Última Palavra: “Eis Que Faço Coisa Nova!” (Is 43.19)

Data de publicação: 23/05/2012
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Edição 71 e Revista Impacto - 1998 a 2014.

Por: Harold Walker

Tenho-me encontrado ultimamente com alguns amigos com 60 e poucos anos (alguns com 50 e muitos!) que manifestam um sentimento que, para mim, soa muito estranho. Um deles usou uma ilustração que o resumiu muito bem: “Sinto-me como uma bananeira que já deu o cacho!” Ora, os agricultores sabem que bananeira que já deu cacho ocupa o solo inutilmente, nunca mais produzirá nada e, quanto mais rapidamente for tirada, melhor para deixar espaço e nutrientes para os brotos novos.

Para mim (que já estou com 50 e poucos!), isso não pode ser verdade, e acredito que os fatos me apoiam nesse pensamento. Tenho dito o seguinte para alguns desses amigos: “Você pode estar começando a década mais importante e produtiva de sua vida!” De fato, para usar apenas um exemplo, dez do total de 44 presidentes dos EUA começaram a exercer seu mandato nessa década estratégica (60 a 70 anos de idade). É nessa fase da vida, antes que a fraqueza da idade mais avançada comece a sugar as energias e após adquirir uma sabedoria valiosa por meio de tantos erros cometidos na juventude, que o homem pode produzir mais fruto!

O tema dessa edição da Impacto é a preparação da nova geração. Espero que o leitor tenha ficado realmente “impactado” com a importância estratégica desse assunto. Não basta servirmos bem à nossa própria geração; precisamos deixar a próxima numa posição mais avançada do que a nossa. Não basta termos um ministério frutífero; precisamos preparar a próxima para dar mais fruto do que nós.

Sinto, porém, que é muito importante ressaltar, que na última geração antes da volta de Cristo, acontecerá um fenômeno inédito, maravilhoso, assombroso! A geração mais velha não passará o bastão para a seguinte – terminarão a corrida juntos! Assim como Calebe e Josué não morreram no deserto com a geração deles, mas entraram na terra com a geração nova (lembrando que Josué não só entrou, mas foi quem liderou a entrada), da mesma forma haverá uma geração final que não morrerá, mas ajudará a conduzir a geração nova para a plenitude de sua herança em Cristo.

É justamente por isso que a Igreja será mais gloriosa do que nunca. Ela desfrutará a sabedoria, a experiência, a maturidade e o quebrantamento da geração velha e, também, o idealismo, a paixão, a energia, a motivação e o desprendimento da geração nova. Os pais não só aprenderão tudo o que foi dito nos artigos dessa edição – como discipular os mais novos –, mas também saberão como trabalhar em conjunto com eles.

Creio que a profecia de Malaquias sobre o ministério de Elias, de converter o coração dos pais aos filhos e dos filhos aos pais, refira-se a isso. Não pode significar apenas uma conversão no leito de morte, em que o pai reconhece a autenticidade das iniciativas do filho, e o filho reconhece a validade das opiniões do pai para que, então, o pai dê o último suspiro e parta para a eternidade. Para mim, significa que o abismo intergeracional será superado definitivamente, e as duas gerações compreenderão uma a outra. Assim, haverá uma liberação de poder e vida espiritual na Terra nunca vista até então. Como predito por Joel, os velhos sonharão, e os jovens terão visões (Jl 2.28).

Para que isso aconteça, entretanto, é necessário que os “velhos” tenham o mesmo espírito de Calebe: “…ainda hoje me acho tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força então, tal é agora a minha força, tanto para a guerra como para sair e entrar. Agora, pois, dá-me este monte…” (Js 14.11,12). Também é necessário que os “jovens” tenham a atitude de Salomão ao assumir o reino, quando disse: “Agora, pois, ó Senhor meu Deus, tu fizeste reinar teu servo em lugar de Davi, meu pai. E eu sou apenas um menino pequeno; não sei como sair, nem como entrar… Dá, pois, a teu servo um coração entendido…” (1 Rs 3.7,9).