Devocional: A Presença Intensificadora

Data de publicação: 22/11/2011
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Edição 18 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 18

Por: Francis Frangipane

“Ele é a expressão única da glória resplendente de Deus, a irradiação da divindade, expressão perfeita e imagem exata da natureza de Deus, sustentando, mantendo, guiando e impulsionando o universo pela grandiosa palavra do seu poder” (Hb 1.3, Versão Amplificada – inglês).

Reconheço que o mundo impenitente está caminhando para a Grande Tribulação, e que muitos cristãos mundanos se tornarão prisioneiros espirituais do Anticristo. Mas quanto à igreja viva, àqueles que se dedicam à oração, e continuam a subir em direção à semelhança de Cristo, estes podem esperar dias de grande glória e colheita. A fim de fortalecer ainda mais este santo objetivo, quero relatar um encontro que tive com o Senhor.

Era o ano de 1973. Eu estava pastoreando uma pequena igreja em Hilo, no Havaí, e tinha participado de um mês de intensa oração e prolongado jejum. Era uma ocasião intensa em que procurávamos nos aproximar a Deus. No final deste período, fui despertado durante a noite por uma visitação do Senhor. Não era como se pudesse ver seu aspecto físico; o que vi foi sua glória e fui totalmente dominado pela sua Presença.

Imediatamente fiquei como morto, incapaz de mover sequer um dedo. Espiritualmente, entretanto, os céus se descortinaram diante de mim sem limites. Meu estado de consciência foi elevado além de qualquer coisa que já conhecera. Senti-me como um daqueles “seres viventes” do livro do Apocalipse, como se possuísse “olhos ao redor e por dentro” (Ap 4.8).

Com meus “olhos interiores” descobri a verdade acerca da minha justiça. Lembre-se, estava me sentindo íntimo do Senhor. Achava que minha condição espiritual era boa. Contudo, subitamente fiquei consciente da minha verdadeira condição humana. As falhas da minha vida tornaram-se insuportavelmente vívidas e totalmente pecaminosas. Vi minha iniqüidade não como atos que cometia ocasionalmente mas como aquilo que essencialmente me definia.

Instantaneamente fiquei consciente das muitas vezes em que poderia ter sido mais amável, mais bondoso, ou mais sensível. Também percebi como quase todas minhas ações eram egoístas. Entretanto, apesar de toda essa injustiça que residia dentro de mim, não senti qualquer repreensão da parte do Senhor, nenhuma condenação. Nenhuma voz veio do céu para me convencer dos meus erros. A única voz que me condenava era a minha própria, à luz da sua presença. Eu me abominava (veja Jó 42.6).

Sem qualquer atenuante de autojustificação ou engano, sem nenhuma pessoa a quem me comparar, a não ser o próprio Deus, vi o quanto que realmente estava longe da sua glória. Percebi de modo mais profundo por que a humanidade necessitava tanto do sangue de Jesus. E vi que qualquer quantidade de tentativas ou esforços humanos jamais me tornariam semelhante a Jesus. De maneira muito profunda, compreendi que somente Cristo pode viver como Cristo. O plano de Deus não era aperfeiçoar-me e sim eliminar-me de tal modo que o Senhor Jesus, ele próprio, pudesse verdadeiramente viver sua vida através de mim (Gl 2.20). Sua habitação no meu interior seria minha única esperança de me tornar semelhante a ele.

Percebi coisas que eram intimamente pessoais. Também obtive uma compreensão da Presença expansiva de Cristo e o impacto que sua glória terá na igreja no fim dos tempos. No que parecia ser um céu noturno muito distante, assisti o mais glorioso cortejo celestial. A atmosfera divinamente “eletrificada” que senti no meu quarto estava vindo diretamente daquele cortejo muito distante de seres sobrenaturais.

Em primeiro plano vinham pares de magníficos anjos: arcanjos, querubins, serafins, tronos e domínios. Havia anjos de todas as categorias e ordens. Cada par se vestia de maneira singular num esplendor radiante exclusivamente seu. Atrás a cerca de um terço do caminho estava o Senhor. A luz da sua glória era como o sol no meio de uma fileira de lindas e multicoloridas estrelas. Atrás dele estava um número muito grande de santos, mas eu não podia ver claramente por causa da glória do Senhor; seu brilho como que envolvia todos aqueles que o seguiam, era como se já fizessem parte do seu ser. Era óbvio que o brilho que iluminava todo o cortejo vinha dele.

