Relacionamentos – O Sentido da Vida

Data de publicação: 03/09/2011
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Edição 42 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 42

Por Asher Intrater

De onde vem o sentido da vida? Qual é o alvo da nossa existência aqui na Terra? Para o crente em Jesus, o sentido da nossa vida deriva-se do nosso relacionamento com Deus e com Jesus. Devemos lembrar que o relacionamento entre Deus como Pai e Jesus como Filho precedeu o nosso relacionamento com eles. Num certo sentido, o significado de toda a existência do universo procede desse relacionamento primário entre Deus e Jesus.

…porque me amaste antes da fundação do mundo. (Jo 17.24).

Deus é Relacional por Essência

Sendo assim, podemos compreender que o termo Deus expressa relacionamento. É mais fácil ver esse conceito pensando na palavra “pai”. Um pai não pode ser definido sozinho. Ser pai é ser pai de alguém. Ser pai implica ter relacionamento. A paternidade não pode ser limitada a ou voltada para si mesma. As Escrituras na Bíblia inteira revelam a natureza central da paternidade de Deus.

Tudo que existe no universo é, de algum modo, resultado do relacionamento de Deus com Jesus, seu Filho. Embora nem sempre seja fácil perceber, a razão de existirem estrelas, árvores ou oceanos sempre voltará ao amor que procede do Pai. Por isso, todas nossas atividades como cristãos devem ser uma extensão do nosso relacionamento com Deus. E todas as coisas que Deus faz, agindo como Deus, são expressões de algum aspecto do seu relacionamento para conosco. Deus não faz as coisas por algum capricho; cada ato seu é uma expressão significativa do seu amor por nós.

Quando a Bíblia afirma que Deus é amor, isso significa que no nível mais fundamental do seu ser, Deus está comprometido com relacionamentos.

… e os amaste como também amaste a mim. (Jo 17.23).

Deus não somente ama a Jesus, mas ama a cada um de nós também. O compromisso de Deus com o relacionamento é com Jesus em primeiro lugar, mas depois, com igual importância, conosco.

… para que sejam um, como nós o somos. (Jo 17.22).

Uma rede de relacionamentos comprometidos existe entre Deus, Jesus e todos nós. Essa rede de relacionamentos é o alvo para o qual todos os nossos esforços e atividades como cristãos devem ser dirigidos.

O Alvo é Comunhão

Eu pensava antigamente que entre as diversas atividades que temos como crentes (tais como oração, estudo bíblico e evangelismo), a comunhão tinha a função de ser uma espécie de intervalo ou recesso. Era como se alguém, ao fazer a obra do Reino, se cansasse e precisasse de um intervalo para relaxar junto a outras pessoas.

Visto nessa perspectiva, qualquer compromisso mais forte com a edificação de relacionamentos seria um desvio da obra prioritária do Reino. Entretanto, agora vejo relacionamentos como o alvo, como a própria natureza de Deus. Isso tem dado uma nova ordem às minhas prioridades. Ao invés dos relacionamentos serem um mero mecanismo de suporte, descobri que evangelismo, oração e estudo bíblico são, na realidade, instrumentos para atingir um objetivo. Esse objetivo é unidade, harmonia e relacionamento.

O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós igualmente mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. (1 Jo 1.3).

Segurança Verdadeira e Falsa

Pessoas que não forem bem fundamentadas na segurança que vem de vínculos saudáveis geralmente tentarão criar uma aparência de segurança por meio de realizações exteriores. Grande parte do que é feito no mundo – realizações aparentemente tremendas em negócios, educação e medicina – é, na verdade, fruto da insegurança de determinadas pessoas. A insegurança gera uma enorme energia frenética, que pode produzir grandes realizações. Essas realizações são falsas por sua própria natureza.

Em Efésios 3.17, Paulo diz que devemos ser “arraigados e alicerçados em amor”. Nosso relacionamento com Deus e nossos vínculos de confiança com outros crentes nos dão uma base, um fundamento e uma segurança acerca de quem nós somos. Quando estamos seguros em nossa identidade, podemos agir em obediência ao Espírito. Se estivermos inseguros, nossas ações virão de uma energia da alma, uma energia de origem psicológica.

Já fui surpreendido muitas vezes ao ver líderes no ministério cuja dedicação e zelo por Deus eram uma extensão da sua necessidade psicológica de aceitação. Seus ministérios não eram necessariamente inválidos, mas sua motivação primária não provinha do Espírito de Deus.

Podemos chamar esse processo de a síndrome do “A”. Funciona da seguinte maneira: Por falta de Afeto dos pais, nossa necessidade de Aprovação nos leva a substituir Ação (ou realização) por Aceitação. Ninguém teve pais perfeitos, por conseguinte, em maior ou menor grau, todos somos afetados pela síndrome do “A”. Porém, quanto mais amor e aceitação a criança recebe (dentro do equilíbrio planejado por Deus de verdadeiro amor e disciplina), mais segurança terá como adulto e não será pressionada interiormente a buscar excessivas realizações para compensar seus sentimentos de insegurança.

