Impacto Mirim-O Que Seu Pai Mais Queria

Data de publicação: 29/04/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 62 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 62

Maria pensou que seu lindo álbum de recortes fosse agradar a seu pai – e realmente agradou! Mas, depois, descobriu que havia algo capaz de deixá-lo mais feliz ainda!

Leitura bíblica: 1 João 1.3-7

Maria tinha 5 anos de idade e estava acostumada a esperar na janela da sala todas as tardes. Quando dava 5h10, ela saía disparada pela porta, gritando com empolgação:

– Mamãe, vou encontrar o papai!

Corria, alegre, até à esquina da próxima quadra, onde sempre encontrava seu pai chegando em casa. Era um tempo de grande companheirismo entre os dois em que Maria andava pulando e saltando ao lado do pai, segurando firme sua mão grandalhona e olhando para cima para fazer conexão com os olhos dele. Todos os dias, os dois já aguardavam com alegria esses minutos especiais de comunhão dos quais desfrutavam juntos – até que, de repente, tudo mudou!

Um dia, pouco antes do Natal, a pequena Maria não apareceu como de costume para encontrar-se com o pai. Embora um pouco intrigado, ele imaginou que ela pudesse estar ocupada com as amiguinhas e, por isso, não disse nada ao chegar em casa. Porém, a sensação de surpresa e perplexidade aumentou cada vez mais quando isso começou a se repetir todas as tardes. Vários dias se passaram, e Maria nunca mais aparecia para acompanhá-lo para casa. A curiosidade foi se transformando em ferida profunda que lhe penetrava até a alma, deixando um agoniado “por quê” em seu interior. Mesmo assim, nada disse a Maria.

Enfim, chegou o Natal. Enquanto estavam assentados em volta da árvore trocando presentes, um grande embrulho foi colocado no colo do pai. Ao ler o cartãozinho, que dizia: “Para o papai, de Maria”, tudo finalmente veio à luz: a razão pela qual Maria não fora mais esperá-lo na esquina! Claramente, horas e horas de trabalho estavam embrulhadas junto ao belo álbum de recortes, com figuras e poemas, que ela preparara para aquele dia. Ela havia passado todas as tardes sacrificando o tempo em que normalmente brincava para ficar escondida no sótão preparando esse belíssimo álbum de recortes para dar de presente de Natal para o pai!

Ele pegou o álbum e folheou as páginas, uma por uma. As figuras estavam muito bem cortadas e ordenadas. Os poemas foram cuidadosamente escolhidos (talvez, com a ajuda da mãe). O presente lhe agradou muito. Dava para ver que o quanto ele o valorizou; com certeza, seria guardado como objeto de grande significado para sempre. Era a primeira coisa que Maria conseguira fazer para ele por conta própria.

Entretanto, de alguma forma, o maravilhoso presente não conseguiu apagar a dor da comunhão interrompida! Ele se perguntava se deveria contar a Maria o que estava sentindo; será que deveria explicar-lhe o que mais desejava acima de todas as outras coisas? Sim, ele o faria.

Pegando Maria nos braços, colocou-a no joelho. O pai também estava tirando uma lição das horas de trabalho que a filhinha passara preparando o presente. Ele podia ver como ela aguardara com empolgação e ansiedade o momento de poder apresentar o trabalho de amor que exigira tantas horas de empenho.

Realmente, seu coração estava cheio de gratidão por tamanho esforço e de elogios por sua habilidade e dedicação.

No entanto, essa experiência teria de servir também como oportunidade de abrir o coração e contar para a filha o que ele realmente sentia.

– Maria – ele disse com cuidado – eu fiquei muito feliz com esse trabalho e vou guardá-lo com imenso carinho porque é a primeira coisa que você fez por mim. Mas papai acredita que há uma lição que você e eu podemos aprender com isso. Sabe, eu tenho sentido muita falta de você quando chego àquela esquina toda tarde e não a encontro mais. Agora, eu sei por que você não apareceu mais lá! Eu gostaria de dizer que as coisas que você pode fazer por mim são legais, mas não chegam nem perto daquilo que você pode ser para mim. Espero que você nunca permita que nada – nem o seu trabalho por mim – a impeça de me esperar ali na esquina toda tarde.

