Devocional – Um Propósito: Revelar a Plenitude de Cristo!

Data de publicação: 18/11/2011
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Edição 20 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 20

Por: Francis Frangipane

A virtude de qualquer instituição não está tanto nas suas doutrinas nem na sua organização; pelo contrário, manifesta-se pela qualidade de pessoa que produz.

Cristianismo ou Semelhança a Cristo?

Temos instruído a igreja em quase tudo, menos em tornar-se discípulos de Jesus Cristo. Enchemos as pessoas com doutrinas ao invés de enchê-las com a divindade; entregamo-lhes manuais no lugar de Emanuel. Não é difícil reconhecer alguém como sendo de tradição pentecostal, batista, ou outra entre as várias que existem hoje. Quase toda igreja aparentemente acaba desenvolvendo uma característica peculiar, ou um sistema de tradições, algumas das quais em última análise obscurecem a simplicidade e a pureza de devoção a Cristo. Isto é errado? Não necessariamente, mas nunca será suficiente. Nosso alvo é ser como Jesus, não como os homens; queremos o Reino de Deus, não uma modalidade de cristianismo ocidental.

Desta forma, enquanto honramos a todos os homens e respeitamos as várias tradições eclesiásticas, temos de vigiar a fim de permanecer apaixonadamente focados no Espírito e nas palavras do Senhor Jesus, incessantemente procurando alcançar os santos padrões do Reino de Deus. Qualquer outro alvo além do próprio Cristo em plenitude se tornará uma fonte de engano para nós nos dias vindouros.

Veja o que Jesus fez com homens comuns. Em apenas três anos e meio, homens e mulheres comuns foram transformados em discípulos destemidos, literalmente cheios do Espírito de Deus! Não se recuavam diante do sofrimento, não fugiam do sacrifício. Estas pessoas comuns foram equipadas com autoridade espiritual sobre demônios, e exerciam poder sobre doenças! Eram uma prova viva de que Cristo transforma as pessoas. Três anos e meio de Jesus sem mistura produzirá em nós o mesmo que fez nelas: o Reino de Deus!

Aqueles homens eram tão comuns e humanos quanto nós. A diferença entre eles e nós é Jesus! Ele é a única diferença.

Alguém pode argumentar: “Isto ocorreu há dois mil anos atrás”. É verdade, mas “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13.8). Mas você responde: “Eles realmente ouviram Jesus falar; viram seus milagres!” O mesmo Espírito que operava através de Jesus então foi derramado sobre nós hoje. O Espírito Santo não ficou velho nem débil; tampouco se tornou apóstata. O Espírito ainda está sendo derramado hoje! De fato, as palavras que Jesus proclamou no primeiro século ainda estão “vivas e eficazes” nos corações dos homens hoje! (Hb 4.12). Ele não prometeu estar conosco sempre “até a consumação dos séculos”(Mt 28.20)? Jesus é o mesmo, o Espírito ainda está sendo derramado e as palavras de Jesus ainda se aplicam. De fato, não temos desculpas.

O Eterno, aquele que estabeleceu seu Reino nos homens há dois milênios, é plenamente capaz de produzi-lo em nós hoje. Tudo o que precisamos é de Jesus sem mistura, nem inibições. Tudo o que precisamos são corações que não se satisfaçam com alguma coisa ou com alguém menos do que ele.

Se ficarmos argumentando sobre governo da igreja ou doutrinas periféricas, perderemos completamente o verdadeiro propósito da igreja, que é fazer discípulos de Jesus. Alguns querem um pastor, outros querem presbíteros. Ainda outros não darão um passo sem um conselho de diáconos. Há um grupo pequeno que não ficará satisfeito enquanto apóstolos e profetas não estiverem funcionando interdependentemente. Quero falar uma coisa bem clara: neste ponto da história, Deus não está levantando “ministérios”, está levantando escravos! Depois que reconhecermos que o alvo não é ministério, mas “escravidão”, só então começaremos a ver o poder de Cristo em ministérios restaurados à igreja.

O padrão de liderança nos anos vindouros é simples; líderes precisam ser indivíduos cuja paixão consumidora é conformidade a Jesus Cristo. Isto não está se tornando a própria paixão do seu coração, ser semelhante a Cristo? A questão nas nossas igrejas não é meramente um procedimento em preferência a outro; a questão é se seremos um povo que busca intensamente a Cristo.

A verdade é que Deus pode usar praticamente qualquer estrutura de igreja se o povo naquela congregação o estiver buscando de forma genuína. No dia antes do Pentecoste, ele só tinha uma pequena congregação de 120 pessoas num cenáculo, mas estavam buscando a Deus com intensidade! Em Antioquia havia profetas e mestres que estavam juntos com um coração buscando a Deus! (Atos 13.1). Quando Martinho Lutero estava vivo, tudo que o Senhor tinha era um monge insatisfeito, mas ele estava buscando a Deus! O Senhor usou homens e mulheres comuns em todo avivamento, mas primeiro cada um buscou a Deus!

