David Wilkerson, Servo de Deus, Está Morto!

Data de publicação: 27/07/2011
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Edição 68 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 68

Por: Christopher Walker

A notícia de sua morte chocou muita gente ao redor do mundo – não por sua juventude nem por ter sido um “astro” na política, no cinema, no mundo artístico ou na Igreja. Embora fosse relativamente conhecido, David Wilkerson, 79 anos (sua morte veio três semanas antes da data em que completaria 80 anos: 19 de maio), não era o que se poderia chamar de pregador popular e tinha repulsa por fama e celebridade. Sua mensagem nada tinha a ver com a maioria dos temas de sucesso no mundo de hoje, tais como autoajuda, crescimento da igreja, prosperidade ou bem-estar pessoal. Muito pelo contrário. Sem rodeios, de forma direta e intensa, ele denunciava pecado, hipocrisia, religiosidade e passividade. Apesar disso, mesmo confrontando linhas teológicas contemporâneas e tendências atuais, era impossível não perceber que ele falava com um coração cheio do amor e da unção de Deus. Prova disso eram as multidões de pessoas profundamente tocadas quando iam ouvi-lo pessoalmente ou que seguiam suas mensagens e vídeos pela Internet.

Sua morte foi chocante justamente porque a impressão que tínhamos era de que esse homem de Deus ainda tinha muita coisa para fazer e dizer. Não havia sinal algum de aposentadoria ou final de carreira. Além disso, um acidente de carro, com batida de frente causando morte instantânea, traz uma sensação de intervenção divina, de uma vida interrompida, sem final adequado. É impossível não se lembrar de homens e mulheres de Deus que, ao se afastarem do foco central e caírem em desvios morais ou doutrinários, tiveram de fato a carreira encerrada de forma brusca e definitiva.

Embora nenhum de nós seja juiz da vida alheia, podemos e devemos procurar entender o que Deus quer falar por meio de acontecimentos como esse. David Wilkerson foi um exemplo, por sinal bastante raro, de sensibilidade à voz e à direção do Senhor até o final de sua vida. Nunca se envolveu em escândalos morais ou financeiros e fugia, consistentemente, da armadilha de construir um império pessoal. Sua morte repentina traz, sim, uma mensagem da parte de Deus: não de disciplina ou desaprovação, mas de mudança de época, de transição para uma nova fase.

Morte como marca de transição

Um exemplo disso, na Bíblia, foi a morte de Moisés. Em Josué 1.2, Deus anuncia (como se Josué não o soubesse!) que seu servo Moisés estava morto. Com isso, estava introduzindo o início de uma nova etapa na história de Israel. O homem que Deus usara para tirar o povo do Egito e entregar-lhe a lei, o tabernáculo e todas as instruções necessárias para entrar na terra prometida não estava mais presente. Era hora de começar uma nova fase com Josué.

A história da Igreja sempre foi marcada por grandes líderes que representaram períodos específicos no plano de Deus. No século 20, em paralelo com a rapidez de novas conquistas no mundo secular, Deus levantou, não um ou dois, mas vários ministérios poderosos, trazendo uma aceleração no avanço da Igreja (para saber mais a respeito de alguns desses líderes e as conquistas que alcançaram, leia A Igreja do Século XX, A História Que Não Foi Contada, de John Walker e outros, Impacto Publicações).

Há algum tempo, porém, podemos notar que os gigantes do século 20 estão morrendo, um após o outro (dentre os mais recentes, podemos citar Kenneth Hagin, Bill Bright e Derek Prince que morreram em 2003 e Oral Roberts em 2009 [1]). O interessante é que não se veem outros entrando para tomar seus lugares. Não existem ministérios individuais hoje com a estatura de um Watchman Nee, um Billy Graham (este ainda está vivo, mas bem debilitado pela idade), um William Branham, um Bill Bright ou, agora, um David Wilkerson. Josué também não tinha a estatura de Moisés; no entanto, o passo para entrar na terra prometida foi dado sob a liderança dele, não de Moisés. Por isso, Deus o exortou a ser forte e corajoso, para ir adiante sem o grande líder e conquistar a terra.

