Israel – Um Tempo de Dedicação

Data de publicação: 23/08/2011
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Edição 44 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 44

Por Reuven Doron

Tende cuidado, não recuseis ao que fala. Pois, se não escaparam aqueles que recusaram ouvir quem, divinamente, os advertia sobre a terra, muito menos nós, os que nos desviamos daquele que dos céus nos adverte, aquele, cuja voz abalou, então, a terra; agora, porém, ele promete, dizendo: Ainda uma vez por todas, farei abalar não só a terra, mas também o céu. Ora, esta palavra: Ainda uma vez por todas significa a remoção dessas coisas abaladas, como tinham sido feitas, para que as coisas que não são abaladas permaneçam. Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor. (Hb 12.25-29)

Enquanto o mundo cambaleia em seu estupor embriagado no início de mais um ano, e a “remoção dessas coisas abaladas” continua a se intensificar, esperamos em Deus por sua palavra, poder e graça para nos guiar e guardar em todo nosso serviço e obediência a ele. Ninguém jamais passou por esse caminho antes, e precisamos, mais do que nunca, dar atenção à sua voz.

Israel não é apenas o termômetro para a condição espiritual do mundo, é também o termostato, o gatilho nas mãos de Deus para conduzir esta era à plenitude da colheita e à vinda do seu Reino. Baseados nisso, podemos afirmar que recentes acontecimentos em Israel e na região do Oriente Médio indicam que crescentes abalos e desafios estão no horizonte e que nós, que somos chamados pelo seu nome, devemos ser mais dedicados hoje à sua obra em e através de nós do que éramos ontem.

A Festa da Dedicação (Hanukah ou Chanucá)

Celebrava-se em Jerusalém a Festa da Dedicação. Era inverno. Jesus passeava no templo, no Pórtico de Salomão. Rodearam-no, pois, os judeus e o interpelaram: Até quando nos deixarás a mente em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-o francamente. Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito. Jo 10.22-25

Hanukah (que significa dedicação na língua hebraica), embora não seja uma das festas bíblicas ordenadas pelo Senhor através de Moisés, é uma celebração nacional que comemora a purificação e reconsagração do segundo templo em Jerusalém pelos macabeus, no segundo século antes de Cristo. O próprio Jesus observou essa festa e permitiu que a ocasião fosse uma plataforma para dar mais uma “pista” profética a respeito de sua verdadeira identidade messiânica.

Por quase cem anos, a dinastia dos macabeus conseguiu livrar a Judéia do domínio pagão dos gregos e da sua contaminação. Seu curto reinado terminou desastrosamente com a invasão romana de Jerusalém em 67 a.C., porém seu início se deu com tamanha fé, sacrifício e coragem que os ecos dos seus feitos trovejam através dos séculos até os nossos dias.

A Batalha contra Humanismo

Antíoco Epifânio, um rei siro-grego que governou durante o segundo século antes de Cristo, impôs a agenda humanista dos gregos sobre a população judaica, temente a Deus, em Israel.

Por meio de campanhas brutais, Antíoco conquistou Jerusalém, matou 40.000 judeus civis e vendeu outro tanto para a escravidão. Em seguida, removeu os vasos sagrados do Templo, sacrificou um porco sobre o altar de holocausto e contaminou o recinto inteiro, aspergindo sangue de porco por todo o chão e pelas edificações. Os sacrifícios diários e o culto a Deus foram totalmente interrompidos com essa infame degradação do coração espiritual da nação.

Antíoco proibiu o culto ao Deus de Israel, a circuncisão, a guarda do sábado e a observação das festas, sob pena de morte. Os livros da lei e dos profetas foram destruídos, o Templo foi convertido para a celebração de cerimônias pagãs e uma estátua de Júpiter foi levantada sobre o altar. A agenda de Antíoco era calculada e direta: apagar a nação de Israel como um povo distinto caracterizado por sua fé no único Deus verdadeiro.

A submissão às suas políticas pagãs resultaria em uma só coisa: a aniquilação do povo de Deus e a cessação do plano divino da redenção. Havia enormes riscos em jogo enquanto o inferno enfurecia-se contra o iminente cumprimento das profecias do nascimento do Salvador, e o inimigo procurava impedir os propósitos redentores de Deus erradicando o povo que traria o Messias ao mundo. Esse ainda é o seu propósito.