A forma exterior não é importante com o Todo-Poderoso; a questão real é a postura do coração humano diante dele! Deus pode viver no meio de praticamente qualquer estrutura de igreja, a partir do momento em que as pessoas tenham verdadeira fome dele!

Desespero Objetivo

Podemos argumentar a favor de um tipo de governo de igreja, ou de determinados procedimentos, mas na verdade o mover de Deus começa mais numa posição de “sem forma e vazia” do que numa que seja estruturada e bem organizada. Alguns poucos indivíduos desesperados, ungidos, buscando a Deus num porão ou cenáculo simples são as pessoas que Deus usa. O Espírito os agracia com o sentimento de vacuidade, e derrama em seus corações desespero objetivo. Implacavelmente e com um só propósito, chegam diante de Deus, deixando de lado seus privilégios e habilidades. Como Cristo se esvaziou, eles também deixam de lado seus privilégios e confortos e assumem a forma que ele tomou, de “escravo” (Fp 2.7).

Eles então levam sua enorme esterilidade diante dele, sabendo que verdadeira plenitude sempre vem depois de verdadeira vacuidade. Enxergam o reconhecimento da sua pobreza espiritual como um dom de Deus, uma preparação para o seu Reino (Mt 5.3; Ap 3.17). Não é verdade que quanto maior a sensação de vazio dentro de nós, maior é nossa fome de Deus?

Aqueles que Deus escolhe são “odres novos”, purificados, esvaziados, e capazes de dilatar com o vinho novo. Seus corações são vasos em que o Espírito de Deus é derramado; dilatam-se com a plenitude interior de Cristo. O propósito das suas vidas é conter o fruto e o poder do Espírito Santo.

Não devemos nos aproximar de Deus de uma forma tão rigidamente estruturada que se torne inflexível; pelo contrário, devemos chegar ao Criador submissos e maleáveis, um povo cuja paixão de coração é buscar a Deus até que o próprio Cristo seja formado de fato dentro de nós (Gl 4.19).

Por esta razão, não façamos questão de formas de culto, ou de governo. A prioridade é: estamos dispostos a deixar nossas idéias de lado, a voltar ao evangelho, e a obedecer o que Jesus ordena? Seremos objetivamente desesperados na nossa busca e na nossa fome por Deus?

Ache Jesus, Não Apenas uma Religião

Neste novo mover de Deus, nosso alvo como líderes de igrejas e intercessores é permanecer em Jesus, não de elevar uma denominação ou grupo acima dos outros. João ensinou: “Aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou” (1 Jo 2.6). Se realmente permanecermos nele, andaremos da mesma maneira que ele andou. Não existem várias áreas dentro de cada um de nós onde Jesus se tornou mais uma religião do que uma pessoa?

Os cristãos do primeiro século tinham as palavras de Jesus e tinham o Espírito de Jesus. Naquela simplicidade, a igreja experimentou incomparável grandeza e poder. Estamos também voltando para ser seus discípulos, procurando andar assim como Jesus andou. Este é o requisito singular na construção da casa do Senhor: temos de querer somente a imagem de Cristo estabelecida em nossos corações.

Isto é possível? Estamos sendo razoáveis? Ouça o que Jesus ensinou. Ele disse: “Aquele que crê em mim, esse também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas; porque eu vou para o Pai” (Jo 14.12). “Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será feito” (Jo 15.7). Quando estivermos alinhados corretamente com a vontade de Deus, teremos de fato o endosso do Pai e a autoridade do Filho.

Portanto, o alvo do Pai, que precisa tornar-se nosso alvo, é nada menos do que semelhança a Cristo, onde ficamos plenamente treinados no conhecimento dos caminhos de Deus. O Senhor nos conclama a pagar o mesmo preço, fazer as mesmas obras, e obter exatamente os mesmos benefícios da oração que Jesus obteve. Não podemos correr o risco de abaixar o padrão daquilo que Deus prometeu, nem de desobedecer o que ele requer. Estes versículos confirmam que quando as palavras de Jesus são ensinadas, e onde o Espírito de Jesus tem liberdade, a vida de Jesus é manifestada. Que este seja nosso alvo imediato e a longo prazo: ver Jesus Cristo revelado em sua plenitude na igreja.

Senhor Jesus, perdoe-nos por colocar doutrinas sobre governo da igreja e administração da igreja acima do nosso amor por ti. Purifica-nos, Mestre, dos efeitos de falsas tradições religiosas. Neste momento mesmo, concede-nos paixão sem limites por ti, e por ti somente! Por tua glória vivemos e oramos. Amém!

Francis Frangipane é ministro do River of Life Ministries. Seus livros e artigos têm edificado milhões de pessoas mundialmente. Para outras mensagens do mesmo autor em inglês acesse o site www.inchristsimage.org.

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