Esforçando-se Para Descansar

Data de publicação: 03/12/2011
Este artigo pertence a: Edição 11

Por: Bob Mumford

“Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas. Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência” (Hebreus 4.9-11).

“Esforcemo-nos por entrar naquele descanso.” A palavra “esforçar” aqui é uma palavra muito forte na língua grega. Esforçar para descansar sempre foi um paradoxo para mim. Como um recém-convertido, este foi um dos primeiros versículos que me chocou como se fosse uma verdadeira contradição. Precisei de tempo e experiência para conseguir entender o paradoxo.

Na minha busca, voltei ao livro de Gênesis, onde vi este versículo: “E havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito” (Gn 2.2). Sabendo que Deus não descansou por estar cansado, tive que lutar, pesquisar, e buscar por muito tempo antes que encontrasse o que o sábado realmente significava. Sem querer ferir o conceito sagrado que alguém possa ter do sábado, este tipo de busca certamente nos mostrará que sua importância real vem do significado de descanso.

 Teologicamente, o significado do sábado é simplesmente que Cristo cessou a sua obra de redenção, exatamente como Deus fez com a sua obra de criação. Assim, a pessoa que entra neste descanso descobre o que é cessar do esforço humano (obras) para alcançar e abraçar a redenção que Jesus nos oferece. Como afirmação teológica, parece clara e simples; para aplicá-la na prática, porém, requer intenso esforço, a fim de poder entrar de fato neste descanso que Cristo adquiriu para nós. Sua declaração na cruz: “Está consumado” nos informa que não há nada a acrescentar à sua obra redentora em nosso favor.


Stress
– Falta de Descanso

As pessoas que vivem na sociedade moderna têm experimentado, desde as últimas décadas, um stress sem precedentes. Stress e ansiedade já não são mais exclusividade das pessoas do mundo; correm soltos no meio do povo de Deus também.

Se reexaminarmos Deuteronômio 28, que é o capítulo da “bênção e maldição”, veremos Deus falando sobre todas as bênçãos que daria ao seu povo, e em seguida sobre os resultados negativos que viriam se este deixasse de corresponder corretamente a ele. O versículo 65 diz: “Nem ainda entre estas nações descansarás, nem a planta de teu pé terá repouso; porquanto o Senhor ali dará coração tremente, olhos mortiços e desmaio de alma”.

Obviamente este e um juízo muito forte da parte de Deus, um sinal de ter perdido algo que Deus queria muito que seu povo tivesse. É um castigo assustador, pois significa que aonde quer que fossem, ou seja o que for que fizessem, não conseguiriam achar descanso! Você pode viajar para o Caribe, ou mudar-se para o interior, mas não resolve nada. “O Senhor ali dará coração tremente, olhos mortiços e desmaio de alma.” Claramente estes sintomas são efeitos da ausência de descanso. Os versículos 66 e 67 revelam o parente do stress, aquele sentimento que aparece a toda hora e em todos os lugares, que se chama ansiedade: “A tua vida estará suspensa como por um fio diante de ti, e viverás sobressaltado de noite e de dia, e não acreditarás na tua própria vida. Pela manhã dirás: Ah! Quem me dera ver a noite! E à tarde dirás: Ah! Quem me dera ver a manhã! Por causa do medo que tomará conta do teu coração, e pelo que verás com os teus olhos.”

Esta tem sido a sua experiência? Já houve muitas vezes que desejei que a noite tivesse acabado, para que eu pudesse ver a luz do dia. Outras vezes quis tanto que aquele dia acabasse logo. É uma descrição perfeita do que realmente acontece.

E no versículo 68: “O Senhor te fará voltar ao Egito em navios, pelo caminho de que te disse: Nunca jamais o verás”. Isto em síntese é um crente que caiu. Daquele lugar exaltado que Cristo lhe deu em Deus, ele agora caiu para uma posição de derrota, quase voltando ao sistema do mundo que havia abandonado. E de alguma forma, tudo começou com falta de descanso.

