Missões: A Tarefa Inacabada e a Responsabilidade Cristã

Data de publicação: 14/11/2011
Este artigo pertence a: Edição 69

Por: Ariadna Faleiro de Oliveira

Apesar do crescente esforço missionário por parte da igreja brasileira no desafio transcultural, ainda há muito a fazer.

Segundo dados sugeridos pela COMIBAM BRASIL em conjunto com a SEPAL PESQUISAS *(http://www.pesquisas.org.br/index.php), um terço do mundo se denomina cristão. Aqueles que se consideram evangélicos constituem 11% da população cristã mundial, e o restante (22%) é formado por católicos romanos, ortodoxos e outras religiões ditas cristãs (incluindo mormonismo, testemunhas de Jeová e outras seitas).

A segunda maior religião do mundo é o islamismo, que tem crescido muito ultimamente. De cada cinco pessoas no mundo, uma é muçulmana. Os hindus (14% da população) encontram-se principalmente na Índia e adoram milhares de deuses. Os budistas se concentram na Tailândia, Camboja, Vietnã e Japão, e representam 12% da população mundial.

Com base nesses dados, podemos dividir os 6,2 bilhões de pessoas no mundo em três partes: mundos A, B e C. O mundo “C”, que representa 33% do total, contém aqueles que se consideram cristãos. Ao mundo “B”, pertencem aqueles que já ouviram o Evangelho, mas o rejeitaram. O restante, no mundo “A”, são aqueles que ainda não ouviram o Evangelho de forma compreensível. Hoje, o mundo “A” tem mais de 1 bilhão e meio de pessoas que nunca ouviram ou não conseguiram entender a mensagem de Deus e de seu grande amor por meio de Jesus Cristo.

Poderíamos afirmar, sem sombra de dúvidas, que é nesse “MUNDO A”, também conhecido como POVOS NÃO ALCANÇADOS, que se encontra o nosso maior desafio atual.

CONCEITUANDO “POVOS”

Um povo é um agrupamento de indivíduos com afinidades em comum, como língua, localização, costumes, cultura, ocupação, etnia, religião. Um povo difere de um país, que pode ser formado por muitos povos, como, por exemplo, a China, que tem mais de 120 povos.

A expressão POVOS NÃO ALCANÇADOS surgiu para definir um grupo que não possui uma comunidade nativa de cristãos capazes de evangelizá-lo. Muitos deles são marcados pela completa ausência do Evangelho. Alguns não possuem uma estrutura linguística formada que os capacite a ler ou escrever no próprio idioma. Outros já dominam a escrita, o que facilita a própria divulgação cultural. *(Manual de Intercessão, PráMidia Publicações, pág.14 – 1998 / Revista IDE – nº 22, pág. 06 – 1999)

Segundo pesquisas apresentadas por especialistas no Congresso de Lausanne, realizado em 1974, havia, naquela época, cerca de 16 mil povos do mundo ainda sem qualquer contato com o Evangelho.

A evangelização intensificou-se a partir de então, e, em Lausanne II, no ano de 1989, em Manila, nas Filipinas, o número de povos não alcançados caiu para 8 mil. No entanto, os dados missiológicos contemporâneos afirmam que existem, atualmente, cerca de 4 mil povos sem uma evangelização forte para alcançar as etnias respectivas.  

Diante desse cenário, duas perguntas precisam perturbar a nossa responsabilidade acerca da Comissão:

1)      Onde?
2)    
Como?

ONDE?

Estudos apontam que é na chamada JANELA 10 x 40 que vive o maior número de povos não evangelizados da Terra, cerca de 3,2 bilhões de pessoas em 62 países. Esse termo originou-se com Luis Bush durante a 2ª Conferência de Lausanne, em julho de 1989. Compreende a faixa retangular da Terra, entre as linhas de 10 e 40 graus ao norte do Equador, que se estende do oeste da África, passando pelo Oriente Médio e chegando até a Ásia.

Segundo dados da JMM (Junta Mundial de Missões), ali também estão algumas cidades com grande concentração urbana como Tóquio (Japão), Calcutá (Índia), Bagdá (Iraque), Bancoc (Tailândia) entre outras. De cada dez pobres da Terra, oito estão nessa região, e somente 8% dos missionários trabalham entre eles. É nessa faixa que se concentram os adeptos das três maiores religiões não cristãs do mundo: islamismo, hinduísmo e budismo.

