Devocional: Pastor Bom Samaritano

Data de publicação: 14/09/2011
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Edição 36 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 36

Por Wayne Jacobsen

E se o sacerdote e o levita tivessem ignorado o homem caído à beira da estrada de Jericó, não por falta de piedade, mas porque estavam atrasados para um grupo de treinamento ou para uma importante reunião de ministério?”

Só caiu a minha ficha sobre essa aplicação da parábola do Bom Samaritano, feita por um antigo professor, depois de quase 20 anos de ministério profissional. Eu mesmo já havia passado ao largo de muitas pessoas que precisavam de minha ajuda, por estar concentrado demais nos programas da igreja.

As melhores oportunidades de servir nunca se encaixam ordenadamente na sua agenda cuidadosamente planejada. Geralmente brotam de encontros espontâneos com pessoas em momentos críticos de sua vida.

Tenho notado que muita gente não se lembra de um sermão que preguei dois dias antes, mas consegue reproduzir com clareza surpreendente uma frase dita pessoalmente há dez anos, durante um almoço.

Nada é mais sedutor no ministério do que pensar que meus esforços em favor da coletividade justificam minha negligência em atender aos casos individuais que Deus coloca no meu caminho. Contudo, há ocasiões em que as pessoas precisam ser tocadas uma a uma.

Esta Lição Não é Fácil

Não cheguei a essa conclusão por um caminho muito fácil. Nunca vou esquecer a cara de minha orientadora quando lhe disse que queria ser pastor.

“Mas você nem ama as pessoas!”, exclamou ela. Lembro-me de ter pensado: E daí? A responsabilidade do pastor é fazer pregações públicas e levar a congregação a crescer. Se fizer isso bem, não tenho de me preocupar com casos individuais.

Que grande mito!

Uma vida quebrada, caída à beira da estrada, nunca se encaixa bem em nossos programas. O amor não é eficiente, e demonstrá-lo não é algo que pode ser programado. O homem espancado na história contada por Jesus não poderia ter esperado três semanas para marcar um horário. Nem poderia ter aguardado até que o samaritano estudasse seu caso e lançasse um novo ministério para atender vítimas de espancamento.

Nem todos os programas estão errados, mas não nos atrevamos a ficar tão presos a eles que fujamos da próxima pessoa que Deus colocar diante de nós.

Jesus nunca perdeu a perspectiva do indivíduo ou do momento em que sua ajuda era mais necessária. Na minha atividade paralela, de ajudar a resolver conflitos na área de educação pública, fico cada vez mais espantado com o trabalho que a burocracia se dispõe a empreender a fim de realizar uma mudança sistêmica em seus programas, quando uma simples exceção solucionaria, de forma bem mais prática, aquele problema individual.

Nossa comunidade usa o seguinte princípio: “As necessidades pessoais são importantes demais para serem entregues à rigidez de algum programa”. Ao invés disso, buscamos formas de servir através de ministério pessoal.

Disponibilidade sem Esgotamento

Parece que estou dando uma receita perfeita para o esgotamento, mas não precisa ser assim. O problema de lidar com os casos individuais é que eles podem multiplicar-se como se fossem coelhos. Afinal de contas, criamos os programas justamente para administrar as necessidades e não deixar que nos dominem. Pelo menos era assim que eu pensava.

Esta falácia é outro mito do ministério: “Não podemos fazer por uma pessoa o que não podemos fazer por todas”.

Esse mito esbarra no próprio exemplo de Jesus. Ele vivia cada dia atento para ver quem Deus iria colocar à sua frente. Se quisermos ser tão acessíveis quanto ele foi, precisaremos de duas habilidades demonstradas por ele:

1. Dar espaço em nossas vidas para o inesperado.

2. Aprender a dizer “não” com amor. Não podemos atender a todas as necessidades.

Jesus vivia com a liberdade de envolver-se na situação ou para recusar quando não fazia parte do propósito ou do tempo do Pai. Uma das razões que me levava a esconder-me atrás de secretárias ou agendas cheias era que eu não queria desapontar ninguém com uma resposta negativa.

Agora procuro sentir se Deus está me pedindo para atender à necessidade que se apresenta diante de mim, ou se há outra pessoa que Deus pode usar no meu lugar. Aprendi a dizer às pessoas: “Sinto muito, simplesmente não tenho isso para lhe oferecer agora”.

Jamais seremos capazes de atender às necessidades inesperadas enquanto nos sentirmos obrigados a atender a todas. Jesus não nos pede isso. Quer apenas que respondamos àquelas que ele colocou diante de nós, e que encorajemos o restante da igreja a fazer o mesmo.

Wayne Jacobsen é diretor da Lifestream Ministries em Oxnard, Califórnia.
www.lifestream.org
Publicado originalmente em Leadership Journal, edição Inverno, 2004, (uma publicação do grupo Christianity Today – www.christianitytoday.com).

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