Dois Tipos de Descanso

Quando Jesus começou a ensinar ao povo, ele estabeleceu um alvo imediato e bíblico para cada pessoa. Mateus 11.28,29 diz: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas.” Esta passagem é muito conhecida por todos nós, mas geralmente não vemos que ela apresenta um alvo ou propósito para nossa vida.

A promessa clara e simples de Jesus é que se eu aceitar o seu convite, ele me dará o dom do descanso sobrenatural (versículo 28). Porém, poucos percebem que ele fala aqui de dois tipos de descanso: o primeiro é um dom, que é o dom da salvação, e que traz descanso de todo e qualquer esforço para merecer sua bênção. O segundo está no versículo 29, onde Jesus oferece seu jugo a fim de aprendermos dele; agora estamos falando sobre um comportamento aprendido.

A parte do descanso que corresponde à salvação não é tão difícil para a maioria de nós. Cremos que Jesus Cristo é nosso Salvador, e realmente descansamos nisto. Nosso problema, mais especificamente, é aprender como descansar em Deus enquanto ele começa a desenvolver seus propósitos nas nossas vidas. Em outras palavras, a maioria de nós precisa lutar intensamente para “aprender dele” esta habilidade, que é justamente como enfrentar a vida a partir da posição de descanso. E este descanso, devo acrescentar, só funciona quando é uma posição autêntica, e não uma imitação.

Você conhece bem a imitação, não conhece? Alguém vem e lhe pergunta: “Como vai, irmão?”E você responde: “Tudo bem. Estou confiando, estou confiando.” Mas por dentro a outra voz está dizendo: “Seu mentiroso, seu mentiroso!” Porque na verdade existe uma outra realidade no seu interior, que não condiz de forma alguma com aquilo que Jesus nos prometeu.

Um pato patinhando furiosamente embaixo da água, ao mesmo tempo que demonstra estar inteiramente tranqüila e em paz na parte superior, seria uma ilustração bastante fiel desta contradição entre uma aparente vitória exterior, e a verdadeira realidade interior. Alguém pode olhar para mim e dizer: “Veja como Bob é tranquilo!”, ao mesmo tempo que internamente meus níveis de stress e ansiedade estão correndo por volta de 1000 rpm.

Descanso não é algo externo; é interno. Leva tempo, mas finalmente teremos de compreender que esta possessão pessoal, que é um lugar de descanso sobrenatural em Deus, é um comportamento aprendido. Para mim, levou uns quarenta anos, mas atualmente estou honesta e profundamente contente com o lugar onde estou, e com o que estou fazendo. Minha alma está em descanso.

Significado do Sábado

A palavra “Sábado” significa desistir ou parar. Muitas pessoas atribuem toda espécie de conotação religiosa ao sábado, mas na realidade só significa cessar ou parar. No sétimo dia, Deus parou! Ele tinha uma condição interior que lhe permitia parar. Nosso problema é que não temos esta condição interior, nem esta disciplina, e simplesmente não conseguimos parar. Mesmo quando meu corpo físico está tentando descansar, minha mente está a 140 quilômetros por hora!

O esforço para entrar no descanso significa alcançar uma disciplina em Deus onde realmente posso parar e cessar minha atividade. Isto pode parecer uma lição básica do cristianismo, mas na prática poucos a conseguem atingir na sua experiência diária.

Alguns anos atrás comecei a descobrir minha incapacidade de parar. Estava vivendo como um louco, na minha tentativa de ganhar o mundo para Jesus. Então Deus permitiu que eu passasse por problemas físicos, várias espécies de pressão, e stress insuportável, a fim de conseguir minha atenção. Na minha ignorância anterior, eu me gabava: “Não preciso de férias, porque gosto do que faço”. Não é impressionante quando pensamos que somos mais fortes que o próprio Criador, e que sabemos fazer melhor do que ele?

