Última Palavra: “Fazer o Que” Agora?

Data de publicação: 04/08/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 50 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 50

Por: Luiz Montanini / Eliasaf de Assis

É edificante ler alguns testemunhos de pessoas que foram despertadas para se envolver em alguns trabalhos para o Reino, sem a preocupação de receber reconhecimento explícito sobre eles.

Ainda mais alentador, cremos, é quando uma comunidade praticamente inteira se envolve em determinado projeto.

O episódio da conversão do Nilo e da Tânia e do envolvimento da igreja em Valinhos em favor deles é sintomático. E faz com que vejamos a nuvem pequena no horizonte, prenunciando abundante chuva. É um pequeno começo, mas quem não sabe que as grandes conquistas bíblicas e da história do cristianismo foram feitas a partir de pequenos começos?

Ninguém ainda vendeu sua casa e trouxe o valor aos pés de seus líderes, mas um novo e vivo caminho parece despontar. A generosidade, o socorro, o desprendimento, enfim, parece ser mesmo um dos pré-requisitos para o avivamento.

Tudo o que tem sido feito em Valinhos é pouco, é verdade, mas já se vê Deus agir nos pequenos começos. A igreja tem oferecido os poucos pães e peixes diante de tanta necessidade, mas tem descoberto simultaneamente o milagre da multiplicação e o princípio de não desprezar os pequenos começos.

A comunidade começa a entender o que significa não despedir vazio, o que significa dar ela mesma de comer, o que significa exceder em justiça a religião que está aí.

Chega de romantismo, é hora de mexer nas economias. Vamos, primeiramente, dar nós mesmos de comer. Fazer os milagres subseqüentes da multiplicação e do avivamento não é nossa responsabilidade…, mas eles virão.

O bebê quer nascer…

O Espírito quer nos atrair para fora desse gueto onde o discurso é separado da prática, e sermões não têm correspondência com o mundo real. Contato real com a vida de Deus provoca contrações e gemidos em nosso espírito, pois o bebê quer nascer; Cristo quer ganhar tridimensionalidade e corporalidade, tocando o mundo que ele ama através de nós. Talvez você identifique essa tensão positiva, embora esmagadora, presente em seu interior. À semelhança da hora do parto, você sente que foi para um tempo como esse (Ester 4.14) que foi criado. Sentimentos pouco “religiosos” como insatisfação, indignação e enjôo com a frivolidade evangélica tornam-se comuns.

Sobretudo, porém, lá de dentro surge um chamado para fora dessa redoma asfixiante da mediocridade e uma aflição de alma que pergunta: “Por que ainda não sou o que eu deveria ser?” Tal como um artista de teatro você está ansioso pela “deixa”, aquela dica de que é seu momento de atuar e fazer parte da narrativa. Você sente aquele retesar dos músculos espirituais, como o nadador que, tenso e atento, aguarda o sinal para lançar-se à água? Ou o desejo de entrega que toma as noivas, a exigência de ser capturado pelo amor? As quinquilharias religiosas e a fascinação desse mundo perdem valor. Esta vida, seu corpo, seus bens e dons são meios para um fim. E seu coração tem febre para dedicar-se a uma causa maior, à altura do propósito de Deus.

O que fazer? Eis algumas sugestões práticas.

Deixe sua zona de conforto

Deixe-se cercar pela nuvem correta. Cuidado com o entretenimento exacerbado, que desnutre sua alma e o insensibiliza ao toque de Jesus. A alma farta das guloseimas deste mundo rejeitará o Favo de mel das alturas (Pv 27.7). Troque a neblina espiritualmente alienante da TV ou passatempos inúteis pela motivadora nuvem de testemunhas (Hb 12.1).

Como o Ebenezer Scrooge de Dickens, para despertar do sono de viver para si mesmo precisamos ser “bem-assombrados” pelo testemunho dos mártires e de cristãos de prática radical, como os desta edição. Assim seremos despertados para uma vida orientada ao “outro”.

Leia livros desafiadores como “Para Além dos Limites” ou “Venha Andar Sobre as Águas” . Leia biografias inspiradoras (ou assista a elas), dentre as quais a desafiadora história de Jim Elliot .

Saia de casa. Visite as missões que deram origem às matérias desta edição ou informe-se sobre outras próximas de você.

Movimente-se. Transforme idéias em atitude. Aguarde a chamada de Deus fazendo alguma coisa. Segundo Billy Graham, Deus nunca chamou para sua obra alguém que não estivesse trabalhando em algo.

Deixe-se conduzir ao necessitado

Muito já se perguntou por que há tanta depressão entre nós. A observação nos permite afirmar que envolver-se com os necessitados pode atenuar a depressão. E se tivermos que nos deprimir, que pelo menos nos deprimamos pela causa correta: pelo pobre e desvalido, e não por nós mesmos. Há um grande poder no auto-esquecimento que vem quando orientamos nossa vida e atenção ao “outro”. E Deus é totalmente “O Outro”, que só é encontrado plenamente fora de nós, quando o buscamos na trilha que conduz ao próximo.

No melhor palm-top do universo, o alerta divino soa em uma suave freqüência só ouvida por quem anda no Espírito, revelando encontros já agendados desde a eternidade. O Espírito Santo o guiará ao necessitado, bem como guiará o necessitado até você. Como criam os morávios, Deus envia seus filhos para anunciar e servir, mas também conduz o perdido a esse encontro. Isso concede ao pecador a dignidade de alguém enviado por Deus, e garante um desfecho já determinado nos céus.

Ame a ponto de correr riscos

Não é preciso saber muito sobre batalha espiritual para depreender dos evangelhos e da (boa) história da igreja que as barricadas do inferno estalam e se esboroam diante da artilharia do Amor. Como diria o rapper cristão Amaury Fontenele:

Mas fazer o quê? … Há tanta coisa errada… Fazer o quê?/ Descruzar os braços, só pra começar/ Dar a mão pra seu irmão, pra continuar/ Pra fazer diferença, pra fazer a obra/ e não ficar como se tivesse tempo de sobra/ Pró-atividade geral/ Apatia é doença espiritual/ Tô fora geral!

Evangelho puro; coragem de pagar pra ver/ E aí, vamos ou não vamos dar a cara pra bater?/ Alimento forte pra hora da batalha/ Artilharia de amor da pesada/ O tempo é hoje, a hora é agora/ E você? Vê se não fica de fora.

O Mestre nos aponta o campo. Quem topa pagar pra ver?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *