Testemunho de Impacto

Data de publicação: 14/09/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 35 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 35

DEUS FALANDO ATRAVÉS DE UM RASCUNHO?

Por Susana Walker

Há pouco tempo, algo muito interessante aconteceu – interessante e engraçado – que me levou a pensar em como Deus é criativo e pode usar qualquer meio para nos comunicar algo!

Na nossa Escola Bíblica, às vezes esquecemos de comprar papel para cópias antes que acabe nosso estoque. Quando isso acontece, precisamos esperar alguém ir para a cidade fazer compras, porque na vila em que vivemos não se vende papel. Às vezes, podemos ficar sem papel por uma semana ou mais!!

No dia anterior, eu tinha ido fazer cópias para os alunos. Eu queria dar a cada um deles um esquema para a apresentação que teriam de fazer na semana seguinte. Quando cheguei na copiadora, não tinha mais uma folha sequer. Eu estava com pressa e improvisei. Usei o verso de umas folhas velhas que estavam por ali “dando sopa”!

Assim, no dia da aula, entreguei a cada aluno sua parte e pedi que ignorassem o que estava no verso das folhas.

Logo depois da aula, fora da sala, um aluno veio falar comigo, bem sério.

“Olhe o que está escrito atrás da minha folha”, ele disse – e antes que eu tivesse tempo de explicar qualquer coisa, ele leu para mim: “Deves ser um bom mordomo do dinheiro que Deus te dá. Deus abençoa aqueles que são fiéis com seu dinheiro”.

Então, olhando para mim, ele disse: “Eu tenho esse dinheiro. Deus me deu. Mas como você sabia? Você sonhou? Ou alguém lhe contou?”

Expliquei que eu não tinha nem idéia do que estava atrás daquela folha e que só usei folhas de uma apostila antiga que estava sendo usada como rascunho. “Mas”, acrescentei, “se isso tocou seu coração, Deus pode estar usando isso para falar algo com você.”

Em seguida, conversei com ele sobre o que é ser bom mordomo e prestar contas a Deus daquilo que ele nos dá.

Deixei a conversa maravilhada: como Deus é criativo! Muitas vezes, esperamos que ele fale conosco através de um trovão, de uma voz audível, de uma visão de anjo ou de uma profecia estilo “Assim diz o Senhor!” Mas, na maioria das vezes, não é assim que ele fala conosco. Ele fala através de pequenas coisas, às vezes até insignificantes, como uma folha de rascunho usada porque acabou o papel!

E você? Será que está ouvindo o que Deus lhe diz através das pequenas coisas do dia-a-dia?

LIVRAMENTO NA SELVA AFRICANA
Testemunho de Mário Mavuto

Durante a guerra civil moçambicana, um menino crescia no distrito de Morumbala, província da Zambézia, região norte de Moçambique. Sua vila localizava-se em uma área dominada pela Renamo (partido de oposição ao comunismo) e foi grandemente abalada pela guerra. Por mais que ele procurasse viver uma vida normal, não havia como ignorar a situação que o rodeava, já que afetava até mesmo sua própria família: seu irmão, 7 anos mais velho, deixara a casa, para lutar ao lado das forças de oposição ao comunismo.

Alguns meses depois de sua saída, soldados comunistas chegaram à sua vila à procura de suspeitos de apoiarem a oposição. Não encontrando o irmão mais velho, decidiram levar o caçula em seu lugar. Mavuto, com 18 anos na época, foi levado juntamente com 9 outros prisioneiros para um lugar isolado.

Ali, no meio do mato, foram colocados em fila única, amarrados pelas mãos. Todos tremiam de medo, sem saber o que lhes aguardava.

Antes que pudessem imaginar o que estava acontecendo, ouviram tiros. Todos caíram no chão. Oito morreram na hora e dois estavam sem um arranhão sequer. Mavuto foi um dos que, apesar de caírem assustados com o barulho, não foram atingidos por nenhuma das balas. Ele era o quinto da fila. Outros, à frente e atrás dele, morreram na hora. Até hoje, ele não consegue entender exatamente o que aconteceu.

A única coisa de que se lembra é de, no chão, ter pensado: “Será que morri?” Depois de examinar-se e ver que não tinha qualquer ferimento, ficou quietinho para que os soldados não percebessem. Ele e o nono da fila, que também foi milagrosamente salvo, esperaram até que os soldados se fossem para se levantarem. Depois de confirmarem que todos os outros estavam mortos, correram por dois dias até chegarem à fronteira com o país vizinho, Maláui (Malawi).

Ali viveram num campo de refugiados, longe de todos que conheciam e amavam, por quatro longos anos.

Em 1992, quando ouviram que a guerra havia findado, voltaram para sua terra, para a grande alegria das famílias, que os consideravam mortos. Seu nome, Mário, foi mudado para Mavuto, que quer dizer sofrimento no dialeto malaviano, Tchichewa, e também em Sena, o dialeto moçambicano.