Em Apocalipse 2.4, o Espírito repreende a congregação de Éfeso: “Abandonaste o teu primeiro amor”. Os crentes de Éfeso estavam cheios de todas as formas de realização. Tinham labor, paciência, perseverança, maturidade, equilíbrio e discernimento. Estavam fazendo tudo corretamente. Contudo, haviam saído do fundamento certo para suas ações. A aceitação e aprovação de Deus precisam permanecer como nosso primeiro amor e a base da nossa motivação.

Como Alcançar Segurança Verdadeira

Todo aquele que tomar posição firme ao lado da Palavra de Deus sentirá rejeição do mundo ao seu redor. Se quisermos ter força para resistir, precisamos ter uma base de aceitação por Deus que seja capaz de suportar a rejeição das pessoas. Se cairmos na armadilha de buscar aprovação dos outros, logo estaremos mais interessados em agradar aos homens do que em agradar a Deus (Gl 1.10). Perderemos nossa base de integridade moral e força espiritual. Por outro lado, geralmente é através de alguns amigos próximos e confiáveis que Deus ministra cura da rejeição ou insegurança do passado. Nossa aceitação vem de Deus somente, porém é operacionalizada através do processo de desenvolver confiança nas pessoas. Relacionamentos de aliança removem os temores que impedem nosso crescimento espiritual.

Agora, alguém pode dizer: “Sei que sou aceito por Deus” como desculpa para se esconder e não precisar de relacionamentos comprometidos com os outros. Essa atitude contradiz o que a Palavra afirma em 1 João 4.20: “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”.

Se alguém diz que recebeu o amor e a aceitação de Deus, mas não sabe como receber o amor e a aceitação de amigos, ele ainda não foi sarado e restaurado pelo amor de Deus. Deus nos ama. Ele é nossa fonte de aceitação e seu amor exerce um poder de cura em nossas vidas. É através do nosso amor, um pelo outro, dando e recebendo, que o amor de Deus é revelado em nossas vidas pessoais.

Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é em nós aperfeiçoado. (1 Jo 4.12).

O sentido da vida tem sua origem no amor de Deus por nós. Entramos nesse amor e o experimentamos através de desenvolver relacionamentos comprometidos uns com os outros. O processo do amor de Deus é edificar relacionamentos de aliança. Uma pessoa que tem problemas sérios com insegurança ou rejeição ainda pode vir a ser um ministro saudável e vibrante da Palavra de Deus. Entretanto, sua capacidade de ministrar a outros será condicionada à sua cura de sentimentos de rejeição.

O medo de rejeição e a insegurança são problemas tão prevalecentes hoje porque rejeição faz parte de todo um processo de separação que ocorreu entre o homem e Deus. Fomos separados de Deus quando Adão foi expulso do jardim do Éden. Fomos separados da comunicação, uns com os outros, na torre de Babel. Desconfiança entrou na raça humana quando Caim matou Abel.

Rejeição, separação e desmoronamento de relacionamentos formam o padrão universal do estado caído do homem. É importante reconstruir essas áreas no nosso caminhar como cristãos. O plano final da redenção é restaurar nossos relacionamentos não só com Deus, mas também uns com os outros. É isso que queremos dizer quando afirmamos que relacionamentos são tanto o sentido como o alvo da vida.

Paulo diz que o plano de Deus é:

… fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra. (Ef 1.10).

Assim como o modelo universal do pecado é o desmoronamento e fracionamento de relacionamentos, da mesma forma, a plenitude da restauração é trazer todos esses relacionamentos de volta à unidade por meio da obra de Jesus, nosso Messias. Tudo no plano de Deus e no funcionamento do seu Corpo na Terra visa restaurar relacionamentos à harmonia. Qualquer ministério que avança sem esse alvo não está trabalhando de acordo com a essência dos propósitos de Deus.

Em Efésios 4.13, Paulo também afirma que a obra dos diversos ministérios tem o propósito de edificar o organismo vivo de relacionamentos no Messias, “até que todos cheguemos à unidade da fé”. A unidade e harmonia dos nossos relacionamentos não são um método estratégico para alcançar algum outro objetivo; são o próprio alvo. Toda a obra dos ministérios visa à “edificação do corpo de Cristo” (v.12).

Asher Intrater é um dos fundadores de “Tikkun Ministries International”, um ministério de judeus messiânicos em Israel. Junto com Dan Juster, Eitan Shishkoff e outros, tem trabalhado com comunidades locais em Tel Aviv, Jerusalém e outras cidades, com evangelismo de rua, treinamento e preparação de jovens discípulos para o ministério. O artigo acima foi extraído e adaptado de seu livro: “Covenant Relationships” (Relacionamentos de Aliança).

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