Devocional – Luz e Verdade

Data de publicação: 02/08/2011
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Edição 51 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 51

Por: Eliza Walker

O mundo em que vivemos é um mundo de mentiras. O mundo jaz no maligno, e este é o pai da mentira. Isso significa que o homem natural é dominado por ilusões, engano e mentiras. Mesmo suspirando por Deus, o homem só consegue pecar, pois a mentira faz com que ele viva padrões invertidos. Padrões esses que se baseiam na ambição e no egoísmo que nos foram dados por Satanás e que agora são intrínsecos à nossa natureza.

Além de sermos pecadores (ou de vivermos uma vida de mentira), temos também o forte impulso de julgar nosso próximo, o que equivale a dizer que ele ou ela poderiam agir de forma diferente, que teriam condições de fazer o que é certo, e não estão fazendo. No entanto, não deveríamos julgar uns aos outros, não deveríamos condenar ninguém, pois aquilo que faz com que uma pessoa ande errado são cadeias impossíveis de serem vencidas por ela mesma. Romanos 7 mostra a incapacidade do homem de fazer o que é certo.

Todos nós vivemos uma vida que está fora do padrão de Deus pelo fato de termos em nossas mentes um padrão que é baseado na mentira. Por mais que nos esforcemos para nos livrar dessa ilusão, mais nos afundamos nela. São as cadeias do pecado e estão em nós desde que nascemos. São, portanto, tão familiares que nos dão a impressão de que são verdadeiras. Aquilo que nos é familiar acaba tornando-se amado.

O Julgamento da Luz

Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. O julgamento é este: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más (Jo 3.17-19).

Não é que o mundo ficará impune de julgamento. Há sim o julgamento ao qual todos nós estamos sujeitos; entretanto, o julgamento mencionado aqui não é em cima do que fizemos de certo ou errado, pois por esse critério já estaríamos condenados, em virtude da nossa impossibilidade total de fazermos o certo. O julgamento é de acordo com a luz que vem sobre nós. Isso nos leva, novamente, à pergunta: Quem somos nós para julgar o nosso próximo, já que só Deus sabe a quantidade de luz que tem chegado em cada coração?! A luz é Cristo, que brilha sobre nós, sobre nossas más obras e sobre as trevas que há em nós.

Eu não sei o quanto de luz você absorveu em sua vida e o quanto de trevas você tem amado, mas o fato é que toda verdade que está escrita na Palavra de Deus só terá efeito hoje se encontrar a verdade de nossas vidas.

A verdade da Palavra de Deus é profunda, refere-se a realidades eternas, cósmicas, imutáveis. A verdade sobre nossas vidas não tem nada de teológico, é simplesmente a verdade sobre nossas ações: o que eu fiz com minhas horas ontem, o que fiz com meu dinheiro, o que converso, o que assisto, o que meus ouvidos ouvem. É também a verdade sobre os meus pensamentos: minha filosofia de vida, meus sonhos, fantasias, o que penso sobre meu próximo, aquilo que tem ocupado minha mente. E, finalmente, é a verdade sobre os meus sentimentos: o que tenho amado, minhas amarguras, inveja, alegrias… São essas as verdades sobre nós.

Ligando a Verdade de Deus à Verdade Sobre Nós

Você já questionou a verdade da Bíblia? Já notou a diferença entre a teoria e a prática? Já percebeu que a igreja vive distante do que está escrito?

Não é de admirar que essa verdade das Escrituras tenha tão pouco efeito hoje. Parece mais historinha do que verdadeira prática de vida.

A verdade do Cristianismo precisa encontrar a verdade de nossas vidas. A Palavra de Deus tem força em si mesma, mas Deus resolveu ligar a sua verdade com a nossa verdade para que tivesse efeito.

Quantas vezes vivemos como se o Cristianismo fosse uma fórmula que nos garantisse a passagem para a eternidade. Separamos a verdade bíblica de nossa realidade, do nosso dia-a-dia.

