É Hora Para Heróis, Não Covardes!

Data de publicação: 21/11/2011
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Edição 19 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 19

Por: Rick Joyner

“Mas, o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará proezas.” Daniel 11.32

Diante dos acontecimentos recentes dos ataques terroristas, e dos desdobramentos diários que continuarão a surgir por muito tempo pela frente, temos perguntado constantemente o que Deus está falando conosco através destas coisas. Paralelamente, ou talvez colocando a mesma pergunta de uma outra forma, devemos nos questionar sobre o que vamos fazer como resposta a tudo isso. Que tipo de atitude devemos ter?

Os governos civis têm um tipo de mandato da parte de Deus, e sua responsabilidade é usar a espada para castigar os que praticam o mal (Rm 13.1-4). Não nos cabe aqui analisar, defender ou criticar a aliança de países que estão combatendo o terrorismo através de armas bélicas; a Palavra apenas afirma que receberam autoridade da parte de Deus para fazer isso e que cabe à igreja se sujeitar a essas autoridades. Observemos também que Paulo escreveu estas orientações sob um governo totalitário, pagão e muitas vezes repressor.

O que interessa para nós como cristãos é nossa responsabilidade como igreja. O nosso mandato, a nossa guerra, e a nossa responsabilidade são bem diferentes, mas não menos desafiantes ou decisivos. Aliás, como os acontecimentos espirituais determinam o que sucede no mundo visível, nossa responsabilidade é bem maior, e os ataques contra nós mais violentos.

Em primeiro lugar, devemos lembrar que nós, como cristãos, somos cidadãos de um reino que não pode ser abalado. No meio de tudo que acontece no mundo, de todos os ataques e desastres e tragédias que ainda virão sobre o mundo, nosso primeiro foco é no Senhor e no seu trono inabalável nos lugares celestiais. Nunca foi mais crucial que aprendêssemos a permanecer na paz de Deus que não depende das circunstâncias terrestres, mas do poder do nosso Deus Todo-poderoso. Vencemos o mal com o poder contrário do bem, e o oposto ao temor e ao pânico que o inimigo tenta semear em todos é a paz de Deus.

Outro ponto importante é que, mesmo tendo as profecias da Bíblia que prevêem e preparam para os acontecimentos do fim, na melhor das hipóteses “vemos como em espelho, obscuramente”, e “conhecemos em parte” (1 Co 13.12). Isto faz parte do plano de Deus, de levar todo seu povo a conhecer sua voz, e a buscá-lo continuamente por direção. Nossa paz não vem por conhecermos de antemão tudo que vai acontecer, mas por estar firmados naquele que está em controle de tudo. Podemos ter conhecimento dos principais pontos do plano de Deus para o fim dos tempos, mas os detalhes pertencem somente a ele, e teremos de depender sempre dele para conseguir passar por tudo que sobrevirá ao mundo e a nós.

Como sempre, Deus manteve bastante mistério sobre os acontecimentos do novo milênio. Enquanto todos esperavam crises e catástrofes com a passagem do milênio por conta da mudança de data nos sistemas de informática (conhecido como Y2K), a crise que introduziria o século XXI foi outra, que começou agora no dia 11 de setembro. Porém, quem começou a se preparar para enfrentar dificuldades mundiais naquela ocasião, certamente está mais pronto para esta crise, pois o importante é saber que estamos vivendo em dias difíceis e precisamos saber onde colocar nosso coração e nossos alvos.

Portanto, nossa grande preparação para tudo isso não é algo exterior, mas interior; aprendendo a permanecer no Senhor que é o Príncipe da Paz. Devemos andar em paz, e semear a paz do Senhor por onde andarmos. Lembre-se: é o “Deus da paz” que esmagará a Satanás sob nossos pés (Rm 16.20).

Uma palavra que comecei a ouvir de Deus no dia da tragédia foi sobre “heróis”. No início não compreendi, mas aos poucos o Senhor foi me dando luz a esse respeito. Um herói é alguém que toma ações decisivas dentro da crise. É isto que o Senhor quer que seu povo faça nesta, e em todas as crises.

Muitos acham que já estamos nos primeiros estágios da grande tribulação, que logo virá o anticristo, e que não há nada que possamos fazer. Sem querer discutir escatologia, a idéia predominante de que a igreja nem passará pela tribulação contribui muito para um efeito muito errado que traz passividade e paralisia para o povo de Deus. Veja por você mesmo o que diz a Palavra de Deus:

“Dele sairão forças que profanarão o santuário, a fortaleza nossa, e tirarão o sacrifício diário, estabelecendo a abominação desoladora. Aos violadores da aliança, ele, com lisonjas, perverterá, mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará proezas” (Dn 11.31-32).

A igreja não pode ficar apática no momento em que mais precisa ser a luz do mundo, o sal da terra. É a natureza daqueles que realmente conhecem a Deus demonstrar força e entrar em ação, mesmo diante do anticristo. O Cristianismo não é passivo, e não é fatalista.

