Como Foi Gerada a Igreja

Data de publicação: 29/04/2011
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Edição 60 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 60

Por Ezequiel Netto

A reestruturação da igreja é um desafio que muitos estão arriscando-se a trilhar hoje. Cristãos insatisfeitos com a realidade atual buscam uma igreja de acordo com o Novo Testamento. E, para isso, a base é sempre o livro de Atos. Cada palavra e cada vírgula desse livro são analisadas com o objetivo de se produzir uma igreja segundo os moldes bíblicos, com todo o seu vigor. No final, porém, algo muito esquisito acontece, e o resultado acaba não reproduzindo a mesma vida e o poder de Deus manifestos na primeira igreja. Como observou o amigo Pedro Arruda, em Atos, com uma pregação, converteram-se 3 mil pessoas (na realidade, foi muito mais, pois a conta inclui apenas os homens). Na igreja que estamos edificando, com 3 mil pregações, converte-se (de fato) uma pessoa. Esse é um sinal de que muitas reflexões precisam ser feitas…

O problema principal de andarmos por essa lógica é que a igreja não começou a ser gerada em Atos 2. Resumidamente, ela passou pelas seguintes fases.

1) Comunhão perfeita na Trindade

Quem edifica a igreja, algo que nenhum homem é capaz de fazer, é Jesus. Antes da criação, o Pai, o Filho e o Espírito Santo viviam em perfeita comunhão; foi nesse ambiente que surgiu o propósito de ampliar o círculo (Hb 2.10 e Jo 17.21), e é para isso que a humanidade e, depois, a igreja vieram a existir. Na encarnação, Jesus, mesmo com as limitações humanas, manteve vivo o relacionamento que sempre tivera com o Pai.

2) Jesus vivendo a vida natural em Nazaré em comunhão com o Pai

O ministério de Jesus só começou aos 30 anos, pois havia necessidade de ele estar plenamente capacitado para tal. Mas, em vez de enviá-lo para estudar com os mestres da Lei e os grandes rabinos da época, o Pai Eterno entendeu que o melhor lugar para obter capacitação seria a carpintaria de seu pai natural José, local onde ele teria de seguir ordens, obedecer a horários, cumprir tarefas e trabalhar com honestidade, conseguindo um bom testemunho de todos. Nesse ambiente, Jesus também aprendeu a consertar o “pau que nasce torto…” – serviço que seria muito útil no ministério com os homens. A única coisa de que precisava, nessa fase, era viver de acordo com o relacionamento pessoal que mantinha com o Pai.

3) Jesus ensinando aos discípulos na Galiléia como viver em comunhão com o Pai e uns com os outros

Deixando o trabalho na carpintaria e a casa dos pais naturais, Jesus ganhou novos elementos para a comunhão com Deus – os discípulos. Nessa etapa, Jesus ensinou-lhes como um ser humano pode relacionar-se com Deus de maneira perfeita, expressando-o no relacionamento de uns com os outros.

4) Jerusalém – agora quem ensina são os discípulos

Quando o alicerce de comunhão vertical (com Deus) e horizontal (entre os discípulos) já estava solidificado, e a obra de Jesus estava consumada, o Espírito Santo deu aos discípulos o poder de gerar a mesma experiência de vida em uma quantidade infinita de pessoas.

Assim nasceu a igreja! Portanto, o que aconteceu em Atos foi consequência de todo o processo que vinha sendo desenvolvido desde os céus. E é justamente por não seguir a mesma metodologia de Deus em edificar a igreja que o fruto que produzimos hoje é bem diferente daquele que ele produziu. Nossos grandes líderes são preparados nos seminários modernos enquanto Deus treinou o maior líder de todos em uma carpintaria! E não podemos esquecer que o objetivo final é retornar ao início de tudo, mas com uma grande família (a igreja) participando da comunhão perfeita entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Frank Viola observa que, justamente por não considerarem as verdadeiras bases para a edificação da igreja, poucos daqueles que saem da igreja institucionalizada para as igrejas nos lares alcançam seu objetivo. De acordo com ele, a típica igreja na casa consegue sobreviver por um período de seis meses a quatro anos. No final desse tempo, ela geralmente se dissolve devido a uma divisão irreconciliável ou a uma crise sem solução.

Em poucas palavras, quando Jesus Cristo não é o centro da igreja no lar, o único combustível que consegue motivá-la é um tema interessante, uma personalidade carismática ou uma doutrina engenhosa. Entretanto, nenhum desses combustíveis consegue levar a igreja caseira para muito longe. E, quando a gasolina acaba, o grupo entra em colapso.

O mesmo autor afirma que a maioria das igrejas nas casas que desapareceram não estava fundamentada sobre a revelação de Jesus Cristo. Possuía, em seu lugar, algo de menor valor. Existe uma grande variedade de razões para os cristãos se reunirem – incluindo algumas bem nobres que têm a ver com Cristo. Mas existe uma enorme diferença entre reunir-se ao redor de “algo” que tem a ver com o Senhor e reunir-se ao redor do próprio Senhor. Jesus Cristo é a única fundação inabalável sobre a qual o povo de Deus pode ser verdadeiramente edificado.

Se nos mantivermos firmes no projeto do Novo Testamento quanto à forma pela qual a igreja deve reunir-se, como poderemos rejeitar o mesmo projeto quanto à forma de gerá-la? Se nos sentimos obrigados a abraçar os princípios do Novo Testamento em relação à organização da igreja, não estamos obrigados também a adotar seus princípios acerca de plantar igrejas? Talvez, se enfrentássemos essas perguntas com sinceridade, começaríamos a ver mais resultados do Novo Testamento em nossa experiência. E estaríamos mais seguros para desbravar o caminho diante de nós.

Extraído e adaptado de Você quer, realmente, começar uma igreja na casa?, de Frank Viola (www.editorarestauracao.com.br).

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