Neste ponto, você pode estar pensando: Então, para que o Cristianismo funcione, devemos ter uma vida exemplar. O que está errado é a nossa prática de vida. Como posso experimentar a verdade sobre as bênçãos de Deus se sou uma pessoa com falhas de caráter?

Não é isso que estou falando. Deus não está esperando de nós um bom currículo para impressioná-lo e para que assim ele faça funcionar em nós as verdades da Bíblia. Não é isso. Não estamos em uma espécie de teste com ele. Jamais! Na primeira pergunta, já estaríamos reprovados.

Para que Deus se revele a nós e nos leve a viver suas verdades sobrenaturais, não precisamos ser perfeitos, só precisamos da verdade. É fundamental encararmos a verdade, dizer aquilo que é.

João 4 conta a história da mulher no poço de Jacó, a mulher samaritana. Era uma mulher necessitada, e a pessoa de quem ela mais precisava estava à sua frente. Mas, ao encontrar-se com Jesus, ela não conseguia ver nada além de um judeu. Não conseguia ver a verdade sobre Cristo, porque o seu discurso estava carregado de religiosidade. Para poder revelar-se a ela, primeiro Jesus precisou tocar na verdade a respeito dela mesma.

Jesus não estava querendo discutir sobre as tradições do passado, se aquele poço era sagrado ou se havia sido mesmo Jacó que o furara. Jesus tinha a vida eterna, a água viva da qual a mulher precisava, mas essa realidade sobrenatural precisava encontrar a triste realidade da vida dela. Chega de conversa fiada, onde está o seu marido?

Ao chegar nesse ponto da passagem, exatamente no versículo 16, eu me senti exposta, junto com a mulher. Uma realidade ignóbil e vergonhosa vindo à tona. Jesus era o médico e o remédio, mas a solução não podia ser recebida pela mulher sem que ela visse a doença. A verdade!

A mulher poderia ter-se esquivado, mas de alguma forma ela preferiu aquela pequena luz que estava começando a brilhar nas trevas que até então reinavam em sua vida. Eu não tenho marido. Essa era a verdade. Enquanto Jesus a ajudou a enfrentá-la, à medida que a verdade sobre ela foi sendo exposta, o seu conhecimento sobre Jesus foi crescendo. Não era mais um simples judeu; primeiro, ela o reconheceu como profeta e, no fim, viu-se diante do Messias.

Jesus quer libertar nossas vidas, quer que tenhamos vitória sobre o pecado, mas não pode diagnosticar-nos sem que falemos onde está a dor.

A Verdade que Liberta

Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Jo 8.31,32.

Jesus não estava falando para quaisquer pessoas. Estava falando com pessoas que creram nele e que, ainda por cima, eram judeus. Jesus não estava falando com ímpios nem com fariseus; estava falando com discípulos em potencial.

Crer na Palavra de Deus, a princípio, é maravilhoso, mas prosseguir nessa caminhada com Deus custa caro. Veja o que está em conflito: a verdade teológica de que eram filhos de Abraão e a verdade da vida real que levavam, uma vida de pecado. A verdade vos libertará! E que verdade era essa? A verdade teológica, eles já conheciam; a verdade sobre Jesus eles tinham acabado de ouvir e aceitar; mas a verdade sobre si mesmos, isso não estavam dispostos a encarar. O médico estava ali, à sua frente, mas se a doença não fosse exposta, não teria como ser diagnosticada e curada…

Como é difícil encarar os fatos de nossa vida! Como tentamos esconder-nos por trás das máscaras! Usamos palavras bonitas, “espirituais”, que não passam de conversa fiada.

