Israel – Haverá Paz em Israel?

Data de publicação: 25/07/2011
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Edição 54 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 54

Nota da Redação

Representantes de 49 países e organizações internacionais reuniram-se em Annapolis, perto de Washington, a capital norte-americana, no último dia 27 de novembro, na primeira conferência internacional sobre o conflito entre Israel e os palestinos desde 1991. Foi também a primeira vez em sete anos que israelenses e palestinos conversaram diretamente sobre a questão.

A principal pauta da conferência? A implantação permanente de dois Estados, Israel e Palestina, para resolver o conflito entre os dois povos. Os grandes problemas que precisam ser contornados para que isso seja possível nem foram abordados na conferência; fez-se apenas um compromisso para israelenses e palestinos trabalharem em conjunto nesse sentido, durante todo o ano de 2008, para tentarem chegar a um acordo definitivo até o final do ano.

As questões que precisam ser resolvidas são enormes – aliás são as mesmas que sempre existiram e que estão na raiz de todos os conflitos do Oriente Médio: a devolução das terras que Israel conquistou em 1967, o retorno dos refugiados palestinos, a cidade de Jerusalém, as colônias judaicas nos territórios considerados palestinos, a violência, os ataques suicidas e os disparos de mísseis contra Israel.

Apesar de todos os fracassos em obter paz durante os 60 anos da existência do Estado de Israel, conferências de paz como essa de Annapolis sempre suscitam esperanças de que, finalmente, haja algum avanço para eliminar um dos principais focos de violência e terrorismo no mundo. Afinal quem não deseja a paz?

Contudo os radicais de ambos os lados estão fazendo tudo possível para dinamitar qualquer chance de acordo. Os grupos palestinos, como o Hamas, não querem um Estado palestino que conviva em paz com Israel; querem eliminar Israel. Os judeus que acreditam nas Escrituras do Velho Testamento também não querem esse acordo; reivindicam o controle de todo o território que fazia parte das promessas de Deus a Abraão e a Moisés.

Um grupo de rabinos ultranacionalistas chegou a enviar uma carta aberta ao presidente Bush, advertindo-o do perigo de trazer sobre seu país a ira divina pelo fato de hospedar uma conferência com o objetivo de tirar territórios de Israel. Em 2005, na época da retirada israelense da Faixa de Gaza, que contou com o apoio dos Estados Unidos, esses mesmos rabinos escreveram uma outra carta com o mesmo objetivo. Os prognósticos sinistros parecem ter-se confirmado: no dia 23 de agosto de 2005, Israel finalizou o desmantelamento das colônias judaicas e sua retirada de Gaza, a mesma data em que o furacão Katrina, que devastou Nova Orleans e outras cidades norte-americanas, apareceu no Caribe.

“A terra de Israel pertence ao povo de Israel”, afirma o rabino Meir Druckman, um dos signatários da carta. “Deus pune a todo aquele que obriga Israel a ceder seu território.”

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, está disposto a fazer exatamente isto: devolver territórios – e até partes da cidade de Jerusalém – aos palestinos. A história recente, porém, demonstra que o mais provável é que tais concessões não tragam os resultados desejados, porque os palestinos não costumam cumprir sua parte do acordo. A retirada unilateral de Israel da Faixa de Gaza, por exemplo, sob o comando do primeiro-ministro anterior, Ariel Sharon, não trouxe benefício algum nem para a segurança de Israel nem para a obtenção de boa vontade por parte dos palestinos. De todas as áreas em questão, a cidade de Jerusalém e o local sagrado do Monte do Templo são, de longe, os mais explosivos.

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Por: Reuven Doron

Enquanto os líderes políticos de Israel estão-se dispondo a ceder grande parte da Judéia, Samaria e partes de Jerusalém para o controle palestino, ficamos a nos perguntar se Deus um dia há de restaurar a terra de Israel ao seu governo e propósito originais. É claro que vai! Deus haverá de restaurar o território à paz e à prosperidade, assim como prometeu e assim como restaurará o próprio povo a si mesmo. Entretanto devemos reconhecer que a terra em si nunca foi o ponto mais fundamental ou problemático; pelo contrário, constituía apenas um palco para as questões mais centrais com as quais Deus queria tratar.

