O Evangelho 100%

Data de publicação: 06/12/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 10 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 10

Por: John Walker

Durante minha juventude, por muitos anos, busquei uma maneira de servir a Deus. Até que, certo dia, um amigo falou comigo sobre o caminho de 100%. Nem eu nem ele éramos convertidos ainda, mas imediatamente senti que era exatamente isto que queria para minha vida. Gostaria de compartilhar, então, alguns pontos que descobri no decorrer de minha experiência cristã, que podem levar outras vidas a seguir este caminho apertado.

1º – Holocausto

No Velho Testamento, era um sacrifício em que a vítima era queimada por inteiro. Nada – nem uma orelha ou pedacinho – era poupado. Nossa vida cristã deve ser um holocausto. No Velho Testamento, várias vezes o fogo caiu sobre o holocausto como sinal da aceitação de Deus deste sacrifício.

Mt 22:37-40. Esses versículos resumem toda a lei e os profetas. Amar a Deus de todo o coração, e de toda a alma e de todo o entendimento é colocar-se de corpo, alma e espírito no altar. Quando buscava ser batizado no Espírito, certa noite eu estava muito perto de recebê-lo e tive um sentimento forte de que teria que me colocar corpo, alma e espírito no altar. Arrazoei com Deus que até poderia fazê-lo, mas que no dia seguinte possivelmente quebraria essa promessa. Deus falou comigo: “Coloque-se desta forma no altar e eu cuidarei do resto.” Quando me  ofereci a ele como holocausto, o fogo caiu e agora já faz quase cinqüenta anos que ele tem sido fiel, cumprindo sua promessa.

2º – Altar

Altar é contato com Deus, ligação do céu com a terra. Pode ter duas vias – de lá para cá ou de cá para lá. Cada cristão deve ter um altar diário e pessoal com Deus. Minha vida espiritual só decolou quando juntamente com minha esposa levantei um altar na minha casa – meus filhos se converteram nesse ambiente de leitura da palavra e busca de Deus, diariamente. É algo que deve ser mantido sempre, sistematicamente, mesmo quando não sentimos vontade de fazê-lo. Quando agimos assim, Deus honra nosso altar e inesperadamente algo sobrenatural pode acontecer – da parte de Deus para nós ou da nossa parte para Deus.

3º – Santidade

Isto inclui toda área de nosso ser – financeira, emocional, profissional. Precisamos crer que não pode existir crente carnal e  que o propósito de Deus é ter um povo santo.

Muitos pensam ser impossível praticar o sermão do monte (Mt 5-7). Mas a palavra de Deus diz em Gálatas 5:16: “Andai pelo Espírito e não haveis de cumprir a cobiça da carne.” Se estudarmos Romanos 7 e 8, veremos que não basta dizer que temos o Espírito, temos de nos inclinar a ele, pois não somos devedores à carne para viver segundo a carne – nossa obediência é ao Espírito. O Espírito é quem mortifica as obras da carne para santificar nossa vida. Eu tinha problema com Paulo e com esse versículo porque parecia que Paulo queria que nos esforçássemos para vencer a carne. Mas entendi que não era uma obrigação – na verdade ele estava alertando nosso espírito e mente a se inclinarem para Deus e assim teríamos força para cumprir sua palavra. Temos de receber isto como uma exortação ungida da verdade para entender que é possível, pela força do Espírito, mortificar as obras da carne. Se nos inclinamos para o Espírito, como uma flor se inclina para o sol, recebemos sua graça para obedecer à lei. Só pelo Espírito podemos amar a Deus em primeiro lugar e ao nosso próximo como a nós mesmos.

Lc 14:25-27,33. Santificação não é algo opcional. Ser discípulo é um caminho de  total dedicação a Deus. Jesus só voltará para uma igreja com 100% de santidade individual e coletiva.

