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Data de publicação: 25/10/2011
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Edição 27 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 27

Atemorizados, tanto pelas autoridades do país como pelas grandes comunidades muçulmanas com que convivem, os cristãos no Iraque se sentem como se estivessem entre a cruz e a espada. De acordo com líderes cristãos anônimos que estiveram em contato com a revista norte-americana Charisma, a intervenção militar dos Estados Unidos no seu país pode ainda piorar sua situação.

Esta situação já não é nada favorável. Se criticarem o governo de Saddam Hussein, estarão se expondo a prisão, tortura e morte. Porém, ao se calarem, o resto do mundo os considera complacentes com um regime injusto e repressivo.

Quer Hussein permaneça no poder, quer seja derrubado, os cristãos temem mais as forças internas do que a ameaça da guerra. É difícil ver um futuro positivo para a igreja nesta terra que aparece tantas vezes nos relatos bíblicos.

A cidade de Mosul, por exemplo, no norte do Iraque, fica próxima às ruínas de Nínive, a antiga capital da Assíria. Os cristãos naquela cidade estão orando para que Deus visite outra vez a região com arrependimento, como nos dias do profeta Jonas.

“Estão reconstruindo Babilônia”, disse um líder cristão à revista Charisma. “Sentimos que espíritos malignos estão há muito tempo em controle de grandes regiões do Iraque. Estamos organizando orações concentradas – guerra espiritual – para combater estes espíritos e suas fortalezas, desde Nabucodonosor até Saddam Hussein. Ficaríamos mais fortalecidos se soubéssemos que outros cristãos pelo mundo também estão se unindo conosco neste propósito.”

Há diferentes fontes com estatísticas divergentes, mas a maioria concorda que há mais de um milhão de cristãos atualmente no Iraque, que representaria aproximadamente 5% da população. Nem todos são cristãos ativos. As igrejas foram infiltradas de tal forma pelas forças de segurança do governo, que os membros não ousam fazer evangelismo ou trabalhos cristãos abertamente. Muitos continuam cristãos apenas por tradição e forma exterior, e quase não há verdadeiro crescimento.

Como em tantos outros países onde há perseguição, a verdadeira igreja viva passou a existir de forma subterrânea, especialmente em regiões de muçulmanos fundamentalistas. As igrejas se tornaram grupos nas casas que podem se deslocar e mudar seu local de encontro praticamente sem aviso prévio. Assim, por força destas condições hostis, a igreja foi obrigada a voltar ao estilo de adoração e culto que caracterizava os cristãos da primeira igreja, no livro de Atos.

Mesmo sendo um grupo tão reduzido e limitado, os cristãos no Iraque pertencem a algumas das igrejas mais antigas do mundo. A Igreja Assíria traça suas origens à nação assíria que aceitou o cristianismo em 179 AD. Ainda falam uma língua semelhante ao aramaico, que era o idioma do tempo de Jesus. Na verdade, havia representantes desta região em Jerusalém no dia de Pentecostes (At 2.9).

A Igreja Caldéia, ligada ao Vaticano, tem aproximadamente 500.000 pessoas no Iraque. Os Assírios Nestorianos seguem os ensinamentos do bispo Nestório, de Constantinopla, do quinto século, e são caracterizados por templos mais simples, sem imagens ou adornos. Em tempos passados foram perseguidos pelos Caldeus, mas hoje andam mais próximos a estes e, em alguns casos, até dividem com eles os mesmos templos e recursos. Existem possivelmente uns 300.000 Nestorianos hoje no Iraque.

De acordo com suas tradições, foram eles que enviaram os primeiros missionários à Mongólia, à China e ao Japão. Além desses, há também pequenos grupos de anglicanos, luteranos e outros evangélicos, principalmente em Bagdá, e em outras cidades maiores.

Segundo algumas fontes, Saddam já arrasou centenas de vilas assírias. Ao mesmo tempo, no norte, extremistas curdos já destruíram 150 igrejas. Os cristãos são vistos como traidores em potencial pelos muçulmanos e como aliados aos países ocidentais. Muitos já saíram do país, possivelmente até 150.000, segundo algumas estimativas, desde a guerra do Golfo.

A cidade de Bagdá, há pouco tempo caracterizada por uma linha islâmica mais secular, hoje está se tornando cada vez mais fundamentalista, por causa do forte influxo de pessoas vindas de regiões radicais. Os líderes cristãos no Iraque acreditam que se o governo atual fosse substituído por outro, não teriam melhores condições para viver ou anunciar sua fé.

“Não estamos a favor de guerra”, disseram. “Mas não queremos ser esquecidos pela igreja no restante do mundo. Peça às igrejas no Ocidente que orem por nós.”