Talvez, ainda não tenhamos perspectiva e percepção suficientes para avaliar plenamente o que significa a mudança de fase para a igreja do século 21. Pelo menos um aspecto, porém, está ficando cada vez mais claro: Deus não está preparando uma nova geração de grandes líderes para conduzir seu povo. Pelo contrário, está passando a unção para uma liderança coletiva em que haverá menos espaço para destaques individuais. A força da Igreja virá mais da comunhão entre líderes de origens e ênfases diferentes, ligados por vínculos verdadeiros e unidos pela mesma voz do Espírito, do que de poderosos ministérios individuais. Entraremos na terra prometida em que um governo de sacerdotes e juízes tomará o lugar do líder individual (Dt 16.18-22; 17.8-11), e o povo se transformará no temível exército de Deus. Esse é o desejo que o Senhor tem para nós, e já é hora de ser realizado.

Isso não significa que devemos simplesmente nos esquecer de Moisés e começar uma nova etapa sem ele. As revelações e instruções dadas por intermédio de Moisés lançaram o fundamento permanente da nação de Israel, e continuam sendo a base da revelação de Deus nas Escrituras. Sem querer, por um instante, colocar David Wilkerson num patamar comparável ao de Moisés, devemos compreender que a nova geração não entrará na herança que é responsável por conquistar sem atentar às lições e mensagens que os grandes líderes do século passado nos deixaram (juntamente, é claro, com tudo o que recebemos das demais gerações anteriores).

Pastor, evangelista ou profeta?

No caso específico de David Wilkerson, o que devemos receber como legado espiritual? Pessoalmente, vejo duas contribuições que se sobressaem de modo especial (além, é claro, dos importantes ministérios que iniciou e que continuam ainda hoje, como Desafio Jovem, World Challenge e Times Square Church). A primeira e mais óbvia vem do exemplo prático de ouvir e obedecer à direção de Deus, não apenas uma vez, mas várias, ao longo de seu ministério. Abordamos essa importantíssima lição de vida em artigo separado (David Wilkerson: Um Exemplo de Obediência Radical).

A segunda vem de sua mensagem profética, uma contribuição bem mais polêmica e difícil de analisar. Wilkerson nunca chamou a si mesmo de profeta e não encorajava ninguém a fazer isso. Depois de começar numa pequena igreja de interior como pastor, foi para Nova York como evangelista, viajou pelo país e pelo mundo também como evangelista, voltou a Nova York em 1987 para ser pastor outra vez e ministrou nos últimos anos em conferências internacionais para líderes e pastores. No meio de tudo isso, porém, havia uma linha claramente profética que veio à tona pela primeira vez em 1973, quando transmitiu uma visão sobre acontecimentos futuros, nos Estados Unidos e no mundo, publicada posteriormente com o título The Vision.

O livro causou grande impacto e, também, muitas reações críticas. Alguns acharam que era muito sensacionalista, que Wilkerson estava indo além de sua verdadeira área de atuação. Outros discordaram do tom negativo, com previsões pessimistas de catástrofes, destruição e ruína econômica.

Ao longo dos anos, Wilkerson entrou nessa área profética várias vezes. Uma das mais recentes foi em março de 2009, quando postou uma previsão de iminente juízo sobre Nova York e os Estados Unidos em seu blog.

Estou compelido pelo Espírito Santo a enviar uma mensagem urgente a todos os que estão em nossa lista de correspondência […]. UMA CALAMIDADE AVASSALADORA ESTÁ PRESTES A ACONTECER. SERÁ TÃO ATERRORIZADORA QUE TODOS NÓS IREMOS TREMER – MESMO OS MAIS PIEDOSOS. Por dez anos, tenho alertado a cidade de Nova York dos milhares de incêndios que ocorrerão. […] Grandes cidades, por todos os Estados Unidos, viverão levantes e grandes incêndios – tais como vimos em Watts, Los Angeles, anos atrás. Haverá levantes e incêndios em cidades por todo o mundo. […] Estamos sob a ira de Deus. Deus está julgando os flagrantes pecados dos Estados Unidos e das nações. [2]

Fazer previsões específicas, sobretudo com data ou qualificação de iminência, realmente é uma área muito arriscada de atuação, pois, ao longo da história da Igreja, a grande maioria desse tipo de profecia não se cumpriu. É como se Deus quisesse mostrar que ele não autoriza predições do futuro a não ser em raríssimas exceções. Algumas previsões de Wilkerson também não se cumpriram, como quando anunciou que haveria uma queda na Bolsa de Valores no ano de 2000.

Que tipo de profeta?