É possível ser um cristão “firme” e ainda ter ausência de descanso. Ou seja, posso compreender e aceitar bem o primeiro tipo de descanso, que é o dom da salvação, e não ter nenhuma revelação ou entendimento prático sobre o segundo, que afeta nosso estado interior diário. E é isto que tenho buscado por todos estes anos, tentando entender o que Deus quis dizer quando ordenou que nos esforçássemos para entrar no seu descanso.

Sem descanso, há stress, agitação, e preocupação. Ansiedade é a doença característica dos nossos tempos, e resulta em falhas do coração, pressão alta, crises mentais e emocionais, e ira interna que não encontra vazão. Um médico cristão certa vez me disse: “Bob, creio que 95% dos meus pacientes são psicossomáticos”. Os sintomas físicos aparecem porque as pessoas não encontram “repouso para a planta dos seus pés”. Correm atrás de alvos, vão a lugares, alcançam posições, adquirem possessões, mas nada disso satisfaz os seus desejos.

Ativo ou Passivo?

Auto-sotérico é uma palavra grega que significa salvar a si próprio. Auto-sotericismo ou qualquer coisa que tende para a capacidade humana de salvar a si próprio é heresia. Todas as falsas religiões têm alguma forma de levar o homem a alcançar sua própria salvação, o que significa em última análise que não estou sendo salvo, mas que estou me salvando a mim mesmo. Quando você coloca o prefixo auto na frente de uma palavra, significa que o aparelho ou processo faz tudo sozinho. Assim, a transmissão automática muda as marchas do automóvel sozinha; a pistola automática se carrega sozinha; e assim por diante. Uma doutrina auto-sotérica pode ser muito sutil, mas é um erro fundamental.

Existem duas religiões que estão tomando conta do mundo moderno: humanismo e Nova Era. A premissa fundamental das duas é muito clara: “Nenhuma divindade irá salvar-nos; devemos salvar a nós mesmos”.

Quando você pergunta para alguém se é salvo ou não, e a pessoa responde dizendo algo como: “Eu faço o bem; eu guardo os mandamentos”, o que você percebe? Essencialmente, que ela não conhece ao Senhor, pois guardar os mandamentos, ou fazer algo para ser justo, é auto-sotérico. Com doutrinas auto-sotéricas, fico convencido que sou tão bom quanto você. Minha religião, boas intenções, ou auto-ajuda, resultarão no fim em levar-me para o céu.

Entretanto, a salvação bíblica é passiva, ou seja, estou sendo salvo. Salvação ativa significa que salvo a mim mesmo. No plano bíblico, Deus exige que tomemos a posição passiva. Ele diz: “Se você crê, eu farei”. Se dobrarmos nossos joelhos e confessarmos com nossa boca que Jesus é Senhor como fato da fé, então Deus diz que realizará a dádiva da salvação em nosso favor.

Abandono ao Motorista Divino

Descanso significa entregar a Deus o impulso divino, a iniciativa, e a capacidade, que ele me deu. Por isso, embora desejemos o descanso de Hebreus 4 com todo nosso coração, ficamos inacreditavelmente assustados porque a condição é entregar a Deus o controle sobre nossa vida.

Dizemos: “Senhor, quero entrar no teu descanso”.

E ele responde: “Muito bem, você terá de me entregar o volante – e o acelerador também”.   Ou seja, temos de entregar o controle sobre nosso destino, e também sobre a velocidade para “chegar lá”.

Se você já andou de carona com um péssimo motorista, não será difícil compreender esta ilustração. O motorista barbeiro não consegue imaginar por que você fica tão nervoso. Ele quer que você fique “tranqüilo” enquanto se diverte abusando dos princípios de prudência no trânsito.