Um exemplo disso foi a ação heróica dos passageiros do quarto avião seqüestrado, que foi o único a não atingir o alvo terrorista (ver “O Herói do Vôo 93”). Podemos nunca saber todos os detalhes, mas alguns tomaram uma decisão e sem dúvida salvaram muitas vidas. Usaram sabedoria, e demonstraram força e decisão. Aqueles que têm luz brilharão mais ainda nas trevas, e levarão muitos à justiça.

Não deixe ninguém criticá-lo por usar épocas de crise para levar outros a Jesus. Alguns chamam isso oportunismo. Mas o que adianta nossa fé se não podemos oferecê-la àqueles que estão angustiados em tempos de trevas? Não é oportunismo, é responsabilidade espiritual.

Não devemos deixar as vozes daqueles que estão em confusão, e nas trevas, nos desviar do nosso principal propósito aqui: de demonstrar força e agir. Podemos estar aqui exatamente “para tal tempo como este” (Ester 4.14), para que o Senhor mostre ao mundo algo através de nós.

No Salmo 115.16, Deus declara: “Os céus são os céus do Senhor, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens”. Deus delegou autoridade aos homens sobre a terra que nem ele usurpará das suas mãos. É por isto que Deus não fará certas coisas na terra até que seu povo ore, mesmo já sabendo do que precisamos, ou o que deve ser feito. Somos seu corpo, e ele quer agir através deste corpo. Precisamos discernir conceitos errados sobre a soberania de Deus que têm o efeito de paralisar a igreja nestes momentos mais decisivos em que precisamos estar prontos para agir.

O grande autor C. S. Lewis, no seu livro de ficção, Perelandra, ilustra bem este princípio. Na sua história, o personagem Ransão está combatendo o inimigo demoníaco que tenta seduzir um novo mundo que acaba de ser criado. Quando Ransão clama em desespero: “Deus, por que não faz alguma coisa?”, o Senhor simplesmente lhe responde: “Ransão, você é o que estou fazendo”.

Já ouvimos muitas vezes que a única maneira para o mal prevalecer é quando as pessoas do bem não fazem nada. É uma frase verdadeira. Mesmo que estivermos vivendo durante o tempo em que o anticristo domina o mundo por um tempo, isto só deve acontecer sobre nossos cadáveres –  literalmente! Devemos aceitar a morte voluntariamente antes de deixar o mal prevalecer. Vale a pena morrer por estas causas, e certamente não vale a pena viver se para isto tivermos de compactuar com o mal.

Parece que houve dezenove seqüestradores dispostos a morrer pela sua causa, e levaram milhares de pessoas juntos. O Senhor está procurando mártires também. Na promessa de Atos 1.8: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas”, a palavra “testemunha” no grego é “martus” de onde tiramos a palavra “mártir”. Paulo dizia que morria diariamente (1 Co 15.31). Ele fazia isto por não viver para si mesmo, mas para o Senhor. Dia e noite procurava a vontade do Mestre, e a fazia. Quando o Senhor encontrou um punhadinho de homens e mulheres assim, conseguiu transtornar o mundo inteiro através deles. Porém, não tiraram a vida de ninguém, vieram para dar a vida.

Se aqueles homens enganados pelo mal puderam agir de modo tão ousado e corajoso em favor das causas que serviam, e gastar anos se preparando para isso como fizeram, quanto mais deveríamos estar dispostos a nos preparar, e depois a agir quando a oportunidade vier.

Martírio radical é o que vai prevalecer nestes tempos por vir, seja para o bem, seja para o mal. Cristianismo morno é o pior estado em que um crente pode cair, de acordo com Apocalipse 3.15-22:

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!  Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;  pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu… Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te…”

Está na hora dos cristãos serem mais radicais para sua fé do que os enganados são em favor da sua. O Senhor não julga a força ou qualidade de uma igreja pela qualidade dos seus cultos no domingo, mas pela qualidade do povo na segunda-feira de manhã. A igreja não é um culto, mas é formada por pedras vivas, que para formar a igreja verdadeira, devem estar vivas com Deus cada dia da semana. Devemos andar em fé, não em temor. Precisamos basear nossas decisões na fé em Deus, não no temor daquilo que o diabo pode fazer. Sejamos determinados a viver pelos princípios da honra, da integridade, e das boas obras que são condizentes dos filhos e filhas do Rei.

Enquanto os governos civis cuidam da guerra contra os instigadores do terrorismo, nosso papel como igreja é vencer o mal com o bem. Para isso, devemos estender a mão e demonstrar amor e hospitalidade aos estrangeiros entre nós, aos muçulmanos ou árabes, ou qualquer outra minoria rejeitada que encontrarmos. Talvez os órgãos competentes como o FBI dos EUA e outros tenham falhado em proteger seus países dos ataques, mas será que a igreja cumpriu seu papel na intercessão, na dedicação, e no amor prático demonstrado a todos que estão ao nosso redor?

