Impacto Mirim-Timóteo aprende a se contentar com o que faz

Data de publicação: 13/07/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 58 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 58

Quem nunca achou a atividade do dia-a-dia monótona ou sem propósito? Nesta terceira história da série “Vendo o Projeto de Deus em Tudo”, Timóteo encontra, de maneira bem estranha, verdadeiro significado no que faz e aprende a situar-se no plano de Deus.
Leitura Bíblica: 1 Timóteo 6.6-12

TIMÓTEO APRENDE A SE CONTENTAR COM O QUE FAZ

Timóteo trabalhava numa gráfica onde tinha a importante tarefa de ajudar na produção de livros cristãos. Apesar de cristão, era um cristão descontente. Sua insatisfação não era com Deus – pelo menos, ele achava que não! Tampouco era com a igreja, pois se sentia muito feliz lá. Seu problema era com o trabalho na gráfica que achava muito chato. Quando lia a respeito de outras pessoas que fizeram trabalhos muito interessantes para Deus, no próprio país ou em outros lugares, ele ficava se comparando e achando sua atividade na gráfica muito vazia e sem graça.

Por fim, seu descontentamento cresceu a tal ponto que decidiu sair do emprego. Apesar de não saber o que iria fazer, havia um sentimento vago de que algo mais interessante pudesse surgir.

Ele sabia que deveria pedir conselho a alguém – na igreja por exemplo. Porém, bem no íntimo, ele pressentia que ninguém concordaria com sua idéia. Pensou, então, em sua irmã, Serena. Se desse para falar com ela antes de o marido voltar para casa, com certeza ele conseguiria convencê-la a apoiar sua decisão e, então, no dia seguinte, pediria para sair do emprego.

Foi assim que, naquele mesmo fim de tarde, Timóteo foi correndo para a casa da irmã. Mal chegou lá e já começou a perguntar-lhe se não achava que era um bom momento para ele fazer uma mudança em sua vida.

Serena ficou muito feliz ao ver o irmão, mas parecia não ouvir nada do que ele estava dizendo.

“Você chegou bem na hora de ler uma historinha para o Marquinhos antes de dormir!”, ela exclamou. “Ainda não está na hora de o pai dele voltar, e eu estou tão ocupada. Você não poderia subir lá no quarto dele e ler esta história?”

Antes que Timóteo pudesse esboçar um protesto, o livro já estava em suas mãos, e ele estava subindo as escadas para o quarto de Marquinhos. Chegando lá, foi recebido com muito entusiasmo pelo pequeno sobrinho, que estava encantado com a chance de ouvir uma história do tio. E nem precisou escolher uma, pois Marquinhos foi logo mostrando sua favorita! Timóteo não estava nada bem-humorado, mas, mesmo assim, sentou-se e começou a leitura.

Como era um conto de fadas, é claro que começava com “Era uma vez….”. A história era sobre um cavouqueiro que estava trabalhando com a marreta, quebrando pedras à margem de uma estrada, quando viu passar um lorde de carruagem e em grande estilo. Ao vê-lo, o cavouqueiro pensou: “Ah, como eu gostaria de ser um lorde!”. Para sua surpresa, na mesma hora, uma fada concedeu-lhe o desejo, e ele se transformou num grande dono de terras!

Pouco tempo depois, porém, ele viu um rei desfilando com grande pompa e importância. Outra vez, suspirou e pensou: “Ah, como eu gostaria de ser um rei!”. Mais uma vez, seu desejo foi atendido, e passou a ser Sua Majestade…

Um dia, quando Sua Majestade estava contemplando a enorme energia comandada pelo Sol, resolveu subitamente fazer um novo pedido, desejando, dessa vez, ser o próprio Sol, com todos os planetas do sistema solar à sua disposição! Mais uma vez, a fada realizou o desejo e transformou-o.

Agora, sim, ele era poderoso, irradiando luz e energia, com grande poder, em todas as direções. Um dia, porém, uma nuvem passou à sua frente e impediu seus raios flamejantes de atingirem um determinado ponto na Terra. Na mesma hora, ele bradou: “Eu queria ser uma nuvem capaz de desafiar o Sol!”.

E foi isso o que aconteceu: ele se transformou numa nuvem! Um dia, enquanto inundava a terra e dava gargalhadas por cima dos rios impetuosos e transbordantes, ele viu uma imensa rocha do tamanho de uma montanha. Lá estava, imóvel e imponente, orgulhosamente desafiando a espantosa força do turbilhão de águas. Quase sem pensar, ele exclamou: “Ó rocha poderosa, eu queria ser grande e forte como você, pois assim eu seria o mais grandioso de todos!”.

