Enganado? EU?

Data de publicação: 02/12/2011
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Edição 13 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 13

Enganado? Eu? Impossível!

E pensar que eu estava andando no espírito, enquanto, na realidade, eu estava andando na carne. E pensar que eu estava ministrando a Palavra de Deus, enquanto, na verdade, eu estava ministrando de acordo com a minha própria habilidade natural. E pensar que eu estava confinando em Deus, enquanto, na verdade, eu estava confiando em mim mesmo. E pensar que eu estava andando na sabedoria de Deus, enquanto, na realidade, eu estava andando na sabedoria do homem e talvez, na sabedoria demoníaca. E pensar que eu era livre, enquanto era escravo.

Será que todas essas afirmações sobre mim poderiam ser verdadeiras? Será que eu poderia estar tão enganado a ponto de a minha alma não saber distinguir entre trevas e luz, escravidão e liberdade? Afinal de contas, eu já havia nascido de novo havia 12 anos, eu não era um bebê novo convertido em Cristo. Eu era um cristão maduro, cheio do Espírito Santo, um conselheiro, um mestre da Palavra, era convidado para falar em seminários e em outros países. Essas coisas não podiam ser verdade! Confundir o poder ungido da Palavra durante a minha pregação com a manipulação da alma dos ouvintes?

Enquanto eu ponderava esses pensamentos naquela noite silenciosa, no meu quarto, na Polônia, quase do outro lado do mundo, não podia acreditar que tinha sido enganado pela minha própria carne. Eu me considerava mais espiritual do que a maioria e imune a tal engano. Pensei: “Será que pode ser verdade?”

Eu e um pequeno grupo de três conselheiros e mestres da Palavra de Deus fomos convidados para ministrar vários seminários intensivos e um seminário para pastores no sul da Polônia. Estávamos ministrando várias vezes durante o dia e dando aconselhamento nos intervalos havia uma semana e meia. Uma noite, iniciei uma conversa com Jean Orr, uma das pessoas da equipe. Jean era uma mulher de Deus e era grandemente usada pelo Senhor no ensino da Palavra e no aconselhamento. Ela era uma grande amiga. Ao conversarmos naquela noite, após a reunião, pedi a Jean que me aconselhasse quanto ao meu próprio casamento. Eu me sentia frustrado em meu casamento, pois, aparentemente, minha esposa Jan vivia fechada e deprimida e, conseqüentemente, ela não me apoiava e não apoiava o meu ministério. Freqüentemente, ela me transmitia que não se sentia valiosa ou importante e que eu não a amava.

Eu sabia que, na verdade, eu era o causador desses sentimentos em Jan, os quais estavam relacionados à forma como eu me relacionava com ela como marido. Mas eu  não sabia como ajudá-la a se sentir amada e valiosa para mim. Eu amava Jan e tinha feito tudo o que eu sabia para convencê-la do meu amor. Fiquei confuso porque, embora eu me esforçasse, eu não conseguia mudar seus sentimentos.

Jean me perguntou se eu realmente gostaria de saber o que o Senhor achava e por que eu não conseguia mudar minha situação matrimonial. Ela mencionou que Deus lhe havia revelado algumas coisas quanto a essa problema, mas ela desejava saber se eu estava disposto a permitir que o Senhor apontasse o erro e me mudasse. Eu disse que estava.

Então, Jean começou a compartilhar comigo os sentimentos que o Senhor lhe havia dado. Ela disse: “Parece que você está acreditando que a maioria das áreas em seu casamento que não está funcionando ou frutificando é culpa de Jan. Você a considera como a causadora dos danos em seu casamento. E, devido a essas percepções, você transmite essa mensagem a outros e realmente acredita que está andando no espírito, sendo obediente a Deus e aturando esses problemas de uma maneira bem espiritual e madura. Você se considera muito paciente e justo para suportar Jan quando ela se sente infeliz ou deprimida. Mas você também manipula outros para que eles concordem com você: “Pobre Craig! Ele precisa aturar uma esposa tão infeliz e com tantos problemas! Isso é verdade, não é?”

Depois que Jean falou essas coisas, senti que meu estômago revirava, enquanto o Espírito Santo me convencia daquelas palavras. Então, eu respondi: “É verdade.”

Jean continuou: “A verdade é que você está andando em orgulho e em justiça própria. Você se sente muito justo por ser tão “amável” com Jan, apesar dos problemas dela. Mas, na realidade, você não está sendo amável. Você não está sendo motivado no seu espírito a suprir as necessidades dela com o amor de Jesus. Você está simplesmente usando a Palavra como uma lei em sua mente para tentar fazer o que você acredita ser “santo” e “espiritual” e o resultado óbvio é a morte. Você não está trazendo luz a Jan.”

