Oremos Por Israel: Haverá um Terceiro Templo?

Data de publicação: 18/11/2011
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Edição 20 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 20

Por: Reuven Doron

No meio de todo o delírio profético que cerca os eventos dos últimos dias, um dos assuntos menos compreendidos e mais abusados trata da construção do terceiro Templo em Jerusalém. As Escrituras, tanto do Velho quanto do Novo Testamento, apontam para a validade de tal templo; no entanto sua natureza, sua função, e a época exata do seu cumprimento não estão muito claras, devido à linguagem simbólica e profética usada nestas passagens.

Obviamente, Deus reserva a si mesmo o direito de trazer este mistério à luz ao seu próprio modo, e no seu próprio tempo. Entretanto, forças poderosas estão literalmente “empurrando” as coisas nesta direção, tentando agressivamente cumprir estas profecias por esforço humano. Algumas o fazem por ignorância, outras com sinceridade, tentando desta forma “apressar” a volta do Senhor. Já se fazem preparativos, e se procuram atrair fundos e apoio de cristãos bem-intencionados, porém mal orientados.

Em favor dos eleitos, diante dos fortes enganos presentes na nossa geração, e para ajudar a Noiva do Messias a focalizar no único que merece nossa completa atenção e devoção, quero tratar resumidamente deste assunto tão mal compreendido. Observe que o que se segue aqui é também apenas uma revelação parcial, e que mais compreensão e revelação certamente serão acrescentadas por meio de outros servos de Deus nos dias vindouros.

Quem é a Pedra Angular?

No dia 29 de julho de 2001, no notório dia 9 do mês de av, de acordo com o calendário hebraico, na mesma data em que ambos os templos de Jerusalém foram violentamente destruídos por forças pagãs, com quase quinhentos anos de intervalo entre as duas destruições, um grupo de zelotes bem-intencionados realizou uma cerimônia simbólica de lançamento da pedra angular num estacionamento perto do Muro Ocidental em Jerusalém.

Aquela pedra de mármore, de quatro toneladas e meia, foi colocada para simbolizar o início de construção do terceiro Templo, e para apontar profeticamente naquela direção. Felizmente, o governo israelense não permitiu que esta cerimônia fosse realizada em cima do Monte do Templo, como queriam inicialmente, assim evitando uma explosão de sentimentos violentos por todo o mundo muçulmano.

Muito esforço, sacrifício e dinheiro são gastos neste trabalho e outros afins, apontando para a possível reconstrução de um terceiro Templo judaico no Monte Moriá, no lugar dos santuários islâmicos e o famoso Domo da Rocha, ou ao lado deles. Não é necessário ser perito em assuntos do Oriente Médio para calcular a ira incontrolável dos muçulmanos que seria despertada no presente ambiente explosivo daquela região. Estes zelotes judeus e cristãos possuem a teologia correta? O espírito certo? O tempo certo?

Da minha perspectiva, a única pedra angular que pode ser lançada e que faria uma diferença positiva para Israel e as nações hoje é Jesus, o Messias em pessoa. Qualquer outra ênfase só levaria a confusão e possivelmente a engano. Pior que isso, tentativas humanas não autorizadas para construir o templo físico em Jerusalém antes da segunda vinda do Senhor, são perigosamente próximas ao espírito e programa do anticristo.

O fato é que o primeiro templo foi edificado por iniciativa divina, de acordo com uma planta celestial, e foi levantado por instrumentos cuidadosamente escolhidos e em condições de grande unção. De modo semelhante, o segundo templo, na verdade uma restauração do primeiro, foi reparado e inaugurado novamente por pessoas divinamente selecionadas e ungidas, cujas credenciais e obras são claramente registradas nas Escrituras. Será que a iniciativa moderna que vemos hoje passaria por estes mesmos padrões?

Verdadeira Adoração e Sacrifícios Aceitáveis

Uma das coisas é que este Templo, se fosse reconstruído, poderia na verdade impedir os judeus de colocar suas esperanças de redenção no Messias, atraindo sua atenção e devoção para um velho sistema religioso. Mesmo o judaísmo tradicional reconhece que o Templo pode potencialmente ser “anti-christos”, ou tomar o lugar do verdadeiro Cristo ou Messias, e que um sistema religioso de obras vazias é uma abominação ao Senhor.