Compreendi que o Senhor não vinha para julgar a terra, mas para enchê-la com sua glória. É impossível descrever em palavras esta glória mas, mesmo daquela distância enorme, o brilho da sua Presença era como um fogo vivo nos meus sentidos. A energia era quase dolorosa. Depois, sem nenhum aviso, o cortejo chegou mais perto, não exatamente de mim, mas senti que estava se aproximando deste mundo. Foi como se uma marca no tempo ou uma fronteira espiritual fosse atravessada naquele momento. Instantaneamente, minha consciência espiritual se tornou tão inundada pela intensidade da Presença do Senhor que eu não podia, nem por mais um momento suportar este grau tão grande da sua glória.
Senti como se minha própria existência seria consumida pelo alto forno do seu fulgor.

Na oração mais profunda que jamais pronunciei, com todo meu ser implorei ao Senhor que me colocasse de volta ao meu corpo. Imediatamente, misericordiosamente, fui novamente encasulado no mundo familiar dos meus sentidos e do meu quarto. A noite passou e a aurora chegou; levantei-me bem cedo, vesti-me e fui para a rua. A cada passo que eu dava meditava na visão. O Senhor chamou minha atenção para o sol à medida que ele subia acima do horizonte no leste. Enquanto olhava, percebi paralelos entre a radiância da luz solar e a glória do Senhor. Compreendi, de uma maneira inteiramente nova, que “os céus declaram a glória de Deus” (Sl 19.1).

Vi que embora o sol esteja a 150 milhões de quilômetros da terra, nós sentimos seu calor e vivemos na sua luz. Ele está a uma distância tremendamente longínqua, contudo a sua energia também está aqui. Ele nos aquece, e na sua luz a nossa vida existe. Também assim a expansão da Presença do Senhor emana do seu corpo glorificado nos céus. Fisicamente, ele está longe, entretanto, às vezes, sentimos a irradiação da sua Presença aqui; somos, na verdade, aquecidos pelo seu amor.

A glória de Cristo, como a irradiação do sol, é “segura” enquanto ele permanece distante de nós, lá no céu. Mas imagine se, a cada década sucessiva, o sol se aproximasse progressivamente da terra. A radiação, o calor, e a luz seriam aumentadas dramaticamente. A cada estágio desta aproximação, o mundo como nós o conhecemos se transformaria radicalmente!

Assim também se transformará este mundo à medida que a pessoa do Senhor Jesus e seu reino milenar se aproximarem. A irradiação da sua Presença gradativamente encherá os reinos espirituais ao redor do nosso mundo. E não somente o mundo como nós o conhecemos experimentará mudanças dramáticas à medida que fortalezas demoníacas são confrontadas e demolidas pelo Senhor, mas também naqueles cujos corações estão abertos e que anelam por ele, haverá uma grande transformação!

Se o sol se chegasse mais perto, o aumento de calor e luz seria a única coisa em que pensaríamos. Enquanto os que praticam o bem estão experimentando “glória, honra e paz” da sua Presença (Rm 2.10), a mesma glória provocará terrível “tribulação e angústia” para o mundo impenitente (v.9). Os ímpios clamarão para as montanhas e rochas: “Caí sobre nós e escondei-nos”. Do quê? Da “presença dele” (Ap 6.16). À medida que a proximidade do Senhor se intensifica e aumenta, o coração dos irreconciliáveis se endurecerá como o de Faraó.

Entretanto o mesmo sol que endurece o barro também derrete a manteiga. Assim, quanto mais o Senhor se aproximar, mais os justos orarão: “Enche-nos com a Presença do Cordeiro!” A Presença de Cristo será tudo o que ocupará as nossas mentes. Aqueles que o amam sentirão o aumento do seu agrado, e provarão o néctar do céu. Quer sejamos contra ou a favor do Senhor, as mentes de todos serão inundadas com pensamentos a respeito de Deus.

“Pois eis que vem o dia, e arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade, serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo. Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas; saireis e saltareis como bezerros soltos da estrebaria. Pisareis os perversos porque se farão cinzas debaixo das plantas de vossos pés naquele dia que prepararei, diz o Senhor dos exércitos” (Ml 4.1-3).

Simultaneamente dois acontecimentos se manifestarão a partir de uma única e eterna fonte. A mesma Presença cada vez mais intensa fará com que a ira venha sobre os ímpios, enquanto a glória aparecerá sobre os justos. Para nós que tememos ao Senhor, “o sol da justiça” se levantará trazendo cura nos seus raios.

