Cosmovisão Bíblica

Data de publicação: 28/08/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 43 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 43

Compilado por Christopher Walker

Extraído e compilado a partir de dados e matérias do site do “The Barna Group” (www.barna.org) e do livro “Think Like Jesus” (“Pense como Jesus”), de George Barna, Integrity Publishers, EUA, 2003. Todos os direitos autorais desses dados pertencem ao “The Barna Group”

As estatísticas vêm indicando dados alarmantes há bastante tempo. O comportamento dos cristãos difere cada vez menos dos não-cristãos. Quanto mais a igreja cresce, menos diferença faz na sociedade em que vive. De acordo com alguns, os índices de certos comportamentos contrários aos padrões de Cristo, como o divórcio, podem ser até piores na igreja do que na sociedade em geral.

O Grupo Barna, com sede na Califórnia, EUA, é hoje, provavelmente, o mais conhecido instituto de pesquisa especializado em tendências e estatísticas no meio cristão. De acordo com duas pesquisas feitas nos Estados Unidos em 2002 e 2003, em âmbito nacional, há uma explicação para essa falta de mudança de comportamento entre os cristãos: a maioria não tem cosmovisão bíblica. O resultado das pesquisas, realizadas com mais de 2000 pessoas em todo o país, revela que somente 9% das pessoas que dizem ser nascidas de novo possuem uma cosmovisão bíblica. Quando se trata de jovens e adolescentes cristãos, o número é menor ainda: minúsculos 2%.

O Que Significa Cosmovisão?

Talvez você não saiba o que é cosmovisão. Como alguém pode ser cobrado por algo que nem conhece? Deve ser privilégio de pouquíssimas pessoas, daquelas que são estudiosas, intelectuais, informadas…

Idéia totalmente equivocada. Todo mundo tem uma cosmovisão, até mesmo o indivíduo menos culto e menos consciente da existência de tal coisa.

Cosmovisão é uma forma mais precisa e técnica de dizer visão de mundo. Podemos defini-la de diversas maneiras:

“A soma total de nossas crenças a respeito do mundo” (Charles Colson).

“Nosso conjunto de pressuposições sobre a constituição básica do mundo; um conjunto de crenças e conceitos que produzem uma base de referência para todo o nosso pensamento e ação” (James Sire em The Universe Next Door, “O Universo ao Lado”, Intervarsity Press, 1997).

“Um conceito ou compreensão abrangente do mundo” (Dicionário Webster).

“Uma base ou estrutura usada para enxergar a realidade e conferir sentido à vida e ao mundo” (Del Tackett).

“Qualquer ideologia, filosofia ou conjunto de idéias que fornece uma perspectiva geral para a compreensão de Deus, do mundo e da relação do homem com Deus e com o mundo” (David Noebel).

A definição no dicionário Aurélio é uma das melhores:

“Compreensão geral do universo e da posição nele ocupada pelo homem, que se expressa por um conjunto mais ou menos integrado de representações, e que deve determinar, em última instância, a vontade e os atos de seu portador.”

A cosmovisão reúne tudo que a pessoa acredita ser a maneira certa de interpretar a realidade, tornando-se assim a força impulsora por trás de todas as suas emoções, decisões e ações, e afetando suas reações em todas as áreas da vida. Por exemplo, uma criança de dois anos acha que ocupa o centro do universo, um humanista secular acredita que nada existe além do mundo físico, um budista crê que pode ser liberto do sofrimento através de autopurificação e um marxista afirma que a chave da vida está nos conflitos econômicos entre as classes sociais. De acordo com sua visão, cada uma das pessoas acima irá direcionar sua vida e tomar suas decisões mais fundamentais.

Uma Cosmovisão Responde às Perguntas Básicas da Vida

1) O que é, em última análise, a fonte e natureza da realidade primordial? (por exemplo, “Deus” ou matéria/energia).

2) Se Deus existe, como é sua natureza? Ele é um ser distante ou interage com sua criação? É passivo ou ativo no seu governo do universo? ·

3) O que é a natureza básica do universo? Existe uma causa para sua criação ou tudo aconteceu por acaso?

4) O que é o ser humano? Como podemos definir a natureza básica, o significado e o destino da humanidade?

5) O que acontece com o homem após sua morte?

6) Que base usamos para estabelecer ética e moralidade? Como uma pessoa ou sociedade decidem o que é certo e errado?

7) Que base temos para determinar o que é a verdade? Como uma pessoa pode saber que algo é verdadeiro? Quais são nossos critérios?

Uma cosmovisão formal é aquela que possui uma estrutura filosófica bem definida e que é conhecida e adotada por um número expressivo de pessoas. Exemplos atuais são: pós-modernismo, existencialismo, humanismo, panteísmo, nova era e niilismo. Cada uma defende suas idéias como se fossem a única forma correta de perceber o mundo e de se relacionar com a vida.