Depois continuou:

– Este álbum é muito maravilhoso, mas estou tão feliz que tenha acabado, porque agora você virá correndo outra vez para me encontrar quando eu estiver chegando à esquina!

Da mesma maneira, quantas vezes nosso Pai de amor anseia por erguer-nos ao seu trono e cochichar-nos nos ouvidos: “É comunhão que quero, não serviço!”

Foi assim que ele falou comigo algum tempo atrás! Depois de várias semanas de reuniões, longe de casa, eu acabara de retornar. Por alguns minutos, meu filhinho de 4 anos parecia tão feliz de ter o papai de volta. Mas durou apenas alguns breves minutos, e ele já se foi! “Por quê?”, eu me perguntava. Há dias e semanas, eu estivera aguardando esse momento de estar com ele novamente. Parecia-me muito estranho que ele tivesse saído tão rápido para se ocupar com algo lá na garagem.

Depois de esperar um pouco, fui até à porta da garagem e o chamei.

– Filho, por que você não vem para dentro de casa para ficar com o papai? Esperei tanto para podermos estar juntos.

– Papai, não posso. Estou tã-ã-ão ocupado – parecia que era tudo o que tinha a dizer.

Reconhecendo que verdadeira comunhão não pode ser forçada se a outra pessoa não quer, voltei ao meu escritório e ocupei-me com as tarefas.

Na manhã seguinte, como era nosso costume, ele foi comigo ao correio. Foi quando descobri o que o estivera ocupando tanto na garagem!

Quando descemos os degraus do correio, dei de cara com o lado direito do carro que eu não vira antes de sair de casa. O que era tudo aquilo que cobria a parte lateral do carro? Seria mesmo esse o meu carro? O que será que acontecera! Olhei segunda vez e compreendi. Com toda certeza, era serviço desse garotinho ao meu lado. Colados à lateral do carro, estavam diversos papéis e pedaços de papelão – todos fixados com minha melhor fita isolante! Que bagunça!

Devo admitir que dei uma rápida olhada na rua, nas duas direções, para ver quantos amigos, nessa pequena cidade, já haviam observado aquela estranha obra de arte. Eu estava pronto para dar uma bronca quando ele viu minha consternação.

– Mas papai – ele disse, animado – você não gostou da minha decoração? Eu fiz tudo isso só pra você!

E realmente o fizera! Quem poderia duvidar de que era um ato de amor e dedicação? Mas certamente não era uma obra da qual eu pudesse me orgulhar, nem era algo que havia solicitado. Minha melhor fita isolante fora desperdiçada, o carro precisaria ser lavado, e imagine o que as pessoas pensariam ao vê-lo daquele jeito!

Antes que eu pudesse repreendê-lo, era a vez de Deus falar comigo:

– Olhe, filho. Esse é exatamente o problema que tenho com você. Lembra-se de quantos projetos você começou para mim, mas tudo por sua conta? Lembra-se de todas as vezes em que você fez coisas que eu não pedi? Ao desperdiçar tempo com trabalho independente e zelo equivocado, você pensou que estava me agradando. Mas, na realidade, estava agradando a si mesmo. Se você pudesse entender como anseio muito mais por comunhão… Mas você insistia em dar-me serviço! Agora, seja paciente com seu filho como eu fui com você.

Pergunte a si mesmo

De que maneiras podemos mostrar que estamos colocando a comunhão em primeiro lugar? Você acha que servir a Deus seria diferente se fluísse de íntima comunhão com ele?

Aplicação

Se começarmos cedo – bem cedo em nossa vida – a dar a Deus nossa primeira hora do dia em comunhão, seremos poupados de gastar tempo e energia com projetos sem valor. Por toda a Bíblia, os homens que realmente cumpriram o propósito de Deus aprenderam a passar tempo em intimidade com ele.

“Então eu estava com ele e era seu arquiteto, dia após dia era as suas delícias, folgando perante ele em todo o tempo” (Pv 8.30).

Extraído do livro “Seeing God’s Purpose in Everything” (Vendo o Propósito de Deus em tudo), um livro de histórias selecionadas por DeVern Fromke, Master Press, Knoxville, Tn, EUA.

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