Na maioria dos países da JANELA 10 x 40, há falta de receptividade aos cristãos e, em especial, aos missionários que ali atuam. A liberdade religiosa, quando existe, é frágil. Há necessidade de missionários, líderes, pastores e escolas de treinamento para os poucos cristãos existentes. Existem poucos obreiros atuando nos países devido à política de restrições quanto à entrada de missionários. A necessidade de tradução da Bíblia é grande. Os crentes sofrem perseguição e correm risco de vida.

COMO?

Sendo os continentes africano e asiático os que compõem, em extensão, a maior parte da Janela 10 x 40, representam o berço principal dos não alcançados. Possuem, ambos, características semelhantes: muito populosos, de grande extensão, com diversidade étnica, cultural, política, social e religiosa.

Particularmente, o continente africano destaca-se por ser o menos favorecido de todos. Dos 30 países mais pobres do mundo, 21 estão na África, enquanto, na Ásia, encontram-se 85% das pessoas menos evangelizadas e nove dos dez países menos evangelizados com as maiores populações. Somente a China tem aproximadamente 320 milhões que nunca ouviram falar de Jesus. Já na Índia, do total de 600 mil cidades e vilas, 500 mil não contam com um obreiro sequer.

Cônscias do desafio, igrejas e agências missionárias têm trabalhado com afinco na mobilização, envio e sustento de missionários na Janela 10 x 40, mas o trabalho ainda é pouco expressivo diante da demanda. Fica no ar um incômodo acerca do nosso envolvimento particular nessa vertente da Tarefa: os não alcançados.

“Como posso eu, cristão brasileiro responsável e atento ao choro dos que se perdem, fazer algo que contribua para o avanço do Evangelho entre os povos da Janela 10 x 40?”

Longe de desejarmos esgotar possibilidades, apenas apresentaremos propostas simples e ao alcance daqueles que pretendem deixar a teoria e caminhar na prática. Entendemos que o principio origina-se e encerra-se na Palavra:

Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara. (Mt 9.36-38)

1) PERCEBA A NECESSIDADE: quando Jesus viu as multidões, ele lhes deu atenção, ficou atento ao seu estado.

Acreditamos que tirar a Igreja de Cristo da ignorância acerca dos povos que esperam ouvir a mensagem do Evangelho é uma das estratégias básicas da Grande Comissão.

O trabalho de mobilização pode ser feito em pequena, média e grande escala, e qualquer um dos filhos de Deus está apto a fazê-lo! Então, comece!

Procure conhecer a situação dos povos não alcançados. Todas as facilidades da nossa era tornam-nos ainda mais indesculpáveis de nossa ignorância.

Ao familiarizar-se com tal situação, divulgue-a em sua área de influência. Lembre-se de um ditado popular que afirma: “O homem que toca o tambor nunca sabe aonde seu barulho chegará”. Além disso, a mobilização alcança, em maior escala, o coração daquele que é responsável por ela. Como afirmou Andrew Murray: “SAIBA e crerá. SAIBA e orará. SAIBA e ajudará na primeira fila”.

2)  PRATIQUE A COMPAIXÃO: Jesus sempre se deparou com a dor do homem e agiu! A marca legítima da compaixão é ser sempre seguida de AÇÃO. Precisamos mover-nos em direção aos não alcançados! Você pode estar pensando: Espere um momento, não tenho direção de Deus para sair de onde estou e ir até um desses povos!

Veja bem: não estamos tratando aqui de um chamado específico, mas da responsabilidade do CORPO DE CRISTO de obedecer a tarefa por ele ordenada em todas as vertentes possíveis. Isso inclui sua vida, seu dom, sua área de influência, sua obediência à Palavra de Deus e o seu AGIR!

Para praticar a compaixão:

Adote um povo: procure conhecê-lo melhor, seus costumes, suas dores, suas necessidades, missionários presentes, etc. Para ajudar-nos nesse ponto, agências missionárias sérias estão disponíveis e desejosas de mais interessados. Algumas sugestões:

• MISSÃO AVANTE: www.missaoavante.org.br

• MEG – Missão Evangélica Global: www.meg.org.br

• WH BRASIL: www.whbrasil.org

• MIAF: www.miaf.org.br

Envolva-se: perceba como Deus o direciona em relação a esse povo. Invista financeiramente, tire alguns dias do ano para uma possível “viagem missionária de curto prazo”, oferecendo sua profissão como instrumento de evangelização. Assuma uma nova postura em relação aos não alcançados! Luther King disse que esperar que Deus faça tudo enquanto não fazemos nada não é fé, é superstição.

