Honra e Submissão

Data de publicação: 29/04/2011
Este artigo pertence a: Edição 61

Por Rosane Manzini

O tema submissão e autoridade tem-se apresentado, ao longo das últimas décadas, às igrejas e aos relacionamentos nos quais se usa a Bíblia como regra de fé e procedimento. Nas relações ministeriais do pastor com suas ovelhas, nas relações pessoais entre discípulos e discipuladores e, principalmente, nas relações familiares entre pais e filhos e maridos e esposas, é impossível ignorar o assunto.

Evidentemente, muitas interpretações têm-se dado a esse preceito da Palavra, podendo uma infinidade de versículos ser alinhada para apoiar essa ou aquela prática, geralmente com a tendência de ir a um extremo ou a outro. Se, do lado da submissão, podemos vê-la como sinal vital de quebrantamento, já, pelo lado da autoridade, sabemos que ela apela fortemente à natureza carnal que deseja poder, influência e dependências doentias.

O alicerce da submissão são a compreensão e a conversão do coração. A submissão, quando vista como nada mais do que obediência, é externa e relacionada a preceitos, ordenanças e leis. Não é difícil sermos submissos na aparência nem irrepreensíveis na conduta externa. Isso, porém, não é suficiente para expressar o que Deus pretende quando nos coloca em relacionamentos nos quais a autoridade precisa ser exercida para o bom andamento de seu propósito eterno em nossa vida, família e igreja.

Qual é, então, a fonte da verdadeira submissão? Um coração convertido em que o amor a Deus transforma-se em amor e confiança naqueles que ele coloca em nosso caminho. Quando o arrependimento chega ao nosso coração, e entendemos que somos menores e dependentes dos irmãos, estamos prontos para aprender a HONRA que pode levar-nos a alguns níveis acima da submissão.
Honra como chave do relacionamento

Meu propósito aqui é tratar de um dos aspectos mais controversos das relações pessoais na igreja: a relação da mulher com o marido.

A compreensão da palavra honra é fundamental para que exista a possibilidade de que os dons e ministérios venham a desenvolver-se e abençoar a igreja.

Quando Jesus passou pela terra de sua família onde fora criado, o fato de aquele povo conhecê-lo e julgá-lo segundo sua história tão comum impediu-o de realizar muitos milagres. A incredulidade deles tornou-se uma barreira para a manifestação do poder de Deus.

E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra senão na sua terra e na sua casa. E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles (Mt 13.57-58).

O que provocou tal fenômeno? Seria Jesus vulnerável à incredulidade de seus conterrâneos? Esse fenômeno é chamado por Paulo e por Jesus de “conhecimento segundo a carne” (Jo 8.15; 2 Co 5.16) e provoca dúvidas que, por sua vez, geram incredulidade.

Honrar significa reconhecer virtude em alguém, ter consideração sem nenhuma dúvida. Essa atitude é libertadora e indica que estamos considerando os outros superiores a nós mesmos, principalmente no que diz respeito a sua posição, função e indispensabilidade no corpo.

Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos, são necessários; e os que nos parecem menos dignos no corpo, a estes damos muito maior honra; também os que em nós não são decorosos, revestimos de especial honra (1 Co 12.22-23).

Pouco compreendemos dessa atitude tão indispensável ao bom funcionamento e à manifestação dos dons. A honra e o reconhecimento fazem com que o Espírito Santo tenha oportunidade de usar vasos aparentemente sem importância alguma. Esse reconhecimento produz desenvolvimento e aperfeiçoamento naqueles que o recebem.

Quando se fala em submissão, pelo menos na mente feminina, logo surge um sentimento de repulsa produzido pelo tratamento de desprezo e desvalor recebido durante tantos séculos. O machismo transformou a mulher num objeto de uso, longe, bem longe da recomendação das Escrituras, do próprio Jesus e do apóstolo Pedro para que a mulher fosse tratada com consideração, como co-herdeira da mesma graça.

A reação sempre vem. Hoje, as mulheres conseguiram livrar-se desse jugo, mas se submeteram a outro, e o desequilíbrio continua. Para mim, a submissão, nesse conceito, está ligada à obediência que se relaciona à Lei. Com Jesus, tudo é diferente. Assim como a Lei diz para não matar, pois está tratando de um comportamento, e Jesus, que lida com a atitude, disse que quem pensar mal no coração já matou, a submissão também não é o ideal. Em várias passagens bíblicas, a recomendação é honra.

E o que é isso? Honrar, segundo o dicionário, significa ter em alta conta; homenagear a virtude, o talento; tratar com dignidade. Quando honramos alguém, demonstramos que o que aquela pessoa é tem grande valor para nós. A honra está ligada ao ser e não ao fazer.