Com incrível coragem e sacrifício, uma família sacerdotal sob a liderança de Matatias e, depois, de seu filho Judas, o “Macabeu” (martelo na língua hebraica ou, literalmente, malho ou marreta), dirigiu um levante nacional que no fim superou a maior força militar do mundo (daquela época) e derrubou a corrupção helenista da Grécia. A terra e o povo foram libertos outra vez e puderam preparar-se para receber a semente de Deus prometida para nascer da casa de Davi dentro da terra de Israel.

Um Templo Preparado para Deus

A libertação de Jerusalém e do Templo era o principal alvo da campanha dos macabeus para assegurar sobrevivência e soberania nacional. Assim que as forças sírias foram expulsas, os macabeus arrancaram os ídolos pagãos, limparam o altar, purificaram os instrumentos de culto a Deus e prepararam-se para oferecer sacrifícios aceitáveis a Deus.

Entretanto, só havia azeite suficiente para reacender a Luz Eterna no Lugar Santo por um dia. Milagrosamente, o candelabro (menorá) permaneceu aceso durante oito dias, iluminando o santuário interior até que os mensageiros enviados ao campo pudessem voltar com novo suprimento de azeite de oliva.

A história do Hanukah é um testemunho da coragem, da determinação e do sacrifício que são necessários para libertar, purificar e rededicar um templo contaminado e prepará-lo para um propósito santo. Naquela época, assim como hoje, não poderá haver verdadeira adoração nos átrios do Senhor sem primeiro expulsar o inimigo, derrubar os ídolos de humanismo e paganismo, purificar o altar de sacrifícios impuros e rededicar as próprias pessoas como instrumentos de adoração e de habitação para um Deus santo.

Sem o Hanukah histórico, com a fé vitoriosa de Israel e a luta ferrenha dos macabeus, Jesus não poderia ter nascido no prometido berço humano, e as centenas de profecias do Velho Testamento não teriam encontrado seu cumprimento na linhagem davídica do Messias e no contexto da vida nacional de Israel em que foi criado.

Sem o Hanukah, não teria havido uma Maria para conceber o Filho de Deus, um José para ser seu provedor, uma Belém em que pudesse nascer, pastores para ouvir a proclamação angelical, um Simeão ou uma Ana para profetizarem na sua dedicação, uma Nazaré para ser seu berço de infância, um João Batista para preparar seu caminho, átrios do Templo em que ensinar, discípulos para segui-lo, um Gólgota para ser crucificado ou um túmulo de onde ressuscitar. Sem o Hanukah, Jesus não poderia ter vindo.

Seu Hanukah Pessoal

Hanukah, a Festa da Dedicação, era essencial para garantir a primeira vinda do Filho de Deus. A terra, o povo e o Templo tinham de estar prontos para receber seu Rei, ainda que não o reconhecessem. Sua segunda vinda no poder e na glória do seu Reino será de maneira similar, só que muito mais espetacular, visível e temível àqueles que não estão preparados nem esperando seu aparecimento. Outra vez, será preciso lutar ferrenhamente em favor do Templo de Deus, desta vez o Templo do seu Espírito no seu Corpo de muitos membros, a fim de libertar, purificar e reconsagrá-lo para receber o seu Rei.

O seu coração é um templo preparado para seu Senhor? Seu casamento? Sua família? Seu lar? Há verdadeira adoração, oração e exultação nos seus átrios ou você está oprimido sob o jugo pesado de ídolos pagãos, escravizado a princípios humanistas?

Se estiver sob tal opressão, comece a regozijar-se, pois o “Macabeu” de Deus, o “Martelo” do Todo-Poderoso, logo cairá com golpes esmagadores sobre os inimigos da sua alma. E, embora a religiosidade atual aborreça o conflito e fuja do confronto com a verdade e com a perda de aceitação deste mundo, o Deus que luta em seu favor garantirá sua liberdade e seu lugar nos seus átrios reconsagrados. Você não quer convidá-lo a fazer em sua vida a obra que só ele pode fazer?

Reuven Doron é um judeu messiânico (veja história de sua conversão na edição nº 5 da revista Impacto), que reside atualmente em Minnesota, nos EUA. Este artigo pode ser encontrado em inglês no site onenewman.injesus.com. Contato pode ser feito com ele através do e-mail: [email protected]; ou por carta: One New Man Call P O Box 164 Hayfield, MN 55940 EUA.

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