As Escrituras indicam claramente que a integridade territorial e as condições geográficas da Terra Prometida sempre refletiam o coração da nação, sua fé em Deus e sua obediência à Palavra. Em outras palavras, a possessão e a condição da terra de Canaã espelhavam o relacionamento da nação com Deus. Nesse caso, a terra é um galardão, não um pré-requisito para constituir uma nação. A verdade é que a terra sozinha, por mais que a amemos e sejamos chamados para cuidar dela, sem o favor e a graça de Deus jamais proverá a segurança e a prosperidade tão ansiada por Israel.

Mesmo assim, as questões de segurança vinculadas à cessão de Judéia e Samaria a um governo palestino instável, fraco e abusivo são muito graves. Na prática, caso essas regiões sejam entregues, a Autoridade Palestina logo as perderá para o Hamas, transformando a Cisjordânia em outra Faixa de Gaza. Há muita coisa na balança; portanto oremos e vigiemos.

Um Ajuntamento Significativo

À luz das perigosas e controversas implicações históricas da Conferência de Paz de Annapolis, líderes ortodoxos em Israel convocaram uma reunião nacional de oração no Muro Ocidental (ou de Lamentações). Foi uma ação apropriada e inspirada por Deus, já que a população sente cada vez mais a imensa pressão internacional e o grande perigo que poderá resultar das decisões a serem tomadas.

Estimou-se que 25.000 pessoas compareceram ao Muro Ocidental, um dia antes da Conferência de Paz em Annapolis, para orarem e se posicionarem contra as propostas do governo de ceder territórios aos palestinos. A oração foi coordenada pelo ex-grão-rabino de Israel, Mordechai Eliyahu. Outro organizador do evento, o Membro do Knesset (Parlamento), Uri Ariel, do Partido de União Nacional, disse o seguinte:

“É essencial que ofereçamos orações ao nosso Pai celeste neste momento em que o Primeiro-Ministro pretende vender partes da nossa terra-pátria. Estamos aqui [no Muro] para dizer que confiamos em D-us e que Olmert não tem autoridade para entregar Jerusalém [aos palestinos].”

Outro organizador do evento disse a um repórter do jornal israelense Arutz Sheva:

A sensação de desespero que tomou conta de muitos não passou despercebida pelos rabinos que convocaram este momento de oração. Porém, embora tal sensação possa não dar em nada, se produzir somente um senso de impotência, ela também poderá trazer abertura para uma nova e genuína volta a D-us e para uma tomada de responsabilidade a partir de um novo ângulo. Pode ser que, como fruto da nossa desilusão, cheguemos à percepção de que não somos nós que controlamos a situação. Às vezes nós pensamos que, se agirmos, protestarmos, nos estabelecermos na terra, ensinarmos e nos envolvermos em toda espécie de atividade, tudo ficará bem.

Hoje, contudo, estamos chegando ao Muro de Lamentações com humildade, reverência e fé serena. Devolvemos ao nosso Pai celeste a bola que tem ficado reprimida nos nossos corações durante mais de dois anos e que está quase nos sufocando. Suplicamos a ele que nos mostre o caminho a fim de sermos parceiros com ele na nossa Redenção. Queremos cooperar com ele, santificar o seu Nome.

É no calor da fornalha que o ouro puro é refinado. De forma semelhante, o Espírito de Deus está atraindo muitos em Israel a si mesmo durante esses tempos de angústia e perigo. Vigiemos e oremos enquanto a salvação de Israel se aproxima.

A Importância de Jerusalém

Jerusalém é mencionada mais de 700 vezes na Bíblia. Durante os últimos 2.000 anos, o povo de Israel tem orado diariamente pela cidade santa, quebrando um copo de vidro em cada cerimônia de casamento, para lembrar a destruição do Templo, e deixando parte de uma parede em suas casas sem terminar, para simbolizar a cidade que ainda não foi plenamente restaurada. Esperando contra a esperança, os judeus que são fiéis têm orado dizendo “o ano que vem em Jerusalém” em cada celebração da páscoa.

“Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita. Apegue-se me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria” (Sl 137.5,6).

“Orai pela paz de Jerusalém! […] Por amor da casa do Senhor, nosso Deus, buscarei o teu bem” (Sl 122.6,9).

“Com grande zelo [ciúme, no original] estou zelando por Jerusalém e por Sião. E com grande indignação estou irado contra as nações que vivem confiantes; porque eu estava um pouco indignado, e elas agravaram o mal” (Zc 1.14,15).

“…enviou-me às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho” (Zc 2.8).

“Regozijai-vos juntamente com Jerusalém, e alegrai-vos por ela, vós todos os que a amais; exultai com ela, todos os que por ela pranteastes… e em Jerusalém vós sereis consolados” (Is 66.10,13).

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