“Sexo é assunto de família, não de escola”

Data de publicação: 21/02/2018
Este artigo pertence a: Edição 80

Educador paranaense alerta em livro para os perigos do atual modelo de educação sexual nos colégios brasileiros.

Por Carolina Sotero Bazzo

Juarez Gomes é mestre em educação, pós-graduado em formação de terapia de casais e família, além de professor universitário. Apesar do currículo, foi como pai (de Thais, de 26, Davi, de 22, e Giovana de 7 anos) e como esposo (de Maria, também educadora, com quem é casado há 27 anos) que empreendeu sua pesquisa mais profunda – a respeito da sexualidade no contexto infantil. Seu maior desafio foi desvendar exatamente o que aconteceu nas últimas décadas em nossa sociedade, em que gente cada vez mais jovem tem sido exposta ao sexo e, muitas vezes, ao abuso sexual. Os dez anos de pesquisa resultaram no livro Crianças em perigo: A pedofilia infiltrada na educação sexual contemporânea (ainda sem data de publicação). Em entrevista à IMPACTO, Gomes falou sobre seu livro e sobre o que descobriu durante seu trabalho.

Todo o seu livro se baseia na crítica a Alfred Kinsey (1894-1956) e seu relatório sobre sexualidade divulgado no final da década de 1940. Como você definiria Kinsey e o seu relatório?
Alfred Kinsey foi um cientista conhecido por mudar os conceitos sobre sexualidade no mundo inteiro. O relatório publicado por ele nasceu de uma pesquisa financiada por grandes empresas que deu origem a diversos livros a partir de 1948, sempre muito polêmicos. Nesses livros, Kinsey fazia diversas afirmações inéditas em sua época e absurdas até hoje. Por exemplo, foi ele que trouxe a ideia de que há diversas graduações de orientação sexual além de hetero e homossexual, e também de que crianças gostam e precisam de sexo. O mais incrível é que, embora tenha suscitado tanta polêmica em sua época, hoje o relatório Kinsey é aceito como autoridade científica e como base para educação sexual – quando não deveria nem sequer ser considerado ciência.

Por que não?
Antes de tudo, porque se trata de uma fraude, além de ser uma pesquisa concebida por interesses econômicos e políticos. Isso não é algo que eu estou dizendo; diversos outros trabalhos trazem isso: como o livro Sexual Sabotage, de Judith Reisman, ou o trabalho acadêmico de Tito Sena, Os relatórios Kinsey, Masters & Johnson, Hite: As sexualidades estatísticas em uma perspectiva das ciências humanas. O fato é que o relatório Kinsey surgiu de uma pesquisa extremamente parcial. Foram entrevistadas milhares de pessoas e, depois, mais de 30% das entrevistas foram descartadas sob a afirmativa de que não serviam aos propósitos da pesquisa. Ou seja, a partir de uma seleção direcionada, ele dizia ter revelado a verdade sobre a vida sexual dos americanos.

E o que seria essa suposta verdade?
A população norte-americana, e depois o mundo todo, foi convencida de que a maioria (e não uma minoria) tem relações homossexuais, extraconjugais, faz sexo antes do casamento, tem relações com animais e, o pior de tudo, que as crianças gostam de sexo. O objetivo era mostrar que, apesar dos padrões morais, no âmbito da sexualidade tudo era possível, e isso era natural. Kinsey tratava distúrbios sexuais como a pedofilia, por exemplo, apenas como algo científico. Aos poucos, as pessoas foram convencidas de que sexo sem limite produz pessoas felizes e, já que “todo mundo faz”, deveria ser assumido. Logo, até as crianças têm direito a isso. E foi a partir dai que começou a surgir o debate sobre o direito sexual de crianças e adolescentes – o que, para mim, é um absurdo!

Vem daí a ideia de que a educação sexual deve começar o mais cedo possível?
Sim. Hoje, por exemplo, as novas orientações técnicas brasileiras da Unesco, de 2014, sobre sexualidade falam sobre estimular as crianças a pensar sobre sexualidade desde a pré-escola, desde os 4 anos. É óbvio que estão supervalorizando o sexo e incutindo na cabeça das crianças e adolescentes que eles precisam disso, muito antes do tempo. Hoje, o que a maioria dos profissionais da educaçãoconsidera como sexualidade “normal”, cientificamente sadia, é baseado no relatório Kinsey. Quando Kinsey fala que criança precisa de sexo, você pensa: “Como ele descobriu isso?”. Ele entrevistou e analisou diário de pedófilos e de pessoas pervertidas e usou esses crimes (porque pedofilia é crime) como dados científicos. Ou seja, o que os educadores de hoje entendem como sexualidade infantil normal são definições pervertidas de sádicos, masoquistas e pedófilos.

Qual a situação do Brasil atualmente? A maioria das escolas brasileiras fala sobre sexo com as crianças?
No Brasil, nós ainda temos resistido bastante. Na pré-escola e educação fundamental, a maioria das escolas públicas ainda não fala sobre sexo. Já no ensino médio, o assunto é trabalhado. No contexto brasileiro, por conta do interesse de grupos políticos que lutam contra a heterossexualidade e contra os princípios judaico-cristãos, há um investimento na educação sexual porque esses políticos irão se beneficiar ao convencer os nossos filhos de que não há problema algum em um menino de 9 anos querer ser menina. Por isso, estou tentando mostrar aos pais que o poder é deles, não da escola. São eles que definem o que falar, quando falar e como falar. Isso está garantido na Constituição, no Código Civil, no Estatuto da Criança e do Adolescente. Nós temos, pelo menos por enquanto, todo um amparo legal para que os pais que não concordem com a educação sexual escolar possam reivindicar e retomar esse direito que é deles.

Qual o perigo de uma família não se envolver na educação sexual dos filhos?
Nós não devemos confiar em ninguém para cuidar e proteger os nossos filhos. Se os pais não acordarem para o cuidado das crianças, haverá uma probabilidade muito grande de elas serem aliciadas pelo sistema – seja na sexualidade, seja em outra área. É um pouco assustador, mas a verdade é que, se o pai e a mãe não se envolverem na educação sexual, seus filhos poderão ser facilmente alvo de pedofilia ou se tornarem adultos pervertidos ou viciados sexualmente.

Esta é uma luta apenas da família cristã?
Não, defendo que essa é uma luta de todos os pais que amam seus filhos e que estão preocupados com a educação integralmente saudável, independentemente de serem cristãos ou não.

Como seria uma educação integralmente saudável feita pela família?
É preciso ensinar que o sexo não é o centro da vida, que é uma atividade exclusiva do mundo adulto e que a criança não precisa daquilo durante a infância. Outra coisa importante é instruir os filhos a se protegerem ensinando, explicitamente, desde cedo que adultos que desejam ter relações sexuais com crianças são pessoas doentes mentalmente. Sempre falo que três coisas são necessárias: uma monitoria positiva, um modelo moral e amor incondicional. Se conseguirmos viver isso com as crianças, elas serão protegidas.

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