Imagine o que aconteceu! Isto mesmo: no mesmo instante, ele foi transformado numa rocha tão grande que, sem dúvida alguma, ninguém o conseguiria deslocar!

“Agora sim”, ele exclamou. “Essa vez foi a melhor de todas! Ninguém poderá me mover, e sou maior e mais grandioso do que todos!”

Porém, assim que terminou de pronunciar tais palavras, ele ouviu umas pancadinhas agudas lá embaixo, perto de sua base: toc, toc – toc,toc. E o que foi que viu ali? Um cavouqueiro, trabalhando com a marreta e as ferramentas cortantes na encosta da montanha. Sentindo um estranho tremor no fundo do coração, viu o cavouqueiro bater incessantemente até que uma grande laje de rocha foi descolada do seu lado.

“Ó! Que horrível que uma simples marreta e os golpes de um cavouqueiro sejam capazes de esmiuçar minhas paredes impenetráveis. Eu queria….”

E, subitamente, lá estava ele novamente, sentado diante do mesmo amontoado de granito ao lado da estrada, com uma marreta na mão!

Ele acabara de completar o círculo – um lorde, um rei, o Sol, a nuvem, a imensa rocha e, enfim, de volta a um simples cavouqueiro. Só que agora ele era o mais feliz dos homens, porque acabara de aprender o segredo do contentamento: quando faz exatamente o que foi criado e preparado para fazer, você já está cumprindo o propósito que Deus planejou para sua vida.

Marquinhos curtiu cada palavra dessa história que já ouvira tantas vezes, mas mal conseguiu ficar acordado até o fim. Enquanto os olhos dele quase se fechavam, porém, os do tio Timóteo abriam-se cada vez mais. O que acabara de ler era apenas uma historinha de fadas, mas servira para revelar-lhe a inutilidade de querer ser outra pessoa ou estar em outro lugar! Sim, este é o segredo: devo ser tudo o que fui chamado para ser (como funcionário da gráfica!), e, no tempo de Deus e a seu próprio modo, ele fará com que isso me conduza para qualquer outra coisa que tenha planejado para mim.

Depois de terminar a leitura e ver o sobrinho embarcado no sono, Timóteo desceu as escadas refletindo profundamente sobre tudo. Vendo que o cunhado já havia chegado, resolveu não falar mais nada sobre a pergunta que fizera a Serena. Na verdade, ficou até  aliviado ao perceber que ela nem lembrava de pergunta alguma!

Mais tarde, depois de voltar para casa, ele enfrentou honestamente a decisão de sair ou não do trabalho. No fundo do coração, ele sabia que Deus usara uma simples historinha para responder à sua pergunta, mas parecia tão insensato achar direção para sua vida por meio de um conto de fadas! Então, pegou a Bíblia e orou com sinceridade, pedindo ao Senhor que lhe enviasse uma mensagem viva de sua Palavra.

Sua oração foi respondida maravilhosa e instantaneamente. Abrindo a Bíblia em 1 Coríntios, capítulo sete, o que ele leu a princípio lhe pareceu um tanto inadequado para sua necessidade. Entretanto, à medida que continuou a leitura, uma luz pareceu brilhar sobre um dos versículos. Dizia o seguinte: “Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo em que foi chamado” (1 Co 7.24). Como era estranho que tal versículo tivesse aparecido justamente naquele momento! Ao meditar na expressão: “…permaneça diante de Deus”, a “ficha” caiu. “É claro!”, ele concluiu. “Deus me deu a resposta!”.

Naquele instante, Timóteo conseguiu ver o propósito de Deus. Se ele simplesmente aprendesse a descansar e confiar em Deus, então o próprio Deus desenvolveria toda a plenitude do chamado que tinha para sua vida. Em seguida, lembrou-se de outro versículo: “De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro” (1 Tm 6.6).

Piedade significa unir-se a Deus em mente, coração e propósito (ou permanecer em Deus). Com isso, o contentamento virá naturalmente, e Deus será o responsável por prover grande lucro (prazer, paz, alegria, realização).

“Sim, como é bom”, ele ponderou, “que Deus se recuse a atender todos os desejos passageiros, porque somos tão instáveis e volúveis em nossos pedidos que acabaríamos, geralmente, iguaizinhos ao cavouqueiro: dando voltas até chegar ao mesmo ponto de partida!”

Extraído do livro “Seeing God’s Purpose in Everything” (Vendo o Propósito de Deus em tudo), um livro de histórias selecionadas por DeVern Fromke, Master Press, Knoxville, Tn, EUA.

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