3) ORE: Jesus nos disse acerca das multidões perdidas e confusas: “ROGAI QUE DEUS MANDE TRABALHADORES”. Abordo aqui duas questões:

• Ore você pelos povos! Chore por eles, ouça a Deus acerca de encargos específicos de intercessão. SEJA UM MISSIONÁRIO NA ORAÇÃO. Entre e saia das nações, promova mudanças de joelhos, procure conhecer estatísticas atuais, problemas contemporâneos, momentos específicos e decisões que poderão mudar a condição dos povos! Não fique alheio! Quando determinada pessoa orou: “Deus, tem misericórdia dos perdidos”, ele respondeu: “Eu já tive misericórdia, agora é você que precisa ter!”

• Ore para que Deus levante outros: a expressão “mandar trabalhadores”, usada por Cristo em Mateus 9.38, tem um significado fantástico no original.
O termo grego para MANDAR é ekballo que significa expulsar, chutar com violência para fora, fazer alguém se mover em linha reta até o alvo pretendido.
O termo TRABALHADORES, no grego ergates, procede da raiz ergon, que indica o propósito ao qual alguém comprometeu a própria vida, uma tarefa com a qual ele está totalmente envolvido. A palavra se refere a uma obra, a “qualquer coisa trabalhada pela mão, arte, indústria ou mente”, mas também inclui a ideia de compromisso e envolvimento. O trabalhador citado no texto é alguém que envolve profundamente seus dons, sua vida, força e saúde para poder executar a obra. Jesus orientou que orássemos por TRABALHADORES, pessoas desse calibre, que pudessem levar a cabo a tarefa!

Ore para que Deus levante e chute para fora todos aqueles que foram escolhidos por ele para ir e oferecer a vida em favor dos povos não alcançados. Orar pelo EKIBALAR de Deus no meio de sua igreja também é responsabilidade nossa!

A oração desperta em nós a compaixão, e a compaixão nos leva a orar! Jack Hayford falou que ORAR É INVADIR O IMPOSSÍVEL.

 

CONHEÇA ALGUNS POVOS:


OS FURES DO SUDÃO:
População:
80 mil (6 mil no Chade)
Idioma Principal: Fur
Bíblia: Nenhum trecho na língua
Religião Principal: Islamismo

Vivem na região montanhosa de Jebel Marra, na província de Darfur, que significa “país dos fures”. Essa região se diferencia do resto do Sudão pela massa vulcânica que ali se encontra. A cinza vulcânica que foi arrastada às áreas mais baixas tornou a terra excelente para a agricultura. Os fures utilizam várias técnicas de cultivo, de acordo com a disponibilidade de água. Cultivam milho, cevada, sorgo e trigo. O mais importante é a cevada. Também cultivam tomate, batata, endro, pimentas, gergelim e alho. Criam cabras, ovelhas, jumentos, galinhas, cavalos e camelos.            Quando podem, vendem seus produtos para comprar reses jovens dos bagaras. O gado lhes proporciona leite e esterco. No início do século XVII, eles se converteram ao islamismo e conquistaram gradualmente todas as tribos vizinhas.

Motivos de Oração:

1. Que uma igreja brasileira adote este povo;
2. Que comerciantes cristãos, que tenham contato com os fures, aproveitem essas oportunidades para testemunhar de Jesus;
3. Que o governo do Sudão dê mais liberdade para os missionários trabalharem fora de Kartum (capital);
4. Que Deus chame e prepare missionários fazedores de tendas para irem até os fures;
5. Que seja traduzida e distribuída literatura bíblica em fur;
6. Que Deus rompa a influência que o islamismo possui sobre esse povo.

OS JERBAS DA TUNÍSIA:
População: 96 mil
Principal Idioma: Jerba
Bíblia: Nenhum trecho na língua
Religião Principal: Islamismo

Os jerbas são um grupo berbere que habita a ilha de Jerba, a sudeste da Tunísia. Essa ilha, de aproximadamente 595 km2, produz oliveiras, tâmaras, frutas e vegetais. Os jerbas dividem esse território com uma minoria judia e com outros grupos árabes. São muçulmanos pertencentes à seita dos ibades. Veneram muito mais a Alá do que ao profeta Maomé e a outros intermediários. Além disso, sua crença puritana promove uma sociedade igualitária.
Os jerbas praticam poligamia e incentivam o casamento entre primos-irmãos. Um traço curioso é o costume que possuem de engordar a noiva para o casamento.
Ultimamente, tem ocorrido uma emigração maciça de homens em idade de trabalho como resultado do excesso de população da ilha.

Motivos de Oração:

1. Que uma igreja brasileira adote este povo;
2. Que Deus fortaleça os poucos crentes de que se tem conhecimento e lhes dê sabedoria para enfrentar as pressões sociais;
3. Que seja traduzida e distribuída literatura bíblica em jerba;
4. Que os crentes tunisianos aproveitem a oportunidade para evangelizar os jerbas que estão emigrando para a capital e para outras cidades;
5. Que os turistas que visitam a Tunísia possam testemunhar a salvação em Jesus.

