Devocional: No Fogo da Sua Presença

Data de publicação: 01/12/2011
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Edição 08 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 08

Por: Francis Frangipane

Existem muitos livros e ensinamentos que merecem nossa atenção. No entanto, ao longo dos anos que tenho servido ao Senhor, ele tem me levado a buscar duas coisas somente: Conhecer o coração de Deus em Cristo, e conhecer meu próprio coração por meio da luz de Cristo.

Em minha busca para conhecer o coração de Deus, descobri que ele ama as pessoas – especialmente aquelas que são ignoradas pela sociedade. Consequentemente, para conhecê-lo, preciso conhecer seus pensamentos sobre a enfermidade, a pobreza e o sofrimento humanos. Preciso conhecer a profundidade da compaixão que o motiva.

Como seu servo, sou inútil para ele sem este conhecimento. Preciso conhecer qual o tamanho da distância que ele uma vez viajou em busca do homem porque é a mesma distância que ele quer viajar novamente através de mim!

Mas o conhecimento em si mesmo não é suficiente. Em todo o meu tempo de estudo e oração, estou buscando mais do que conhecimento; estou buscando realmente o coração de Deus em relação ao homem. Para fazer sua vontade, preciso conhecer seu coração.

Preciso também conhecer o meu. À medida que me aproximo do Senhor, o fogo da sua presença começa invariavelmente uma obra profunda e purificadora em mim. Em contraste com a vastidão de suas riquezas, a pobreza do meu coração aparece.

O salmista perguntou: “Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração; que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente”  (Sl 24.3,4).

Não podemos nem mesmo encontrar o monte do Senhor, quanto menos subir até ele, se existe engano em nós. Se dizemos: ”Queremos vê-lo, Senhor”; ele responde: “Então deixe-me limpar o vosso coração, pois apenas os limpos de coração podem me contemplar” (veja Mt 5.8). Se quisermos habitar no lugar santo, precisamos viver em integridade – mesmo quando uma mentira pode parecer nossa salvação.

Subir até Deus significa entrar de forma crescente na fornalha da verdade onde a falsidade é purgada de nossas almas. Cada degrau que subimos para o monte do Senhor é um empurrão de nossas almas em direção a uma maior transparência – para uma visão mais perfeita dos motivos do nosso coração.

Infelizmente, como membros da raça humana estamos envoltos na ignorância. Mal conhecemos o mundo ao nosso redor; e menos ainda nossos próprios corações. Quando oro com Davi: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração” ; eu o faço com temor e tremor!

Precisamos lavar toda a maquiagem religiosa de nossas almas e olhar a nós mesmos como somos. Quando Jesus confrontou as igrejas na Ásia (veja Ap 2-3), exigiu que encarassem seus pecados, falsidades e temores. Em cada circunstância única e difícil, ele desafiou-os a serem vencedores.

Nós também devemos conhecer nossa condição e necessidade. Nós também vivemos em um sistema mundial estruturado pela mentira, ilusão e corrupção generalizada – e nossos piores inimigos estão escondidos dentro de nós mesmos! Nossas velhas naturezas são como sapatos bem gastos nos quais relaxamos. Podemos estar na carne instantaneamente sem nem mesmo percebermos.

Jeremias escreveu: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?”(Jr 17.9). Davi expressou-se da seguinte forma: “Quem pode discernir os próprios erros? Purifica-me tu dos que me são ocultos” (Sl 19.12).

Existem erros dentro de nós que nos governam sem tomarmos conhecimento disto! Quantas de nossas ações são manipuladas puramente pela vaidade e pelo desejo de ser aceito por outros? Quantas vezes nossos medos e apreensões direcionam nossas decisões?

Podemos conhecer nossa aparência quando posamos para uma câmera. Mas sabemos como nos aparentamos quando estamos rindo ou chorando, quando estamos comendo ou dormindo ou com raiva?

E se somos ignorantes no que diz respeito à nossa aparência exterior, quanto menos nos conhecemos interiormente! No que diz respeito a nós mesmos, temos conceitos muito elevados sobre alguém que conhecemos tão pouco!

De fato, nosso processo de pensamento justifica automaticamente  nossas ações e racionaliza nossos pensamentos. Sem o Espírito Santo ficamos praticamente indefesos contra nossas próprias tendências inatas de auto engano.

As Escrituras descrevem a verdade como uma espada, não meramente uma doutrina. É mais do que um museu de artefatos religiosos ou lembranças de uma época em que Deus agia. Jesus disse: “Eu sou a verdade” (veja Jo 14.6).

Portanto, se queremos conhecê-lo, precisamos primeiro renunciar a falsidade. Na luz da sua graça, sendo justificados pela fé e lavados no sangue de Cristo, não precisamos fingir que somos justos. Só precisamos ser verdadeiros.

Nossa honestidade não trará condenação. Precisamos apenas arrepender-nos e confessar nossos pecados para que sejam perdoados e purificados. Precisamos somente amar e abraçar a verdade para sermos libertos do auto engano. Precisamos conhecer duas coisas e apenas duas: o coração de Deus em Cristo, e nossos próprios corações à luz de Cristo.

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” Entre Aspas “

“Dê-me uma centena de pregadores que nada temam a não ser o pecado, nada desejam a não ser Deus, e não me importa se são leigos ou não; somente tais pessoas abalarão os portões do inferno e estabelecerão o Reino dos Céus sobre a terra”\

John Wesley

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