Dar com Extravagância

06/10/2013 Publicado por: Revista Impacto

Este artigo pertence a:
Edição 75

Dízimo: lei ou graça?

A Alegria de Experimentar Encontros de Poder nas Finanças

Mike Bickle

Mike Bickle é diretor da International House of Prayer – IHOP (Casa de Oração Internacional), em Kansas City, EUA, uma missão que enfatiza oração com adoração 24/7 (vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana) vinculada a iniciativas evangelísticas e ações de justiça social.

A seguir, alguns trechos extraídos de uma palestra dada em 2009 sobre um dos sete compromissos que um forerunner (precursor da Segunda Vinda de Cristo) deve assumir. (Os outros seis são: orar diariamente, jejuar semanalmente, participar de ações de justiça social, viver em santidade, ministrar a outros com diligência e testemunhar com ousadia.)

A série completa de palestras e as transcrições das mesmas (em inglês) pode ser encontrada no site: www.mikebickle.org.

Quando falo sobre encontros de poder nas finanças, refiro-me a experiências em que o Senhor responde às nossas doações financeiras de uma forma que corresponde exatamente ao valor que acabamos de contribuir. É algo que nos assombra e estimula nosso espírito. É um gesto de Deus para conquistar-nos, atrair-nos e tocar-nos de maneira extremamente pessoal, trazendo motivação e entusiasmo para avançar ainda mais. Faz-nos olhar para o Céu e dizer: “Puxa, o Senhor está olhando para mim! Está se importando comigo, notando as minhas ações”.

Não dá para viver a vida cristã sem incluir o fator dinheiro. Muitas pessoas pensam que amar Jesus só tem a ver com ler a Bíblia e testemunhar aos perdidos. Contudo, há uma dimensão nas finanças que afeta profundamente nossa espiritualidade, nosso crescimento e, até mesmo, nossa motivação.

O principal texto sobre dízimo na Bíblia está em Malaquias 3.10: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós bênção sem medida”.

Quando falo sobre dar com extravagância, refiro-me a ir acima e além do dízimo. Entendo, porém, que há muitos que nem sequer chegaram a esse ponto inicial na vida cristã. Dar o dízimo é um dos pontos mais básicos para um novo cristão. Dar 10% não é o “teto” para nós; é o lugar de partida, já que, no início da vida cristã, não sabemos muito como agir em relação ao dinheiro.

É como se o Senhor estivesse dizendo: “Esse é o ponto de partida: você me entrega 10% do seu dinheiro, e eu lhe abençoarei de uma forma que o entusiasmará. Você descobrirá que terá mais poder de compra e mais capacidade de usar seus recursos com 90% do total do que com os 100% sem a bênção do Senhor”.

Veja o que mais Deus diz nesse texto: “Provem-me, podem me testar”. É a única passagem na Bíblia em que somos ordenados a provar o Senhor. Não podemos prová-lo em nenhuma outra área a não ser nessa. Isso é muito emocionante porque é uma permissão para irmos além, estendendo mais e mais os limites para ver o que Deus fará. Ele promete que podemos prová-lo e ver se ele não abrirá as janelas do Céu, derramando tanta bênção que não teremos espaço para receber tudo.

Meu primeiro encontro de poder

No início da minha vida cristã, quando tinha 18 anos, meu herói era Hudson Taylor, um médico da Inglaterra que foi para a China no século 19 e investiu grande parte de sua vida lá. Eu queria ser igualzinho a ele. Uma das coisas que admirava era sua forma de dar extravagantemente para Deus. Vivia em simplicidade e dava tudo o que podia. Não contava a ninguém sobre suas doações, muito menos sobre suas necessidades. Não é errado revelar uma necessidade, mas a resposta de Deus pode ser ainda mais emocionante quando ninguém sabe a respeito dela. Aí, quando vem a solução, você sabe que foi mesmo o Senhor!

Quero encorajá-lo a ler biografias de homens e mulheres que demonstraram dedicação incomum ao Senhor. Você será inspirado e desafiado a ver que é possível ir muito além no seu relacionamento com ele.

Assim, inspirado pela vida de Hudson Taylor, comecei a exercitar minha própria fé. Muitas pessoas estavam convertendo-se na nossa igreja, e nenhuma delas tinha uma Bíblia. Resolvi adquirir 200 exemplares do Novo Testamento para dar um a cada novo convertido. O custo era de pouco mais de 300 dólares. Meu salário era de apenas 30 dólares por semana; portanto, era um valor considerável para mim. Eu nunca havia dado um passo de fé como esse de ofertar 300 dólares para o Reino. Mesmo sem ter o dinheiro, fiz o pedido e contei a todos que iriam ganhar um Novo Testamento. Ficamos todos muito empolgados.

O dia fatídico chegou. Era um sábado. O pacote estava no correio, e eu precisava buscá-lo. Ainda sem o dinheiro, comecei a ficar ansioso. Uma hora antes do prazo final de buscar o pacote, alguém me entregou um cheque de US$ 301,25. Ninguém poderia ter adivinhado esse valor! A conta dos Novos Testamentos era de exatamente US$ 301,24!

Fiquei muito aliviado porque não teria de enfrentar a vergonha de chegar ao correio sem o dinheiro. Enquanto estava a caminho, exclamei: “Deus, teus olhos estão sobre mim. Tu estás me acompanhando. Tu te importas comigo. Estou atônito!”.

Imagine o que aconteceu depois dessa experiência! Nos dois ou três anos seguintes, o mesmo tipo de encontro de poder repetiu-se mais de dez vezes. Minha confiança de que Deus estava “me acompanhando” na área de finanças cresceu muito e fiquei cada vez mais empolgado. Essas experiências representam uma parte significativa da minha jornada espiritual.

Muitos cristãos que amam a Jesus nunca se aventuram, nem lhe obedecem nessa área. Estão perdendo grande parte do drama de andar com o Senhor e da emoção de perceber que seus olhos nos contemplam com prazer e aprovação. Quando ele responde e se envolve em nossas experiências, é como receber um beijo do Céu.

Doando nossa reserva financeira

Pouco tempo antes de me casar com a Diane, ela me contou que tinha um valor guardado em dinheiro (5 mil dólares), fruto da economia de vários anos. Eu já havia compartilhado com ela a respeito dos meus encontros de poder na área financeira e como Deus respondera vez após vez. Mas nunca tivera uma quantia tão grande, nem sabia como era ser dono de tanto dinheiro.

Então, eu lhe disse: “Bom, nós vamos nos casar em duas semanas. O que eu gostaria de fazer com esse dinheiro que você tem é o seguinte: vamos semear tudo em missões!”.

Ela levou um tempo para responder, mas logo concordou: “Sim, vamos fazer isso!”.

Dois anos e meio depois, conseguimos dar entrada na compra de uma casa. Em pouco tempo, o zoneamento do imóvel passou de residencial para comercial. O dono de uma empresa procurou-me, querendo comprar a casa. Vendi-a para ele com lucro de US$ 55 mil!

Falei com a Diane: “Veja o que Deus fez com seus 5 mil dólares! Ele lhe devolveu 55 mil!”.

Nem sempre os números correspondem de forma tão exata, mas muitas vezes Deus faz isso para mostrar que não é coincidência – ele está respondendo a uma atitude que tomamos! Isso nos comove profundamente!

No fim, devolvemos todo esse dinheiro novamente para Deus. Cada vez que ele nos abençoava, nós o devolvíamos e o provávamos de novo.

Devolução exata – em dose dupla!

No nosso primeiro ano em Kansas City, pastoreando uma igreja, conversei com uma senhora ao telefone que estava com uma necessidade muito urgente de US$ 550. Era mais ou menos o valor do nosso salário da semana. Nós nunca tínhamos reservas financeiras; não porque seja errado guardar dinheiro, mas nossa experiência era viver em simplicidade e oferecer a Deus tudo o que sobrava. Assim, nunca tínhamos dinheiro extra. Para dar essa oferta, teríamos de pegar o dinheiro do aluguel ou de outra despesa essencial.

