Eu posso ser um Barnabé?

Data de publicação: 26/04/2014
Categorias da Biblioteca:
Edição 76 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 76

Clésio Pena

Após ler estes artigos sobre Barnabé, você, leitor, pode se perguntar: o que isso tem a ver comigo? O que me importa saber essas coisas se não tenho ministério semelhante?

Meu caro, quero provocar em você, ou melhor, despertar em você essa característica que foi dada em certa medida a todos os cristãos (embora alguns tenham recebido uma porção maior).

Vimos nessas páginas alguns testemunhos de homens de Deus que estão sendo usados pelo Senhor hoje nessa área de reconciliação, agregação, inclusão. Porém, pergunto a você: a qual cristão foi vetada essa característica agregadora? Não é necessário ter um poder de influência sobre muitas pessoas para desenvolver o ministério de Barnabé que está adormecido. Não preciso ser um homem famoso nem ser recebido em várias partes do país para depois começar um trabalho de agregar cristãos desanimados.

Você conhece algum cristão que não esteja desenvolvendo seu potencial como deveria apesar do depósito de Deus na vida dele? Você conhece alguém que não seja cristão, mas tenha muito a dar ao Reino de Deus? Você conhece pessoas decepcionadas com a igreja e que, por isso, estão em marcha lenta (para não dizer marcha a ré)? É claro que conhecemos pelo menos uma pessoa que se enquadra nesse contexto. Minha pergunta é (sem querer condená-lo, apenas estimulá-lo): o que você pode fazer por essa pessoa? De que forma pode ajudá-la? Será que a solução é apenas orar para que Deus mande alguém com mais bagagem do que você para desempenhar esse papel?

A resposta a essa pergunta é muito óbvia. Se é você que está ao lado dela, que a conhece, que sabe quais são suas frustrações, seus medos, suas decepções, provavelmente é você que terá uma oportunidade maior de oferecer-lhe ajuda.

Há tanta gente à nossa volta que precisa de um estímulo, de um abraço, de um estudo, de dinheiro, de oração, de compreensão, de amor, de um ombro, de um cafezinho, de um telefonema, de um empurrão… Não posso ficar me poupando. Preciso estar disponível para que o Espírito Santo me use da forma como ele quiser. Não posso ser politicamente correto e deixar que essa pessoa vá caminhando para longe do alvo. Posso e devo interferir.

Não espere ser superdotado em alguma área para depois começar a agir. Com certeza, você já tem algo de Deus para oferecer, e isso pode fazer toda a diferença na vida de pessoas próximas. Na Bíblia, vemos que Barnabé atuou da mesma forma com duas pessoas diferentes, e que os resultados foram de grande repercussão. Será que Barnabé já não fazia isso sempre com outras pessoas, com familiares, com pessoas à sua volta? Com questões menos relevantes, com pessoas de menor influência? Eu acredito que sim. Certamente, as únicas pessoas a serem ”despertadas” por Barnabé não foram Paulo e Marcos.

Não espere dar uma grande guinada na vida de alguém ou influenciar uma pessoa “importante”. A pessoa que está à sua volta é a mais importante. Não tem como um pregador de renome chegar até o seu vizinho, seu familiar. Você já está próximo (é em favor desse “próximo” que a Bíblia insiste que eu viva). Você também não precisa esperar ser o único Barnabé na vida do seu próximo. Você pode ser usado para dar um primeiro empurrão. Depois, outros Barnabés serão usados na vida dele. Simplesmente, faça aquilo que está ao seu alcance, mas faça!

Eu também posso ser um Barnabé? Com certeza, mesmo não tendo feito seminário para pastor, mesmo não sendo um teólogo. Seja você um Barnabé na vida do seu próximo. Há tantas pessoas com quem mantemos contato, com quem nos envolvemos de uma forma ou de outra: porém, às vezes ficamos passivos. Não ousamos fazer diferença na vida delas, mas você pode ser a única pessoa a ter o Espírito de Deus com a qual ela mantém um relacionamento, por menor que seja.

O que você me diz? Vai aceitar o desafio de ser um Barnabé? De escrever uma carta, dar aquele telefonema, abraçar alguém, dar um sorriso, orar, indicar um livro, dar uns tapas fortes e pedir para que ele(a) acorde? Incentive alguém. Não o deixe desanimar, cair no esquecimento, esfriar-se. Seja contagiante, um influenciador positivo. Seja uma alavanca que tire alguém do lugar onde está mofando e leve-o para um lugar onde seus dons serão utilizados numa escala maior.

Tem uma parábola que ilustra bem isso: um homem viu uma raposa aleijada sendo alimentada por um tigre. No outro dia, viu a cena se repetir. O homem maravilhou-se da grandiosidade de Deus e disse a si mesmo: Irei me recolher num canto, e Deus há de prover tudo aquilo de que eu precisar. Após esperar por vários dias sem nada acontecer, quando já estava quase à morte, ouviu uma voz: “Ó tu que estás no caminho do erro, abre os olhos para a verdade! Segue o exemplo do tigre e para de imitar a raposa aleijada”.

Trocando em miúdos: não espere que alguém venha fortalecê-lo, animá-lo ou restaurá-lo, mostrar que você tem dons maravilhosos. Eu já estou lhe afirmando: em nome de Jesus de Nazaré, levante-se, tome o seu leito e ande! Você tem dons que lhe foram dados pelo próprio Jesus (e não foi por engano, por erro de destinatário). Sendo assim, não espere. Coloque-se em ação em favor do seu próximo, para que a vida dele seja melhor, mais próxima de Jesus.

Que Deus o capacite ricamente nessa jornada, e que muitos Paulos e Marcos possam dar o testemunho da ajuda que você lhes ofereceu. Mãos à obra!

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