De acordo com 2 Coríntios 10.4-6, nossas armas para esta guerra não são carnais. Isto significa que não lutamos com balas, tanques ou aviões, mas com algo infinitamente mais poderoso. Nossa arma principal é a verdade da Palavra de Deus, e isto é mais poderoso do que qualquer arma que o homem jamais conseguirá inventar. Ao ser desafiado pelo próprio diabo, o Filho de Deus respondeu com as Escrituras.

Que verdades devemos usar nesta situação? O terrorismo é usado para controlar as pessoas por meio do temor. Se é esta a arma que o inimigo deseja usar, devemos ser determinados como cristãos a viver pela fé, e procurar semear a fé por onde andarmos. É melhor morrer do que viver em temor, como vemos em Apocalipse 21.7,8:

“O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho.  Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.”

Vemos aqui que os covardes estão contados entre os incrédulos, os abomináveis, os assassinos, os impuros, até entre os feiticeiros e idólatras.

Covardia não tem lugar na vida cristã. Se somos verdadeiros crentes, não é possível ser covardes. Verdadeiros crentes devem ter mais confiança e coragem nesta vida do que qualquer outra pessoa, porque conhecemos e servimos ao Rei dos reis, que está acima de toda autoridade e poder e domínio. Quem deveria ter mais coragem nesta vida do que aqueles que sabem que têm vida eterna? Na proporção em que o temor nos controla, torna-se senhor da nossa vida no lugar de Cristo. Na medida em que tememos coisas terrenas, nesta mesma medida não acreditamos realmente na mensagem que vem do alto.

Podemos argumentar que todos sentem temor e ansiedade em épocas como esta. Isto é verdade até um certo ponto. Entretanto, aqueles que permanecem no Senhor estão firmados num reino que não pode ser abalado. Se estes eventos terroristas nos tomaram de pavor, e nos levam a fazer ou a não fazer algo por temor, é um claro indício da fraqueza da nossa fé. Se nossas vidas estão se abalando, é porque edificamos nossas vidas nas coisas deste mundo ao invés de o fazer no nosso relacionamento com o Rei dos reis. Esta é uma chamada para voltar ao Senhor, e para andar por fé nele, não pelo temor do homem, ou das circunstâncias.

Se viermos a perder o emprego em conseqüência destas turbulências e ficarmos com medo sobre como vamos sobreviver, é um sinal claro de que edificamos nossa vida atual pela nossa vontade própria, e não em obediência a Cristo. Se temos vivido em obediência a ele, temos uma Fonte que há de suprir todas nossas necessidades, e portanto, não precisamos ficar ansiosos.

Como cristãos, fomos chamados para ser escravos de Cristo, para viver para ele e não para nós mesmos. Um escravo não gasta livremente seu dinheiro, porque não é dele; pertence ao seu Mestre. Se fomos constituídos mordomos de muitos recursos, todavia ainda somos apenas mordomos. Se fomos servos bons e obedientes, não temos nada a temer de circunstância alguma na terra. Se não fomos, temos de nos arrepender. Como C. S. Lewis notou, em Cristo a estrada errada nunca vira a estrada certa. A única maneira de voltar para a estrada certa é voltar para o lugar onde perdemos o caminho, onde viramos no lugar errado. E isso é o que significa arrependimento.

Já mencionamos o fato de que a mornidão é o pior estado em que um cristão pode cair. Pois isto logo levará à frieza, como o Senhor advertiu em Mateus 24.12,13:

“E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos.  Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.”

Isto acontecerá com quase todos no fim, ele nos adverte. Recebemos um alerta pela graça de Deus. É uma oportunidade de voltar para o lugar onde começamos a nos afastar de Deus, e de nos voltarmos para ele. É uma oportunidade de ver a fragilidade da nossa fé e de determinar que nossa fé em Deus é o tesouro mais precioso que temos, que deve ser prezado e vigiado acima de qualquer outra possessão.

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Oremos Pelos Cristãos no Mundo Islâmico

Líderes islâmicos no Paquistão declararam que para cada muçulmano morto, vítima dos ataques anglo-americanos no Afeganistão, dois cristãos serão assassinados. Antes destas declarações, um ex-membro da assembléia legislativa do Paquistão, nacionalmente conhecido e ligado a movimentos extremistas islâmicos, Maulana Sami ul-Haq, já havia dito a jornalistas que o Alcorão afirma que judeus e cristãos são inimigos do Islã e portanto devem ser eliminados.

Enquanto isto, a perseguição a cristãos continua. Templos e escolas cristãs estão sendo destruídos. Em Rawalpindi cinco famílias cristãs foram arrastadas de suas casas e selvagemente espancadas durante protestos antiamericanos.

Muitos cristãos no Paquistão, Nigéria e pelo resto do mundo islâmico estão temerosos. Eles têm vivido sob intimidação e medo, na expectativa de uma maciça e violenta represália por parte de muçulmanos furiosos com os ataques americanos e de seus aliados. Segundo organizações cristãs internacionais, nunca a situação de minorias cristãs no mundo islâmico esteve tão precária.

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