Conversei com minha esposa e falei sobre a necessidade especial daquela senhora. Eu sempre conferia com a Diane e só fazia a doação se ela estivesse de acordo. Então, ela disse: “Vamos fazer isso, sim”.

Duas semanas depois, num culto de terça-feira à noite, sem que ninguém soubesse dessa situação, um irmão chegou perto de mim e cochichou: “O Senhor mandou dar US$ 550 a você”. Ele estava com as notas enroladas num pequeno maço e colocou-as na minha mão.

“Isso é estupendo”, eu disse. “Muito obrigado, eu aceito!”

Fiquei muito emocionado, porque o Senhor me devolvera a quantia exata que eu havia doado.

No final da reunião, orei por algumas pessoas. Aproximei-me de um casal, e o homem me disse: “Estou numa crise muito séria”.

Vi que ele estava realmente angustiado. “O que está acontecendo?”

“Estou precisando de US$ 550 urgentemente, hoje mesmo!”

Enfiei a mão no bolso, tirei o maço de dinheiro que acabara de receber, todo separado e empacotado. Entreguei-o a ele, que disse com os olhos arregalados: “Obrigado, Deus, obrigado, Deus! É um milagre, um milagre!”.

Imaginei que ele estivesse pensando: “Será que esse pastor sempre anda com um maço de US$ 550 pronto para doar?”.

Bem, eu acabara de voltar para a estaca zero, mas as experiências estavam muito emocionantes. Eu estava achando a jornada muito divertida.

Era hora de ir embora; todo mundo já havia saído da reunião. Estávamos trancando o prédio quando um irmão veio falar comigo.

“Ah, que bom que o encontrei! Não sei como explicar, estou um pouco constrangido, mas o Senhor mandou-me dar US$ 550 a você. Sei que é um pouco estranho…”

“Não”, respondi imediatamente. “Não é estranho. Confie em mim, não tem nada de estranho nisso!”

Outra vez, o Senhor devolveu-me o valor exato. Não foi US$ 560, nem US$ 700 ou US$ 400. Foi o valor exato que eu doara. Ele estava me dizendo: “Mike, estou olhando para você. Estou envolvido nisso e estou gostando do que vejo. Quero que saiba o quanto me importo com você”.

No fim, acabei voltando ao mesmo valor que tinha inicialmente. Mas a parte emocionante foi a certeza do envolvimento e da aprovação de Deus.

Uma resposta imediata

Em outra ocasião, eu estava conversando com uma senhora, nova convertida, ao telefone. Ela precisava de 2 mil dólares e estava muito angustiada. “Preciso desse dinheiro até às 17 horas”, ela disse.

“Você está dizimando?”, perguntei-lhe. É uma das coisas que mais gosto de fazer: convencer as pessoas a ofertar. Dessa forma, incentivo-as a interagir com Deus. Sei, por experiência própria, a dinâmica que será deflagrada em sua vida.

“Dízimo?”, ela respondeu. “O que é isso?”

“Você oferece para Deus 10% do que ganha.”

“Claro que não; impossível! Não tenho condições de fazer isso; ganho muito pouco.”

“Você não tem condições de não fazer isso! Honestamente, você não tem!”

“Puxa”, ela respondeu. “Você acabou de aumentar ainda mais a carga que já estava pesada!”

“De maneira alguma”, afirmei. “Não estou dizendo que é uma regra. É Deus atraindo seu coração para se envolver com você. Ele quer mostrar que conhece você pelo nome. Ele se envolverá em sua vida se você permitir. Mas precisa ser nas condições dele, e não nas suas. Estes são os termos dele: você abre mão do dinheiro e diz: ‘Deus, ó Deus, o Senhor está olhando? Eu te amo!’.”

Contei alguns testemunhos e, finalmente, ela concordou. “Tudo bem. Vou começar, então.”