A grande maioria das pessoas, porém, não tem uma cosmovisão que se enquadre perfeitamente sob um determinado rótulo. Alguém pode ser classificado como humanista, por exemplo, sem necessariamente possuir um conjunto de valores exatamente igual ao de outros humanistas. Existe uma enorme diferença entre o conjunto sistemático de premissas e afirmações de uma cosmovisão formal e as crenças complexas, fragmentadas e, às vezes, contraditórias de cada ser humano.

É exatamente este o quadro que apareceu na pesquisa do Grupo Barna. Entre aqueles que professavam ser cristãos nascidos de novo, muito poucos tinham uma visão de mundo que pudesse ser definida como cristã.

Metodologia da Pesquisa

Para a finalidade da pesquisa, a identificação de um cristão não era vinculada ao fato da pessoa ser membro de determinadas igrejas ou denominações. Era baseada na resposta afirmativa às seguintes perguntas: (1) Você já fez um compromisso pessoal com Jesus Cristo que ainda é importante e válido hoje? e: (2) Você acredita que irá para o céu quando morrer, pelo fato de ter confessado seus pecados a Jesus e de tê-lo aceitado como Salvador?

Para saber se a pessoa tinha uma cosmovisão bíblica ou não, eram feitas as seguintes perguntas:

1. Existem verdades morais absolutas?

2. A verdade absoluta é definida pela Bíblia?

3. Jesus Cristo viveu uma vida totalmente sem pecado?

4. Deus é o Criador do universo, todo-poderoso e onisciente, e ele ainda o governa hoje?

5. A salvação é um dom de Deus que não pode ser obtido por merecimento?

6. Satanás realmente existe?

7. O cristão tem responsabilidade de compartilhar sua fé em Cristo com outras pessoas?

8. A Bíblia é precisa e confiável em todos os seus ensinamentos?

Implicações da Pesquisa

As conclusões foram extremamente relevantes, não só para mostrar a incrível falta de valores e atitudes bíblicas entre os cristãos, mas também o efeito que essa falta tem sobre o comportamento.

Foi demonstrado, por exemplo, que existe uma diferença muito maior entre cristãos com e sem cosmovisão bíblica do que entre cristãos em geral e não-cristãos.

Em outras palavras, a decisão de aceitar o valor da morte de Jesus para perdoar seus pecados e garantir uma vida eterna não traz em si mesma um grande impacto sobre a vida das pessoas que estão enchendo as igrejas evangélicas. Continuam pensando como o mundo – conseqüentemente, continuam agindo como o mundo.

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Quadro 1 – Aprovação de comportamentos:

Comportamento

Pessoas sem Cosmovisão Bíblica

Pessoas com Cosmovisão Bíblica

Aprovação de aborto

46%

Menos de 1%

Descrever pornografia como moralmente aceitável

39%

Menos de 0,5%

Aprovar coabitação (viver juntos sem casamento)

62%

2%

Aprovação de união homossexual

31%

2%

Aprovação de embriaguez

36%

2%

Aceitação de profanidade (palavrões)

37%

3%

Descrever adultério como moralmente aceitável

44%

4%

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Quadro 2 – Comportamentos Praticados Recentemente:

Comportamento

Propensão das pessoas sem cosmovisão Bíblica em relação às pessoas com cosmovisão Bíblica

Comprar bilhetes de loteria

8 vezes mais

Fazer algum tipo de aposta

17 vezes mais

Embriagar-se

3 vezes mais

Ver pornografia

2 vezes mais

Discutir algum assunto espiritual com alguém no último mês

2 vezes menos

Jejuar no último mês

2 vezes menos

Ser infiel ao cônjuge no último mês

15 vezes mais

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Quadro 3 – Comportamentos Praticados na Última Semana:

Comportamento

Cristãos com Cosmovisão Bíblica

Cristãos sem Cosmovisão Bíblica

Não Cristãos

Prestou serviço voluntário por mais de uma hora a uma entidade assistencial

49%

29%

22%

Optou por não assistir a um filme ou vídeo por causa do conteúdo inaceitável

50%

27%

14%

Leu a Bíblia sem ser em culto público, em igreja ou sinagoga

93%

54%

24%

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Quadro 4 – Convicções:

Comportamento

Cristãos com Cosmovisão Bíblica

Cristãos sem Cosmovisão Bíblica

Não Cristãos

Cada pessoa tem uma existência eterna, com Deus ou sem Deus

93%

75%

52%

A Bíblia, o Alcorão e o Livro de Mórmon não são livros com ensinamentos morais de igual valor

85%

30%

13%

A Bíblia condena especificamente a homossexualidade

92%

47%

27%

Não é possível comunicar-se com pessoas depois de mortas

78%

43%

30%

Um ser humano pode estar sob influência de forças espirituais como de demônios

88%

37%

17%

A verdade não pode ser descoberta somente pela lógica, raciocínio ou experiência pessoal

