Missões: E Nós, a Igreja Livre?

Data de publicação: 28/08/2011
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Edição 43 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 43

Por Ariadna Faleiro de Oliveira

“Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda a sorte de doenças e enfermidades entre o povo. E a sua fama correu por toda a Síria; trouxeram-lhe, então, todos os doentes, acometidos de várias enfermidades e tormentos: endemoninhados, lunáticos e paralíticos. E ele os curou” Mt 4.23,24.

Estive pensando, recentemente, sobre as multidões que seguiam a Jesus e que estiveram presentes em boa parte do seu ministério. Comecei a meditar sobre os sentimentos dessas multidões e encontrei algumas semelhanças incríveis entre elas e nós, a igreja!

Um dos aspectos que chamaram minha atenção foi a motivação que levava a maioria da multidão a segui-lo. Penso que o interesse em “receber” era, para a maioria, o valor em evidência. Afinal, ele era o Cristo, aquele “curador” de moléstias… Um homem atípico para sua geração!

Porém, outro aspecto que me confronta é a motivação de Jesus para com a multidão. Mesmo sabendo que muitos deles não iriam avançar em fidelidade, por muitas vezes a Bíblia cita que “Jesus se compadecia dela, e curava os seus enfermos…”. Comecei a orar e a perguntar ao Espírito Santo acerca disso. Pensei em todos aqueles que, em meio às multidões, foram abençoados, tocados, curados e ensinados por ele, e que gritaram junto com os demais, na hora da sua angústia: “CRUCIFICA-O!”. Aliás, naquele momento do seu ministério, a multidão também se fez presente.

Então, o que levou esse notável homem a “curar” os que mais tarde se levantariam contra ele? Algo que o Espírito trouxe ao meu coração foi que “a compaixão de Cristo estava acima de seus interesses pessoais”. Essa é a marca de uma genuína vida de comprometimento com a causa do Reino de Deus, de obediência à sua vontade e de abnegação que leva ao sacrifício, ainda que este envolva “morte”, física ou não!

Mas você pode pensar: o que tudo isso tem a ver comigo? Se eu estivesse lá, com certeza não faria parte da multidão inconstante e contrária!

Diante disso, quero, com muito temor, traçar um paralelo entre a multidão e a igreja. Como igreja “livre”, temos ido atrás de boas dádivas, recompensas, um cristianismo fácil e próspero que nos leva a um padrão de vida melhor; afinal, como “Filhos do Rei”, merecemos isso! “Sacrifícios”?! São desnecessários! Nossas dívidas já não foram pagas?

Penso que somos uma multidão! Queremos estar com Jesus, beber dele e ser tocados por ele, desde que renúncia, entrega e pesar sejam palavras típicas para um grupo menor de pessoas, um grupo “selecionado” para “sofrer”. Entretanto, ao olharmos para nossos irmãos da igreja “perseguida” ou “sofredora”, observamos outra realidade.

Muitos homens e mulheres na Ásia, África e até em alguns lugares das Américas estão sendo mortos e torturados pelo fato de declararem Cristo como Senhor. Temos notícias de uma prisão para mulheres cristãs num dos países perseguidos, na qual, além de torturas e cadeias, elas são proibidas de levantar os olhos para os céus. Muitas sofrem abusos sexuais, tendo seus bebês arrancados do ventre de uma maneira brutal, e, ainda assim, mantêm uma fidelidade que permeia a vida, o testemunho e a morte. Fomos informados que muitas, ao serem executadas, morrem cantando hinos que exaltam o Nome de Jesus!

Há poucas semanas, recebemos em nossa casa uma cristã que pertence a uma igreja perseguida na Ásia. Para ela foi um choque a maneira com que lidamos aqui com a “liberdade religiosa”. Segundo suas próprias palavras, não enxergamos essa liberdade como uma “graça de Deus”, um “presente dos céus”, que precisa ser cuidadosamente recebido e valorizado.

Tenho ouvido falar de relatos fortíssimos que mostram um Evangelho de alto risco, no qual renúncia e morte são palavras comuns que fazem parte do dia-a-dia de milhares de cristãos. Veja o exemplo de um adolescente nascido numa família islâmica, que teve uma experiência com Jesus e começou a pregar aos seus amigos de escola. Depois de ser advertido várias vezes pelas autoridades, foi conduzido, no horário do recreio, para diante dos outros adolescentes e ordenado a negar sua fé. Quando recusou, teve os braços amputados, enquanto declarava ser “um soldado de Cristo”. As autoridades atiraram nele em meio aos olhares infantis que o cercavam e, antes de morrer, declarou em baixa voz: “Eu sou um soldado de Cristo”.

Na China, de cada 38 cristãos, só um possui uma Bíblia completa. Muitos arriscam sua vida copiando, manualmente, porções da Palavra para outros cristãos e igrejas.

A Coréia do Norte, o país número um em perseguição ao Evangelho, e que perdeu cerca de três milhões de habitantes nos últimos 10 anos por causa de fome e frio, possui um grupo de remanescentes em Cristo que, a despeito de toda a tortura e extrema vigilância, mantem-se fiel e de pé pela causa do Senhor.

Quando olho para essa “igreja sofredora”, vejo nela, literalmente, a pessoa de Cristo! Uma igreja que possui uma compaixão acima de seus interesses pessoais. Compaixão que a conduz a pregar, chorar e ser um sacrifício vivo…

Compaixão que a leva para a cruz, que a faz andar no padrão certo… Compaixão que a faz deixar de ser MULTIDÃO para tornar-se semelhante a CRISTO!

Deus ajude a igreja brasileira a ser tocada por essa COMPAIXÃO.

Ariadna F. de Oliveira é responsável pelo Projeto REMIR (Rede de Ensino, Missões, Intercessão e Restauração), sediado em Goiânia, G0, e que tem diversos projetos práticos na localidade com um foco especial em Missões. Quem desejar conhecer mais sobre as necessidades da igreja perseguida na Ásia e quiser receber o informativo “Ásia em Foco”, mande um e-mail para asiaemfoco@hotmail.com.

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