No hebraico, honrar quer dizer aumentar o peso. Pense no “peso” que tinha o marido da mulher descrita em Provérbios 31. Ela, uma mulher ativa, inteligente, administrava muitas coisas, e seu marido era honrado e admirado por toda a cidade.
Como a prática da honra pode mudar um lar

Nos primeiros anos de casamento, tive uma experiência muito interessante. Quando íamos a um casamento ou participávamos de palestras sobre família, sempre se repassava o assunto submissão. Isso era motivo de certa revolta, porque era exigida a submissão por parte das mulheres, mas o ato de “dar a vida” por parte dos maridos nem era mencionado. Apesar disso e da doutrina bem machista do meu marido, eu me considerava uma esposa submissa.

Isso, porém, não o satisfazia. Quando falávamos no assunto, ele não conseguia expressar o que gerava tal insatisfação, e eu, muito menos, entender. Eu argumentava que não entendia, já que eu era obediente, cooperadora; o que mais ele poderia desejar?

Em determinada ocasião, quando meus filhos ainda eram pequenos, passei por algo muito significativo nessa área, não de submissão, mas de honra. Meu filho mais velho começou a teimar com o pai sobre um assunto banal, como se soubesse muito mais do que ele, fazendo afirmações de forma categórica e irredutível. Ver isso em uma criança de mais ou menos 4 anos foi muito assustador para mim.

Essa situação levou-nos a refletir sobre a atitude embutida na conduta de nosso filho; não sei explicar como aconteceu, mas o Espírito Santo mostrou-me que era eu quem estava originando aquele comportamento. Com o passar do tempo de casada, eu havia passado por muitas decepções que estavam impedindo-me de reconhecer que meu marido era a fonte de bênção para nossa família. Descobri que, no meu coração, havia morrido a admiração que me conduziu ao casamento, e que havia certo desprezo pelo meu homem.

Jesus mudou meu coração assim que revelou meu pecado. Depois da minha conversão nessa área, a atitude do meu filho mudou automaticamente. A admiração e o orgulho de ter um pai, “o herói”, passaram a ser muito presentes em nossa casa. Meus filhos mudaram; meu marido mudou! Deus transformou maravilhosamente o pensamento dele, e, hoje, desfrutamos juntos de comunhão, companheirismo e muita alegria em casa. Nossos filhos nos honram, têm sido abençoados por Deus e, mesmo em circunstâncias adversas, sabemos que podemos contar uns com os outros.

Essa experiência levou-me, também, a observar outras mulheres e os efeitos desastrosos que causam em sua família. Mulheres que não aprenderam a ver com os olhos da fé e a confiar no potencial que Deus deu a cada homem de ser o provedor e o protetor, que estão sempre desmerecendo ou desvalorizando o marido, sofrem dificuldades inúmeras, inclusive falta de prosperidade na família. Sem palavras diretas, passam esse conceito para os filhos, que acabam por desonrar o pai; logo, a mãe também recebe, por parte dos filhos, a mesma desonra.

Não é sem razão que a Palavra nos ensina que a mulher sábia edifica sua casa, e a tola com as próprias mãos a derruba (Pv 14.1). Por outro lado, quando os casais mantêm o relacionamento com respeito e temor do Senhor, cada um desempenhando seu papel com as habilidades e os dons que Deus lhes deu para formar essa equipe, a honra se faz presente, o homem é uma “dignidade” no meio em que está colocado, e todos no lar desfrutam de graça e comunhão.

O cônjuge deveria ser a primeira pessoa a receber a honra, pois é o relacionamento familiar mais importante. Ninguém pode avaliar o amor existente pelo cônjuge a não ser observando o lugar de honra que ele ocupa. Se colocarmos outras prioridades à frente dele, estaremos dando maior honra a essa coisa ou àquela pessoa, pois estaremos atribuindo-lhe maior valor. A honra é o reflexo de um coração que considera o outro um presente de Deus, um verdadeiro tesouro.

O fato de honrar não significa que os erros da pessoa devam ser ignorados, mas a honra não permite que barreiras sejam levantadas no relacionamento. A honra devida aos maridos não é por causa do que fazem ou não, mas por causa daquilo que Deus diz a respeito de quem eles são. O pai é a porta de entrada para o fluir de Deus no lar. A esposa que honra seu marido terá filhos obedientes que honram os pais e, por isso, receberão a promessa de prosperidade apontada no quinto mandamento.

Essa atitude de desejar servir o outro, oferecer o melhor com alegria é fruto de conversão, de abandono de antigos conceitos e de um profundo mergulho no relacionamento com Jesus para que o Espírito Santo produza um coração apaixonado e admirador.

Rosane Manzini é pedagoga e diretora da Escola Cristã de Jundiaí. É casada com Paulo Manzini e tem dois filhos: Osler Gustavo e Ruben Vinícius. E-mail: rosane.manzini@uol.com.br

Uma resposta para “Honra e Submissão”

  1. Rafaela disse:

    Muito bom!
    Honra e submissão andam juntos, não há como agradar a Deus com apenas um.
    Só o Espírito Santo para nos capacitar!

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