Devocional: Cuidado Com a Fortaleza do Amor Frio!

Data de publicação: 24/11/2011
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Edição 17 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 17

Por: Francis Frangipane

O seu amor está crescendo e se tornando cada vez mais suave, mais brilhante, mais ousado e mais visível? Ou está se tornando mais discriminador, mais calculista, menos vulnerável e menos disponível? Esta é uma questão muito importante porque seu Cristianismo nunca será mais real do que o seu amor. Uma queda mensurável na sua capacidade de amar é uma evidência de que a fortaleza do amor frio está se firmando dentro de você.

Cuidado com a Falta de Perdão!

“E por se multiplicar a iniqüidade o amor de muitos esfriará” (Mt 24.12). Uma das principais áreas de guerra espiritual que vem se armando contra a igreja é na esfera dos relacionamentos uns com os outros. Satanás sabe que uma igreja dividida contra si mesma não conseguirá sobreviver. Podemos gozar de bênçãos temporárias e vitórias sazonais, mas para ganhar uma guerra no âmbito de uma cidade, Jesus está construindo uma igreja disposta a se unir no âmbito de toda a cidade. A marca registrada desta igreja unida e vencedora será o seu compromisso com o amor. Contudo, devido ao aumento da iniqüidade no fim desta era, o verdadeiro amor cristão será fortemente atacado.

Não existe unidade espiritual, e por conseguinte vitória duradoura, sem amor. Amor é paixão por unidade. Amargura, por outro lado, se caracteriza por uma visível falta de amor. Esta frieza do amor é uma fortaleza demoníaca. Na nossa geração o amor frio está se tornando mais e mais comum. Ele anula o poder da oração e bloqueia o fluirde cura e salvação. De fato, onde uma pessoa ou igreja persiste e se endurece na falta de perdão, o mundo dos demônios (chamados na parábola de Mt 18.34 de “verdugos”) tem livre acesso.

As Escrituras advertem que mesmo uma pequena raiz de amargura na vida de uma pessoa pode brotar e contaminar a muitos (Hb 12.15).

Amargura é vingança não executada. A crueldade ou falta de consideração por parte de outra pessoa pode nos ter ferido profundamente. É inevitável neste mundo de crescente aspereza e crueldade, que você seja ferido em algumas ocasiões. Mas se você não reagir com amor e perdão, se retiver no seu espírito a dívida que o ofen- sor lhe deve, aquela ofensa roubará do seu coração a capacidade de amar. Impercepti- velmente, você se tornará membro daquela grande maioria de cristãos dos fins dos tempos cujo amor “esfriará”.

A amargura é um sintoma clássico da fortaleza do amor frio. Para tratar disto você precisa se arrepender desta atitude e perdoar aquele que o ofendeu. Esta experiência dolorosa foi permitida por Deus na sua vida para ensiná-lo a amar seus inimigos. Se ainda sente que não pode perdoar alguém que o feriu, isto significa que você não passou neste teste. Felizmente, este foi somente um teste e não a prova final. Na verdade, você deve ser grato a Deus pela oportunidade de crescer no amor divino. Agradeça-lhe que sua vida inteira não foi engolida pela amargura e pelo ressentimento. Milhões de almas passam diariamente para o juízo eterno sem nenhuma esperança de escapar do processo de amargura, mas vocêteve a felicidade de receber de Deus a resposta dele para seu sofrimento. Deus lhe dá a saída: o amor!

À medida que abraça o amor de Deus e começa a andar na vereda do perdão, você está literalmente derrubando as fortalezas de amargura e suas manifestações de amor frio na sua vida. Como fruto desta experiência, você terá mais amor se manifestando na sua vida do que já conheceu em toda sua vida. Verdadeiramente você precisa agradecer a Deus por isto.

Amor sem Compromisso Não é Amor.

“Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mt 24.10-12).

Vamos deixar algo bem claro: não existe amor sem compromisso. A qualidade do seu amor pode ser avaliada pela profundidade do seu compromisso. Quantas e quantas vezes já ouvi alguém dizer: “Eu amava no início, mas fui machucado…” Ou: “Compro- meti-me com a obra cristã, mas me usaram.” As pessoas se afastam do seu compromisso, sem perceber que seu amor está esfriando cada vez mais! Pode até não parecer que ficaram frias — ainda vão à igreja, lêem a Bíblia, dão o dízimo, cantam e têm a aparência de cristãos — mas por dentro tornaram-se distantes e indiferentes com as outras pessoas. Desviaram-se do amor de Deus.

Jesus disse: “Pedras de tropeço são inevitáveis…” (Mt 18.7). Na sua jornada haverá ocasiões em que até pessoas boas terão dias maus, e lhe causarão ofensas. Enquanto você viver na terra jamais haverá uma época em que deixarão de existir no seu caminho as “pedras de tropeço”. As pessoas não tropeçam em rochedos, e sim, em pedras, em pequenas coisas. Tropeçar é parar de caminhar e cair. Você tem tropeçado recentemente sobre as fraquezas ou os pecados de alguém? E depois? Levantou-se e continuou amando como antes, ou aquela queda o fez de alguma maneira se afastar do caminho de amor? Para preservar a qualidadedo amor no seu coração, é necessário perdoar aqueles que o fizeram tropeçar.