Deus revela sua atitude intolerante para com um sistema religioso vazio em Isaías 1.11-17, onde condena sacrifícios, incenso, luas novas, sábados, assembléias, e até orações, quando feitos apenas para cumprir obrigação, ao mesmo tempo que se pratica toda sorte de injustiça.

Davi, no seu clamor que saiu do fundo do coração, suplicando por purificação e renovação depois de ter pecado, penetrou fundo no coração de Deus quando orou: “Pois tu não te comprazes em sacrifícios; se eu te oferecesse holocaustos, tu não te deleitarias. O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus”(Sl 51.16,17). Em outras palavras, a verdadeira vida espiritual não é produto de obras religiosas ou sacrifícios no templo, indiferentemente de quão profundos ou impressionantes estes sejam; pelo contrário, verdadeira santidade e justiça são fruto de uma vida humilde e crucificada que bebe profundamente da fonte do próprio Filho de Deus.

Quanto aos crentes do Novo Testamento que são desejosos de apressar a volta do Senhor, Pedro diz: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados,  a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério, e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus,  ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade” (Atos 3.19-21). Como fazemos para apressar a volta do Senhor, então? Somente com arrependimento, e uma genuína volta a Deus, à sua Palavra, e ao seu plano.

O Templo Vérsus Jesus

Foi a questão do Templo que em última análise levou os ouvintes de Estêvão a se levantarem para assassinar o primeiro mártir da Fé. Depois de suportar todo o seu discurso, elaborado em torno do lugar de habitação de Deus entre seu povo de Israel, ao ouvir o texto de Isaías que Estêvão citou no final, não conseguiram mais ficar quietos, pois a repreensão profética lhes acertara em cheio.

“Assim diz o Senhor: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis vós? E qual é o lugar do meu repouso?  Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o Senhor” (Is 66.1-2).

O ponto foi colocado com convicção compenetrada, expondo a natureza religiosa e ritualística do culto no Templo em Israel naquela época. Tudo que tinham era um santuário glorioso e vazio, cheio de obras humanas; um Templo que encarnava toda a esperança, alegria, identidade e orgulho de Israel, mas que não tinha vida alguma em si mesma. Estêvão nem havia terminado de citar toda a passagem de Isaías, que dizia no final: “Mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra” (Is 66.2), quando a primeira pedra o acertou. Cale o mensageiro, diz o espírito religioso, e a mensagem será calada também.

Da mesma maneira, foi a questão do Templo que se levantou com força decisiva durante a farsa em que Jesus foi julgado. “Ora, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte.  E não acharam, apesar de se terem apresentado muitas testemunhas falsas. Mas, afinal, compareceram duas, afirmando:  Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias” (Mt 26.59-61).

Esta foi a verdadeira questão! O perigo que a vida e as palavras de Jesus causaram ao sistema religioso que tinha o Templo como seu centro, deu abertura legal ao golpe final: “… eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus” (Mt 26.63). Foi o caso “Jesus Vérsus o Templo” que fez o Filho de Deus ser acusado diante de um tribunal humano; e foi a questão da sua vida divina em contraste à vacuidade do Templo que o levou à cruz.

Paulo nos advertiu a respeito de tal sistema de obras religioso e vazio, afirmando que seus ministros mantinham “forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. FOGE também destes” (2 Tm 3.5). Tome cuidado, amigo, e fuja de qualquer coisa ou pessoa que reivindica sua devoção e afeição, e que não seja o único e verdadeiro Deus. Há muitas máscaras que o diabo sabe usar, mas pelo Espírito podemos conhecer a verdade e permanecer na luz.

Trono Final da Maldade

Para o bem de Israel, e dos eleitos, quando o anticristo se manifestar plenamente na terra, a minha oração é que ele não ache lugar para se “entronizar” em Jerusalém, mas que tenha de procurar algum outro lugar, possivelmente em algum segmento apóstata e endurecido da Cristandade, que não tem amor pelo Senhor, pela sua Noiva, pelo seu povo Israel, e pelo seu iminente aparecimento.