“E eu estou com você em relação à sua necessidade de 2 mil dólares. Não tenho a resposta, mas estou sentindo a pressão, juntamente com você.”

Eu estava disposto a fazer qualquer coisa que estivesse ao meu alcance para conseguir esse valor para ela. Eu não tinha certeza de como o Senhor responderia, mas cria que seria por intervenção sobrenatural.

Alguns momentos depois, atendi um casal no meu gabinete pastoral. Não os conhecia ainda, porque eu estava recém-chegado na igreja. O homem estava sofrendo opressão e pesadelos noturnos. Fiz uma oração simples, e houve manifestação de demônios. Depois de pouco tempo, o demônio saiu. A esposa ficou espantada, mas o marido estava aliviado, sentindo-se muito melhor. Na saída, ele se virou e me disse: “Aqui está um cheque, quero deixar como simples gesto de gratidão. Pode entregá-lo a quem você quiser ou ficar com ele!”. Era um cheque de 2 mil dólares!

Depois que saíram, peguei o telefone e liguei para a mulher que precisava do dinheiro.

“Olá, está tudo bem?”

“Ah”, ela respondeu, “está ficando tarde. Já são quase 17 horas. Estou perdida!”

“Deus já respondeu”, eu disse. “Estou com um cheque no valor exato para você.”

“Não é possível!”, ela exclamou.

“Sim, é verdade. Não significa que sempre será assim, mas dessa vez o Senhor quis chamar sua atenção.”

Veja: não era um valor maior nem menor; não veio um mês ou dois dias depois. Veio dentro do prazo, no valor exato. Deus estava acompanhando a nossa conversa.

Escrevendo uma história singular

Para ser honesto, não é sempre que acontece dessa forma. Houve vezes em que confiei que Deus me enviaria um valor, mas não chegou. Não existe nenhuma regra mágica do tipo: “Ofereça o que tem a Deus, e tudo o que tocar se transformará em ouro!” Porém, Deus nos concede muitas experiências poderosas que marcam a nossa vida e escrevem a nossa história secreta com ele.

Ninguém, ou quase ninguém, compreende plenamente a jornada espiritual do outro. Você e Deus estão numa jornada juntos, num diálogo particular que envolve uma correspondência entre o seu coração e Deus e entre o coração dele e você. Isso envolve decisões e obediências secretas e dolorosas. As decisões financeiras fazem parte disso.

Deus tem um livro de contabilidade que está sempre atualizado. Ele sabe de cada vez em que você fez uma doação por confiar nele, numa entrega verdadeira para dar com extravagância, muito além do dízimo.

Isso não significa que todos os seus problemas financeiros desapareçam. Porém, você terá momentos de intervenção, pontos de exclamação celestiais quando o Senhor interferirá na sua experiência e trará socorro.

Todo cristão pode ter encontros de poder. É algo que vai muito além de dizimar. O encontro de poder afeta a vida daquele que doa, mudando radicalmente seu interior e seu relacionamento com Deus; ao mesmo tempo, afeta profundamente a vida de quem recebe. Aquelas pessoas que receberam o valor exato de que precisavam, dentro do prazo, ficaram pasmas diante da provisão divina. Concluíram que o Senhor, de fato, estava envolvido com elas e as amava.

No meu caso, senti que Deus me dizia: “Poderei usá-lo se você quiser fazer parte da minha história! Para aceitar, obedeça às impressões que lhe dou e abra o bolso para doar às pessoas. Não feche sua mão. Meus olhos estão sobre você”.

“Porque o serviço desta assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus” (2 Co 9.12).

As pessoas que estão sendo auxiliadas dirão: “Obrigado, obrigado, Senhor. Oh, como eu te amo! O Senhor está olhando para mim”.

Dar com extravagância traz vibração e alegria indizível à nossa vida espiritual. Libera uma dinâmica maravilhosa no nosso andar pessoal com Deus. Está à disposição de todos nós!

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