitária cristã, Shelter Now International, que foram presos pelo Taleban em agosto deste ano, foram libertados no último dia 15 de novembro, juntamente com outros dezesseis obreiros afegãos. Durante mais de três meses ficaram detidos sob acusação de divulgar literatura e filmes cristãos para o povo afegão muçulmano.

Apesar de ficarem até traumatizados ao ouvirem outros presos políticos sendo torturados, os estrangeiros foram bem tratados. Alguns dos guardas chegaram a chamar as missionárias americanas de “irmãs”.

Na retirada de Cabul, o exército Taleban levou os presos estrangeiros juntos, aparentemente com destino a Candahar. Isto causou bastante apreensão ao grupo cristão, mas Deus tinha outros planos. No dia 14 de novembro, depois de serem fechados numa das piores cadeias por onde passaram, na cidade de Ghazni, ouviram barulho de pessoas se aproximando e batendo na porta. Sem saber o que poderiam esperar, a porta foi arrombada, e um grupo de oposição ao Taleban entrou na prisão gritando: “Vocês estão livres, estão livres! A cidade está livre, o Taleban foi embora!” Ao saírem, foram recebidos com celebração pelos afegãos da cidade, recebendo abraços e cumprimentos do povo, também recém-libertado do regime opressivo. No dia seguinte foram retirados para o Paquistão por helicópteros do exército norte-americano.

As duas missionárias norte-americanas, Dayna Curry, e Heather Mercer, expressaram gratidão por estarem livres, e descreveram seus últimos meses como ao mesmo tempo o período de maior terror e de maior privilégio das suas vidas. Disseram que não guardam nenhuma amargura para com seus carcereiros, e que um dia gostariam de voltar, se Deus assim o permitir. A igreja Antioquia de Waco, Texas, nos EUA, organizou uma corrente de oração vinte e quatro horas por dia pela libertação de todo o grupo. Todos puderam testemunhar com convicção da intervenção milagrosa de Deus em resposta a estas orações.

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