As advertências bíblicas a seguir constituem uma parte da base usada para afirmar que o anticristo fará seu trono em Jerusalém. Primeiro, o próprio Senhor Jesus em Mateus 24.15, 16 preveniu: “Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes…” Embora esta advertência possa ter futuras implicações (não posso dizer se tem), muitos crentes messiânicos hoje entendem que já foi cumprida no seu sentido principal quando a comunidade do primeiro século fugiu de Jerusalém durante o sítio romano, e logo antes da profanação final do Templo.

Segundo, Paulo em 2 Tessalonicenses 2.3,4, advertiu a respeito de um grande mal que haveria de inundar a terra, dizendo que quando for “revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição,  o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto,” ele se assentará no santuário de Deus, “ostentando-se como se fosse o próprio Deus”.

Seja qual for o cumprimento futuro que esta advertência ainda tiver nos seus misteriosos desdobramentos, o fato é que em numerosas ocasiões durante a história turbulenta de Israel, o Santo Lugar já foi profanado e dominado por potências pagãs e messias demoníacos que ambicionavam dominar o mundo. Desde ídolos gregos no santuário durante o período entre os testamentos, aos suínos romanos oferecidos sobre o altar após a morte e ressurreição de Jesus, até o culto islâmico moderno no Monte do Templo, as potências e os principados mundiais têm feito sempre o seu máximo para anular e substituir o testemunho e a realidade do Deus de Israel.

Porém Hitler, nosso candidato mais recente ao ofício do anticristo, que moldou o nazismo como movimento político com motivações espirituais (e que tragicamente era embutida profundamente numa cultura “cristã”), nunca chegou a Jerusalém, apesar de ter tentado. Empregando poderosos princípios espirituais a fim de criar profundos laços de sangue entre si e a Alemanha, e quase conseguindo tomar domínio do mundo inteiro através de engano e violência, Hitler estabeleceu um sacerdócio, cerimônias religiosas, um lugar sagrado, e até apresentou a si mesmo como um messias com missão global. No entanto, estava “entronizado” num trono de demônios na Europa, longe de Jerusalém, e por um breve período.

Assim, Jerusalém não precisa estar necessariamente na profecia de Paulo em 2 Tessalonicenses 2.3,4. Tudo que aquele texto indica é que o anticristo ocupará o santo lugar, ou o templo de Deus, sem dar indício claro do local. E este templo, como sabemos da teologia básica do Novo Testamento, pode ser visto tanto como sendo o coração do homem individualmente (1 Co 6.19), como a igreja na sua totalidade (1 Co 3.16,17).

Porém, até que se cumpram estes mistérios apocalípticos, devemos ser muito cautelosos de todas as ramificações de teologia dispensacionalista, senão descobriremos que estamos mal interpretando os eventos no Oriente Médio, e sem querer, desencaminhando o rebanho de Deus. Mesmo que o avanço final do anticristo na terra alcançar Jerusalém, os discípulos cristãos e messiânicos não devem ter participação alguma com isso.

Nossa Posição

Nossa paixão é ser como Jesus, e apresentar a Deus o templo dos nossos corpos como lugar para sua habitação (Rm 8.29). Nossa missão é expressar seu Espírito, sua vida divina, e seus eternos interesses na terra através do templo coletivo do seu Corpo mundial, o “Novo Homem”, sua Noiva (Ef 2.18-22). Não oramos pela reconstrução do Templo físico em Jerusalém, nem temos expectativa para isso antes da volta do Senhor Jesus à terra em poder e com seu Reino. Somente ele é digno de sentar-se sobre aquele trono!

Minha oração é que Israel, embora agora esteja em profundas dores de parto e perigos mortais, venha a tornar-se um refúgio para o povo de Deus, e não a sede de atividades do inimigo nos tempos do fim. Esta possibilidade, embora seja “profeticamente estimulante” para alguns, seria catastrófica para a nação judia e contrária ao propósito restaurador das promessas de Deus para Israel nestes tempos finais.

Devemos considerar com cuidado e com muita oração estes assuntos, pois ao meu ver, a questão do terceiro Templo é uma questão fundamental que afeta várias doutrinas e práticas na igreja. Sabemos que um grande conflito entre o bem e o mal virá sobre a terra antes do fim, mas a ordem do Senhor a Sião e à família da fé é: “Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor nasce sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos; mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e a sua glória se vê sobre ti” (Is 60.1-2).