“Craig, você está muito ocupado em busca dos seus objetivos e projetos. Muitos deles provêm do Senhor, mas você os executa na carne e você estabelece seus objetivos e planos acima de Jan, e ela não se encaixa neles. Você a intimida e continua na busca de suas conquistas e realizações. Ao fazer isso, você a oprime. Constantemente você transmite que seus projetos, objetivos e outras pessoas são mais importantes dc que ela. Você está criando e alimentando a desvalorização e a falta de amor que Jan esta sentindo. Os problemas que você considera serem de Jan são simplesmente fruto de sua motivação carnal que o leva a alcançar e realizar coisas para você se sentir valorizado, honrado e estimulado. Você está forçando, esmagando e desvalorizando sua esposa. Além disso, ao fazer isso, você se sente muito espiritual e justo.”

Jean continuou: “Na área do seu casamento, você está andando no poder da sua própria carne e no poder racional da sua própria mente e você não sabe disso. Você acha que está andando no espírito. Essa não é a única área da sua vida na qual você faz isso, Craig. Você também faz isso, inconscientemente, ao ensinar a Palavra.”

“Sabe, Craig, seu ensino é muito bom. É bem organizado e segue uma seqüência. Você tem boas ilustrações para expressar suas pensamentos. Seu ensino é bem planejado, é apresentado de maneira clara e é cheio de verdades bíblicas. Mas, na maior parte do tempo, não contém um pingo da unção de Deus. Seu ensino é apenas intelectual. Está na sua mente e flui saindo da sua mente humana, passando pelos seus lábios, chegando aos ouvidos das pessoas e ficando ali, em suas mentes humanas. Ele não vem do seu espírito, não acrescenta nada ao espírito dos outros e não tem unção.”

“Seu ensino sai da sua mente para as mentes deles. Os ouvintes o recebem intelectualmente e o armazenam como uma informação bíblica muito interessante, mas suas vidas não são transformadas. Suas mentes não são renovadas pela Palavra porque seu ensino não é ungido. Você está bloqueando a unção com o poder da sua razão natural. Você usa um discurso talentoso e palavras atraentes de sabedoria, mas elas provêm da sabedoria humana. Elas fazem a cruz de Cristo inválida na sua vida e na vida dos ouvintes. Você não confia o seu ensino a Deus, mas na sua habilidade natural de extrair os princípios bíblicos da Palavra e transmiti-los aos outros. Você é muito bom nisso e as pessoas reconhecem isso, entretanto, as vidas dessas pessoas não são transformadas. Essa sabedoria é humana e não é ungida.”

Jean compartilhou certas situações em que eu havia ferido outras pessoas por meio do sarcasmo, da crítica, de observações e do humor irônico.

“Craig, você, freqüentemente, tenta se exaltar ao ressaltar os erros ou a falta de conhecimento dos outros. Freqüentemente, suas piadas e seu humor são feitos às custas das outras pessoas. Algumas vezes você é sarcástico e irônico. Essas coisas não estão edificando as pessoas ao seu redor, pelo contrário, você as está ferindo.”

Jean continuou compartilhando que todas aquelas qualidades não procediam do meu espírito nascido de novo, mas emanavam do pecado em minha carne, o qual, por meio do engano, havia escravizado minha mente, minha vontade e minhas emoções. Além disso, sem que eu percebesse, aquilo me havia prendido à lei do pecado e da morte.

Ao retornar ao silêncio do meu pequeno quarto naquela noite, eu estava emocionalmente devastado. Jean, uma mulher de Deus, simpática e amável, não havia falado aquelas palavras em julgamento ou condenação, mas com amor e com encorajamento. Porém, uma parte de mim fora profundamente ferida, e eu não queria aceitar tais palavras. Eu sabia que alguns aspectos do que ela havia compartilhado eram verdadeiros.

Entretanto, eu achava que nem tudo era verdade em outros aspectos da minha vida, e isso fez com que eu ficasse irado com ela.

Depois, enquanto minhas emoções se acalmavam, comecei a orar e pedi ao meu Pai Celeste que me revelasse a verdade. Na medida em que eu esperava no Senhor, aquela convicção interior continuava sussurrando como um vozinha me dizendo que tudo o que Jean havia dito era verdade, mesmo as partes que eu não conseguia ver e pensava estar certo. O Espírito Santo me disse que aquilo era verdade. E eu perguntei: “Tudo, Senhor?”

E ele respondeu: “Tudo isso é verdade.”

Quanto mais eu permitia que o Espírito Santo revelasse a verdade sobre mim, maiores eram a convicção e o remorso. Fui levado ao arrependimento. O Senhor me disse que, ao permitir que ele expusesse o controle da minha própria carne, a verdade me libertaria. Antes disso, eu nem sabia que eu continuava em escravidão. O Senhor me relembrou de que essa era a mesma situação dos judeus, que acreditavam em Jesus, mas não estavam conscientizados de sua própria escravidão ao pecado em sua carne.

“Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres? Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”(Jo 8.31 -36).

Extraído do livro “Enganado? Eu?”por Craig Hill, publicado pela Bless Gráfica e Editora Ltda.
Para pedidos, ligue: (19) 3462-9893

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” ENTRE ASPAS “

“Pela minha experiência, diria que não há maior problema na igreja de hoje que a ambição pessoal no ministério.”
Derek Prince

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