Testemunho de Impacto-Minha Experiência com Auto-Ajuda

Data de publicação: 13/07/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 58 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 58

Por: Jesus Ourives

“Sejam bem-vindos aos SEGREDOS PARA O SUCESSO”! Com estas palavras, pronunciadas num sábado, às 9 da manhã, em sala reservada de hotel de luxo de uma cidade importante do Brasil, eu dava início à ministração do Curso de Crescimento Pessoal chamado SEGREDOS PARA O SUCESSO. No auditório, estavam no máximo 15 a 16 pessoas, geralmente casais, que haviam feito a inscrição. A atmosfera na sala era acolhedora, e o conforto da hospedagem, num hotel cinco estrelas, deixava os participantes à vontade embora curiosos para conhecer o conteúdo do programa que lhes estava sendo oferecido.

Assim começava uma atividade a que estive ligado por cerca de um ano e meio na década de 70 no século passado. Meu envolvimento começou da seguinte maneira:

Eu estava deslumbrado com uma empresa de venda piramidal que iniciara, há pouco, suas atividades no Brasil. As promessas de ganho fácil e oportunidades mil, junto com uma situação de desemprego na faixa dos 40, levaram-me a aceitar a proposta. Em pouco tempo, consegui a confiança dos dirigentes (estrangeiros) e fui convidado a preparar e lançar no Brasil um programa de auto-ajuda que vinha fazendo sucesso na filial japonesa da companhia. Ficou ao meu encargo preparar a tradução, adaptar o programa para o mercado brasileiro, providenciar a gravação de fitas cassete, a impressão e edição dos livros e demais itens que formavam o kit de apresentação do programa, além de todo o material de divulgação – incluindo um filme em 16 mm. Para isso, precisei contratar profissionais de propaganda, estúdios de gravação, locutores e gráficas dentre outras coisas, o que demandou um tempo considerável.

O programa, no início, seria destinado apenas aos participantes da companhia, com o objetivo de incentivá-los na melhoria do desempenho como vendedores de produtos ou aliciadores de novos participantes, que é o objetivo principal de todas as empresas de venda piramidal. Depois de consolidada a experiência, porém, o programa seria aberto a qualquer participante.

O curso era ministrado num fim de semana em um hotel de luxo. Começava na manhã de sábado e estendia-se até a tarde de domingo. Embora eu fosse o “ministrador” do curso, minha função, na verdade, era mais uma espécie de moderador, já que todas as palestras – oito ao todo – eram ouvidas a partir de um gravador. Nos intervalos das aulas, havia um coffee break . Na noite de sábado, era servido um jantar aos participantes que assumia o caráter de celebração – em que todos eram convidados a apresentar-se com as melhores roupas; as mulheres geralmente de vestido longo. Isso dava ao curso um caráter de evento chique, o que certamente agradava aos participantes.

Ao fim das oito palestras, depois de uma sessão de testemunhos, era feita a entrega solene de um diploma de participação em forma de pergaminho, com o nome do diplomado em caracteres góticos, e também do material a ser levado para casa, onde o curso continuaria pelos oito meses seguintes. Esse material era condicionado em um bonito baú de madeira, com a inscrição do nome do curso Segredos para o Sucesso, e consistia em dois livros de texto, dois livros de exercícios e oito fitas cassete. O participante assumia o compromisso de ouvir cada uma das fitas durante um mês inteiro, três vezes por dia, e de fazer uma avaliação do seu aprendizado, no final de cada mês, utilizando os livros de exercícios.

Cada uma das oito lições era chamada de “pergaminho”, aproveitando a mesma terminologia de um dos famosos livros de auto-ajuda do século passado intitulado O Maior Vendedor do Mundo, de Og Mandino.

Desilusão – O Que Está Errado?

Mas um dia esse programa parou. Por que parou? Parou por quê? Porque senti que tudo aquilo era vazio e desprovido de conteúdo. As palestras eram motivadoras, o assunto era agradável, e as pessoas sentiam-se entusiasmadas. Acredito até que muitos foram beneficiados com o que lhes foi ministrado. Entretanto, havia uma supervalorização do homem, uma espécie de você-pode-tudo-porque-o-poder-está-dentro-de-você. E eu não acreditava nisso – e ainda não acredito.

A supervalorização do ser humano coloca Deus de canto e não à frente ou, quando muito, ao lado do homem. O “poder do pensamento”, o “poder da vontade”, a “atitude mental positiva”, a “mentalização” e muitos outros expedientes proclamados pelos gurus da auto-ajuda NÃO TÊM VALOR se Deus não está presente em minha vida.

Como cristão, sei que “tudo posso naquele que me fortalece”; sei também que posso contar com o auxílio de Deus em qualquer circunstância. Tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, temos provas mais do que evidentes de que os vencedores sempre foram aqueles que não confiaram nos próprios méritos ou nas  próprias forças, mas que se submeteram humildemente à vontade e à direção de Deus. O maior exemplo que temos é do próprio Senhor Jesus quando declarou que “a minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” (Jo 4.34).

Em nosso mundo cristão, os exemplos de vencedores não são os grandes capitães industriais ou os magnatas que transformaram suas habilidades em riquezas materiais. Nossos exemplos de vencedores são nomes de vidas vitoriosas como Francisco de Assis, David Livingstone, Albert Schweitzer, Madre Teresa, Adoniram Judson, David Brainerd e tantos outros que dedicaram a vida para servir ao próximo movidos pelo exemplo do Senhor Jesus. É uma lista enorme de pessoas, muitas delas anônimas para nós, e que constituem aquilo que o autor americano Halford Luccock chamou de “Linha de Esplendor sem Fim”.

Quando tomei a decisão de não mais orientar pessoas dessa maneira, senti um alívio muito grande. E continuo sentindo a mesma coisa tantos anos passados. Não digo que os livros e programas de auto-ajuda sejam totalmente inúteis. Muitas pessoas podem beneficiar-se deles, mas continuo preferindo a nossa velha e querida Bíblia, com seus princípios, sua simplicidade e eficácia para a vida do dia-a-dia.

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