O Relógio de Deus Precisa Funcionar!

Data de publicação: 04/09/2011
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Edição 41 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 41

Por Ezequiel Netto

O Que Faz o Relógio Funcionar?

Deus age de forma organizada e planejada. Segundo Barnabé, um dos pais da igreja no 2º século, a obra de criação foi desenvolvida em 7 dias, e a história da humanidade também se desenvolveria em 7 dias (sendo de 1000 anos cada). Alguns textos bíblicos parecem contribuir com esse  pensamento (Sl 90.4; 2 Pe 3.8; Ap 20.2-7). Mas para que o relógio de Deus funcione corretamente, parece que a intercessão, o clamor do povo e o ofício sacerdotal, entre outras coisas, precisam desempenhar um papel essencial na regulagem dos mecanismos desse relógio. Alguns  momentos da história, quando não havia intercessão, deixaram-nos  com uma forte impressão de que esse relógio chegou até a parar de funcionar.

Em Gênesis 15.13, Deus falou com Abraão que sua descendência permaneceria em escravidão por 400 anos. Já em Êxodo 12.40, vemos que esse tempo chegou a 430 anos; assim, o povo foi liberto com 30 anos de atraso, somente quando o clamor chegou aos ouvidos de Deus, nos céus (Ex 3.9). É bem provável que o povo pudesse ter saído do Egito 40 anos antes, quando Moisés matou o egípcio que feria o hebreu. Mas o povo ainda não estava preparado para isso…

No 1º ano de Dario, Daniel, ao meditar nas profecias de Jeremias (Jr 25.11 e 29.10), entendeu que os 70 anos de cativeiro profetizados estavam por terminar. Entendeu também, de acordo com as profecias de Isaías (Is 44.28 – 45.13), que o nome do rei que libertaria o povo era Ciro, justamente o nome do rei que acabara de assumir o trono dos caldeus. Daniel, então, quebrantou-se e começou a buscar a Deus com oração, rogos, jejum, pano de saco e cinza (Dn 9.3). Daniel não queria que o povo ficasse um dia sequer no cativeiro, além do que Deus havia determinado.

Imagino que, de posse dessa revelação, tenha procurado o rei Ciro, levando os rolos das profecias, e convocado Ciro para cumprir a sua tarefa de  libertar o povo de Deus – e já  haviam passado 200 anos depois que Isaías  trouxe esta palavra, dizendo que Deus conhecia Ciro pelo nome!

“Disse Daniel ao rei: Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder; é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos entendidos. Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz” (Dn 2.20-22). Ciro não arriscaria dificultar os planos do Deus Soberano e decidiu obedecer ao Senhor.

Não é Falta de Oração – É Oração Errada

Durante 2.000 anos, de Abraão até Jesus, o plano de Deus limitou-se, quase exclusivamente, ao povo judeu. No Novo Testamento, porém, a partir de Cornélio (At 10), as portas do reino foram abertas para nós, gentios. Será que nosso tempo não seria também de 2.000 anos? Como estamos em 2005, será que o relógio de Deus não está parado, aguardando novamente que o clamor de seu povo chegue aos seus ouvidos? Será que o tempo de nossa redenção não chegou ainda (Lc 21.28)? Quando acordaremos deste sono profundo e começaremos a clamar?

Mas será que existe na igreja atual um ambiente para genuína intercessão que possa tocar os céus e mover os ponteiros do relógio de Deus? Como igreja, temos errado muito. Estamos longe de nosso chamado de sermos povo sacerdotal. Até mesmo em coisas simples, como a pregação do evangelho, temos falhado. As pessoas vêm para a igreja a fim de resolver seus problemas pessoais, pois o evangelho que pregamos está tão aguado que não conduz o pecador ao arrependimento nem o leva a entrar pela porta do reino, através de arrependimento, morte para o velho homem na cruz, saída do império das trevas e novo nascimento no reino de Jesus.

A igreja tem produzido uma multidão de religiosos que estão longe de serem discípulos e servos de Jesus. Em Mateus 9.35, Jesus viu uma multidão indo à sinagoga, cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Não seria essa a nossa realidade atual? Como um povo assim, cuja oração é sempre “me abençoe, Senhor, me abençoe”, adormecido na luz (como na música Asleep in the Light, de Keith Green), vai orar segundo os propósitos de Deus? Quando vamos parar de pedir a Deus que abençoe nossos projetos e passar a participar do que Deus está abençoando e querendo fazer?

Precisamos, com máxima urgência, mudar o nosso foco. Deus procura um povo que esteja na brecha (Ez 22.30), a fim de cumprir seus planos para a atualidade; enquanto isso, estamos construindo reinos particulares, tornando célebre nosso nome (Gn 4.16,17 e 11.4); pastores estão assenhoreando-se do rebanho, usando as ovelhas em benefício próprio, agindo por torpe ganância (Ez 34; 1 Pe 5.2-3).

Não é que não temos orado. A verdade é que não oramos da maneira correta. Oramos até demais, mas cada um pedindo a Deus para abençoar sua denominação, seu ministério particular, para trazer crescimento a  sua igreja, mandar mais dízimos para que o pesado aluguel seja pago, etc. E Deus não tem interesse nenhum em fortalecer nossos reinos particulares e aumentar  mais ainda a confusão que existe no meio de seu povo, que se divide cada vez mais.

“Tudo coopera para o bem…daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). Quando nossa preocupação for o cumprimento do propósito de Deus, as coisas vão começar a fluir melhor. Se, como Daniel, procurássemos compreender os planos de Deus antes de apresentar nossa lista de pedidos, tudo o que pedíssemos ao Pai nos seria concedido. Mas continuamos a insistir que Deus deixe de lado os planos dele para abençoar os nossos. Existem grupos que chegam ao ponto de reivindicar, exigir que Deus faça o que querem.

Nossa situação atual é simplesmente terrível, e precisamos acordar.

Ainda assim, agora mesmo, diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, … Tocai a trombeta em Sião, promulgai um santo jejum, proclamai uma assembléia solene. Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, reuni os filhinhos e os que mamam; saia o noivo da sua recâmara, e a noiva, do seu aposento. Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o pórtico e o altar, e orem: Poupa o teu povo, ó Senhor, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que as nações façam escárnio dele. Por que hão de dizer entre os povos: Onde está o seu Deus? (Jl 2.12-17).

Ezequiel Netto, médico veterinário, reside em Campinas, com sua esposa Val e suas três filhas; todos atuam no ministério profético. E-mail: ezequielnetto@uol.com.br

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