Como Agir em Tempos de Mudança

Data de publicação: 09/04/2013
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Edição 74 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 74

Por: Angelo Bazzo

Em tempos de mudanças no plano de Deus, um desafio muito importante é saber lidar com nossas expectativas quanto ao cumprimento das promessas do Senhor. Quando você se dedica com paixão a ver uma palavra do Pai realizar-se em sua geração, é possível que se pegue calculando como, exatamente, ele o fará. Uma vez que geralmente Deus age de forma bem diferente daquilo que imaginamos, nossas expectativas podem impedir-nos de ver e acompanhar o seu mover no momento crucial.

João Batista

Vejamos como isso aconteceu na vida de João Batista. Esse homem era um grande pregador, cuja paróquia era um deserto com um rio ao fundo para que todos os que concordassem com sua mensagem fossem imediatamente batizados. Ele havia recebido, de fato, uma palavra expressa de Deus. Era tão precisa que, um dia, ao olhar para Jesus, ele disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Ao invés de atrair as pessoas para si mesmo, ele as encaminhava a Jesus.

Apesar do poder e da pureza de seu testemunho e da honra de apresentar o próprio Messias ao povo de Israel, um pouco mais tarde, quando estava na prisão, esse profeta bronzeado pelo sol do deserto hebreu enviou mensageiros para perguntar a Jesus se ele era, de fato, aquele que havia de vir ou se deveriam esperar outro (Mt 11.2,3).

O que aconteceu? Ele não profetizou da parte de Deus, indicando claramente que Jesus era o Messias prometido? Talvez, por causa das pressões vividas na cadeia, sentindo a morte aproximar-se, ele tivesse questionado o fato de Jesus, como rei do Reino de Deus, não ter ido libertar o seu precursor da cadeia. Talvez, ele tivesse uma expectativa de como seria a manifestação do Messias bem diferente daquilo que estava ouvindo falar a respeito do ministério de Jesus. Com efeito, as profecias bíblicas falavam muito mais sobre a manifestação gloriosa do Messias e a implantação definitiva do Reino do que sobre a sua vinda humilde como servo sofredor.

Temos aqui uma lição muito importante sobre tempos de mudança. João Batista entendia o futuro de uma forma. Porém, os acontecimentos estavam caminhando numa direção totalmente diferente, que sua mente não conseguia acompanhar.

O mesmo pode ocorrer conosco. Quando pregamos, profetizamos ou oramos por algo, é muito possível que não o reconheçamos corretamente quando começar a se cumprir pelo fato de não acontecer da maneira como imaginávamos. O futuro guarda muitas surpresas, e nossas expectativas poderão ser frustradas se não estivermos abertos para o inesperado de Deus.

Simeão

Um exemplo diferente é o de Simeão. Ele viu um bebê sendo dedicado no templo (Lc 2.27) e enxergou nesse pequenino a redenção de Israel. Você seria capaz de fazer isso? Reconhecer em tamanha fraqueza e fragilidade a força para o estabelecimento do Reino de Deus na Terra?

Isso é um exemplo de alguém que estava aberto para ver a mudança de tempo ou estação. Ele não estava vendo os cegos serem curados, nem outro milagre qualquer; viu apenas o bebê de um casal pobre. No meio de uma possível cena de desesperança, ele fez a leitura correta de um Deus que não muda, mas que, quando age na Terra, o faz de tal forma que confunde a mente dos sábios e a força dos fortes (1 Co 1.27-29). Veja o cântico de Simeão em Lucas 2.29-32.

Pedro

Um dos exemplos mais dramáticos na Bíblia de mudança de regras ocorreu na vida de Pedro, em Atos 10. Antes de receber o convite de levar o Evangelho à casa do gentio Cornélio, Deus lhe deu uma visão em que uma voz ordenava que comesse de toda sorte de animais imundos (At 10.9-16).

Faça exatamente o contrário do que sempre creu que deva fazer! Sua interpretação da Bíblia diz uma coisa, e a voz de Deus diz outra! Esses e outros pensamentos fazem parte de uma mudança radical, de um novo tempo. Como você reagiria numa situação em que precisasse fazer algo contrário a suas tradições ou convicções?

Vamos ver alguns elementos dessa passagem e como ela nos ensina sobre mudanças no modo de Deus agir dentro do seu plano.