Cada vez que você se recusa a perdoar ou deixa de relevar uma fraqueza em alguém, seu coração não somente fica endurecido para com a pessoa, mas também fica endurecido para com Deus. Você não pode formar uma opinião negativa sobre alguém (mesmo que essa pessoa o mereça) e deixar que aquela opinião se cristalize numa atitude. Porque cada vez que o fizer, uma parte do seu coração se esfriará na direção de Deus. Você pode até pensar que está aberto para Deus, mas a Escritura é clara: “… aquele que não ama a seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê” (Jo 4.20). Você pode não gostar do que alguém fez, mas não tem a opção de deixar de amá-lo. O amor é sua única alternativa.

O que quero dizer com amor? Primeiro não estou falando meramente de “amor severo”. Estou falando de amor gentil, afeiço- ado, sensível, aberto, persistente. Deus será severo quando for necessário, e nós devemos ser firmes quando ele assim nos ordenar, mas debaixo da nossa firmeza deve haver um rio subterrâneo de amor esperando para jorrar para cima. Quando digo “amor” estou me referindo a uma compaixão capacitada por fé e oração para ver o melhor de Deus se manifestar na pessoa que amo. Quando sinto amor por alguém, já determino antecipadamente que vou permanecer ao lado dele ou dela, a despeito do que esta pessoa tiver de passar.

Todos nós precisamos de pessoas que se comprometam conosco como indivíduos, pessoas que sabem que não somos perfeitos, mas nos amam assim mesmo. A manifestação do Reino de Deus não virá sem que pessoas estejam comprometidas umas com as outras para alcançarem a plenitude de Deus. Não estamos falando de salvação do inferno; estamos falando de crescer na salvação até que nos amemos e nos comprometamos uns com os outros com o amor de Jesus.

Muitas pessoas vão tropeçar em pequenas faltas e fraquezas humanas. Estas pequeninas coisas são rapidamente infladas pelo inimigo para que sejam percebidas como problemas enormes. Oh, como são frágeis as desculpas que as pessoas usampara justificar seu afastamento das outras! Na verdade estes problemas, geralmente com uma igreja ou um pastor, são uma cortina de fumaça que esconde a falta de amor da própria pessoa que está se afastando.

Precisamos vencer nossas resistências ao compromisso, porque ninguém alcançará a plenitude dos propósitos de Deus na terra se não estiver comprometido com pessoas imperfeitas ao longo da jornada.

“Bem, quando eu achar uma igreja que creia como eu, então me comprometerei.” Esta é uma desculpa perigosa, porque tão logo você decida que não quer perdoar, ou assim que Deus comece a tratar com a qualidade do seu amor, você porá a culpa do seu afastamento em alguma diferença doutrinária insignificante. O Reino de Deus não está baseado em meras doutrinas, é fundado sobre relacionamentos, relacionamentos com Deus e, por causa de Deus, de uns com os outros. As doutrinas somente ajudam a definir estes relacionamentos. Nós não somos “anti-doutrina”, apenas somos contra doutrinas vazias, que parecem ser virtudes mas não passam de desculpas para justificar o amor frio.

Os Maiores Mandamentos

Um doutor da lei perguntou uma vez a Jesus qual era o maior mandamento. A resposta de Jesus foi maravilhosa. Ele disse: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é como o primeiro: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12.30-31). Jesus disse que “o segundo mandamento é como o primeiro”. Quando você ama a Deus, seu amor pelos outros será como seu amor por Deus: o “segundo será igual ao primeiro”. Quanto mais você amar a Deus incondicionalmente, mais você amará incondicionalmente aos outros.

Para aqueles cuja atitude é “Só Jesus e eu” eu gostaria de dizer: É maravilhoso que tenha encontrado a Jesus. Mas você não pode verdadeiramente amar a Jesus e simultaneamente não fazer o que ele diz. O fruto do amor e da fé em Cristo é o amor e a fé que ele tinha, o que eqüivale dizer que estamos comprometidos tanto quanto ele, com seu povo.

Veja bem. O Reino de Deus não está em você ou em mim. Está em nós como corpo. Estamos sendo aperfeiçoados na unidade (Jo 17). Para termos o Reino, precisamos nos comprometer um com o outro como indivíduos e como igreja. Se Cristo nos aceita enquanto ainda somos imperfeitos, também devemos aceitar uns aos outros. As pessoas que possuem o Reino de Deus na sua realidade são pessoas que vencem os obstáculos das falhas uns dos outros. Elas ajudam umas às outras a se tornarem aquilo que Deus as chamou para ser: o corpo vivo de Cristo.

Lembre-se, o objetivo de derrubar as fortalezas do amor frio é para que a unidade do Corpo de Cristo seja revelada. É um grande desafio fazer isto, mas se persistirmos, certamente descobriremos as alturas e profundidades, a largura e o comprimento do amor de Cristo. Seremos um corpo cheio e inundado pelo próprio Deus.

Francis Frangipane é ministro do River of Life Ministries. Seus livros e artigos tem edificado milhões de pessoas mundialmente. Para outras mensagens do mesmo autor em inglês acesse o site:
www.inchristsimage.org.

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“ENTRE ASPAS”

Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te pois de onde caiste e arrepende-te…

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