Liberdade e igualdade

Data de publicação: 20/02/2018
Este artigo pertence a: Edição 79

Por Pedro Arruda

Uma das estratégias usadas pelos cientistas para domar uma epidemia virulenta é isolar o vírus transmissor a fim de determinar o caminho para vencê-lo. Estratégia semelhante foi usada pelas duas ideologias predominantes na história recente, denominadas, grosso modo, de capitalismo e socialismo. Cada uma tomou um dos valores inerentes ao reino de Deus e o isolou.

O socialismo elegeu a igualdade enquanto o capitalismo ficou com a liberdade. Com base nesses valores, justificaram-se todas as ações tomadas com o alvo de produzir uma sociedade ideal, politicamente correta, chamada de laica.

Sob o pretexto de aplicar a igualdade a qualquer custo, o socialismo excluiu qualquer valor acima dela, inclusive o da liberdade. Isso se aplica também à fé e à espiritualidade, gerando a contradição de que até o próprio Deus, o maior interessado na eliminação das injustiças sociais, tenha sido banido. Criou-se assim o ateísmo teórico (fazendo da igualdade uma idolatria), cujos sacerdotes são a classe governamental com privilégios claros sobre os demais mortais.

O socialismo mostrou-se hostil aos cristãos. Entretanto, nos países em que exerceu tal pressão, forjou-se uma igreja autêntica, pobre, fiel ao Senhor e em oposição ao reino deste mundo que tenta subjugá-la. No final, portanto, o socialismo, assim como todos os sistemas intolerantes à fé, trouxe efeitos positivos ao cristianismo.

Por outro lado, o capitalismo sequestrou do reino de Deus o valor da liberdade, arrogando-se defensor e guardião dela. Colocou-a no altar e passou a oferecer-lhe adoração, em especial à chamada liberdade individual, ganhando o direito à cobiça desmedida do egoísmo. Assim, a riqueza assentou-se ao lado da deusa liberdade, tornando-se mediadora entre os homens e a liberdade (sempre apontada como valor divino). Criou-se, assim, o ateísmo prático. Embora se pregue, em seus manuais, a liberdade da fé, na prática se ignora a existência de um Deus pessoal que interaja com os homens.

O capitalismo mostrou-se tolerante e protetor aos cristãos e os seduziu. Sob liberdade total, gerou-se uma igreja rica e comprometida com os valores capitalistas deste mundo, perdendo a moral para criticar a igreja do século 4 que se associou ao Império Romano. No fim, portanto, o capitalismo contaminou de forma negativa o cristianismo.

No reino de Deus, temos liberdade para procurar e praticar a igualdade. Nele, a justiça não é apenas um aspecto dos tribunais, mas também de cada pessoa em favor do próximo. Somente nele é que os valores não se isolam, mas se complementam. E jamais tomam o lugar do Rei!

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