Deus não é um motorista imprudente. Mas como seus caminhos são tão diferentes dos nossos, é difícil para nós confiarmos na sua direção. Verdadeiro descanso no sentido bíblico é muito raro. Se nós, como povo de Deus, pudéssemos parecer calmos por fora, e estar genuinamente calmos por dentro, poderíamos enfrentar o futuro vitoriosamente. A ausência de descanso é uma profunda falta de abandono à providência divina, que se origina na auto-suficiência. A ausência de descanso significa que existe algum “gerador” funcionando no meu interior, e aparentemente não consigo desligá-lo. Não estamos falando sobre pecado aberto, mas sobre o esforço para entrar naquilo que Deus nos prometeu. Ter descanso na nossa vida significa ter a tranqüilidade que procede do nosso consentimento com o governo de Deus. Significa que cremos experimentalmente que ele é capaz de cuidar das coisas que colocamos nas suas mãos.

Romanos 8.28 diz: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Esta passagem é tão familiar que a maioria perde o sentido verdadeiro. Uma vez que nos entregarmos ao governo de Deus, ele então passa a fazer todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e são chamados. Deus não faz todas as coisas cooperarem para o bem para todo o mundo. Ele opera em favor daqueles que estão comprometidos em encontrar este tipo de descanso. É uma cláusula muito restritiva. Teologicamente, chama-se abandono à providência divina. Significa a capacidade de Deus de fazer com que a vida e as circunstâncias sirvam aos propósitos dele na sua vida.

Uma vez saí com minha esposa Judith para tirar uma semana de descanso, e levei dez livros de edificação espiritual para ler. Não consegui entender por que ela ficou desgostosa quando viu! Que problema havia em levar alguns livros para ler enquanto estávamos fora? Exteriormente, eu estava de férias, mas o que estava ocorrendo interiormente? O descanso estava fugindo de mim. Mas descanso sobrenatural não é um “pequeno intervalo” ou uma saidinha de fim de semana. Na verdade,    a ausência de descanso bíblico destrói a possibilidade de lazer. Se não entrarmos no descanso de Deus, torna-se impossível aproveitar nosso tempo livre! Nossa sociedade não compreende de forma alguma este descanso que estamos descrevendo. Não estamos falando de lazer para restaurar nossas energias de trabalho. Descanso bíblico é quando você cessa de todos seus esforços auto-sotéricos, e permite que Deus seja Deus. Entregar-se a Deus e à sua providência é algo que ao mesmo tempo é desejável e assustador. Pode levar cinco anos de disciplina para chegarmos ao ponto de dizer: “Bem, se Deus quiser que o negócio dê certo, vai dar certo”.   Isto não é desespero, determinação, ou fatalismo; é confiança. Antes nossa atitude seria: “Este negócio vai dar certo, ou vou fazer com que dê certo!” É por isso que muitas pessoas entram em problema com Deus, com seu cônjuge, com sua família, e até mesmo com seu trabalho.

Descansar é consentir, ou seja, “aceitar passivamente ou sem protesto”. É um ato supremo de fé acreditar que realmente não preciso estar em controle.

“Pequeno Jesus, com licença, chega para lá um pouco, e tomarei conta de tudo isto por ti.”

Um novo convertido numa igreja que eu pastoreava às vezes dizia para mim: “Pastor, se isto for grande demais para Deus resolver, chame a polícia!” Foi quando comecei a entender que eu teria de me “esforçar para descansar”.

Uma vez, enquanto estava no Instituto Bíblico, Judith não tinha dinheiro para comprar leite para nossas duas meninas. Enquanto andava pelo corredor do mercado orando, ela encontrou no chão dinheiro suficiente para comprar dois litros de leite. Esta foi uma vitória tão grande para nós. Fomos impactados pela fidelidade de Deus e pela maneira em que nos supriu. Ficamos tensos e inseguros, mas ele é capaz!