OS KALASHAS DO PAQUISTÃO:
População: 5 mil
Idioma Principal: Kalasha
Bíblia: Nenhum trecho na língua
Religião Principal: Animismo

Originalmente, os kalashas do Paquistão faziam parte do grupo nuristani, no Afeganistão, sendo suas culturas muito parecidas. No entanto, uma grande diferença é o fato de os kalashas não terem sido conquistados pelo islamismo. Em 1985, quando houve a divisão entre a Índia e o Afeganistão, os kefires kalashas, localizados nos vales de Rumba, ficaram do lado da Índia, região que hoje pertence ao Paquistão. Esse detalhe, aparentemente secundário, gerou consequências significativas para os kalashas, pois permaneceram isolados nos vales, com sua forma de vida tradicional e suas antigas crenças religiosas.
São famosos pelas técnicas de construção e pelos estilos escarpados dos montes, a cerca de 2 mil metros de altitude. Cada aldeia está cercada de terras cultivadas, pastos e ribeiros que nascem nas montanhas, o que proporciona a base para o modo de vida alpino característico dos kalashas. Dependem de uma combinação de agricultura e criação de gado, mudando de pastagem de acordo com a estação. As mulheres cuidam das plantações, e os homens pastoreiam os animais.

Motivos de Oração:

1. Que uma igreja brasileira adote este povo;
2. Que o poder de Jesus rompa a idolatria desse povo que, com tanto orgulho, mostra suas imagens aos turistas;
3. Que a tradução da Bíblia seja feita para seu idioma;
4. Que Deus possa usar grandemente os poucos convertidos cristãos kalashas.

OS PATHANES DO AFEGANISTÃO:
População: 8 milhões
Idioma Principal: Pashto ocidental
Bíblia: Nenhum trecho na língua
Religião Principal: Islamismo

Os pathanes constituem mais de 53% da população afegã e se encontram na região leste do Afeganistão. Um quarto da população afegã é de língua persa, e o restante se divide em 40 tribos. Os pathanes têm sido o setor dominante da sociedade afegã. São os de melhor educação e os mais ativos na área pública.
Desde a invasão russa de 1979, pelo menos a quarta parte da população afegã se refugiou no Paquistão, Irã e outros países. Os refugiados que ficaram no Afeganistão vivem em situação muito difícil, são pastores seminômades e agricultores. Receosos do Ocidente, essas tribos muçulmanas independentes têm estado isoladas do Evangelho desde o século VII. Devido às más condições sanitárias e à dureza do estilo de vida, a média de expectativa de vida é de somente 46 anos. Apenas 25% dos adultos são alfabetizados. A necessidade de equipes médicas e professores qualificados é muito grande. A maior parte do trabalho executado por várias agências missionárias acabou por causa da conturbação no país, e até agências de assistência tiveram de deixá-lo.

Motivos de Oração:

1. Que uma igreja brasileira adote este povo;
2. Que a Bíblia seja traduzida e distribuída. Estão precisando de ajuda para que isso ocorra;
3. Que obreiros sensíveis à cultura levem o Evangelho a esse povo cansado da guerra;
4. Que permaneça a estabilidade do governo, que as tribos se mantenham em paz, e que haja liberdade para transmissões cristãs;
5. Que os pathanes se convertam ao Senhor e que possam viver com ousadia sua fé, pois sofrerão muita pressão.

(Informações gentilmente cedidas pela MISSÃO AVANTE – Missão Evangélica Transcultural – Adoção de Povos)
MAIORES INFORMAÇÕES: MISSÃO AVANTE – Missão Evangélica Transcultural
www.missaoavante.org.br
Caixa Postal 44 – CEP 09015-970
Santo André, SP
e-mail: [email protected]
Fone: (11) 4438.3940/ 4438.1993

Ariadna Faleiro de Oliveira atua na mobilização de intercessores e mantenedores para a obra de missões e, junto com seu esposo Paulo, no pastoreamento da Igreja Batista da Paz em Goiânia, além do trabalho de recuperação de mulheres na Missão Resgate da Paz.
Maiores informações sobre o trabalho com missões em países onde há perseguição aos cristãos no site:
www.familiadapaz.com.br (no link O Mundo em Foco), ou enviando e-mail para: [email protected]

Uma resposta para “Missões: A Tarefa Inacabada e a Responsabilidade Cristã”

  1. Dalila Barros disse:

    gostaria de receber novas publicações

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