O Medo do Invisível

Data de publicação: 19/09/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 34 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 34

PEDRO NÃO ANDOU SOBRE AS ÁGUAS

Por Ezequiel Netto

Existe Fé na Terra?

Subir em um muro alto e pular nos braços no pai, tendo certeza que você não vai se esborrachar no chão é o que quer dizer Hebreus 11.1. Quando Deus nos conduz por caminhos ou situações onde, se ele não agir, não podemos fazer nada além de depender do Espírito Santo, estamos andando por fé. Somos chamados a viver desta forma (Hc 2.4), mas quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra (Lc 18.18)?

Andar por fé não é fácil para nós. Quando ficamos doentes, temos os planos de saúde (ouvi um pastor dizer que o dom de cura perdeu sua utilidade em nossos dias). Após um dilúvio, o homem não se arrepende de sua maldade e constrói uma torre para se proteger (Gn 11.1-9). Será que ainda existem aquelas histórias de missionários sem nenhum tostão no bolso, e que milagrosamente recebem dinheiro enviado por alguém que nem conhecem, ou recebem objetos de uso pessoal, exatamente aquilo de que estavam precisando?

Lembro do livro “A Cruz e o Punhal”, onde obreiros do Desafio Jovem oravam pedindo a Deus que providenciasse pasta de dentes, e esta era enviada. Gostamos de andar com os pés no chão, em segurança, e viver por fé não é bem a nossa praia. De onde vem o nosso socorro (Sl 121)? Da polícia, da caderneta de poupança, do dinheiro que a mamãe tem guardado?

O Medo da Intimidade

As pessoas que mais amamos são justamente as que mais nos magoam. Não existe nada que nos machuque mais do que esta dor da decepção, do amor frustrado. E entre todos os nossos amigos, o que mais nos decepciona e magoa é justamente o próprio Deus. Não que esta seja a sua intenção, mas ao nos conduzir para seu propósito, muitos de nossos planos pessoais saem frustrados. E ficamos com raiva dele (mas não assumimos, com medo de ir para o inferno).

Ele é Onipotente e não existe nada que o impeça de fazer o que quiser. Ele realiza muitos milagres para as pessoas pelas quais oramos, mas parece ausente justamente quando oramos por alguém especial para nós. E saímos decepcionados. Ele nos usa para ministrarmos prosperidade para alguém que nem conhecemos, mas permite que o dinheiro fique escasso para nós mesmos.

Lembra do filho daquela irmã de oração, que acabou falecendo? Ele também pode nos mandar para lugares onde não queríamos ir, ou fazer algo contra a nossa vontade. Não existe uma igreja muito boa em sua cidade? Mas Deus quer que você fique justamente naquela outra, cheia de defeitos.

Sendo assim, em nosso subconsciente, trocamos a intimidade com Deus pela Bíblia. Nossa teologia torna-se mais confiável do que o próprio Deus. Deus é muito imprevisível, e preferimos seguir o que está escrito (Ex 20.18-21; Hb 12.18-21). Um Deus distante, que se oculta (Is 45.15; 8.17), uma religião, tornam-se mais seguros para nós do que um “Deus conosco”. Identificamo-nos mais com “Um Manual” do que com “Emanuel”. Somos como o povo de Nazaré e não somos curados, não recebemos as bênçãos, o reino de Deus não vem a nós, devido aos nossos próprios medos de interagir com um Deus em nosso próprio mundo (Mt 13.54-58; Mc 6.1-5).

O Medo de Pagar Mico

Em algumas ocasiões somos acometidos por um forte desejo de cantar com empolgação, de dançar durante um louvor, ou de dar um forte abraço em alguém e expressar o quanto Deus o ama. Em nossa vida diária, principalmente quando nos reunimos, é bastante comum ouvirmos a voz de Deus através de impressões proféticas que invadem nossa mente, emoções ou até mesmo nosso corpo.

Certa vez, em uma reunião de grupo caseiro da igreja Menonita de Valinhos, senti uma insuportável queimação no joelho direito, o que me levou a crer que Deus estava fazendo com que sentisse a dor que alguém estava sentindo, e que ele queria curar aquela pessoa.