Entretanto, cabe ressaltar aqui dois aspectos muito positivos do ministério profético de David Wilkerson. O primeiro é que grande parte das previsões feitas por ele se tratava, não de acontecimentos específicos, mas de tendências gerais, do rumo para o qual o mundo estava caminhando. Para uma igreja nos Estados Unidos e no mundo ocidental que estava dormindo espiritualmente, acomodada em prosperidade financeira e sucesso institucional, Wilkerson anunciou que um cenário sombrio viria em breve. Isso tem acontecido, pelo menos em parte. Leia a síntese do que ele anunciou em 1973 e veja se não confere, em muitos pontos, com o que vemos hoje. Mais recentemente, Wilkerson levou a igreja de Times Square a orar por Nova York, alguns meses antes da queda das Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001, porque sentia que algo terrível estava prestes a acontecer.

O segundo e, talvez, mais importante aspecto da contribuição profética de Wilkerson foi sua coragem de enfrentar e denunciar, com veemência e intensidade, as grandes correntes que têm contaminado a mensagem do evangelho nas últimas décadas. Outra vez, denunciar misturas e erros no meio da Igreja não é uma função muito simples, e, com certeza, Wilkerson nem sempre conseguiu entregar sua mensagem de maneira isenta, sem os elementos humanos de crítica e condenação. Houve ocasiões em que chegou a criticar outros ministros abertamente, citando nomes.

Apesar disso, sua voz soou durante muitos anos como uma das poucas capazes de representar o desagrado de Deus com os desvios de complacência com o pecado e de contaminação com o espírito de prazer, poder e prosperidade que predominam no mundo e na Igreja hoje. Essa é uma mensagem que precisará ser ouvida por muito tempo ainda!

Acima de tudo, David Wilkerson deixou um exemplo raro e edificante de quebrantamento e humildade, até o final de sua vida. Não se tornou um profeta amargurado, que tirava prazer de sua visão de iminente juízo, nem tampouco assumiu qualquer postura de infalível ou intocável. Depois que sua previsão sobre a queda da Bolsa de Valores não se cumpriu em 2000, ele escreveu: “Em oração, tenho falado com o Senhor que estou pronto, a qualquer momento, para confessar meu erro – certamente, posso ter expressado meus próprios temores ou falado inadvertidamente. Depois de ver a Bolsa atingindo novos recordes de altura, perguntei a mim mesmo se aqueles que me chamaram de falso profeta não estavam com a razão”.

David Wilkerson completou sua carreira com honra e não está mais entre nós. Contudo, há muito que Deus ainda quer nos comunicar por meio de sua vida, suas mensagens – e sua morte! Que Deus nos dê graça para ouvir!

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Previsões Certas ou Erradas?

A seguir, uma síntese das profecias contidas no livro The Vision, de David Wilkerson, publicado em 1974.

1. Recessão mundial causada por confusão econômica

No máximo, teremos mais alguns anos de prosperidade, e, depois, virá uma recessão econômica que afetará o estilo de vida de todos os assalariados no mundo inteiro. Começará na Europa, afetará o Japão e, finalmente, os Estados Unidos. Haverá uma forte tendência de criar um sistema monetário unificado. O dólar norte-americano será muito enfraquecido, e demorará bastante tempo para se recuperar.

2. A natureza passará por dores de parto

Os ambientalistas serão duramente criticados e combatidos. Haverá grandes terremotos, muita fome, maior frequência de enchentes, furacões e tornados.

3. Uma enchente de sujeira e imoralidade

Haverá cada vez mais nudez na televisão, em horários cada vez mais comuns. Haverá uma mistura de sexo e ocultismo. A homossexualidade será mais aceita; até alguns na igreja dirão que foi uma opção dada por Deus.

4. Rebelião na família

O problema número um da juventude nos Estados Unidos e no mundo será ódio ou revolta com os pais.

5. Perseguição contra os que realmente amam a Jesus

Surgirá uma igreja mundial resultante da união entre protestantes e católicos liberais, usando o nome de Cristo apenas como formalidade. Haverá um movimento de ódio a Cristo. Virá um grande despertamento espiritual nos países da Cortina de Ferro [do bloco soviético] e da Cortina de Bambu [China e vizinhos comunistas].

6. Previsões diversas

— Haverá uma nova droga popular com adolescentes que quebrará a resistência deles à atividade sexual.

— Pessoas homossexuais, do sexo masculino e feminino,  serão ordenadas ao ministério, o que será visto como um grande avanço de aceitação e tolerância.

— Surgirão práticas de ocultismo nas igrejas.

Fonte: http://www.worldchallenge.org/about_david_wilkerson


[1]Veja matéria publicada na revista Impacto, edição 31 (set/out 2003) sobre a vida de Kenneth Hagin, Derek Prince e Bill Bright.

[2]Para ler esta advertência na íntegra, acesse www.worldchallenge.org/pt/node/6329

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