Oremos por Israel – Reparador de Brechas

Data de publicação: 27/10/2011
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Edição 26 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 26

A mensagem a seguir foi dada por Eitan Shishkoff, do Ministério “Tents of Mercy” (Tendas de Misericórdia), a um grupo de cristãos árabes e judeus, reunidos numa floresta na Galiléia, em 5 de outubro de 2002.

Numa reunião de oração na semana passada, um pastor dos Estados Unidos falou do temor que tinha dos russos quando era garoto (durante a Guerra Fria), e de como via amigos e vizinhos construindo abrigos anti-bombas, e falando de preparativos para a Terceira Guerra Mundial. Esta era uma brecha entre dois povos, causada por circunstâncias históricas, que resultou em temor e até mesmo em ódio.

Mas nesta reunião, o pastor estava jubiloso porque agora conhecia pessoalmente pessoas russas – na verdade, israelenses de origem russa – e onde antes havia temor, hoje sentia amor. Após sua confissão, ele orou com tanta ternura por estes israelenses russos, que eles, por sua vez, perdoaram-lhe e confessaram que sentiam temores semelhantes dos americanos. “O perfeito amor lança fora o medo”, diz o apóstolo João.

Depois disto, Dália, uma cristã nascida em Israel, orou a respeito da brecha no nosso país entre os olim (imigrantes judeus) de língua russa, e os tsabarim ou sabra (judeus nativos de Israel). Ela confessou o antagonismo que ela e outros israelenses nativos têm sentido, a tendência de rejeitar os novos imigrantes, e os sentimentos de distância e desafeto. Os intercessores russos que estavam presentes reconheceram seus sentimentos de vítima, e da raiva que tinham dos tsabarim (nativos). Como imigrante, eu tive de admitir que também tenho lutado contra estes sentimentos de rejeição e incapacidade de lidar com o processo de adaptação no país.

Ezequiel 37.21,22 descreve exatamente o oposto de tudo isso: Uma nação, um povo, um Rei. Ahhhh… um Rei. Isto faz uma grande diferença! Significa que no reino deste Rei, há a promessa de que seremos um só povo. Podemos não ser capazes ainda de unir todas as correntes na sociedade israelense, mas dentro do Reino, onde Yeshua é Rei, não só temos a possibilidade, mas também o mandato, de nos unirmos. Ele já quebrou todas as paredes de separação. Através da cruz, aboliu a inimizade que existia na carne a fim de nos reunir em um só corpo (Efésios 2).
Não conhecemos mais a ninguém segundo a carne, mas pelo Espírito ( 2 Co 5.16).

O que é, afinal, o reino de Deus? Como será manifestado e expresso na terra? Claramente, nosso povo está procurando e esperando um rei que inaugurará um Reino Divino com novas regras e um modo superior de vida. A tradição judaica faz referência a uma “Nova Torá” que o Messias ensinará quando vier!

Sabemos que a Nova Aliança é exatamente esta novidade prometida, a revelação mais completa dos caminhos de Deus na terra. Nela, o verdadeiro Rei, Yeshua HaMashiach (Jesus o Messias) fala muito a respeito do reino de Deus.

Yeshua ensinou a orar: “Venha o teu reino, assim na terra como no céu”. Como será este reino, e como virá? Yeshua instruiu seus discípulos a anunciar a vinda do reino de Deus acompanhado pelas ações de libertar os endemoninhados, e de curar os doentes. Ele os ensinou a proclamar: “O reino de Deus está próximo” (Mt 7.10). Devemos buscar primeiro o reino de Deus (Mt 6.33).

Embora já se tenha escrito volumes sobre o assunto, posso dizer aqui simplesmente que o reino de Yeshua é uma reversão dos efeitos da maldição que há sobre a humanidade por causa da rebeldia. Paulo disse que o reino é justiça, paz e alegria no Espírito Santo. B’kitsur, o reino, agora é semelhante ao fermento, que se espalha no meio da farinha, infiltrando toda a massa. O reino deve infiltrar na sociedade, trazendo um gosto da vinda do Rei. Como podemos, na qualidade de embaixadores deste magnificente, misericordioso e eterno Rei, trazer seu reino à nossa terra?

Uma forma bem visível e imediata para manifestar seu reino é no meio do complexo relacionamento entre árabes e judeus, que está no centro de atenção do mundo inteiro nestes dias.

Enfrentamos na nossa terra, não só o ajuntamento de várias culturas entre os judeus, mas de israelenses árabes também. Muitas destas famílias vivem nesta terra há séculos. Alguns árabes falam hebraico melhor do que eu, e são mais israelenses do que eu, ou do que outros imigrantes judeus. Muitas comidas que todos apreciam e que são consideradas “israelenses”, como schwarma ou falafel, de fato vieram a nós através dos nossos vizinhos árabes. Aqui está uma outra área de sensibilidade, cheia de rejeição, e que precisa urgentemente de cura.

