Leitura de Impacto: Igreja nos Lares

Data de publicação: 11/09/2011
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Edição 38 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 38

Por Jamê Nobre

De tempos em tempos, o Senhor faz chegar às minhas mãos um livro ou apostila que realmente faz diferença. Assim, alguns livros marcaram indelevelmente minha vida e ministério, entre os quais posso citar: “Contracultura Cristã”, de John Stott, “Dinâmica de Uma Liderança Eficaz”, de Ciryl Barber, “O Mito da Grama Mais Verde”, de J. Allan Petersen, “A Crucificação de Felipe Strong”, de Charles Sheldon e outros.

Recentemente, um irmão me presenteou com um livro que fala de um assunto que, acredito, será profundamente trabalhado pelo Senhor nos próximos anos. Refiro-me ao livro “Casas que Transformam o Mundo – Igreja nos Lares” de Wolfgang Simson, Editora Esperança. É um livro que trata da vida e natureza da igreja de Jesus.

Tenho uma convicção muito forte que este livro representa mais um passo ao encontro daquilo que o Senhor vem fazendo nas últimas décadas, renovando verdades que a igreja perdeu dentro de casa, como a mulher que perdeu a dracma. Assim, ele tem falado a respeito de batismo com o Espírito Santo, o Senhorio de Cristo, missões e discipulado.

Compreendo que a restauração das coisas faladas pela boca dos santos profetas vai nos levar a uma vida de igreja que até agora foi muito pouco conhecida. O que sabemos de igreja hoje refere-se a reuniões bem estruturadas liturgicamente, com cada vez mais elaboração humana e cada vez menos poder do Espírito Santo.

Quando pensamos em ministérios, imediatamente pensamos nas coisas que acontecem entre as quatro paredes dos lugares de reuniões.

Simson enfoca uma vida de igreja que, se realmente praticada, pode refletir a natureza familiar e orgânica da igreja de Jesus. O Senhor sempre planejou construir uma família onde os relacionamentos pudessem fluir, trazendo crescimento harmonioso e dinâmico entre os membros do corpo. No decorrer dos anos, a igreja foi se transformando naquilo que é hoje: uma multidão de pessoas envolvidas em programas e eventos, contrariando a própria natureza do maravilhoso corpo de Cristo.

O autor preconiza uma estrutura extremamente simples, onde os ministérios dos santos podem fluir sem estruturas formais, mas com uma estrutura que reflete a vida do corpo. Os líderes dessa estrutura não são os profissionais da religião, mas os pais de família.

As reuniões não obedecem a uma liturgia preestabelecida, mas a uma dinâmica na qual o Espírito Santo pode usar cada membro numa manifestação de 1 Coríntios 14.26: “… um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua e ainda outro, interpretação…”.

A proposta de Simson altera significativamente aquilo que temos agora, e faz isso de forma tão profunda, que não permite comparações entre os dois estados ou as duas práticas. Hoje temos a pompa, a liturgia, a diferença entre clero e leigos, os grandes templos e os grandes rebanhos (ou o desejo disso), a pressão para ter um nome ou um trabalho reconhecido…

No entendimento de Simson, a igreja não precisa de uma estrutura como a que tem agora. Ela deve ser formada de grupos pequenos (segundo ele, vinte pessoas, no máximo) pastoreados por homens levantados por Deus. A igreja na cidade seria coberta pelos ministérios de Efésios 4.

O ensino, a fundamentação, as práticas de batismo, ceia e tudo o mais na vida da igreja aconteceria nas casas. Toda essa estrutura está baseada na vida familiar correta, em que o pai é o pastor de seu pequeno rebanho e a esposa é a auxiliadora nos negócios do Reino. Os filhos recebem o cuidado necessário e ajudam no ministério. Na medida em que a família vive esse tipo de vida, os vizinhos são influenciados e se convertem.

Depois disso, as igrejas nas casas têm grandes reuniões de celebração, ocasião em que se encontram e manifestam a vida de Jesus, impactando assim a cidade e a região.

Simson não está propondo um modelo de igreja, mas um estilo de vida que é expresso nos pequenos grupos, com uma vida de intensa comunhão e relacionamento, e nas grandes celebrações, nas quais é demonstrada a unidade da igreja da cidade.

Esse livro tem sido um alento para aqueles que sonham com algo maior e mais profundo do que o que temos na atualidade. Na verdade, o autor não traz novidades. Ele fala de coisas que todos sabemos ou que, pelo menos, o Espírito Santo tem sussurrado em nossos corações.

Minha esposa, Irani, definiu o livro com a seguinte frase: “Ele escreveu aquilo com o qual temos sonhado”.

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