Um livro muito famoso, “A Cabana do Pai Tomás”, tem um episódio em que alguém pergunta a Tomás se era realmente possível praticar certa passagem da Bíblia e se realmente haveria problema se não o fizesse. Ele responde que não interessava obter um ingresso para o céu, mas estava interessado em saber o que aconteceria em seu interior se não praticasse aquele mandamento. Essa situação acontece repetidas vezes no mundo. Na escola, a maioria dos alunos não se interessa em adquirir conhecimento, mas em conseguir nota para passar de ano, nem que seja colando. A igreja está cheia de hipocrisia, fingimento e intrigas, pois o que mais preocupa as pessoas é conseguir um ingresso para o céu. Mas que assunto você terá com Deus no céu, se chegar lá sem santidade? Imagine que tipo de igreja teríamos, se todos estivessem vivendo 100% para Deus e para o irmão, em vez de estarem tão preocupados com aparência, programa e entretenimento? Nossa situação é a mesma de Laodicéia – não somos quentes nem frios. Deus é amor, mas o verdadeiro amor tem disciplina. Os mornos, ele vomita – pois quer discípulos que se coloquem por inteiro no altar – corpo, alma e espírito.

4º – Perdão

É uma lei da vida espiritual que deve atuar sempre em nossa vida. Na oração de Jesus em Mateus 6:9-15 foi o único item que ele repetiu. Perdão deve ser praticado diariamente. Às vezes, gasta tempo para perdoar, mas não devemos ficar condenados, pois em algum momento o Espírito Santo vai chegar e o perdão será liberado. Onde estaríamos sem o perdão de Deus e de outras pessoas? Se recebemos perdão, o propósito de Deus é que também pratiquemos o perdão.

5º  – Repartir

O cristão deve praticar outrocentrismo e não egocentrismo. Geralmente o que vemos na igreja é o eu no centro, depois as pessoas que amo e Deus em último lugar. Uma vida outrocêntrica é toda centralizada em Deus, depois no meu próximo e o eu fica em último lugar. Devemos criar o hábito de dar para os outros e para a obra de Deus. Não é questão de dar 10%, mas muito mais. A regra no Velho Testamento era 10%, mas no Novo Testamento a palavra dízimo nem é citada. Na igreja de Atos, eles viviam em comunidade – davam muito mais que o dízimo. Nós também devemos ter em mente que 10% é o mínimo que podemos dar como um começo. Hudson Taylor, um pioneiro que evangelizou China,  disse que reservava mais de dois terços de seus rendimentos para suprir necessidades alheias, e que quanto menos gastava consigo mesmo e quanto mais dava para outros, mais feliz e mais abençoada sua alma se tornava.

6º – Mordomia do tempo e dos bens

É pecado perder tempo e gastar dinheiro à toa. Na criação de meus filhos, eu me importava  muito com a maneira como usavam seu tempo. Queria saber o que haviam feito durante o dia, o que estavam lendo, se tinham realizado as tarefas diárias e feito o dever de escola etc. Logo que possível, tinham horário certo para tudo. Se fosse hora de brincar, podiam brincar, mas nada de brincar na hora de trabalhar ou de estudar. Se havia tempo sobrando, estava na hora de arrumar alguma atividade útil ou algo para aprender.

Não pense que organizando bem o tempo de seus filhos, vá deixá-los tristes e revoltados. Antes, como bons mordomos vão aprender disciplina em suas vidas e terão alegria permanente. O uso adequado do tempo tornará seus filhos prósperos e bem-sucedidos em tudo o que se propuserem a fazer.

Assim como o tempo, o dinheiro também pertence a Deus e devemos administrá-lo como mordomos. O pai deve compartilhar com a esposa e os filhos sobre as finanças da família, sobre seus planos e até sobre suas dificuldades. Eles devem ajudar com oração e até com sacrifício em prol de algum projeto para ajudar os pobres e a obra de Deus. Para mim, gastar dinheiro com luxo, festas, viagens, hotéis cinco-estrelas e coisas semelhantes é abominação diante de Deus, em vista de tamanha falta e miséria no mundo. À medida que nós e nossos filhos aprendemos a administrar, a economizar e a gastar nossos bens com sabedoria, vamos amadurecer e tornar-nos frutíferos no reino de Deus.

Concluindo, esses seis itens fazem parte daquilo que Deus tem feito em minha vida e quer fazer na igreja antes da volta de Cristo. Devemos ter paixão por Deus e desejar ser inteiramente consumidos no altar. O alvo da vida cristã não é escapar do inferno – é servir a Deus com tudo o que temos.

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