Ao contar sua história, durante uma viagem evangelística, ao redor de uma fogueira em uma das lindas noites moçambicanas, Mário deu graças a Deus e emocionou a todos que ouviam. Ele afirmou: “Sei que Deus me guardou naquele dia porque ele tinha um plano para minha vida”.

Desde então, sua vida nunca mais foi a mesma. Apesar de ter sido criado em uma família cristã, foi ali que ele realmente viu a mão de Deus na sua vida.

Mário é hoje um dos alunos da Escola Bíblica Afrika Wa Yesu (África Para Jesus). Ele deixou, por 6 meses, sua esposa, 4 filhos e a igreja onde é pastor, para poder ter a chance de aprender um pouco mais sobre aquele Deus que o livrou das balas planejadas por Satanás para sua destruição. Ele é um ótimo aluno e um encorajamento para todos à sua volta.

Nós nos recusamos a chamá-lo Mavuto, pois ao contrário do que sua família pensa, sua história não é de sofrimento e sim de alegria e livramento. Usamos seu nome Mário, que quer dizer homem forte.

Susana Walker, 22 anos, é filha de Harold Walker e está no terceiro ano de uma missão em Moçambique, onde é professora na Escola Bíblica Afrika Wa Yesu, em Inhaminga

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ISAÍAS INSPIRADOR
Por Jesus Ourives

Ao assistir o filme A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, notei que na apresentação do filme foi colocado o texto de Isaias 53.5: Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Isto caracteriza a inspiração para o filme.

Ocorreu-me, na ocasião, que outra obra de arte também foi inspirada por um texto do mesmo capítulo 53 de Isaías – o oratório 0 Messias, de George F Handel. A diferença entre as duas obras é que o oratório de Handel já tem 263 anos, pois foi composto em 1741.

Apesar de inspiradas no mesmo capítulo de Isaías, a realização das duas obras aconteceu em circunstâncias bem diferentes. O público moderno tem pleno conhecimento das circunstâncias que cercaram a realização de Mel Gibson, pois seu departamento de marketing se encarregou de divulgar todos os detalhes. A criação de O Messias, porém, nem sempre é do conhecimento do grande público.

Por volta de 1740, Handel, que já tinha experimentado fama e fracasso algumas vezes na sua vida, embora talentoso, se encontrava numa fase negativa – pobre, doente, sem patrocinador, era um candidato a uma doença muito conhecida nos tempos atuais, a depressão.

Em 1741, numa noite fria e úmida da cinzenta Londres onde vivia, Handel, ao voltar para casa encontrou um libreto  enviado por um amigo poeta – Charles Jannens. Junto com o texto havia um bilhete no qual o amigo lhe sugeria musicar aquele texto, observando no fim do bilhete o seguinte: “Note que as palavras não são minhas, são dele” (de Deus).

O libreto, na verdade, era formado de vários trechos da Bíblia colocados numa certa ordem. Havia textos do Velho Testamento e também do Novo, Handel começou a ler aquelas palavras, e quando chegou ao texto que fora tirado do profeta Isaías no capítulo 53, ele se fixou nos versículos 2 e 3 que dizem:… como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso.

Talvez ele mesmo tenha se identificado com a situação descrita pelo profeta, pois ficou profundamente tocado pelo que leu. Imediatamente entrou no seu estúdio e começou a escrever. Era o dia 22 de agosto de 1741.

Três semanas depois, Handel terminou O Messias. Consta que durante aquelas três semanas a sua dedicação ao trabalho era tal que muitas vezes nem na comida que lhe traziam ele tocava, descansando muito pouco, como que movido por uma energia que não era dele.

A parte do oratório que é mais conhecida pelo grande público nos dias atuais é o “Aleluia”, que é o coral final da segunda parte, e, mesmo assim, pode-se dizer que as pessoas identificam a música, mas pouco conhecem sobre o seu autor.

As três partes do oratório exaltam a vida e a obra de Jesus desde as profecias messiânicas, passando pela sua morte e ressurreição até a sua exaltação e o triunfo final do Evangelho, numa grande afirmação do Cristianismo.

Com receio de não receber acolhida no público inglês, a peça foi estreada no ano seguinte na Irlanda, na sexta-feira santa (ainda aqui semelhanças com o filme de Gibson). O público inglês imediatamente tomou conhecimento do Messias e, numa apresentação que contava com a presença da família real, ao ouvir o coro “Aleluia”, o monarca entusiasmado pôs-se de pé, no que foi seguido por todo o auditório, iniciando uma tradição que perdura até os dias de hoje. Ao ouvir a mesma peça, Haydn testemunhou: “Pensei que os céus se tinham aberto!”.

Já se passaram mais de 250 anos, e o mundo inteiro continua ouvindo e admirando essa peça musical, totalmente baseada na Escritura Sagrada, mas cujo toque inicial foi o texto de Isaías que profetizava o sofrimento de Jesus na cruz.

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