Olhar para a verdade em nós é semelhante ao que acontece quando levantamos do chão um toco de árvore que estava ali há muito tempo. A cena é nojenta, cheia de muitos bichos rastejantes e gosmentos. Conseguiu visualizar? A vontade que dá é de voltar a madeira para o lugar, não é? Ui! Mas algo incrível acontece, se permitirmos que a luz permaneça naquele lugar: cada um daqueles bichos vai embora rapidamente, pois não consegue resistir à luz! Não dependeu de nosso esforço, só da escolha de estar na luz, e a ação da própria luz se encarregou de eliminar todos aqueles terríveis vermes.

Pessoalmente, creio que a Igreja precisa entrar em uma nova fase para que o mundo veja o poder da Palavra de Deus. Chega de tradições, chega de terminologias evangélicas, chega de jargões que não condizem com nossa condição interior. Que a luz da verdade penetre a nossa escuridão e traga uma revolução ao nosso interior!

Dois Aspectos da Verdade

De acordo com 1 João 1.6,7, encarar a verdade sobre nós inclui dois aspectos: diante de Deus e diante dos irmãos.

Diante de Deus é o primeiro passo. Não devemos ter medo de nosso Pai. A profundidade de nossa miséria é a medida do amor que ele tem por nós; quanto mais encaramos o que somos, mais agradecidos somos por seu amor.

Você se estremece com a mensagem da cruz ainda hoje? Você entende o que seja Amor Incondicional? Tem verdadeiro constrangimento diante da Graça? Somente aqueles que se unem a Paulo na declaração “miserável homem que sou!” podem entender o quanto são dependentes (pior, muito pior que dependentes químicos) da graça de Jesus. Essa parte (de ver nossos defeitos) é horrível, mas só assim para receber a MARAVILHOSA GRAÇA. Não há atalhos. Para ter o poder do Evangelho vibrando dentro de nós, precisamos encarar tudo que de fato somos diante de Deus.

Diante dos irmãos é o segundo passo. Jesus em sua oração sacerdotal pede ao Pai para que sejamos um. Como podemos ser um? Isso mais parece utopia. Nós, cristãos, que temos o Espírito Santo, temos o pior exemplo de unidade. Que tragédia! E Jesus ainda diz “para que o mundo saiba que tu me enviaste”, apostando sua missão tão preciosa nessa unidade. Como isso pode acontecer?

Não será através de mais um avivamento. A história nos mostra que avivamento não basta. Quantas divisões como resultado de moveres de Deus! O que precisa acontecer na Igreja é a retirada do orgulho de nosso meio. O que recebemos como dons do Espírito Santo não nos torna mais humildes e, sim, ainda mais arrogantes. Os pontos fortes não nos unem, só dividem. Como é comum perceber um grupo desprezando o outro porque não tem a profundidade na Palavra, enquanto o outro, por sua vez, fala mal do primeiro porque não tem evangelismo forte – e por aí vai.

Na verdade, o que precisa acontecer é cair a ficha em todos nós e percebermos que Jesus está vindo morar conosco e que nenhum de nós, apesar de ter o Espírito Santo, está preparado para recebê-lo! Ai de nós! Precisamos de quebrantamento genuíno, pois só assim conseguiremos admitir que precisamos uns dos outros. Quando percebermos a nossa própria fraqueza, veremos uns aos outros com olhos de igualdade. Ou melhor, verei meu irmão como sendo superior a mim.

A verdadeira comunhão só vem quando tiro minhas máscaras de supercrente e torno-me vulnerável. Quando exponho diante de meus irmãos a verdade a meu respeito. Como zelamos por nossa imagem, como gostamos de contar vantagens, cuidar de nossa dignidade… e como isso só nos afasta uns dos outros! O grupo dos AA (Alcoólatras Anônimos) serve como ilustração neste ponto, pois cada um encontra a vitória para o seu mal através de identificar-se na fraqueza dos outros. É na fraqueza que somos um.

Aí, sim, posso abrir minha vida com meu irmão e, através dessa comunhão, permitir que o sangue flua, levando embora as toxinas e trazendo oxigênio e alimentos.

NADA PODE RESISTIR À VERDADE! Aleluia!

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