Todos nós já tivemos experiências semelhantes onde Deus parece nos dizer: “Vamos, você já descansou no meu dom de salvação; agora, esforce-se para entrar no descanso aprendido, comece a confiar em mim para o momento presente”.

Ociosidade ou Descanso

Podemos ficar tão confusos pela bagagem semântica que acompanha a palavra “descanso” que acabamos associando-a com a idéia de ociosidade. Se estivermos ociosos ou preguiçosos, jamais conheceremos o descanso. Estamos comprometidos com a vontade revelada de Deus, e para isso nos dedicamos inteiramente. Descanso não é não ter o que fazer; é uma atitude ou posição da minha mente. Posso entrar no descanso porque sei que Deus na sua providência controla todos e tudo em favor daqueles que o amam e são chamados segundo o seu propósito. Por isso, posso me soltar para uma posição de descanso no seu cuidado soberano.

Entrei. Funciona! No momento que ele vê meu esforço para entrar, o Espírito auxilia de uma forma que só aqueles que já entraram poderão explicar. É o sábado. Um dia, pela iluminação do Espírito Santo, o sábado virou um estilo de vida para mim. É um erro espiritual muito sério tentar guardar o sábado como apenas um dia (seja domingo ou sábado). Como Cristo é o nosso sábado, o sábado muda de um dia por semana para um novo estilo de vida. O sábado para mim é um marco do dia em que coloquei tudo de lado (no meu interior) e cessei da agitação. A vida inteira, inclusive o meu lugar no propósito divino de redenção, está agora dentro do seu cuidado e providência divina.

A Pergunta

Quando Deus terminou a criação, ele descansou, contemplou e gostou do que havia criado. A pergunta chave que devemos fazer é: Nós podemos descansar e gostar daquilo que Deus realizou em e através de nós? É uma atitude da mente, uma inclinação da vontade.

Se tenho um negócio, não consigo parar por um dia sequer. Por quê? Por causa do dinheiro, da concorrência, da pressão, das pessoas, das coisas. Tenho que agir, tenho que manter o ritmo, tenho que colocar as coisas em movimento. E assim nunca paramos como Deus fez, para sentir prazer naquilo que foi realizado.

Por que é que não conseguimos pegar no sono? É porque não conseguimos soltar nossas preocupações. Não soltamos o controle. Pensamos sobre cada problema repetidas vezes, e eles parecem crescer em tamanho e velocidade por causa da atenção que lhes damos. Depois que uma determinada ansiedade ou cuidado toma conta da nossa mente, começamos a analisar as possibilidades, pensamos de frente para trás e de trás para frente, dissecamos a situação, até que não há maneira de pegar no sono. Mas se nos esforçarmos para entrar no descanso sobrenatural, com muito mais facilidade obteremos o descanso natural também.

Você tem um problema, uma conta a pagar, uma crise a resolver. Como vai descansar ou dormir? Somente quando no seu coração, você o entrega a Deus, sabendo que seus recursos não resolverão mesmo! Você solta o controle, e desiste de resolver por si mesmo!

Ao convidar-nos para entrar no seu descanso, Deus está nos pedindo para encerrar todo este processo, deixar de brincar de Deus, e dedicar o esforço necessário para entrar no descanso. Se descansarmos, Deus certamente trabalhará. Ele prometeu. Isto foi exatamente o que aconteceu no primeiro tipo de descanso. Para ser salvo, no momento em que confiei nele, ele fez a obra sozinho. A minha vida estava tão perdida e confusa, que quando o Senhor me encontrou, achei que ele tivesse cometido seu primeiro erro! Como podia consertar algo tão quebrado? Mas eu cri, e ele operou. Eu sei que foi uma obra completa, e que não posso acrescentar nada ao que ele fez em meu favor.