1- Para Deus, a mudança é voltar para o propósito original; para nós, é introduzir algo novo.

Desde o início, Deus planejou abençoar todas as nações (Gn 12.1-3). Isso foi muito antes da lei de não comer animais impuros. Como Paulo afirma em Gálatas 3.17, a lei não poderia revogar a aliança que Deus fizera com Abraão mais de 400 anos antes, nem invalidar a promessa. A promessa mencionada nessa passagem refere-se à salvação dos gentios. Portanto, não era objetivo de Deus usar a lei para separar os judeus das demais raças gentílicas de forma sectária. A separação proposta por Deus era para que, tendo um povo corretamente posicionado, pudesse ele, então, ser uma bênção para as demais nações.

Quando chegamos à época do livro de Atos, no Novo Testamento, encontramos Pedro, um judeu cheio do Espírito, exatamente como o Pai sempre desejou que todos os filhos de Abraão fossem. Entretanto, quando chegou a hora de cumprir a missão, o chamamento inicial do povo escolhido, vemos Pedro oscilando. Ele estava na dúvida porque o que o Espírito lhe propusera na visão era diferente de sua interpretação das Escrituras.

Essa é uma das realidades que veremos com cada vez mais frequência nos próximos dias. Nossas tradições e interpretações prediletas serão abaladas pelas novas direções de Deus. Será que Deus daria mesmo uma direção contrária àquilo que sempre entendemos como o caminho revelado do Senhor? Podemos descobrir, voltando ao propósito original que Deus revelou em sua Palavra.

A lei de Moisés foi extremamente necessária para o propósito de levantar um povo peculiar que abençoasse os demais povos. Entretanto, chegou um tempo em que seu propósito foi completado por uma revelação nova. A lei serviu como um tutor para levar os judeus até Cristo, mas, quando ele chegou, foi iniciado um novo tempo. Deus estava fazendo algo diferente, mas, na realidade, essa novidade não era tão nova assim; era simplesmente o propósito original sendo implementado.

2- Mudança de regras na Nova Aliança significou mudança de localização da lei

A lei nunca foi abolida pelo fato de Cristo ter vindo; pelo contrário, passou para um novo lugar. Ao invés de estar fora de nós, como um conjunto de regras, passou para dentro de nós. Continua sendo a mesma lei, só que agora escrito no coração pelo Espírito Santo que habita em nós.

Temos algumas vezes a tendência a pensar que, se Deus está mudando seu modo de operar, podemos afrouxar o rigor de uma vida de santidade. Não precisamos mais nos sujeitar a regras – estamos livres para agir conforme quisermos (ou sentirmos). Isso está totalmente errado. As mudanças que Deus ordena sempre visam a uma maior purificação e santificação do seu povo, não a qualquer tipo de retrocesso que fosse nos afastar mais dele.

Quando se elimina a regra exterior que obriga a pessoa a obedecer a algo exato e objetivo, pode-se então constatar quem realmente foi transformado no interior pela regeneração do Espírito. Se temos um novo coração, nosso procedimento nunca poderá ser de santidade inferior àquele que é subordinado por regras da velha aliança. Jesus disse que nossa justiça precisa exceder à dos escribas e fariseus. Isso é verdadeiro porque houve uma mudança de localização da lei; quando ela passar a habitar no interior, a justiça que resulta do cumprimento da lei será muito maior.

Por isso, quando você começar a perceber que as regras estão mudando, você deverá ser sincero como Pedro e dizer: “Nunca fiz algo assim”. Ao mesmo tempo, nunca rejeite a voz divina que deseja guiá-lo para algo bem diferente daquilo que está acostumado a fazer (suas tradições). Quando as regras mudarem, entenda que não se trata de uma negação das antigas regras, mas de uma interiorização das mesmas, deixando de ser um simples proceder e passando a ser um intenso desejar a partir do coração.

A visão do lençol pode contradizer sua interpretação da lei, mas a dificuldade está em sua incapacidade de compreender. Obedeça à voz que gerou a lei, pois dessa forma você estará seguindo o propósito principal da lei.

Ângelo Bazzo é gaúcho, casado com Carolina Sotero e atualmente reside em Monte Mor, SP. Faz parte da equipe do CPP (Curso de Preparação Profética) e se dedica ao levantamento da geração que verá a volta de Jesus.

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