Legado do Meu Pai na Área Financeira

Data de publicação: 06/10/2013
Categorias da Biblioteca:
Edição 75 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 75

Harold Walker

Tenho uma dívida incalculável de gratidão a Deus pelo pai que ele me deu. A influência que exerceu na minha vida teve efeitos duradouros. Não só me gerou biologicamente, mas também se tornou meu pai espiritual. Suas orientações e disciplina me protegeram de inúmeros problemas na vida. Ele não foi apenas um mentor; foi também um amigo, alguém com quem passei incontáveis horas de comunhão, falando de coisas espirituais e naturais.

Quero destacar aqui, de forma bem objetiva, algumas das lições simples e impactantes que ele me legou na vida financeira.

O valor do dinheiro Desde a mais tenra idade, ele ensinou aos filhos que dinheiro é assunto sério, espiritual. Representa horas de trabalho, tempo que gastamos para ganhá-lo. Como nossa vida pertence a Deus, todo nosso tempo, esforço e nossa criatividade são dele, e, por isso, não podemos gastar o dinheiro levianamente.

Prestação de contas – Quando íamos à padaria comprar pão, meu pai nos fazia prestar contas do valor exato do dinheiro que levamos – devolvendo até os centavos do troco. O fato de ser filho não nos isentava dessa obrigação. Quando o assunto é financeiro, esqueça-se dos laços familiares e atenha-se à matemática!

Generosidade paterna – Em outros momentos, porém, quando havia uma necessidade ou possibilidade específica (por exemplo, a compra de uma casa), ele dava generosamente recursos a qualquer um de nós; literalmente, “de pai para filho”.

Desperdício – Ele incutiu em nós, desde pequenos, o princípio de que largar comida no prato é pecado. Já que havia tantos no mundo passando fome, não podíamos cometer o disparate de jogar comida fora. Da mesma forma, todo centavo que desperdiçássemos seria um desrespeito aos necessitados e a Deus.

Luxo – Se existia a possibilidade de adquirir algo com a mesma utilidade, porém com custo menor, devíamos optar pela alternativa mais econômica. Pagar mais apenas por uma questão de marca ou status não era considerada uma atitude adequada.

Compaixão pelos necessitados – Ficamos acostumados a ter “irmãos adotivos” em casa. Éramos seis filhos, ao todo, mas dificilmente se reunia apenas a família natural para comer. Geralmente, havia uma, duas ou mais pessoas morando conosco. Vimos, em mais de um caso, meu pai dando uma contribuição mensal, por anos a fio, a alguma família necessitada. Como a obra de Deus e as necessidades dos pobres eram prioridades em seu coração, suas atitudes financeiras o refletiam no dia a dia.

Dívidas e prestações – Em relação a esse assunto, meu pai era radical. Se Deus quer que você tenha alguma coisa, dizia, ele lhe dará os recursos para pagar à vista. Se não lhe deu, espere até que isso aconteça. Ele tinha pavor de dívidas. Mesmo quando se tratava de algum valor insignificante, e o prazo era apenas de um dia para o outro, ele pagava o mais rápido possível, ainda que fosse para um de seus filhos. Ele seguia à risca a exortação bíblica: “A ninguém devais coisa alguma, senão o amor…” (Rm 13.8). Isso me marcou profundamente.

Dízimo – Ele entendia muito bem que não há “uma lei do dízimo” no Novo Testamento. Apesar disso, sempre se assegurava de que estivesse dando pelo menos o dízimo para a obra do Senhor ou para os necessitados. Considerava o dízimo como um referencial, e a Nova Aliança, muito superior à Velha. Consequentemente, achava que o cristão deveria assegurar-se de estar dando mais que o dízimo.

Lembro-me como se fosse hoje de uma cena na sala de nossa casa na chácara em Rubiataba, GO. Um preletor dos EUA estava hospedando-se conosco enquanto passava alguns dias ministrando à igreja. Meu pai explicou-lhe que não ensinava o povo a dar o dízimo porque não queria que se sentissem debaixo da lei; além disso, a maioria era bem pobre. O irmão visitante, então, exortou-o: “Irmão João, você está roubando do povo a bênção de Deus. Eles precisam experimentar a bênção de dar de forma regular e disciplinada”. Meu pai já tinha essa prática havia muitos anos e sempre ensinou seus filhos a proceder dessa forma, mas, a partir daquele dia, passou a ensiná-lo à igreja também.

De fato, Salomão tinha razão quando disse: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele” (Pv 22.6). Essas lições práticas sobre dinheiro ficaram gravadas em minha alma e têm sido fonte constante de orientação e bênção durante muitos anos. Quem poderia desejar um legado melhor que esse?

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