Para a grande maioria de nós, é um absurdo você associar uma dor no joelho com uma palavra de Deus. O medo de parecer um doido, de pagar mico, impede que entreguemos uma palavra deste tipo em reuniões. Mas a única maneira de você saber se é realmente palavra de Deus, ou se apenas fruto de sua fértil imaginação, é justamente se expondo ao ridículo.

A raiz deste medo está no fato que, em nosso íntimo, sabemos que somos tolos, de que não temos boas contribuições a fazer e, caso tentássemos contribuir de alguma forma, as pessoas descobririam que somos tolos de verdade. Por isso tentamos passar na igreja uma imagem de equilíbrio, fora da nossa realidade. Não seria mais fácil aceitar que Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para envergonhar os sábios (I Co 1.27), em vez de tentar manter uma aparência de sobriedade?

A Vitória Sobre o Medo: Coragem

“Quem há entre vós que tema a Deus, e ouça a voz do seu Servo? Quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do Senhor e firme-se sobre o seu Deus. Mas todos vós, que acendeis fogo, e vos cingis com tições acesos, ide, e andai entre as chamas do vosso fogo e entre os tições que acendestes. Isto é o que recebereis da minha mão: em tormentos jazereis” (Is 50.10-11).

Nesta passagem vemos que, em algumas situações, estaremos em trevas, escuridão absoluta (não está falando aqui de pecados, mas de não enxergar nada, perder o controle das coisas, a segurança, a certeza do que virá em seguida). Neste caso, temos duas possibilidades: ou confiamos no Senhor e nos firmamos nele, ou então acendemos a nossa própria tocha e andamos na luz que nós próprios produzimos.

O que você costuma fazer nestas horas? Insiste na oração, ou corre para o médico? Confia em Jeová-Jiré, seu Provedor, ou dá um cheque pré-datado? Deixa o Espírito Santo dirigir, ou assume você mesmo o comando, segue a liturgia e prega aquele antigo sermão?

Depois que resolvi pagar uns miquinhos, venho descobrindo o quanto um tolo pode ser usado poderosamente por Deus. Agora não pago só mico. Estou tendo coragem para pagar orangotangos e gorilas, sendo mais ousado nas atitudes de loucura. Quanto mais assumimos nossa insignificância e olhamos para Jesus, mais poder de Deus é liberado.

Quando lembro de ter rompido com todos os protocolos, ao interromper os músicos e começar a cantar e dançar em nosso encontro de jovens na passagem de ano de 2003, só faltou alguém para ler At 2.15, dizendo que não estávamos bêbados. Não dá para descrever em algumas frases como os céus foram abertos e o poder de Deus liberado após alguém ter coragem de se expor a cometer atos de loucura.

A prostituta que se lançou aos pés de Jesus, na casa de Simão (Lc 7.36-50), rompeu com todos os protocolos da época. E ainda recebe a honra de ser a mulher que descobriu a adoração extravagante.

Em Mateus 14.28-31, vemos o seguinte: “Respondendo-lhe Pedro, disse: Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas. E ele disse: Vem! E Pedro, descendo do barco, andou por sobre as águas e foi ter com Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a submergir, gritou: Salva-me, Senhor! E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pequena fé, por que duvidaste?”

Deus nos chama a transformar nosso medo em coragem. E isto é feito quando andamos em intimidade com ele. Assim como Pedro não andou sobre as águas, mas sobre a palavra de Jesus, somos desafiados a pular do muro, nos lançando nos braços do Pai. Se nos lançamos baseados no que está escrito, é melhor deixar uma ambulância de plantão. Mas se você ouviu o “Vem!” de Jesus, não preciso mais colocar a frase final deste artigo. Você já sabe o que acontecerá.

Ezequiel Netto mora em Monte Mor/SP, é Médico Veterinário, e professor de Dons Proféticos no Ministério Impacto.

Uma resposta para “O Medo do Invisível”

  1. roberto disse:

    obrigado, meu Pai por estes escritos. ainda bem que existem ainda servos teus que não se curvam diante dos ditames deste mundo natural. Obrigado porque ainda há filhos que desejam honrar a ti, ó Pai, pois o mundo precisa te conhecer e como poderá ser se somente apresentamos um cristianismo tão medroso quanto às ciências deste mundo?
    Que Deus possa vos abençoar para que continuem a falar de um pai poderoso e amoroso para com o homem.

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