Durante os últimos dois anos, ambos os povos têm sido bombardeados pelas forças de Satanás, tentando destruir tudo que foi edificado com fragilidade durante os anos anteriores, nos relacionamentos entre crentes árabes e judeus nesta terra. Nos meus breves dez anos em Israel, tenho visto passos tremendos sendo tomados, e ao mesmo tempo reconheço que há um longo caminho pela frente. O ciclo de ferir, reagir, rejeitar, suspeitar, machucar, sentir ira, e isolar-se é familiar demais. Mas nós como cristãos pertencemos todos ao mesmo Rei e, como partes do seu reino, temos a oportunidade singular, até mesmo a responsabilidade e o chamamento, de anular este ciclo. Este ciclo só pode ser quebrado através da cruz de Yeshua.

Como é explicado em Efésios 2, a cruz do Messias desfaz a inimizade porque todos agora somos devedores ao mesmo Salvador e submetidos ao mesmo Senhor. Ele também nos dá o poder de perdoar e de combater o medo com o amor. Se sei que não sou mais um perdedor, ainda que recebo esta mensagem de outro grupo étnico, posso reagir de uma posição de segurança, e estender minha mão ao invés de me isolar.

Verdadeira reconciliação só pode ocorrer através da cruz. Só quando você e eu estamos dispostos, por causa da nossa segurança no amor do Messias, e quando perdemos nossos direitos por identificar-nos com a morte de Yeshua – é que podemos abraçar um ao outro com corações que ouvem e com convicção.

Um extraordinário pastor árabe, irmão Anise, da cidade de Shfar Am, na Galiléia, comoveu-me com sua honesta comunicação no início deste ano.

Ele me procurou para tratar de coisas sensíveis, para ajudar-me a me identificar com a dor dos israelenses árabes durante esta guerra, e para derrubar uma parede de separação. Este caminho custa caro. Este caminho inclui dor, desentendimento e embaraço. Mas é um caminho alto e glorioso que reflete a própria natureza e triunfo do nosso Rei!

Resumindo: Aqueles que vieram para Israel recentemente sentem medo, embaraço, amargura, inferioridade, ira e frustração. Aqueles que são atacados por serem judeus sentem ira, frustração e tristeza. Aqueles que são identificados com o “inimigo” por causa da cultura, da língua, e da identidade árabes sentem injustiça, ressentimento, rejeição e ira.

Mas o que é o plano de Deus? Seu plano, para nosso espanto, é usar tanto o aliyah (retorno a Israel) como a intifada (revolta dos palestinos) para vencer nossas experiências de rejeição e divisão. Para os olim (imigrantes) e os tsabarim (nativos), como também para os judeus e árabes, temos poder em Yeshua para transmitir aceitação e encorajamento. Podemos identificar-nos uns com os outros, e através de entendimento nos nossos corações, estender nosso amor como irmãos.

O inimigo odeia o aliyah. O inimigo odeia a irmandade entre árabes e judeus no Messias. Não podemos ser contra a chegada de mais olim (imigrantes), pois é um ato sobrenatural de Deus, que está cumprindo sua palavra antiga e inviolável. Não podemos ressentir nossa coexistência entre árabes e judeus nesta terra. Sua palavra diz que devemos abraçar o ger (estrangeiro) que habita na terra e viver juntos de acordo com a lei do Senhor.

Portanto, se cooperarmos com Deus, ele nos abençoará e nos usará. Esta é nossa terra prometida! Devemos abraçar seu chamado para viver nesta terra de acordo com sua lei de amor, para trazer paciência, bondade, encorajamento e honra ao nosso meio. Temos uma incrível oportunidade de demonstrar o Reino de Deus e as qualidades da vida do Rei nesta terra do Rei. Não presumo saber como fazer isto. Mas creio profundamente que, se tomarmos passos honestos e obedientes, se procurarmos por oportunidades como seguidores árabes e judeus de Yeshua, como olim e tsabarim que amam a sua vinda, ele fará um banquete dos pedaços quebrados de pão que são as nossas vidas.

Que perdoemos aqueles que nos julgaram e rejeitaram, seja entre olim e tsabarim, ou na área de israelenses árabes e judeus. É tempo de nos arrependermos das nossas atitudes de julgamento e rejeição. É tempo de anunciar: “O reino de Deus está próximo!”.

Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça, o falar injurioso;  se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia.  O Senhor te guiará continuamente, fartará a tua alma até em lugares áridos … e serás chamado reparador de brechas e restaurador de veredas para que o país se torne habitável” (Isaías 58.9-12).

Eitan Shishkoff é responsável pelo ministério “Tents of Mercy” (Tendas de Misericórdia), que mantém uma indústria têxtil (camisetas, tecidos de cama, mesa, etc.) com a finalidade de fornecer trabalho para imigrantes recém-chegados em Israel, e assim fortalecer a comunidade messiânica em Israel.

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Uma criança encontra outra criança com um sorriso, exibindo uma atitude amistosa e sua alegria. Este mesmo comportamento continua em todas as pessoas sinceras. Mas muitas vezes um homem já odeia outro, de outra nação, e está disposto a causar-lhe sofrimento e até mesmo a morte, antes mesmo de encontrá-lo. Os que criam tais sentimentos nas nações cometem um crime terrível

Leon Tolstói

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