71%

25%

18%

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Veja, por exemplo, a questão da ba­se que as pessoas usam para tomar de­cisões morais ou escolhas éticas. Entre adultos cristãos, somente 60% dos pes­quisados baseavam suas decisões em algum conjunto específico de princípios e padrões. Para piorar ainda mais, um pouco menos da metade desses usa­va a Bíblia como a bússola para esta­belecer seus princípios de vida. E, mais chocante ainda, só metade desse último grupo acreditava em verdade moral absoluta. Os outros achavam que de­cisões morais deviam ser feitas com ba­se na percepção do indivíduo ou na si­tuação específica, ou nem tinham pen­sado sobre o fato da verdade ser abso­luta ou relativa. Ou seja, somente 14% dos adultos cristãos dependiam da Bí­blia como sua bússola moral e criam em verdade moral absoluta. E nem to­dos esses tinham uma cosmovisão bí­blica completa, considerando os outros itens citados acima.

De acordo com George Barna, fundador e diretor do instituto de pesquisa, o grande objetivo do cris­tão deveria ser viver e agir como Je­sus. “Infelizmente, poucas pessoas de­monstram consistentemente o amor, a obediência e as prioridades de Jesus. A principal razão das pessoas não agi­rem como Jesus é porque não pensam como Jesus. O comportamento é re­sultado do nosso modo de pensar das nossas atitudes, convicções, valo­res e opiniões. Embora a maioria das pessoas tenha uma Bíblia e conheça algo do seu conteúdo, nossa pesqui­sa demonstrou que poucas sabem co­mo integrar princípios bíblicos básicos para constituir uma resposta unificada e significativa aos desafios e oportu­nidades da vida. Geralmente estamos mais preocupados em sobreviver no meio do caos do que em experimentar verdade e propósito significativo.”

“Todo esse assunto de cosmovi­são”, Barna complementa, “é, em parte, a minha reação ao fato de que, quan­do as pessoas estão tomando decisões, elas não param para ponderar: ‘Como Jesus pensaria nesta situação? Que ti­po de alternativas ele consideraria?’ Essa seria a nossa melhor chave para fazermos a escolha certa.”

5 respostas para “Cosmovisão Bíblica”

  1. Zaqueu disse:

    Boa Tarde!!!!

    Esta bela pesquisa e este estudo deveria ser difundido nas igrejas com intuito de abrir a mente do povo de Deus, para ajudá-los a mudar a forma de ver o Cristianismo. Como Disse O Profeta Joel: “O Povo de Deus perece é por que lhes falta conhecimento”.

    Achei oportuno e muito interessante.

    Obrigado!!!!

  2. Fábio Henrique disse:

    “Todo aquele, pois, que ouve estas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.” Mateus 7:24-27
    Aqui o Senhor Jesus novamente divide os membros da Igreja em dois grupos. Este pensamento se repete muitas vezes na Bíblia: trigo e joio virgens prudentes e insensatas, enfim. Agora vemos aqui um homem prudente e outro homem insensato. Ambos reunidos na mesma Igreja. O homem prudente edifica a sua casa sobre a rocha e quando vêm a tempestade, as turbulências e as enchentes, a casa permanece firme. O homem insensato edifica sua casa sobre a areia e quando os ventos sopram, a tempestade vem e a noite escura chega, a casa cai em pedaços porque foi construída sobre a areia… Atitudes revelam o verdadeiro seguidor de Cristo e o que lemos nesse belíssimo estudo é a tipificação dos ensinamentos da palavra: ” Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não o serve.” Malaquias 3:18

  3. Fernanda disse:

    Fazendo uma correção. “O povo de Deus perece por falta de conhecimento” está em Oséias 4.6

  4. Admar disse:

    E Jesus afirma no texto que a “Rocha” que sustenta a fé, são os seus ensinamentos. Prudente é quem ouve e pratica, quem ouve e não pratica é considerado por Ele como insensato…!

  5. Mardey Seixas Pantoja disse:

    É o que eu acho, muito interessante! O que tem faltado nos ensinamentos dentro e fora “das quatro paredes” (igreja física) é a o ensinamento, o treinamento do povo que vai morar com Jesus, e que é preciso orientar e treinar esse mesmo povo no qual eu me incluo, a saber viver diferente como Jesus, que ao andar no meio das trevas, não se deixar se contaminar e ainda assim ser luz.
    Eu penso que enquanto estivermos palmilhando nesta terra, temos que ter essa cosmovisão bíblica.
    Alguém escreveu: Que após os cultos de domingo era para as famílias voltarem para as suas casas treinadas, bons pais, bons filhos, mas às vezes prega-se muito em ir para o céu e pouco como nos comportarmos aqui na terra para subirmos. Martinho Lutero escreveu que o evangelho que não trata o problemas quotidiano, não é evangelho. Deus seja louvado pela vida de vocês, pelas pesquisas desse trabalho maravilhoso. Se pudéssemos ter esses ensinos nas congregações seria uma grande bênção.

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