O Mesmo Jesus, Um Novo Esplendor

Quando Cristo voltar a este mundo, ele virá envolto no esplendor do Pai (Mc 8.38). Minha oração é que cada um de nós perceba esta realidade: é o próprio Deus que está vindo para a terra! Habacuque, o profeta, nos dá uma impressionante visão do próprio dia em que o Senhor se revelará ao mundo. Ele escreveu: “Deus veio de Temã, e do monte Parã o Santo. Selá. A sua glória cobriu os céus e a terra encheu-se do seu louvor. O seu resplendor é como a luz, da sua mão saem raios brilhantes; e ali está o esconderijo da sua força” (Hc 3.3-4).

Virá um dia em que o Senhor Jesus será realmente revelado nos céus. Naquele momento final seu esplendor literalmente inundará os céus como “a luz do sol”. Todo olho o verá, com seu poder brilhando como terríveis descargas de relâmpago das suas mãos.

Entretanto, antes que ele apareça, enquanto está perto mas ainda invisível, aquela mesma radiância de glória será derramada em “toda a carne” (At 2.17-21). Pois assim como estará em poder e glória quando aparecer, da mesma forma ele está agora, embora invisível! E é esta Presença irradiante que crescerá com fulgor cada vez maior na igreja antes da sua segunda vinda.

Com cada novo surto de glória, muitas coisas serão aceleradas na terra. Satanás, e as nações sob seu domínio se enfurecerão contra o Senhor e os seus propósitos. As revoltas sociais e étnicas manipuladas por demônios se intensificarão, aumentando a anarquia, a rebelião e a desesperança no mundo. A própria terra sofrerá enquanto secas e poluição do ar e da água provocam alterações imprevisíveis e muitas vezes desastrosas nos padrões dos seres vivos. Haverá terremotos em regiões onde terremotos eram desconhecidos. Cidades litorâneas serão evacuadas em massa, porque haverá “angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas” (Lc 21.25).

Ao mesmo tempo nós, que estamos abertos e ligados a Cristo, veremos atônitos como sua Presença em nós também se intensifica e aumenta! Ele invadirá nossos pensamentos, saqueará nossas dúvidas e purificará nossa carnalidade. Ele apresentará a si mesmo uma noiva sem mancha ou ruga ou qualquer coisa semelhante.

A igreja será embelezada com sua glória e cheia com seu fulgor antes que ele venha fisicamente para recebê-la! Virá um dia em que nosso arrependimento e nossa reconciliação serão completos. Naquela ocasião será cumprida a Escritura que diz que a esposa de Cristo “a si mesma se ataviou” (Ap 19.7). A igreja encontrará em Cristo um novo patamar de santidade e pureza que se manifestará numa radiância que será ao mesmo tempo “resplandecente e pura” (v.8).

Muitas das promessas feitas à igreja, que se acreditava impossíveis, serão cumpridas pela plenitude de Cristo em nós. Os dias adiante de nós serão períodos de glória. A Presença Shekinah de Cristo, quando ele for entronizado sobre os louvores do seu povo, será manifestada e permanecerá numa glória inalterável. Nós ainda não vimos cultos de adoração como aqueles que nos esperam no futuro. Está chegando o dia quando a orientação dos líderes de louvor será “dai glória ao seu louvor” (Sl 66.2)! Uma majestade espiritual acompanhará os adoradores de Deus. Mesmo entre as pessoas mais simples da terra, aqueles que amam a Deus serão acompanhados pela sua Presença real.

Nas mais profundas maneiras a magnificência do Senhor se desvendará diante de nós. Ficaremos maravilhados ao vermos como Deus humilhou e rebaixou os reis da terra. Mas um Rei sempre se elevará em proeminência. Diante dele todo joelho se dobrará! E enquanto nos ajoelharmos diante do seu esplendor, nossa maior alegria será de tê-lo conhecido pessoalmente!

A cada novo patamar de glória que chega e se descortina, o Espírito Santo exigirá novos e freqüentes exames do nosso relacionamento com Cristo. Quer seja a nossa origem evangélica ou carismática, tradicional ou pentecostal, todos os que amam o Senhor serão transformados. Porque tudo aquilo que impede a fusão da nossa vida com Cristo será consumido como restolho no fogo da sua Presença.

Nesta época de transformação, nos o conheceremos tanto na comunhão dos seus sofrimentos como no poder da sua ressurreição. Conheceremos a plenitude de Cristo. E isto acontecerá não por causa da nossa justiça, mas por causa da sua crescente plenitude. Ele deve crescer e nós precisamos diminuir até que tudo, em toda a parte, esteja cheio com a intensificadora Presença de Deus.

Francis Frangipane é ministro do River of Life Ministries. Seus livros e artigos têm edificado milhões de pessoas mundialmente. Para outras mensagens do mesmo autor em inglês acesse o site www.inchristsimage.org.

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