Por um Evangelho com mais conteúdo e menos embalagem

Data de publicação: 07/09/2014
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Edição 78 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 78

Em nossa sociedade de consumo, as estratégias tomaram o lugar do poder da palavra simples, viva e eficaz

por Ezequiel Netto

Se realmente cremos que a mensagem do evangelho é o Verbo de Deus, que ela é suficiente para transformar vidas, veremos os milagres acontecerem.

O preletor do curso de marketing apareceu com duas sacolas – uma, de certo supermercado, e outra, de uma sofisticada grife internacional. Claro que o aluno chamado à frente escolheu a segunda sem imaginar que o pacote mais sedutor escondia um chocolate popular, e que a sacola de plástico, uma deliciosa barra importada. Era essa a mensagem: a aparência boa pode vender um produto ruim. É basicamente o que ocorre com o evangelismo contemporâneo: estamos sempre criando técnicas e pacotes sedutores para disfarçar um conteúdo pobre.

A Bíblia nos diz que “a palavra de Deus é viva e eficaz” (Hb 4.12), e que o evangelho “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16). O próprio Deus testemunha sobre sua palavra, dizendo que “ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” (Is 55.11).

Fico intrigado com os registros das campanhas evangelísticas do passado, repletas de curas e sinais sobrenaturais. Por que tantos milagres no meio do povo se as mensagens eram tão simples, sem “profundidade” alguma? Talvez seja este o segredo: se realmente crermos que a mensagem do evangelho tem substância, que é o Verbo de Deus, o próprio Jesus, que ela é suficiente para transformar vidas, e simplesmente a proclamarmos, veremos os milagres acontecerem.

Hoje, quando falamos em evangelismo, pensamos mais em estratégias do que na mensagem. Abraços grátis, artes circenses, testemunhos, concertos musicais e muitos outros métodos. Tudo isso pode realmente ser útil, mas jamais devemos esquecer que o que temos a anunciar está dentro da sacola – não é a sacola em si. Se nosso conteúdo for o verdadeiro evangelho, então poderemos usar o método que quisermos. O poder de Deus se manifestará. Sem isso, nosso esforço não passará de esperteza humana, sem eficácia alguma para o reino de Deus.

Na verdade, evangelismo é decorrente de uma vida cristã saudável. Na Grande Comissão (Mt 28.18-20), Jesus não nos disse que “poderíamos” ou “deveríamos” ser suas testemunhas. Pelo contrário, prometeu que, quando o Espírito Santo descesse, testemunhar seria uma atitude inevitável para seu povo. Tanto que os apóstolos não sentiram necessidade de exortar sobre a comissão em suas cartas.

Se o nosso “evangelho” se parece mais com um produto a ser empurrado aos clientes, não é de se estranhar a falta de espiritualidade dentro de nossas igrejas. Sementes ruins geram frutos ruins. Será que estamos baseados no poder de Deus ou na engenhosidade humana? Estamos apenas obedecendo a mandamentos bíblicos, ou o evangelismo é uma expressão natural da vida que jorra do nosso interior? É tempo de nos voltarmos para o Senhor, que é a fonte de todas as bênçãos, e de deixarmos um pouco de lado as estratégias humanas para atrair pessoas à igreja.

3 respostas para “Por um Evangelho com mais conteúdo e menos embalagem”

  1. José Ribeiro disse:

    Gostei da mensagem, muito bom, que Deus abençoe todos vocês com a luz da Palavra de Deus. abraço

  2. Maurício Rufino disse:

    Assim como a ilustração utilizada, sua mensagem está muito rica; comparticipo com você do mesmo sentimento. Que o nosso Senhor continue lhe abençoando e que Sua misericórdia seja sempre com você e toda a sua casa.

  3. Aldo Cancello disse:

    A minha esperança é ver esse poder do Espírito Santo sendo manifestado não só na igreja (coletivo) mas também na minha vida, no abrir da minha boca, quando estender da minhas mãos, que não seja o homem, mais Deus, para curar, expulsar demônios e salvar o pecador. Parabéns pela palavra.

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