O Enigma da Oração Não Respondida

Data de publicação: 27/11/2011
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Edição 16 e Revista Impacto - 1998 a 2014.

Por: Richard Wurmbrand

“… guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5.21)

Nas prisões comunistas da Romênia, nós podíamos ouvir quando os guardas espancavam e torturavam os outros presos. Ouvíamos os gemidos e os gritos dos que eram torturados no meio da noite. Aqueles prisioneiros oravam a Deus pedindo ajuda, mas as surras continuavam e muitos não resistiam e acabavam morrendo de tanto apanhar. Parecia que as suas orações tinham sido em vão.

Era o enigma das orações não respondidas. Muitos de vocês têm problemas em suas famílias e oram constantemente sobre eles, mas de alguma forma suas orações continuam sem resposta.

Isto vai minando a fé de muitos e alguns acabam desistindo. Desistem de Deus. Por que? É porque o Deus deles era um ídolo. Acreditavam num Deus menino de recado. Muitos de nós crêem assim. Todas as manhãs dizemos a ele: “Querido Deus, bom dia. Por favor, faça isto, faça aquilo, e cuide da minha saúde e da saúde da minha família.”

Os que acreditavam num Deus menino de recado tinham um ídolo. E esse ídolo falhou; não deu conta do recado.

Quando Jesus esteve na terra, ele orou com lágrimas: “Pai, se for da tua vontade, afasta de mim este cálice”. Mas o cálice não foi afastado. Por fim, Jesus falou: “Seja feita não a minha, mas a tua vontade” (Lc 22.42). Assim como pôde haver uma diferença entre a vontade do Pai e a vontade do seu Filho amado, da mesma forma pode haver uma diferença entre a vontade do Pai e a vontade de Richard Wurmbrand. É a vontade Dele que tem de ser cumprida, não a nossa.

Eu e muitos outros sofremos com isto. Quem sabe eu possa ajudar voces contando a que conclusão chegamos e que luz recebemos.

Na Russia comunista, nos quartéis da KGB, havia um major chamado Nadionoff. Ele nunca prendeu, investigou, espancou ou torturou alguém.

Se a polícia prendia alguém da igreja subterrânea, eles tentavam obrigá-lo a revelar com quem trabalhava para poderem prender outras pessoas.
Na igreja oficial não havia Escola Dominical para as crianças – os jovens menores de 18 anos não tinham permissão para frequentar a igreja.

Crianças e Jovens não podiam aprender nada sobre Deus. O Major Nadionoff tinha somente uma tarefa. Ele jamais estuprava uma garota; era pior do que isso.

Havia uma jovem batista. Uma jovem frágil, 17 ou 18 anos de idade, que tinha sido presa. Ela não cedeu às torturas. Disseram-lhe que ela seria entregue às maõs de Nadionoff e o que ele iria fazer a ela. Ela nem entendeu o que aquilo significava.

Ela estava só em uma cela, quando a porta se abriu e Nadionoff entrou. Aqueles que o conheceram dizem que ele parecia um gorila, corpulento e muito, muito feio. Ela ficou apavorada só de olhar nos olhos dele. As mãos enormes como as de um açougueiro, aproximou-se dela. Ela podia perceber o prazer estampado em seu rosto, a satisfação que ele antecipava, como ele desejava satisfazer a própria lascívia.

A reação natural de qualquer moça na situação dela seria tentar se defender. Seria natural espremer-se contra a parede, empurrá-lo para longe, dar-lhe pontapés, ou até gritar. Mesmo que não adiantasse nada, seria a reação mais natural. Mas ela não pertencia mais ao natural. Ela pertencia à família de Deus, que tem reações totalmente diferentes.

Ela fez uma coisa surpreendente. Caminhou na direção dele com um sorriso no rosto. Queridos irmãos e irmãs, eu gostaria que vocês pudessem ver o sorriso da igreja subterrânea (a igreja perseguida) — tristeza carregada com um lindo sorriso.

A menina foi na direção do homem de quem ela esperava o pior, com um sorriso no rosto, e lhe falou:
“Eu amo muito você.”

Ele se deteve estupefato. Ela continuou: “Não se espante. Se você pudesse visitar a nossa igreja, você ia ver quantas garotas bonitas iriam amar você. Não acredite no espelho que você é feio. Isso não é verdade. Você tem um tesouro que não tem preço em seu coração. Você é tão valioso que o Filho de Deus deixou o céu e todo o seu esplendor porque ele ama você. Ele o ama e quer que você vá morar com ele no céu.”

Não tenho como repetir cada palavra que ela falou, mas ela levou aquele homem a Cristo. Logo que se converteu, ele foi expulso da polícia que resolveu matá-lo. Eles queriam que parecesse suicídio, e agiram rápido na casa de Nadionoff e fugiram em seguida.

Logo que eles fugiram aconteceu o seguinte: irmãos que tinham ouvido falar da conversão dele foram visitá-lo e o encontraram pendurado pelo pescoço. Cortaram a corda e conseguiram salvar a sua vida. Ele se tornou membro da igreja batista. Que linda história! É preciso existir o lado do mal para que a beleza possa brilhar. Sem aqueles que deram os açoites e sem aqueles que enfiaram os cravos nas mãos e pés de Jesus, a história da sua ressurreição e ascensão, e da nossa salvação não teria acontecido.

Aquela pobre menina orou para não ser entregue nas mãos de Nadionoff. Qualquer um de nós teria orado do mesmo jeito. Se ela não tivesse sido entregue, a salvação de Nadionoff não teria acontecido e, por meio dele, quem sabe de quantos mais.

É isto que aprendemos na prisão: que há propósito no nosso sofrimento e em nossas orações não respondidas. “Seja feita não a minha, mas a tua vontade.”

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” ENTRE ASPAS “

“Um pastor idoso, jubilado, se aproximou de mim após um culto onde eu pregara sobre perguntas não respondidas na vida cristã. Era um homem de estatura baixa, magro, de mente arguta e uma paixão que eu podia sentir enquanto ele falava. Ele colocou sua mão no meu ombro, fitou-me com intensidade terna, e disse: ‘Tenho oitenta e sete anos. Perdi minha esposa há quatro. Nunca conheci dor maior que esta. Tenho implorado a Deus que tire esta dor, que me dê um senso da sua presença, que alivie a solidão terrível que sinto. Ele não o fez. Mas tem-me dado uma prova de sua bondade. Tenho um vislumbre daquilo que ele tem preparado para mim. E estou contente até que eu seja chamado para o meu lar.”