Editorial 50

Data de publicação: 04/08/2011
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Edição 50 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 50

Por: Conselho Editorial

Brava Gente Brasileira – Histórias Ainda Não Contadas

É difícil acompanhar as notícias nacionais ou internacionais sem ser tomado por um senso de pessimismo, de desesperança, de ausência de perspectiva. Muda-se o partido político, mudam-se ministros e chefes de departamentos, alternam-se os protagonistas no cenário mundial, lançam-se novos projetos, novas siglas, novas leis, novas reformas – no entanto, não muda o estado de corrupção, o processo cada vez mais acelerado de aquecimento global, a miséria, a ineficiência, os conflitos.

No campo do cristianismo, o quadro não é muito diferente. Podemos falar de números e ficar até entusiasmados. Estatísticas presumem mais de 26,1 milhões de evangélicos (dados do ano 2000) no Brasil. Com uma taxa de crescimento elevada, mesmo se comparada ao crescimento da população (7,43% ao ano – Evangélicos, e 1,63% ao ano – população), 50% da população brasileira serão evangélicos em 2022. Se considerarmos também o revigoramento espiritual dos católicos, a fé cristã aparenta estar de vento em popa no Brasil.

Há outras estatísticas não tão animadoras, porém. A comparação do padrão moral de comportamento dos cristãos com o da sociedade em geral revela que praticamente não há diferença (saúde dos casamentos, honestidade, administração das finanças pessoais, caráter, atitudes de políticos cristãos) entre eles. Assim como surgem novos escândalos a cada dia na política, somos surpreendidos e abalados também com as notícias decepcionantes de falhas, hipocrisia e enriquecimento ilícito por parte de líderes cristãos.

O problema, porém, não é uma questão apenas de comportamentos inadequados ou de lideranças falhas. Sob muitos aspectos, ser cristão hoje é pertencer a uma “comunidade de inconscientes”, que, venerando os ídolos evangélicos de sucesso, vaidade espiritual e crescimento triunfal, é paralisada e insensibilizada pelo próprio auto-interesse e pela busca infindável de satisfazer suas próprias necessidades. Ninguém há “que clame pela justiça” (Is 59.4) ou que suspire e gema pelas abominações (Ez 9.4); não defendem o direito do órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas (Is 1.23).

Na verdade, nada disso deveria nos surpreender; as Escrituras deixam muito claro que nos últimos tempos haveria aumento de maldade no mundo, sobrecarga dos cuidados deste mundo, esfriamento do amor entre os cristãos e operação crescente do mistério da iniqüidade até que seja manifesto o iníquo (Mt 24.12; Lc 21.34; 1 Tm 4.1-3; 2 Tm 3.1-5; 2 Ts 2.3-12).

No meio de tanta degeneração e do aumento de calamidades naturais e fracassos humanos, há uma outra história sendo escrita que raramente é notada pela mídia secular (ou religiosa). É a história dos luzeiros, indivíduos às vezes sozinhos, anônimos, sem amparo dos poderosos, quer da sociedade, quer da própria igreja, que brilham ainda mais fortes no meio da geração pervertida e corrupta dos nossos tempos (ver Fp 2.15).

“Ninguém vai fazer nada?”, às vezes perguntamos diante das injustiças e maldades que vemos tomando conta do nosso mundo. E o senso de incapacidade, de inutilidade de se tentar lutar contra males tão grandes e universais nos domina e nos deixa paralisados.

Precisamos abrir os olhos e descobrir que alguém está fazendo alguma coisa, sim. Pode ser uma gota de água no imenso deserto da miséria, uma luz fraquinha e trêmula na densa noite de trevas, no entanto é o prenúncio do caudaloso rio de vida que está para brotar na Terra, do raiar prometido do novo dia.

Há mais de seis meses, nasceu no nosso coração (do Conselho Editorial da Revista Impacto) o desejo de chamar a atenção dos leitores para alguns desses luzeiros solitários e fiéis espalhados pela nação brasileira. É claro que existem pessoas semelhantes em todo o mundo, mas queríamos mostrar exemplos mais próximos, para que ninguém pudesse dizer: “Ah, sim, eles fizeram isso por lá, mas aqui não daria certo!”.

Estamos dedicando toda esta edição, a de número 50, para mostrar alguns quadros representativos de pessoas que foram tocadas por Deus e que se arriscaram a obedecê-lo, de forma bem singular, dentro do seu próprio contexto particular. Não tentaram se enquadrar num padrão de “obra de Deus” já conhecido, nem ficaram esperando até que achassem um apoio de fora. Começaram, muitas vezes, com algo bem pequeno e insignificante, porém diferente dos modelos comuns e seguros já existentes e, contando com a criatividade e fidelidade de Deus, desenvolveram algo singular, apropriado para aquela situação específica em que foram inseridos.

Como você pode ver, esta é uma edição especial, não só pelo conteúdo, mas também pelo fato de ser impressa totalmente em cores. Nossa oração é que muitos leitores sejam despertados para as multiformes possibilidades de servir ao nosso Deus empreendedor e criativo em seus próprios contextos particulares, de acordo com o chamado e os talentos de cada um.

Como há muitos outros testemunhos que não puderam ser incluídos nesta edição, pretendemos abrir uma seção especial nas edições futuras para continuar publicando os relatos singulares desta Brava Gente Brasileira, os verdadeiros heróis desta nação e do povo de Deus.

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