Em relação ao segundo tipo de descanso, o comportamento aprendido, o Senhor diz: “Você crê e eu faço a obra”. Veja, ele está dizendo isto para nós como cristãos maduros: “Descansem, e deixem que eu trabalhe”. Surpreendentemente, não é possível imitar este descanso, disfarçar, ou entrar num “meio descanso”. Às vezes entregamos tudo isto a Deus em oração e depois o tomamos de volta antes mesmo de terminar a oração. Há algo sobre a influência do pecado sobre nós que nos torna ansiosos e inseguros com Deus. Por quê? Porque não sabemos se ele fará da nossa maneira. Não só isto, mas talvez ele nem faça o que queremos. Se eu entregar tudo, será que ele cuidará do meu negócio do jeito que eu cuido? Será que cuidará dos meus filhos da maneira que eu quero que faça? Olhando assim, parece um pensamento inacreditavelmente carnal, mas é assim que sentimos. Pensamos que sabemos exatamente como se deve fazer. E assim lutamos continuamente com aquela tendência auto-sotérica de entrar em aliança com Deus, sim, mas de dar uma “mãozinha” para ele, e ajudá-lo a cumprir suas promessas.

Explicação Bíblica

Quando finalmente comecei a entender este segundo tipo de descanso no livro de Hebreus, depois de anos de leitura, estudo do texto grego original e meditação, foi como se estivesse tendo um avivamento particular. As ondas de entendimento espiritual passavam sobre mim em graciosas inundações. Compreendi que os anos de enfermidade física que acabara de passar não tinham a finalidade de “restaurar minha força física e espiritual para que eu pudesse começar meu ritmo frenético outra vez”, mas para revelar-me o seu descanso.

Quero mostrar resumidamente o que Deus mostrou para mim neste livro. “Cristo, porém, como Filho sobre a sua casa; a qual casa somos nós, se guardamos firme até ao fim a ousadia e a exultação da esperança” (Hb 3.6). Aqui tem uma condição específica que Deus requer, e que não é para nossa salvação, pois esta é um dom de Deus. A questão aqui é se vamos entrar nas promessas que Deus nos deu. Ele quer revelar para nós a glória e majestade que pode produzir a partir desta posição de descanso. Estes capítulos de Hebreus falam do descanso ou da herança da terra prometida. E quando o povo de Israel não creu nas promessas, Deus jurou que não entrariam no seu descanso (v.11).

O que aconteceu com o povo que não entrou no descanso de Deus? Deram voltas e mais voltas no deserto, até morrerem. Pessoalmente, não creio que tenham perdido a salvação, pois não era questão disso. O que acontece quando você não entra no descanso espiritual? Você anda em círculos. Não há descanso, não há progresso no plano de Deus.

Milhares de cristãos andam de igreja em igreja, de culto em culto, de situação em situação. Terminam suas vidas, seus ossos ficam esbranquiçados no deserto, e apesar de não se terem desviado da fé, nunca entraram naquilo que Deus tinha para eles. Em contraste, quando cremos em Deus e entramos no seu descanso, a bênção de Deus produz progresso linear, e caminhamos claramente para frente no plano de Deus. Isto é maturidade.

“Não puderam entrar por causa da incredulidade” (Hb3.19). Ou seja, não tiveram confiança para entregar o volante da sua vida a Deus. Podemos até lhe entregar o volante, mas entregamos e tomamos de volta, entregamos e tomamos de volta, tantas vezes, que perdemos a conta.

“E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera” (Hb 4.4). Deus fez, ele próprio, o que está nos pedindo para fazer. Ele terminou sua obra, encerrou, contemplou e gostou.

“Visto, portanto, que resta entrarem alguns nele …” (v. 6), o que inclui a nós também. “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou (cessou, parou) de suas obras, como Deus das suas” (v. 9,10). Aí está o esforço -a necessidade de parar! Cessar de pensamento e raciocínio humano, a inércia da força de nossa vontade, a autodeterminação, o temor de perder o controle. “Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso” (v. 11).

