O Que Aconteceu com o Evangelho?

Data de publicação: 07/12/2011
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Edição 09 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 09

Por: Harold Walker

Enquanto não enxergarmos o tamanho da nossa perdição, jamais enxergaremos o tamanho da nossa salvação.  

Um princípio elementar no manuseio da eletricidade é a interação das duas correntes básicas: a negativa e a positiva. Qualquer eletricista sabe que estas duas forças precisam ser mantidas completamente isoladas uma da outra até o momento certo. Caso contrário haverá destruição ao invés de benefício. Quando as duas correntes entram em contato na hora certa, por exemplo, dentro da lâmpada ou do motor, luz e energia são produzidas. Quando isto acontece antes da hora, dá-se o que é chamado de curto circuito, que pode queimar fios e aparelhos, e a luz e energia desejadas não aparecem.

Parece que algo semelhante a isso tem acontecido com o evangelho no decorrer da história da igreja. No início, quando o povo ouvia o evangelho da boca dos apóstolos e cria nele, uma revolução acontecia em suas vidas. De uma hora para outra, eram transformados, a tal ponto, que recebiam o apelido de “cristãos” (pequenos cristos, seguidores de Cristo). A pregação do evangelho produzia grande perseguição e grande graça. Era considerado pelos apóstolos “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”.

Hoje, vemos as igrejas evangélicas cheias e crescendo cada vez mais, porém não há mais nem a perseguição nem a graça. Geralmente, o fato de uma pessoa receber o evangelho não produz uma mudança radical no seu estilo de vida. De fato, muitas vezes ela nem pensa que isso é necessário. O evangelho perdeu seu conteúdo revolucionário e ficou adulterado.É possível a pessoa participar de uma igreja por muito tempo sem nunca ouvir uma pregação explícita sobre o que é o pecado e como Deus o abomina. E sem compreender seu estado terrível de perdição ela jamais entenderá o significado da morte de Jesus. O conceito popular do evangelho hoje é que Jesus morreu para que possamos ir para o céu depois da morte e receber curas e bênçãos materiais agora.

Se, de fato, falta na pregação hoje uma ênfase na santidade e ira de Deus e na absoluta e total depravação do homem, também falta uma revelação clara da graça de Deus. Todos dizem que crêem na graça mas poucos compreendem o escândalo que ela representa à mente humana. Existe um consenso geral sobre aquele versículo que não se encontra na Bíblia: “Faz a tua parte, que eu farei a minha”,  ou: “Faz a tua parte, que eu ajudarei”. Por um lado, nunca fomos despojados da nossa justiça própria a ponto de admitir que não prestamos e que somos irremediavelmente perdidos. Por outro lado, nunca aceitamos a graça totalmente imerecida e suficiente de Deus. Quando confrontados com o pecado, sempre temos uma desculpa ou comparação: “Não sou tão mau assim. Fulano de tal é pior do que eu.” Quando a graça nos é apresentada, não conseguimos aceitá-la sem acrescentar-lhe algumas obras e qualificações nossas.

Em resumo, as duas correntes básicas da natureza de Deus: a lei e a graça, a ira e o amor, a santidade e a misericórdia, que no início eram expressados em perfeito equilíbrio e pureza no evangelho apostólico, hoje não estão presentes mais na pregação. Deu-se um curto circuito, o negativo foi misturado com o positivo antes da hora (Deus entende, ele sabe que você não consegue cumprir toda a lei, ele vai lhe dar um desconto) ou o positivo com o negativo (a graça de Deus não é suficiente, você tem que fazer a sua parte, tem que se esforçar e ser um bom cristão) e o resultado é a vida cristã que vemos por toda parte – sem luz e sem energia (e com muitos fios e aparelhos queimados – esgotamento espiritual, pessoas desiludidas, igrejas cheias de escândalos e divididas).

Graça misturada não é graça. Se tivermos 99% de graça e 1% de nossas obras, então a graça não é graça. Que nome podemos dar para aquilo que temos hoje? Graça falsificada? Não é lei porque não nos sentimos obrigados a guardar a lei, mas não é graça porque misturamos nosso esforço no meio.  A mistura de obras com graça nos separa de Cristo (Gl 5.4; Rm 11.6).

Como podemos receber esta graça se primeiro não enxergarmos nossa total perdicão? Em todos os quatro evangelhos, é impossível chegar a Jesus, o Salvador, sem primeiro passar por João Batista, com sua pregação forte sobre pecado e arrependimento. Enquanto não enxergarmos o tamanho da nossa perdição, jamais enxergaremos o tamanho da nossa salvação. Somente quando ouvirmos a lei pura de Deus poderemos receber a graça pura de Deus.

É hora de clamarmos a Deus pela restauração do evangelho verdadeiro e por sua purificação de todos os acréscimos que foram misturados com ele durante os séculos.

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Uma resposta para “O Que Aconteceu com o Evangelho?”

  1. Palavra que realmente nos faz refletir e restaurar princípios outrora esquecidos pelas grandes renovações teológicas.

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