Em outras palavras, devemos questionar qualquer coisa que nos influencia para uma direção contrária a avivamento ou à ação redentora de Deus na terra. Apesar de saber que este ponto de vista é contrário a ensinamentos populares divulgados por mestres e líderes respeitados e renomados na igreja hoje, eu o apresento aqui para encorajar uma forma alternativa de oração, e para que os intercessores adotem uma estratégia de ataque antecipado para nos proteger de tais acontecimentos contrários ao plano de Deus. Creio que todo apoio oferecido a Israel de fontes cristãs deveria ser dedicado à edificação da expressão local do Corpo do Messias nesta nação. Este é o único Templo atual em que sacrifícios aceitáveis e dispendiosos são oferecidos diariamente, e de onde sobe intercessão eficaz para a salvação da nação, para resgatá-la do plano fatal do inimigo, e para a cura do povo árabe em toda a região.

Não foi o próprio Deus que prometeu: “Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus guardas, que todo o dia e toda a noite jamais se calarão; vós, os que fareis lembrado o Senhor, não descanseis,  nem deis a ele descanso até que restabeleça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra” (Is 62.6-7)?

Ore com ousadia, meu amigo, com fé viva e completa confiança, sem permitir que coisa alguma o desvie da verdade. Pelo contrário, invista tudo de todo o coração na Palavra de Deus, até que o Senhor cumpra todas suas grandiosas e preciosas promessas em favor da sua Noiva, de Israel, das nações, e da sua criação, por amor ao seu nome.

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Para Orar

Ao mesmo tempo que a armadilha de ações violentas e vingativas continua a fechar seu cerco impiedoso tanto sobre judeu como árabe no Oriente Médio, Deus está trabalhando por trás dos bastidores, salvando almas, edificando seu Corpo, sensibilizando corações, e preparando a terra árida para suas chuvas restauradoras. Não se perca entre as ondas de más notícias, amigo, e não se desanime pela duração e intensidade da batalha. A Palavra de Deus está firmada para sempre nos céus (Sl 119.89), e ele mesmo está velando diligentemente sobre ela para cumprir todas suas grandiosas e preciosas promessas (Jr 1.12). Nossa posição é vigiar com ele, operar suas obras, e orar suas orações.

Você pode perguntar se é possível simultaneamente ter alegria e tristeza sobre a sorte de Jerusalém; chorando sobre seu sofrimento atual, e regozijando-se por sua glória futura. Com certeza é possível, como Isaías profetizou: “Regozijai-vos juntamente com Jerusalém, e alegrai-vos por ela, vós todos os que a amais; exultai com ela, todos os que por ela pranteastes; para que mameis, e vos farteis dos peitos das suas consolações: para que sugueis, e vos deleiteis com a abundância da sua glória”(Is 66.10,11).

Não se envergonhe, então, de chorar com os que choram e de regozijar-se com os que se regozijam. O verdadeiro intercessor está em contato com a dor da terra e a alegria do céu simultaneamente, uma posição de rasgar o coração, e que é possível somente pelo Espírito de Deus dentro de nós. Por favor, permita que ele faça a obra dele por seu intermédio.

Enquanto crianças cristãs e messiânicas junto com todo o resto da população vão dormir com rajadas de armas de fogo como sua música de fundo, as orações do povo de Deus por todos nós são indispensáveis. E cada dia quando estas mesmas crianças, junto com as minhas, tomam o ônibus para escola no centro de Jerusalém, somente o anjo do Senhor está entre elas e uma bomba terrorista.

Obrigado por vigiar e orar conosco durante estes dias intensos e difíceis quando tanto o povo israelense quanto palestino está sofrendo o impacto da luta violenta entre os espíritos dominadores desta era e o Deus do céu. Israel não será salva sem o amor sacrificial e o cuidado da igreja do Senhor. Agradecemos o apoio e as orações, e pedimos que o próprio Senhor seja seu grandíssimo galardão.

Se você entender inglês e quiser entrar em contato com este ministério, poderá acessar seu site na Internet:
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Pode também se comunicar por e-mail: mailbox@embraceisrael.org, ou por carta: Embrace Israel Ministries, P.O. Box 10077,
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