Leitura de Impacto: Alma Sobrevivente

Data de publicação: 12/09/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 37 e Revista Impacto - 1998 a 2014.

Sou Cristão, Apesar da Igreja

Raramente tenho lido um livro que me  alimentasse tanto. Não deve ser lido apressadamente, apenas algumas páginas por dia, saturadas com muita meditação. Acompanhar desta forma, através de notas biográficas curtas e pertinentes, as vidas destes 13 “mentores” de Philip Yancey, foi uma experiência deliciosa. Alguns eu já conhecia, apenas por nome, porém não sabia da profundidade e autenticidade de suas experiências de vida e das lições que podem nos ensinar. Outros eu não conhecia nem por nome e aprendi a respeitar, saindo inclusive à procura dos seus livros. (Infelizmente, vários deles ainda não possuem muitos títulos publicados em português).

Este livro ajuda a gente se livrar dos preconceitos e a perceber como as riquezas de Deus podem ser muito mais saboreadas quando isto acontece. Assim como os autores bíblicos, Philip Yancey não esconde os defeitos e pecados desses personagens, o que não diminui o impacto que suas vidas e mensagens pode causar em nossa fé. Não compete a nós definir o status final de qualquer pessoa diante do Supremo Juiz, mas independentemente disto, senti Deus me falando através de suas dores, indagações, ênfases e desabafos. Toda vez que eu pegava o livro para ler, era como se estivesse sentando com um velho amigo e conversando sobre coisas profundas de interesse mútuo.

Harold Walker
Conselho Editorial, Revista Impacto

Um dos principais obstáculos à vida espiritual do cristão é a própria igreja. Esta é a mensagem implícita, porém radical, desse livro. Ao descrever o perfil de várias pessoas talentosas, porém heterodoxas, Yancey nos ajuda a compreender que o mistério da vida e o amor de Deus raramente são descobertos na instituição religiosa, na doutrina correta ou no comportamento convencional. Isso confirma para mim a urgência de uma nova reforma da igreja, se ela quiser ser o instrumento de Deus para manifestar Cristo ao mundo.

John Walker – Jundiaí – SP

Henri Nouwen (um dos 13 personagens descritos no livro) disse: “aquele que efetivamente cura feridas é o ferido”. Nouwen foi marcado por feridas profundas; professor de teologia nas melhores faculdades dos Estados Unidos, no entanto, era um homem ferido e insatisfeito. Apesar de reconhecido e prestigiado pela capacidade de ensinar, não encontrou o caminho para a cura de suas feridas, pois se sentia profundamente rejeitado e sozinho nas suas lutas interiores. Ele queria aprender “o que o seminário e a teologia não lhe haviam ensinado: como amar a Deus e descobrir a presença de Deus em seu próprio coração”. Por isso tomou a decisão de se mudar para uma comunidade L’Arche de deficientes físicos e mentais.

“Amo Jesus, mas…”, escreveu em seu diário, em relação à sua mudança para a comunidade em Toronto, no Canadá, que tinha o nome Daybreak. “Amo Jesus, mas quero apegar-me à minha própria independência, mesmo quando esta independência não traz verdadeira liberdade. Amo Jesus, mas não quero perder o respeito de meus colegas de profissão, muito embora o seu respeito não me faça crescer espiritualmente. Amo Jesus, mas não quero abdicar de meus planos de escrever, viajar e fazer palestras, mesmo que esses planos muitas vezes sejam mais para minha glória do que para a glória de Deus.”

Enfim, Nouwen aprendeu as maiores lições de sua vida e encontrou Deus enquanto cuidava de deficientes físicos e mentais. Ao mesmo tempo, ele via Deus naquelas pessoas e via respostas para suas próprias feridas e deficiências na alma. É esse  segredo espiritual que torna seus livros tão eficazes e transformadores até hoje.

Pr. Sérgio Nunes
Igreja Bíblica Evangélica – Botucatu – SP

Até pouco tempo, só conhecia G. K. Chesterton como autor de estórias de detetive. Seu personagem mais famoso era o Padre Brown, um pároco do interior, que muitas vezes era tirado das suas atividades clericais para ajudar o delegado da cidade a resolver problemas difíceis.

Agora, com a leitura do maravilhoso Alma Sobrevivente, de Philip Yancey, fiquei sabendo que Chesterton era muito mais do que um “contador de estórias” de detetive. Um homem que em meio ao surgimento de tantas idéias humanistas – à época de Freud, de Huxley, de Bernard Shaw – ousava se proclamar cristão e defender a igreja.

Jesus Costa Ourives
Conselho Editorial, Revista Impacto