O “segundo toque” de jesus

Data de publicação: 21/02/2018
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Edição 80 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 80

ASSUNTOS DE FAMÍLIA

Muitas famílias acreditam que a religião é tudo o que podem experimentar do Senhor. Grande engano…

Por Clésio Pena

Muitos cristãos acreditam já ter alcançado seu máximo. Pensam que o que Jesus já fez em sua vida é o bastante, que o trabalho já está completo. É como se Jesus tivesse uma “varinha de condão” semelhante à das fadas, e tudo o que tocasse virasse ouro e jamais retornasse ao estado decaído anterior. Que bom seria se fosse realmente assim! Se Jesus removesse de nós tudo aquilo que não lhe agrada, se colocasse em nosso coração somente atitudes e pensamentos seus!

Assim, acreditando nessa mudança mágica e completa, seguimos acomodados. Entra ano e sai ano, e parece que nossa vida espiritual não evolui. Pior do que isso é caminhar acreditando que já percorremos toda a estrada.

O que precisamos é de algo que pode soar teologicamente errado num primeiro momento: um novo “toque” do Senhor, um despertar. Precisamos do toque dele em áreas ainda não restauradas.

Em Marcos 8.22-26, temos uma situação muito interessante. Jesus aplica saliva e põe as mãos sobre os olhos do cego e pergunta-lhe se está vendo alguma coisa. Ao que o cego lhe responde: “Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando”.

É curioso que, mesmo após Jesus lhe pôr as mãos, o cego não estava curado – mas também não era mais cego. Digamos que nós, cristãos do século 21, somos como esse cego. Recebemos um toque de Jesus, mas ainda não estamos recuperados, enxergando claramente. Isso é possível? Claro que é: veja o exemplo em sua própria Bíblia.

Nossa religião pode ser fruto desse primeiro toque. Provavelmente, por essa razão, damos trombadas, já que não estamos enxergando plenamente. Só para pensar um pouco: se esse cego fosse de uma congregação mais ortodoxa, ele sairia afirmando que Jesus só toca nos outros com saliva e cura parcialmente. Se fosse de uma congregação mais pentecostal, sairia gritando e dizendo “ele me tocou”, embora continuasse meio cego.

Pois bem, aonde quero chegar? Defendo a tese de que precisamos de um novo toque de Jesus. Marcos 8.25 prossegue: “Então, novamente [grifo meu] lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito”.

Vemos famílias que foram tocadas pela primeira vez e se converteram. Vão para a igreja, cantam. Em casa, entretanto, a vida parece que não muda muito. O respeito pelos pais, pelos irmãos, pelos filhos, pelos cônjuges permanece quase inalterado. Isso é algo curioso: o fato de sermos salvos, termos recebido o toque do Senhor e ainda continuarmos não enxergando claramente.

Participamos de vários cultos e encontros, de momentos de reconciliação; sabemos que muita coisa mudou. Porém, precisamos perguntar a nós mesmos: é só isso a vida cristã? Ou existe algo mais?

Em Marcos 2.1-11, temos a história da cura de um paralítico. Os amigos descem a maca pelo telhado, e Jesus diz ao enfermo: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. Após um breve discurso, volta ao paralítico e lhe diz: “Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa”. Jesus se dirige duas vezes ao doente. Dois toques. É desse segundo toque que precisamos.

Como homens de Deus, quais são as áreas da nossa vida que requerem um novo toque do Senhor? Como filho, agora convertido, como deve ser meu proceder? Como esposa, de que forma preciso me moldar conforme a Palavra? Quais são as minhas atitudes ainda não restabelecidas?

Sabemos que não chegamos ao ponto máximo, que não estamos operando milagres maiores do que o próprio Senhor realizou. Falta-nos muito mais dele.

Alerta: nossa religião pode nos acomodar, dizendo que não precisamos de mais nada. Mas não é verdade. Há mais toques do Senhor a receber.

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