Missões-Por Pai de Nações te Constituí…

Data de publicação: 29/04/2011
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Edição 61 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 61

Por Ariadna Faleiro de Oliveira

A historia de Abraão é impressionante em todos os sentidos. Olhamos para esse pai da fé e admiramos sua confiança, sua pronta obediência, seu quebrantamento, a aliança com Deus que deu origem à nação hebraica e toda a riqueza que envolve a vida desse simples mortal usado por Deus para deixar um eterno legado à humanidade.

Entretanto, há um momento singular na jornada desse homem que eu gostaria de destacar aqui:

Prostrou-se Abrão, rosto em terra, e Deus lhe falou: Quanto a mim, será contigo a minha aliança; serás pai de numerosas nações. Abrão já não será mais o teu nome, e, sim, Abraão; porque por pai de numerosas nações te constituí (Gn 17.3-5).

Deus trabalha em nossa identidade! Ele se empenha para que vivamos na visão correta sobre nós mesmos, a visão que ele próprio possui acerca de nós. Nesse ponto da história, o Senhor toca na identidade de Abrão, aos 99 anos de idade, dando-lhe uma forte proclamação divina: “pai de nações”. Gosto de pensar nessa identidade e na responsabilidade advinda dela.

Entendemos, pelo termo pai, aquele que é o progenitor, o causador, o benfeitor. Existem pais em diferentes níveis: como Santos Dumont, que, por sua criação, foi chamado de o “pai da aviação”, ou Albert Sabin, o renomado pesquisador médico judeu-americano que desenvolveu a vacina oral para a poliomielite.

Um pai também é a figura que coloca fim à orfandade! À semelhança da paternidade, também existem vários níveis de orfandade. Olhando para um mapa mundial, penso nos milhares de órfãos naturais e espirituais espalhados pela Terra. Numa visão “macro”, é impossível não inclinar o coração para a orfandade das nações: a população desse vasto planeta está estimada em 6,4 bilhões de pessoas, uma média de 33 habitantes por quilômetro quadrado.

Estima-se que, por volta do ano 2010, 1 bilhão de pessoas se identificarão como não religiosas, formando o segundo maior grupo não cristão e com crescimento mais rápido do que o da população mundial. Nesse mesmo tempo, haverá 200 milhões de pessoas que se identificarão como ateístas, 960 milhões de hindus, 400 milhões de budistas e 300 milhões de pessoas que professarão algum tipo de religião nativa. Estamos diante de um grande orfanato espiritual!

Aqui, devemos observar três aspectos importantíssimos. O primeiro deles é que não há, no coração de Deus, o desejo de que nenhum dos homens seja órfão:

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16).

O segundo fala sobre nossa condição como cristãos. Em nossa experiência, recebemos uma filiação em Cristo.

Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. (…) E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe, e paz também aos que estavam perto; porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito (Ef 2.13,17,18).

E o terceiro aponta para nossa responsabilidade! Temos Deus por PAI, o que é, sem dúvida, a maior marca tatuada em nosso coração; porém, diante de tão grande manifestação de graça, não deveríamos ouvir os gritos da orfandade? Conhecendo o caminho ao Pai, não seria justo ensiná-lo a outros? Ouvindo a dor de um Deus que chora por aqueles que não são filhos, não seria correto engajar nossa vida para esse fim?

Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo. Como, porém, invocarão aquele em que não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? (Rm 10.13,14)

Abraão foi tomado por sua identidade e fez dela um alvo de vida. O resultado foi a formação de uma grande nação, e, nela, Cristo nasceu, morreu e ressuscitou, trazendo definitivamente a paternidade para toda a humanidade. Essa continua sendo a expectativa de nosso Pai: que nos vistamos de nossa filiação, levando em conta seus privilégios e responsabilidades, e geremos frutos eternos entre os homens da Terra.

Agora mesmo, povos, tribos, raças e nações estão diante de nós. Talvez, a dimensão do desafio nos assuste e desperte uma terrível sensação de impotência seguida de uma pergunta: “O que fazer?”

Podemos começar de joelhos, orando para que Deus se revele como Pai. Foi como Hudson Taylor escreveu a Jonathan Goforth quando este tinha o coração tomado por uma específica província chinesa: “Irmão, se você pretende entrar naquela província, deverá seguir de joelhos”. Assim começa nosso envolvimento! Os gritos da humanidade sem pai devem consumir nosso coração a ponto de nos jogarmos no chão, com dores de parto, até que Cristo seja formado.

Devemos também estar sensíveis aos órfãos próximos a nós! É evidente que alguns de nós pisaremos nações, como fizeram William Taylor, John Hyde, Duncan Campbell, David Brainerd e muitos outros homens e mulheres também da atualidade, sem face, sem nome, sem holofotes. Porém, é importante desmistificar a ideia de que é preciso singrar oceanos para fazer missões. Tem de arder, em nós, a convicção de que, quando deixamos os prédios ou lares de nossas reuniões cristãs, há uma placa do lado de dentro que diz:

Ao atravessarmos esta porta, entraremos num campo missionário!

Cada um de nós, filhos de Deus, é um missionário em potencial, e cada um dos órfãos desse mundo é um campo missionário a ser alcançado. A partir dessa consciência, seguiremos firmes em nossa identidade conquistada em Cristo, lembrando que o mesmo Deus que afirmou “herança do Senhor são os filhos” grita em plenos pulmões:

Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por tua possessão (Sl 2.8).

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