Existe um paralelo interessante entre este dilema em que os cristãos no Iraque se encontram hoje e um outro período da história nesta mesma região. No quarto século da era cristã, quando era conhecida como Mesopotâmia, parte era governada por Roma e parte pertencia ao império persa. O famoso imperador romano, Constantino, acabara de aderir ao cristianismo, enquanto na Pérsia predominava o zoroastrismo, uma religião nacionalista que nesta época não tolerava a existência de outras religiões.

A Mesopotâmia era a fronteira entre as duas potências, e se os persas já perseguiam aos cristãos por não abandonarem sua fé antes de Constantino, depois aumentaram ainda mais a pressão. Agora, além de tudo, os cristãos eram vistos como partidários dos romanos, principalmente quando o imperador persa soube que Constantino pedira oração aos bispos cristãos para que vencesse a batalha contra a Pérsia.

De acordo com historiadores, o fato surpreendente não foi que os cristãos ficaram como grupo minoritário naquela região, mas que conseguiram sobreviver! Nesta região tão histórica, onde o povo de Israel passou seu tempo de cativeiro no Velho Testamento, e onde cristãos desde os primeiros séculos têm enfrentado grande oposição e perseguição, oremos para que Deus mais uma vez proteja seus fiéis no meio deste grande conflito de potestades celestiais e terrenas que está se armando ali outra vez.

Fontes: Revista Charisma, edição de fevereiro de 2003, e Christian History Newsletter, de 07/02/2003.   

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Mártires Americanos e Responsabilidades Latinas
Três agentes humanitários dos EUA são mortos no Iêmen

SANA’A (CNN) — Em ataque atribuído pelas autoridades a um extremista islâmico, três agentes humanitários norte-americanos foram assassinados e um quarto, ferido, em um hospital missionário no sul do Iêmen, na manhã de uma segunda-feira, dia 30 de dezembro de 2002. De acordo com uma porta-voz do hospital, o criminoso, de 35 anos, foi preso logo após o ataque. Duas das vítimas eram mulheres; uma delas morreu e a outra foi levada para o centro cirúrgico.

O alvo do ataque foi um hospital batista fundado pelos Estados Unidos na cidade de Jibla, a cerca de 200 quilômetros da capital iemenita, Sana’a. Os funcionários norte-americanos preparavam-se para passar o controle do hospital para autoridades locais.

“Parece ter sido um ataque planejado com antecedência”, comentou o editor-chefe do jornal Yemen Times, Walid Al-Saqqaf, referindo-se ao fato de o agressor ter se dirigido diretamente a uma sala, onde matou a primeira das vítimas. A embaixada norte-americana em Sana’a divulgou um comunicado condenando o ataque e conclamou o governo do Iêmen a julgar e punir os responsáveis.

“Estamos aconselhando os cidadãos norte-americanos no Iêmen a reforçar sua segurança pessoal e estamos pedindo mais proteção para os cidadãos norte-americanos no país”, acrescenta a nota.

A porta-voz do hospital, Julie Toma, disse que a administração do local acredita que o ataque tenha sido um acontecimento isolado para marcar a transferência do controle para o Iêmen. A segurança no Iêmen tornou-se uma prioridade dos Estados Unidos desde o atentado contra o navio USS Cole, ocorrido em outubro de 2000 e no qual 17 militares norte-americanos morreram.

É lamentável que fatos como esse ocorram, pois quantas vidas foram salvas por essas pessoas que foram assassinadas. O hospital é mantido pela igreja Batista, e as pessoas que ali trabalham estão abençoando aquele povo.

A cada dia que passa, nota-se que aumenta a dificuldade dos irmãos americanos em fazer missões transculturais. Há pouco tempo, no Líbano, uma outra irmã foi morta. Eles estão sendo obrigados a se retirarem de muitos campos, pois é notório que correm risco de vida.

É nesse contexto que cresce a nossa responsabilidade, pois sem dúvida a IGREJA BRASILEIRA hoje já conta com uma expressiva força missionária, preparada e/ou em preparação. Temos homens e mulheres treinados e capazes de substituir à altura os irmãos americanos que ficaram impossibilitados de exercerem seu ministério em outros países.

Segundo a Sepal (2002), apenas 2% dos nossos missionários são enviados ao mundo não evangelizado, 13% ao mundo não-cristão, porém evangelizado e 85% ao mundo cristão (incluindo nominais). Quantos missionário(a)s cada um de nós conhece que, estando prontos, não são enviados por falta de recursos financeiros, ou, na maioria das vezes, porque seus líderes espirituais não tiveram seus olhos abertos à necessidade missionária?

Contribuído por Marcos Montanheri
Seminarista, Instituto Cristo Para as Nações, Dallas, TX, EUA

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