O Juramento

No capítulo 6, a partir do versículo 13, lemos sobre a promessa e o juramento que Deus fez para Abraão. Para que existem juramentos? Por que se exige juramento nos tribunais? Porque é preciso ter seriedade sobre o que será testemunhado ali.

“Pois os homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento servindo de garantia, para eles, é o fim de toda contenda” (v.16). Deus nos deu um juramento, não porque de outra forma quebraria sua promessa, mas porque nossa incredulidade e falta de confiança no caráter e integridade dele são tão grandes, que precisávamos desta segurança maior. É humilhante para nós, pois ele precisou ir a este extremo para combater a força da nossa incredulidade. Com efeito, ele está dizendo pelo juramento que seria duplamente impossível para a pessoa que se apoia, confia, e depende dele ser decepcionada.

Deus deu uma promessa a Abraão, e disse que ele mesmo a cumpriria, e que cuidaria dele. Isto é maravilhoso, mas é assustador. O próprio Abraão tentou resolver por si mesmo e ajudar Deus a cumprir sua promessa. Daí nasceu Ismael, e vieram problemas entre ele e o filho da promessa que continuam até hoje.

Esta foi uma figura do que sempre acontece quando tentamos ajudar a Deus com nosso esforço humano. E resultado de não acreditar na promessa de Deus, e não entrar no seu descanso. É assim também que vivemos a maior parte do tempo, metade na graça de Deus, metade fora, metade nos princípios do reino de Deus, mas na prática sem experimentar a riqueza da herança, porque não misturamos fé com as promessas que recebemos (Hb 4.1,2).

Mas Abraão teve que esperar vinte e cinco anos para receber sua promessa, e segundo Romanos 4.18-20, ele não enfraqueceu na fé, nem duvidou da promessa de Deus por incredulidade! Como pôde? O que ele tinha? Ele tinha exatamente o mesmo que Deus nos deu: um juramento. “Tão certo como eu vivo, toda a terra se encherá da glória do Senhor” (Nm 14.21). Comece a procu rar na Palavra todos os juramentos que Deus nos deu como seu povo. E ficará envergonhado em ver que ainda nos preocupamos em como trazer o avivamento, em como resolver nossos problemas, em como cuidar de nós mesmos! Temos medo do futuro, de perseguição, da economia, do anticristo! E isso apesar de ter a maior garantia de segurança que Deus pôde nos dar! Ele colocou a própria honra, o próprio caráter dele, por trás do seu juramento. Se entendêssemos ao menos um pouco do poder que há neste juramento, poderíamos dizer, sem hipocrisia ou fingimento: “Confio a ti, Senhor, toda a minha vida! Confio em ti pelo meu filhinho. Confio em ti por esta crise.”

“Por isso Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento, para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta” (Hb 6.17,18).

Duas coisas imutáveis, quais são? A promessa e o juramento. Deus jurou que seu Filho seria um sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque (SI 110.4,5). O mundo poderia deixar de existir, e ainda assim o juramento seria mantido, porque Deus não tem como voltar atrás.

Que nossa oração seja: “Senhor, eleva a minha vida para um outro nível. Permite que eu confie em ti para o futuro. Faze com que as pessoas que entram em contato comigo toquem na tua paz, não na minha ira, nem na minha frustração. Que toquem em algo sobrenatural!”

Bob Mumford é um autor de mais de doze livros  “Acerte o Seu Alvo” e “A Patrola de Deus” em portuguê, e um mestre da Bíblia e conferencista internacional, com um raro dom de transmitir verdades da Palavra com autoridade, clareza e humor. Quem quiser entrar em contato com seu ministério poderá fazê-lo no seguinte endereço: LIFECHANGERS, P.O BOX 98088, Raleigh, NC, 27624, EUA, ou por e-mail:
lc@lifechangers.org, ou ainda pelo site na Internet: www.lifechangers.org

Adquira o livro “A Patrola de Deus”: (19) 3462-9893

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *